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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

COISAS DIFÍCEIS - CAPÍTULO 27


Logo que a Lívia saiu com a professora, o sinal do fim do recreio tocou. Foram todos para as as salas para a última etapa do dia.

A Mannu e as quatro amiguinhas foram juntas, como sempre, todas curiosas para saber o que teria acontecido com a Lívia que precisou ser levada para a sala da coordenadora.

Que será que a Lívia aprontou dessa vez hein? Perguntou a Ju, quase torcendo para que fosse algo bem grave, que garantisse a ela uma suspensão de uns três dias, no mínimo.

Olha, eu não sei respondeu a Camila mas a cara da professora que levou a Lívia, não estava bonita... ela parecia nervosa...

Pra mim pareceu assustada remendou a Duda.

É, eu também achei, comentou a Mannu.

A Marianna que estava quietinha até o momento falou algo que perturbou um pouco as outras.

Isso me lembrou aquele dia que vieram buscar a Di, (Diana) e o pai dela tinha morrido, lembra Mannu.

Aiii, é mesmo!

Ficaram todas quietas por um momento com medo de estarem aumentando as coisas sem ninguém saber ao certo o que é que estava acontecendo. Para tirar aquele desconforto que as palavras da Marianna tinham levantado a Ju não perdeu tempo.

Que nada, gente! Eu aposto que foi a Lívia mesmo que aprontou alguma coisa, e não foi pouca coisa não...

Na sala, cada uma foi para o seu lugar e a aula recomeçou.

Enquanto isso na sala da coordenadora a cena era a seguinte: A Lívia entrou com a professora e a primeira pessoa que viu foi seu padrasto. Isso fez o coração da menina disparar. Ela não se dava bem com aquele homem, que atormentava sua vida desde que se casara com a sua mãe que havia sido abandonada pelo pai da Lívia, grávida dela, aos cinco meses.

O que é isso? disse a menina com o coração aos pulos.


A tia Marta, coordenadora, pediu que a Lívia se sentasse e o padrasto também. Ela fez cara feia e não se sentou. Em seguida a coordenadora assumiu aquele tom “maternal” de quem precisa dizer algo pesado mas não sabe bem por onde começar.

Lívia, minha filha, o seu padrasto está aqui porque você vai precisar ir com ele agora...

Imediatamente a menina interrompeu a coordenadora com a petulância de sempre.

Nem pensar!! Eu não vou não!!! Eu não gosto dele nem um pouquinho!!!

A coordenadora colocou as coisas em ordem, abrandando a voz e falando bem mais baixo do que a menina tinha falado.

Calma Lívia, você precisa saber por que é necessário que você acompanhe o seu padrasto agora, certo?

A menina, muito amuada, se aquietou pois percebeu que tinha exagerado, mas não se sentou. O padrasto resmungou algo na poltrona, e esperava a professora arrematar a conversa, os dois com os olhos fixos na coordenadora.



A tia Marta começou, com cuidado, pois sabia que o terreno ali era um campo minado. Sabia algumas coisas da vida da menina e da família e, portanto, procurava ter muita paciência com a criança.

Lívia, minha filha, às vezes, acontecem coisas que a gente não quer que aconteça, mas que sempre estão rondando a vida de todos nós. Todo mundo enfrenta problemas e dificuldades em certas fases da vida não é mesmo?

Huummm... resmungou a menina e disparou logo em seguida:

Problema pior do que esse que está sentado aqui do meu lado não existe!


A coordenadora tentava manter a menina o mais calma possível para poder chegar ao assunto, propriamente, sem maiores estragos, mas não estava sendo fácil.

Fala logo tia Marta, eu quero ir pra sala, não quero ficar aqui com esse...

Ok, eu vou falar. É que houve um problema com a sua mãe e...

Nesta hora a Lívia arregalou os olhos e começou a gritar perguntas comprometedoras.





Não minha filha, não é nada disso! É que a sua mãe teve um problema de saúde, e teve que ser levada às pressas para o hospital...


A menina se calou imediatamente e mudou de cor e de expressão. A mãe era tudo o que ela ainda respeitava nesse mundo e o simples fato de imaginar sua mãe em um hospital fez com que ela sentisse o chão sumir debaixo dos pés. Ela fitou a coordenadora, incrédula!





Então, minha filha, é isso... ela está internada e talvez tenha que fazer uma cirurgia ainda hoje, só que... ela está muito fraca, e... o médico não pode garantir que ela vá resistir, entende querida?

Algum tempo se passou até que o padrasto falou com a costumeira grosseria.

 - É melhor a gente í logo duma veiz fessora!

A menina ficou paralisada e não sabia o que dizer. Só chorava baixinho e obedecia tudo que lhe mandavam fazer.





Pois é querida, agora dê a mãozinha para o seu padrasto e ele vai levá-la para ver a sua mãe o quanto antes, porque ela estava pedindo pra ver você quando a puseram na ambulância, ok? Não se preocupe, no final tudo vai dar certo viu?

Dizendo isso, a coordenadora deu um beijo na cabeça da menina que saiu, feito um robozinho, de mãos dadas com o padrasto que ela tanto detestava.

Vamos esperar que as coisas estejam melhores amanhã não é mesmo. Quando um novo dia nasce, sempre se renova a nossa esperança. É mais um dia que Deus pode mostrar o Seu poder na vida das pessoas que confiam n’Ele.



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