Depois de tratar dos detalhes
todos e se inteirar do caso da mãe da menina, Zezé chamou as crianças para irem
embora, pois já estava ficando tarde.
―
Vamos meninas? Acho que já é hora de descansar um pouco.
A Lívia, imediatamente, olhou
espantada para o Dr. Samuel que acompanhava a Zezé até ali onde elas estavam.
―
Mas... Dr. Samuel... eu não vi a minha mãe ainda...
―
Então, minha filha, ela está em uma sala onde não dá pra você entrar agora.
Além disso, como eu falei, ela está
dormindo, então, talvez seja melhor você ir com as suas amiguinhas agora
e amanhã você vai lá, no outro hospital, para ver a sua mãe tá bom? Se Deus
quiser, ela vai estar melhor tá querida?
―
Hum hum... ―
disse a menina ainda pensativa e sem coragem de se mexer do lugar, como se
esperasse mais alguma coisa.
A Zezé puxou um assunto muito
interessante.
―Lívia!
Onde foi que você deixou a sua bonequinha?
―
Está aqui!! ―
A Zezé entregou a boneca tirando a mão detrás das costas ― Você tinha deixado lá na
lanchonete, porque saímos muito depressa, lembra? A moça de lá acabou de me
trazer aqui.
A menina agarrou a boneca
suspirando aliviada!
―
Aiiiii, minha bonequinha, tão lindinha!! Como que eu esqueci você lá? Desculpa,
desculpa, desculpa!!!
Resolvido o problema, ela
perguntou meio desconfiada.
―
Mas, Zezé, onde está o meu padrasto, eu vou ter que ir embora com ele... e eu
não sei onde ele está?
A Zezé, experiente que era, já
tinha avisado a Dra. Laura que, possivelmente, a Mannu teria que levar a
amiguinha para dormir lá, caso o padrasto não voltasse. Com a devida
autorização da patroa, não havia mais problemas.
― Olha,
o que você acha de ir dormir lá com a Mannu hoje hein?
A menina arregalou os olhos, sem
saber se ficava alegre ou não.
―
Mas... é que eu não sei, eu não pedi ordem pra ele, e ele é muito bravo Zezé,
daí ele vai querer me bater de novo...
―
Como é? Bater? Bem... é... eu vou tentar achar o seu Aurélio por aí então, mas não
sei se ele vai demorar e...
A Zezé ficou um pouco perdida com
isso. Podia imaginar, pelos poucos minutos de convivência com o sujeito, que
ele era bem capaz de tudo isso mesmo. Então, não podia colocar a menina em
apuros também. Enfim, saíram perguntando na saída para todas as pessoas da
recepção se tinham visto aquele senhor, assim, assim, passando por ali. Uma das
moças, que estava sentada aguardando atendimento havia muito tempo já, interrompeu
um telefonema para dizer:
―
Senhora, eu vi sim, é o marido da mulher que chegou hoje meio desmaiada né? Eu
vi quando eles chegaram.
―
Talvez, não sei garantir... disse a Zezé, preocupada se a Lívia tinha ouvido o
que a moça tinha falado.
―
Pois é, ele passou aqui, saiu, voltou depois mais e... ele é meio grosso né?
Nem me pediu, “mandou” que eu ligasse pra um táxi porque ele precisava ir
embora. Eu tentei dizer para ele falar com as moças ali da recepção, mas ele
foi quase gritando: “Ligue, ligue duma veiz! Não custa nada!” Então eu
liguei... e ele foi... nem me agradeceu.
―
Hummmm, ach o que só pode ser ele mesmo...
Zezé descreveu a roupa e o tipo físico
para a moça que concordou imediatamente.
―É..
é ele mesmo!! Sujeito grosso! Eu não sei como é que deixam um cara desses andando por aí e convivendo com seres humanos normais!
― É... né? ― respondeu a Zezé, meio sem graça, tentando disfarçar por causa da Lívia.
A Zezé não sabia o que fazer para
conter a ira da mulher sem noção que falava sem nem saber que parentesco o
homem poderia ter com alguém dali. Enfim, agradeceu rapidamente a moça e puxou
as meninas pra fora o quanto antes.
Lá fora, a própria Lívia falou:
―
É por isso Zezé, que eu não sei se eu posso ir... porque ele é bem como a moça
falou, muito bravo e muito ruim mesmo!
―
Mas, querida, se ele não está aqui, e não sabemos que horas ele vai voltar,
vamos embora. Não é culpa sua, afinal ele não avisou ninguém que estava saindo
e nem que horas voltaria. Ele estava com você, tinha que ter se lembrado disso.
