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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

CASO COMPLICADO - CAPÍTULO 31


Quando se reuniram todos, o médico pediu para falar primeiro com o marido da paciente, em particular, e isso deixou a Lívia muito assustada, embora o médico tenha explicado que era apenas para ele assinar alguns papéis. Com os olhos arregalados, a Lívia ficava falando consigo mesma e com as três ao mesmo tempo.

Uai, por que ele não quis falar aqui na nossa frente? Eu queria ouvir o que a minha mãe tem... Será que ela piorou?

A tristeza voltou no rosto da menina...


A Zezé tratou de ir acalmando a menina, pois ninguém sabia nada ainda para entrarem em preocupações maiores.

Calma, minha filha, eles precisam mesmo que o seu padrasto assine alguns papéis para internação e outras providências, isso é normal, sabe?

Tá bom Zezé... mas você não achou que o médico estava com uma cara muito feia?

Feia? Não...Eles são todos sérios, querida, não se assuste...

A Mannu e a Camila também tentavam distrair a atenção da Lívia, embora as duas estivessem sentindo um frio na barriga, tanto pelo fato de estarem em um hospital quanto pela situação toda envolvendo a amiga.

Eu acho que ela já está bem, só que eles querem que ela durma aqui, porque daí é mais fácil pra eles cuidarem dela não é Zezé? Disse a Mannu, como se entendesse muito bem do assunto.

É meu amor, talvez seja isso mesmo...

Em seguida apareceu o padrasto, com uma cara muito séria e olhava para as quatro sem dizer nada.

E então, Seu Aurélio... ela está melhor?


Ao ouvir isso a Lívia ficou branca e as outras três ficaram sem fala por alguns instantes. Até que a Zezé, com cautela, tentou fazer com que o “incrível” Sr Aurélio entendesse que era preciso um pouco de tato pra falar na frente das crianças e principalmente da Lívia.

Bem, Seu Aurélio disse a Zezé em um caso de doença, é claro que as coisas nunca estão muito boas mesmo né? Mas, podem melhorar, não é mesmo??

A Zezé perguntava isso fazendo sinais com o olhar e com a boca, para que ele entendesse o recado e ainda apontando para a Lívia à sua frente.


Felizmente, em seguida, apareceu o médico pedindo licença e falando em termos mais amenos com as quatro. Mal viu o médico e o Seu Aurélio saiu apressado.

Com licença, eu sou o Dr. Samuel e estive examinando a sua mãe, não é mesmo garota? Como é o nome dela? Perguntou olhando para a Zezé e apontando para a Lívia.

É Lívia, Doutor...

Ah sim, Lívia, então mocinha... a sua mãe está com um problema realmente sério, mas ela está melhor agora. Só que está dormindo, porque tomou um medicamento bem forte, então, você ainda não vai poder falar com a sua mamãe, ok? Nós precisamos tomar algumas decisões aqui, para que ela sare completamente, certo?

Ao ouvirem isso, o alívio foi geral, a cor voltou no rosto da Lívia enquanto a Camila e a Mannu não deixaram de registrar o seu “EEEEBAAA!!!!”

Tá vendo Lívia? Ela vai sarar sim! Amanhã ela já vai estar bem boa, você vai ver! Disse a Mannu com toda a segurança de uma filha de um neurocirurgião com seus experientes seis anos de idade.


 
Enquanto as meninas conversavam mais animadinhas ali, e já com disposição para brincar um pouquinho,  o médico fez um sinal para a Zezé. Ela se aproximou e ele disse baixo o suficiente para não atrair a atenção das meninas.

A senhora é parente dela também?

Não senhor, apenas conhecida, nem conhecida afinal, pois quem eu conheço da família é a menina só, e, o padrasto, que vi apenas hoje.

Ah, entendo... ele é um tanto rude, com a criança; por isso fiz questão de vir falar com vocês para explicar... bem, não expliquei tudo ainda. Estamos, realmente, com um problema muito sério aqui.

Como? É mesmo Doutor? Mas... a mulher está... viva, não é?

― Por enquanto senhora. E não sabemos até quando vai aguentar. O problema aqui é que, como a senhora deve ter ouvido falar, a maioria dos médicos estão em greve. Nossos melhores cirurgiões não estão aqui e nem virão. Essa mulher precisa de uma cirurgia cerebral urgente, caso contrário... Precisamos transferir essa paciente para algum lugar com condições de operá-la. Aqui vai ser impossível, infelizmente.


O pior é que o marido me parece um bocado despreparado e quando falei da situação, ele simplesmente virou as costas e saiu dizendo: “ Se virem! Os médicos são vocês, não eu...” Isso na “linguagem” própria lá, dele né, ele é muito desinformado mesmo, o coitado, então, não posso discutir o assunto com uma pessoa dessas.

É... sem contar que ele é bem grosseiro também...

Pois é, não quis assinar nenhum dos papeis que mostrei a ele... a senhora conhece mais alguém da família?

Pior que não conheço mais ninguém doutor... Vou pensar aqui, no que poderíamos fazer...

Certo, eu volto daqui a pouco para ver se conseguiram descobrir alguém.  Posso encaminhá-la para outro hospital, mas já adianto que ela vai precisar de um bom neurocirurgião. Existe um outro hospital público não muito distante daqui, maior e bem equipado onde eles têm um ótimo neuro que opera lá uma vez na semana, coincidentemente, amanhã. Se acharem quem autorize podemos transferir a paciente. Caso não haja ninguém, devido à seriedade do caso e o risco de morte da paciente, eu posso autorizar o transporte. É só me dizerem que eu preparo o relatório dela e tudo mais necessário.


Neste momento as meninas vieram em sua direção querendo saber o que mais o médico tinha falado. A Zezé resolveu não contar nada ainda sobre a seriedade do caso, pois seria outra sobrecarga em cima da Lívia, que mal tinha acabado de se animar um pouquinho com a presença das meninas.

Bem, o que ele disse foi... foi que o remédio que a sua mãe tomou é mesmo forte Lívia, e que ela vai dormir até amanhã... e sabe, eu preciso dar um telefonema... Vamos fazer o seguinte? Vamos naquela lanchonete que eu vi lá na frente do hospital? A gente faz um lanchinho lá enquanto eu vou ligar pra sua mãe tá Mannu? Aposto que você está com fome não Lívia? E vocês também meninas.

É... agora estou mesmo disse a Lívia antes eu só estava com um frio no estômago e então não queria comer nada... Cadê o... Seu Aurélio, Zezé?

É... ele foi... providenciar algumas coisas para a sua mãe Lívia, ok? Vamos lá, vamos comer alguma coisa gostosa!!

E saíram em direção à lanchonete enquanto os pensamentos na cabeça da Zezé rodavam a mil, se ela tivesse hélices na cabeça, ela poderia até levantar voo, como um helicóptero.



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