Depois do banho, a Mannu estava se
sentindo bem melhor e reclamando de fome. Então, a Zezé tirou do forno, bem
quentinho, o Escondidinho de camarão, da geladeira uma boa saladinha e um suco
“hipervitaminado” e as duas foram jantar. A Zezé sempre desviando a conversa
quando a Mannu puxava o assunto das “inimigas”.
Ao terminarem o jantar, a Mannu
comeu a cartola, que é uma sobremesa feita com banana, queijo, acúcar, canela e
achocolatado, que alguns dispensam. É uma sobremesa muito comum no Nordeste.
Vai ao forno e fica uma delícia, a Mannu gosta muito.
Depois do jantar, as duas foram
para a sala de TV para conversarem um pouco sobre o “terrível” assunto das “inimigas
perpétuas” da Mannu. Zezé começou falando:
―
Mannu, eu disse pra você, quando estávamos no carro, que as meninas é que são
bobas e elas deviam ir lamber sabão... Mas...
Neste momento a Mannu começou a
rir, pois não tinha prestado atenção nisso que a Zezé tinha falado na hora da
conversa no carro.
―
Você disse lamber sabão?? Como assim??
―
Pois é, eu disse, mas agora estou “desdizendo” como você costuma falar... É
melhor que elas venham comer o bolo mesmo, ao invés de ir lamber sabão né?
―
KKKKKKKKK! Não Zezé, eu quero que elas
vão mesmo lamber sabão! Kkkkkkkkkkkk! Elas vão gostar muuuuuito!! Elas não
quiseram o teu bolo...
A Zezé percebeu que ela estava se
divertindo com a conversa e tratou de incentivar um pouco mais para acabar com
a má impressão que a história tinha criado na cabeça dela.
―
Se você quiser eu posso fazer um bolo, de verdade, mas só que com formato de
barras de sabão e você leva pra elas de presente... Posso até colocar um
gostinho de detergente de côco... Aproveita e já leva a malinha de Primeiros
Socorros, pra quando elas começarem a vomitar!
A Mannu, imediatamente, imaginou a
cena e começou a rir de novo, dizendo: “ECAAAAAAAA!!!!”
Depois de rirem um bocado imaginando
todos os desdobramentos que poderiam resultar daquilo tudo, a Zezé falou:
―
Mannu, agora é sério meu amor! Você sabe que a Zezé nunca faria uma coisa
dessas não é mesmo?
―
Claro que eu sei Zezé... Você é boba também, como eu...
―
Como é??―
a Zezé se espantou com as associações rápidas que a menina fazia.
―
Você ousou me chamar de boba é?
―
HUM HUM! Quiquiqui!!
―
Pois saiba que, se for pra ser boba como você, eu sou mesmo, e quero continuar
sendo...
―
Ihhh... já não entendi, de novo... Você quer ser boba como eu??
―
Claro! Você não é boba, você é inocente e tem sentimentos puros... ainda... como são as crianças, ou pelo menos aquelas
que não foram envenenadas muito cedo. Quero dizer, você não guarda por muito
tempo raiva no coração. Você sabia que Jesus disse que os adultos têm que ser
como as crianças para entrarem no reino d’Ele?
―
Quem é esse Jesus Zezé? É aquele que você falou que também mora no céu? Lá
junto com o outro Papai que eu tenho?
―Esse
mesmo! Ele morou aqui na Terra por um tempo e quando Ele estava aqui Ele
ensinou muitas coisas impressionantes. Uma delas foi que precisamos ser como as
crianças para termos uma fé verdadeira, mais pura, porque só assim entraremos
no reino de Deus.
―
É Zezé?... Então todas as crianças têm fé?
― Não,
nem todas. Algumas nem sabem o que é isso; ou porque são muito novinhas, são
bebês, ou porque já têm idade pra saber, mas ninguém ensinou essas coisas pra
elas, entende? Você, por exemplo, já tem idade e está começando a aprender
sobre isso tudo.
