Logo que a Lívia saiu com a
professora, o sinal do fim do recreio tocou. Foram todos para as as salas para
a última etapa do dia.
A Mannu e as quatro amiguinhas
foram juntas, como sempre, todas curiosas para saber o que teria acontecido com
a Lívia que precisou ser levada para a sala da coordenadora.
―
Que será que a Lívia aprontou dessa vez hein? ― Perguntou a Ju, quase torcendo para que fosse algo bem
grave, que garantisse a ela uma suspensão de uns três dias, no mínimo.
―
Olha, eu não sei ―
respondeu a Camila ―
mas a cara da professora que levou a Lívia, não estava bonita... ela parecia
nervosa...
―
Pra mim pareceu assustada ―
remendou a Duda.
―
É, eu também achei, comentou a Mannu.
A Marianna que estava quietinha
até o momento falou algo que perturbou um pouco as outras.
―
Isso me lembrou aquele dia que vieram buscar a Di, (Diana) e o pai dela tinha
morrido, lembra Mannu.
―
Aiii, é mesmo!
Ficaram todas quietas por um
momento com medo de estarem aumentando as coisas sem ninguém saber ao certo o
que é que estava acontecendo. Para tirar aquele desconforto que as palavras da
Marianna tinham levantado a Ju não perdeu tempo.
―
Que nada, gente! Eu aposto que foi a Lívia mesmo que aprontou alguma coisa, e
não foi pouca coisa não...
Na sala, cada uma foi para o seu
lugar e a aula recomeçou.
Enquanto isso na sala da
coordenadora a cena era a seguinte: A Lívia entrou com a professora e a
primeira pessoa que viu foi seu padrasto. Isso fez o coração da menina
disparar. Ela não se dava bem com aquele homem, que atormentava sua vida desde
que se casara com a sua mãe que havia sido abandonada pelo pai da Lívia,
grávida dela, aos cinco meses.
―
O que é isso? ―
disse a menina com o coração aos pulos.
A tia Marta, coordenadora, pediu
que a Lívia se sentasse e o padrasto também. Ela fez cara feia e não se sentou. Em
seguida a coordenadora assumiu aquele tom “maternal” de quem precisa dizer algo
pesado mas não sabe bem por onde começar.
―
Lívia, minha filha, o seu padrasto está aqui porque você vai precisar ir com
ele agora...
Imediatamente a menina interrompeu
a coordenadora com a petulância de sempre.
―
Nem pensar!! Eu não vou não!!! Eu não gosto dele nem um pouquinho!!!
A coordenadora colocou as coisas em ordem, abrandando a voz e falando bem mais baixo do que a menina tinha falado.
―
Calma Lívia, você precisa saber por que é necessário que você acompanhe o seu
padrasto agora, certo?
A menina, muito amuada, se aquietou
pois percebeu que tinha exagerado, mas não se sentou. O padrasto resmungou algo
na poltrona, e esperava a professora arrematar a conversa, os dois com os olhos
fixos na coordenadora.
A tia Marta começou, com cuidado,
pois sabia que o terreno ali era um campo minado. Sabia algumas coisas da vida
da menina e da família e, portanto, procurava ter muita paciência com a
criança.
―
Lívia, minha filha, às vezes, acontecem coisas que a gente não quer que
aconteça, mas que sempre estão rondando a vida de todos nós. Todo mundo
enfrenta problemas e dificuldades em certas fases da vida não é mesmo?
―
Huummm...―
resmungou a menina e disparou logo em seguida:
― Problema
pior do que esse que está sentado aqui do meu lado não existe!
A coordenadora tentava manter a
menina o mais calma possível para poder chegar ao assunto, propriamente, sem
maiores estragos, mas não estava sendo fácil.
―
Fala logo tia Marta, eu quero ir pra sala, não quero ficar aqui com esse...
―
Ok, eu vou falar. É que houve um problema com a sua mãe e...
Nesta hora a Lívia arregalou os
olhos e começou a gritar perguntas comprometedoras.
― Não minha filha, não é nada disso! É que a sua mãe teve um problema de saúde, e teve que ser levada às pressas para o hospital...
A menina se calou imediatamente e
mudou de cor e de expressão. A mãe era tudo o que ela ainda respeitava nesse
mundo e o simples fato de imaginar sua mãe em um hospital fez com que ela
sentisse o chão sumir debaixo dos pés. Ela fitou a coordenadora, incrédula!
―
Então, minha filha, é isso... ela está internada e talvez tenha que fazer uma
cirurgia ainda hoje, só que... ela está muito fraca, e... o médico não pode
garantir que ela vá resistir, entende querida?
Algum tempo se passou até que o padrasto falou com a costumeira grosseria.
- É melhor a gente í logo duma veiz fessora!
A menina ficou paralisada e não
sabia o que dizer. Só chorava baixinho e obedecia tudo que lhe mandavam fazer.
― Pois é querida, agora dê a mãozinha para o seu padrasto e ele vai levá-la para ver a sua mãe o quanto antes, porque ela estava pedindo pra ver você quando a puseram na ambulância, ok? Não se preocupe, no final tudo vai dar certo viu?
Dizendo isso, a coordenadora deu
um beijo na cabeça da menina que saiu, feito um robozinho, de mãos dadas com o
padrasto que ela tanto detestava.
Vamos esperar que as coisas
estejam melhores amanhã não é mesmo. Quando um novo dia nasce, sempre se renova
a nossa esperança. É mais um dia que Deus pode mostrar o Seu poder na vida das
pessoas que confiam n’Ele.






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