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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

FIM DO DIA COMPLICADO... - CAPÍTULO 33


Depois de tratar dos detalhes todos e se inteirar do caso da mãe da menina, Zezé chamou as crianças para irem embora, pois já estava ficando tarde.

Vamos meninas? Acho que já é hora de descansar um pouco.

A Lívia, imediatamente, olhou espantada para o Dr. Samuel que acompanhava a Zezé até ali onde elas estavam.

Mas... Dr. Samuel... eu não vi a minha mãe ainda...

Então, minha filha, ela está em uma sala onde não dá pra você entrar agora. Além disso, como eu falei, ela está  dormindo, então, talvez seja melhor você ir com as suas amiguinhas agora e amanhã você vai lá, no outro hospital, para ver a sua mãe tá bom? Se Deus quiser, ela vai estar melhor tá querida?

Hum hum... disse a menina ainda pensativa e sem coragem de se mexer do lugar, como se esperasse mais alguma coisa.

A Zezé puxou um assunto muito interessante.
Lívia! Onde foi que você deixou a sua bonequinha?


  Está aqui!! A Zezé entregou a boneca tirando a mão detrás das costas Você tinha deixado lá na lanchonete, porque saímos muito depressa, lembra? A moça de lá acabou de me trazer aqui.

A menina agarrou a boneca suspirando aliviada!

Aiiiii, minha bonequinha, tão lindinha!! Como que eu esqueci você lá? Desculpa, desculpa, desculpa!!!


Resolvido o problema, ela perguntou meio desconfiada.

Mas, Zezé, onde está o meu padrasto, eu vou ter que ir embora com ele... e eu não sei onde ele está?

A Zezé, experiente que era, já tinha avisado a Dra. Laura que, possivelmente, a Mannu teria que levar a amiguinha para dormir lá, caso o padrasto não voltasse. Com a devida autorização da patroa, não havia mais problemas.

Olha, o que você acha de ir dormir lá com a Mannu hoje hein?

A menina arregalou os olhos, sem saber se ficava alegre ou não.

Mas... é que eu não sei, eu não pedi ordem pra ele, e ele é muito bravo Zezé, daí ele vai querer me bater de novo...

Como é? Bater? Bem... é... eu vou tentar achar o seu Aurélio por aí então, mas não sei se ele vai demorar e...

A Zezé ficou um pouco perdida com isso. Podia imaginar, pelos poucos minutos de convivência com o sujeito, que ele era bem capaz de tudo isso mesmo. Então, não podia colocar a menina em apuros também. Enfim, saíram perguntando na saída para todas as pessoas da recepção se tinham visto aquele senhor, assim, assim, passando por ali. Uma das moças, que estava sentada aguardando atendimento havia muito tempo já, interrompeu um telefonema para dizer:

Senhora, eu vi sim, é o marido da mulher que chegou hoje meio desmaiada né? Eu vi quando eles chegaram.

Talvez, não sei garantir... disse a Zezé, preocupada se a Lívia tinha ouvido o que a moça tinha falado.

Pois é, ele passou aqui, saiu, voltou depois mais e... ele é meio grosso né? Nem me pediu, “mandou” que eu ligasse pra um táxi porque ele precisava ir embora. Eu tentei dizer para ele falar com as moças ali da recepção, mas ele foi quase gritando: “Ligue, ligue duma veiz! Não custa nada!” Então eu liguei... e ele foi... nem me agradeceu.

Hummmm, ach o que só pode ser ele mesmo...



Zezé descreveu a roupa e o tipo físico para a moça que concordou imediatamente.

É.. é ele mesmo!! Sujeito grosso! Eu não sei como é que deixam um cara desses andando por aí e convivendo com seres humanos normais! 

É... né?  ―  respondeu a Zezé, meio sem graça, tentando disfarçar por causa da Lívia.



A Zezé não sabia o que fazer para conter a ira da mulher sem noção que falava sem nem saber que parentesco o homem poderia ter com alguém dali. Enfim, agradeceu rapidamente a moça e puxou as meninas pra fora o quanto antes.

 Lá fora, a própria Lívia falou:

É por isso Zezé, que eu não sei se eu posso ir... porque ele é bem como a moça falou, muito bravo e muito ruim mesmo!

Mas, querida, se ele não está aqui, e não sabemos que horas ele vai voltar, vamos embora. Não é culpa sua, afinal ele não avisou ninguém que estava saindo e nem que horas voltaria. Ele estava com você, tinha que ter se lembrado disso.