―
Hum hum... E daí Zezé, o que acontece com elas... essas que não aprendem essas
coisas, o Papai do céu vai brigar com elas?
―
Não! O Papai do céu não vai brigar com alguém que nunca aprendeu porque ninguém
ensinou. Ele vai sempre dar um jeito de fazer essas crianças ouvirem sobre
essas coisas quando elas já puderem entender e escolher.
― Escolher
o quê?
―
Escolher... se elas querem aprender e entender sobre essas coisas de Deus... e
viver como Deus quer que a gente viva.
―
Ah... E você acha que a Lívia e a Cássia já aprenderam essas coisas Zezé?
―
Olha meu amor, eu não sei... possivelmente não, mas só elas é que podem te
responder isso, a Zezé não sabe.
Mannu ficou calada por um tempo,
pensativa e depois tirou a tampa do poço de perguntas de novo.
―
Zezé, você acha que as minhas inimigas são más comigo porque ninguém ensinou
pra elas ainda que existe este Papai que mora no céu e cuida de todos nós?
―
Talvez seja isto mesmo... ou talvez elas tenham ouvido, mas a vida delas em
casa seja muito difícil... então, elas não acreditaram muito nisso.
―
Como assim Zezé? Não entendi...
―
Se elas ouviram isso em algum lugar, mas em casa as coisas andam ruins, quer
dizer; muita briga, gritaria dos adultos ou então, ninguém presta muita atenção
nelas em casa, não têm tempo pra ouvir as coisas delas porque são só
crianças... Bem, daí elas podem achar que ninguém liga pra elas, nem existe
este “Papai do céu” porque, pra elas, parece que Ele também não está se
importando com elas, entendeu?
―
Entendi Zezé... pode ser que elas não acreditem que o papai que elas têm aqui
na Terra é bom, e então, não vão acreditar que existe um Papai lá no céu também
que é “mais bom” ainda que o delas aqui né?
Novamente, a Zezé perdeu as
palavras e ficou quase “assustada” com a profundidade da associação feita pela
criança.
―
Isso meu amor! É mais ou menos assim mesmo. Deus é “melhor” (e não “mais bom”
tá?...), mas elas não conseguem acreditar porque tudo é ruim em volta delas...
―
Então, Zezé, agora, eu já não estou mais de mal delas de novo, porque pode ser
que elas não sejam más... só que não sabem como ser boas né? Porque nunca
aprenderam em casa... Também acho que não vou mais levar o bolo de sabão pra
elas, rsrsrsrs.
―
KKKKKKKKK! Isso mesmo meu anjo!! Eu também vou desistir de fazer esse bolo
“nojento” né? Olha, hoje, quando você for dormir, nós duas vamos orar para o
Papai do céu abençoar as duas, certo?
―
Tá bom Zezé, e você acha que vai funcionar?
― É
lógico que vai, você vai ver...
Dizendo isso, a Zezé já foi
avisando:
―
Mocinha, hora de escovar esses dentinhos e ir pra cama, vamos lá?
―
Ah Zezé, eu não quero dormir ainda... E tem mais uma coisa; eu acho que não vou
mais escovar os dentes...
―
E POR QUÊ??
―
Porque a professora falou que se a gente não escovar, eles apodrecem e
podem até cair...
― Como
asssim?????? E você quer que os seus dentes apodreçam???
―
É Zezé!! Porque eles não caem nunca, e o das minhas amigas já caíram e elas já
estão ganhando dente novo, e eu não!!
Desta vez a Zezé não aguentou;
pegou a Mannu no colo e deu um daqueles abraços doidos dela até a menina quase
estourar de rir. Depois explicou que, no tempo certo, os dentes dela seriam
trocados e que ela não precisava se preocupar com isso.
―
Tá bom Zezé, eu vou acreditar em você de novo tá?
―
Tá... então, voa pro banheiro!! E vamos escovar MUITO BEM esses dentes.





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