Ao saírem da Escola, Lívia e o
padrasto foram direto para o hospital municipal para onde a mãe da menina tinha
sido levada. Foram de táxi e enquanto o padrasto tentava dar sinal de que as
coisas não eram tão ruins como ela estava pensando, a menina nem mesmo ouvia o
que ele dizia. Ia encolhida no canto do carro, chorando baixinho e pensando no
que seria da vida dela se a mãe não resistisse a tudo aquilo.
Na escola, a aula havia acabado e
ninguém tinha visto mais a Lívia, então, na saída, as meninas encontraram a
coordenadora e a Ju não resistiu, foi logo perguntando:
―
Oi Tia Marta! A Lívia não voltou pra sala de aula mais... o que que ela
aprontou dessa vez? Ela foi suspensa?
A coordenadora já sabia de todas
as dificuldades que a Lívia tinha com a maioria da turma, principalmente com a
Ju, Mannu e Marianna. Para impedir que a Ju continuasse com toda essa reserva
contra a Lívia, decidiu que seria melhor que as crianças soubessem da verdade
para evitar que a menina ouvisse palavras duras em um momento em que estava
frágil daquele jeito.
―
Não, minha filha, respondeu a Tia Marta.
―
Eu vou precisar que vocês sejam muito compreensivas com a Lívia, porque ela
está passando por um momento muito difícil. O padrasto dela veio buscá-la
porque a mãe dela foi internada em estado muito grave hoje. Os médicos disseram
que nem sabem se ela vai conseguir resistir.
Aquilo pegou as cinco meninas de
surpresa e o susto foi enorme. Ficaram mudas sem saber o que dizer
― Pois
é, meus amores, ela vai precisar de muito apoio, caso a mamãe dela não
consiga... Bem, a gente sabe que eles vão fazer tudo para que ela se recupere entendem? Mas a Lívia saiu muito tristinha daqui, chorando...
A primeira a interromper o
silêncio que caiu sobre todas ali foi justamente a Juliana.
―
Ai, Tia Marta, se eu soubesse não tinha nem aberto a minha boca...
Em seguida a Marianna falou:
―
Eu não disse? Que isso me lembrou aquele dia da Di e do pai dela...
A coordenadora se apressou em
incentivar as meninas para que não se abatessem também. Chegou a pensar que
não deveria ter comentado isso com as crianças, mas, devido à situação especial
que rodeava a Lívia em relação à maioria das crianças na Escola, achou melhor
usar isso como um trampolim para, talvez, quebrar a cadeia de implicância e rejeição
que existia entre elas. Parece que funcionou...
―
Gente, o que será que nós vamos fazer agora? Não podemos brigar com a Lívia nem
amanhã, nem depois...
Disse a Ju, pensando que teria que
aceitar a nova tentativa de um acordo de
paz que a Camila tinha sugerido e que só ela e a Mannu haviam concordado.
―
Tia Marta, a senhora sabe para qual hospital ela foi levada? ― perguntou a Mannu ― porque se ela foi pro hospital do
meu pai ele vai dar um jeito de salvar ela sabe?
―
Não meu amor, ela foi para um hospital municipal que, aliás, está bem cheio de
problemas, com greves da classe médica, e falta de medicamentos, equipamentos etc...
―
Mas tia, por que eles não levam a mãe dela pra lá, o meu pai podia...
A coordenadora acabou falando mais
coisas do que gostaria novamente, tudo para que as meninas conseguissem criar
alguma empatia com a Lívia, e pudessem entender a situação.
―
Mannu, minha querida, acontece que a família da Lívia não é uma família rica,
eles lutam muito para sobreviver. O hospital em que o seu pai trabalha é caríssimo e particular. A mãe da Lívia não tem recursos para isso, ela é uma costureira, excelente por sinal,
eu conheço, e o padrasto é um sujeito meio esquisito que trabalha em
construções, isso quando não está bêbado demais, infelizmente sabe?
As meninas ficaram chocadas, pois
nunca imaginaram quais problemas a Lívia tinha em casa.
Os pais da Ju e da Duda chegaram e
elas foram para o carro.
―
Tchau Camila, tchau Mannu, tchau Ma!! Repetiram em coro.
―
Tchau... ―
responderam as outras ainda abatidas pela notícia ruim e inesperada.
A Marianna perguntou em seguida:
―
Tia Marta, como é que a Lívia estuda aqui então, porque eu ouvi o meu pai
falando que essa é a melhor escola que tem por aqui, e é muito cara... a
senhora disse que a família dela não é rica...
―
É verdade meu amor, eles moram em uma casa muito modesta, mas boazinha até, só
que a mãe dela trabalha muito, desde que amanhece o dia, para dar conta das
coisas todas e garantir o sustento da família, porque com o marido, padrasto da
Lívia, ela não pode contar muito não, ele bebe muito e, às vezes, fica muito
tempo sem trabalhar.
―
Então tia... como será que ...
―
É o seguinte, a Lívia tem um tio, que é muito rico, mas não se dá com a irmã
dele, que é a mãe da Lívia, vocês entenderam né?
―
Huum, acho que sim tia... o irmão da mãe da Lívia é tio dela né... o tio
rico...
―
Isso mesmo. Quando a mãe da Lívia foi abandonada pelo namorado, o verdadeiro
pai da Lívia, ela pediu para que o irmão a ajudasse porque estava grávida e sem trabalho. Mas ele não quis. Disse
que avisou muitas vezes para a irmã que aquele cara não prestava e ela não quis
ouvir. Desde esse tempo eles não se falavam, e a irmã teve que se virar sozinha
até a Lívia nascer.
― Mais
tarde, acho que ele, o irmão, teve
remorsos e procurou a irmã para oferecer ajuda, mas ela já estava casada com
esse homem que é o padrasto da Lívia. Esse homem expulsou o irmão da mãe dela
da casa deles e não permitia que eles conversassem. Ele é um homem muito
violento. Só que o irmão achou um jeito de se comunicar com a mãe da Lívia e prometeu pagar todos os
estudos dela até a Universidade. E é por isso que ela estuda aqui, ele paga
tudo, inclusive os materiais para ela.
Neste momento, o pai da Marianna
chegou e logo em seguida a Zezé também, para buscar a Mannu e a Camila. Agora a
Escola e os pais da Camila já tinham autorizado a Zezé a trazer e levar a
menina junto com a Mannu.
No próximo capítulo saberemos mais
sobre os acontecimentos com a mãe e a família da Lívia, e os resultados de tudo
isso... Bom fim de semana!





Mal posso esperar pra continuar esta história!!
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