―
Pois é... e agora?
―
Minha filha, vamos conosco. Depois eu converso com esse seu padrasto e ele não
vai poder dizer nada tá? Deixa que eu me entendo com ele.
―
Huummm, será Zezé?? Disse a Lívia com o medo estampado no rosto.
Você quer que eu te leve em casa?
Você sabe me explicar o caminho daqui?
― Huuummm,
daqui eu não sei Zezé...
―
Mas Lívia, você sabe o nome da rua e o número que daí a Zezé, coloca naquele
“gepeéste” dela, no carro...
―
GPS né Mannu?
―
Isso... Vai dar certo não vai Zezé?
―
É... podemos tentar... se bem que...
―
Ah, vamos sim, vamos Zezé, daí a Lívia já pode pegar o pijama dela e o
material.
―
Ih!! Deixei o material lá na escola... porque eu não sabia que eu ia sair e não
voltar pra sala...
―Não
faz mal, amanhã a gente vê isso. Vamos logo, que já está ficando tarde né? ― Disse a Zezé já preocupada.
―
Zezé, se você vai me levar até lá, então, daí, você podia pedir pra ele pra eu
dormir lá na casa da Mannu, porque eu não quero ficar com ele lá em casa, eu
tenho medo dele.
―
Pode deixar querida, eu falo com ele sim.
―
EEEEBAAAA! ―
registrou a Mannu!
Colocaram o endereço no carro, e
lá se foram elas em mais uma aventura naquele dia, aliás, que dia!!!
Conseguiram achar o local; uma
casa bem simples, em um bairro simples também. Estava tudo escuro quando
chegaram e a Lívia ia dizendo quando se aproximaram da casa.
―
A minha casa não é nada bonita sabe? Então, acho melhor vocês nem entrarem
lá...
―
Que é isso Lívia? Disse a Zezé.
―
Uma casa não precisa ser “bonita”, ela precisa ser limpa, só isso. Aí ela já
fica bonita, sabia?
―
É... a minha mãe também fala isso sabia Zezé?
―
Então, isso é mais importante que beleza...
A Camila e a Mannu estavam
quietinhas, olhando tudo em redor e com um pouco de medo, porque o lugar não
tinha muita luz nas ruas. Só alguns
postes iluminavam a rua, os outros estavam sem luz. Sorte que tinha um pouco de
luar pra ajudar.
A Zezé encostou o carro perto da
porta e falou:
―
Parece que não tem ninguém aí Lívia...
―
É mesmo...
Saíram as duas e falaram para a
Camila e a Mannu ficarem no carro. Rodearam a casa e não ouviram nada. Olharam
por uma janela, tinha apenas uma luz acesa em um cômodo, o resto estava escuro.
Assim que entraram no carro para
irem embora, apareceu uma vizinha do outro lado da rua para falar com elas.
―
Oi, vocês estão procurando... Ah, é você Lívia? Como é que tá a sua mãe ela
melhorou?
A Zezé tomou a frente para
responder.
―
Ela está um pouco melhor sim senhora...
― Ai
que bom! Porque ela saiu mal daqui, nossa!! Ela punha a mão na cabeça e girava
de um lado pra outro de tanta dor!!
―
Tá certo, senhora, mas ela está melhor agora, interrompeu logo a Zezé, antes
que ela entrasse em mais detalhes possivelmente até aumentados pela vontade de
contar histórias da mulher.
―
A senhora sabe do Seu Aurélio?
―
Pois então, ele veio fez uma baita mala e saiu. Eu até perguntei se ele ia
dormir no hospital mas ele, sabe como é, né? É meio atravessado né Lívia? Ela
sabe... Ele só disse que não era da minha conta. Mas eu ouvi ele dizendo pro
motorista do táxi pra ir pra rodoviária...
―
Rodoviária?? Perguntou a Lívia surpresa... Ele nunca viaja...
―
Pois é, “fia”, não entendi também...
Zezé tratou de arrancar a menina
dali. Agradeceu a vizinha “solícita” e foram para o carro. Lá dentro ela disse:
―
Lívia, minha filha, você vai conosco sim, e não vai ter problema nenhum com seu
padrasto, pode acreditar!
―
Acho que eu tenho que ir Zezé, porque eu estou com medo de dormir sozinha
aqui... E não tem como entrar...
―
Imagine!! De jeito nenhum, eu nunca ia deixar você sozinha aqui. Nunca!!
EEEEEEEBAAAAAAAA!!!! Foi o grito
das duas, Camila e Mannu.
A Lívia também suspirou muito
aliviada, encafifada com a história, mas muito aliviada.







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