Pois é... e agora?

Minha filha, vamos conosco. Depois eu converso com esse seu padrasto e ele não vai poder dizer nada tá? Deixa que eu me entendo com ele.

Huummm, será Zezé?? Disse a Lívia com o medo estampado no rosto.



Você quer que eu te leve em casa? Você sabe me explicar o caminho daqui?

Huuummm, daqui eu não sei Zezé...

Mas Lívia, você sabe o nome da rua e o número que daí a Zezé, coloca naquele “gepeéste” dela, no carro...

GPS né Mannu?

Isso... Vai dar certo não vai Zezé?

É... podemos tentar... se bem que...

Ah, vamos sim, vamos Zezé, daí a Lívia já pode pegar o pijama dela e o material.

Ih!! Deixei o material lá na escola... porque eu não sabia que eu ia sair e não voltar pra sala...

Não faz mal, amanhã a gente vê isso. Vamos logo, que já está ficando tarde né? Disse a Zezé já preocupada.

Zezé, se você vai me levar até lá, então, daí, você podia pedir pra ele pra eu dormir lá na casa da Mannu, porque eu não quero ficar com ele lá em casa, eu tenho medo dele.

Pode deixar querida, eu falo com ele sim.

EEEEBAAAA! registrou a Mannu!

Colocaram o endereço no carro, e lá se foram elas em mais uma aventura naquele dia, aliás, que dia!!!

Conseguiram achar o local; uma casa bem simples, em um bairro simples também. Estava tudo escuro quando chegaram e a Lívia ia dizendo quando se aproximaram da casa.

A minha casa não é nada bonita sabe? Então, acho melhor vocês nem entrarem lá... 

Que é isso Lívia? Disse a Zezé.

Uma casa não precisa ser “bonita”, ela precisa ser limpa, só isso. Aí ela já fica bonita, sabia?

É... a minha mãe também fala isso sabia Zezé?

Então, isso é mais importante que beleza...

A Camila e a Mannu estavam quietinhas, olhando tudo em redor e com um pouco de medo, porque o lugar não tinha muita luz nas ruas.  Só alguns postes iluminavam a rua, os outros estavam sem luz. Sorte que tinha um pouco de luar pra ajudar.

A Zezé encostou o carro perto da porta e falou:

Parece que não tem ninguém aí Lívia...

É mesmo...

Saíram as duas e falaram para a Camila e a Mannu ficarem no carro. Rodearam a casa e não ouviram nada. Olharam por uma janela, tinha apenas uma luz acesa em um cômodo, o resto estava escuro.


Assim que entraram no carro para irem embora, apareceu uma vizinha do outro lado da rua para falar com elas.

Oi, vocês estão procurando... Ah, é você Lívia? Como é que tá a sua mãe ela melhorou?

A Zezé tomou a frente para responder.

Ela está um pouco melhor sim senhora...

Ai que bom! Porque ela saiu mal daqui, nossa!! Ela punha a mão na cabeça e girava de um lado pra outro de tanta dor!!

Tá certo, senhora, mas ela está melhor agora, interrompeu logo a Zezé, antes que ela entrasse em mais detalhes possivelmente até aumentados pela vontade de contar histórias da mulher.

A senhora sabe do Seu Aurélio?

Pois então, ele veio fez uma baita mala e saiu. Eu até perguntei se ele ia dormir no hospital mas ele, sabe como é, né? É meio atravessado né Lívia? Ela sabe... Ele só disse que não era da minha conta. Mas eu ouvi ele dizendo pro motorista do táxi pra ir pra rodoviária...

Rodoviária?? Perguntou a Lívia surpresa... Ele nunca viaja...

Pois é, “fia”, não entendi também...

Zezé tratou de arrancar a menina dali. Agradeceu a vizinha “solícita” e foram para o carro. Lá dentro ela disse:

Lívia, minha filha, você vai conosco sim, e não vai ter problema nenhum com seu padrasto, pode acreditar!

Acho que eu tenho que ir Zezé, porque eu estou com medo de dormir sozinha aqui... E não tem como entrar...

Imagine!! De jeito nenhum, eu nunca ia deixar você sozinha aqui. Nunca!!

EEEEEEEBAAAAAAAA!!!! Foi o grito das duas, Camila e Mannu.

A Lívia também suspirou muito aliviada, encafifada com a história, mas muito aliviada.



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