Mal os pais da menina fecharam a
porta e a Zezé já estava chamando a Mannu que estava na cozinha perguntando
para a Nina se ela tinha filhos.
―
Mannu, corre aqui meu amor! Disse a Zezé, sem disfarçar a ansiedade na voz.
―
Já vou Zezé... eu só quero saber se a Nina tem uma filha de cabelo cor de
trigo...
A Zezé esperou um pouquinho mas nem
perdeu tempo com uma segunda chamada. Gritou pela Mannu ali mesmo, na sala onde
estava esperando, e foi logo respondendo pela outra empregada que estava meio
distraída enquanto mexia na geladeira.
―
Meu amor, a Nina não tem filha nenhuma, ela só tem um menino, tá bom? Venha
aqui logo, porque nós temos uma coisa pra resolver antes ainda de começarmos a
tarefa da escola, vem...
Ai Zezé!! Calma! Você tá brava???
―
Não, Mannuzinha, só que estou precisando conversar com você, só isso... E você
está demorando...
―
Tá, tá bom...
Foram as duas para o escritório da
mamãe conversar porque lá é bem sossegado e ninguém ouve.
―
Isso aqui é uma Bíblia. Você já tinha visto?
―
Não!! Nunca vi... Tem histórias?
―
Muitas... Esse aqui estava na estante do escritório do teu papai. Mas como ele
não usa, nós vamos ver umas coisas interessantes aqui. Ele não vai se importar de pegarmos essa porque ele tem outra lá na sala dele no hospital, não se preocupe.
―
Eba, Zezé!! Você vai me contar histórias desse “livrãozão?”
―
Vou sim, já conversei com a sua mãe e ela permitiu algumas coisas, como por
exemplo, oração; histórias bonitas etc... tá bom?
―Ebaaaaaa!
Nesse livrão vai ter histórias sem fim!!Vai durar pra sempre!!
―
De certa forma você acertou mocinha. Aqui tem histórias sobre a eternidade e
que duram pra sempre no coração de quem ouve.
―
Zezé, o que é “e...ter..nidade”?
―
É um período de tempo que nunca tem fim...
―
Huummm... tá bom... Zezé, mas acho que eu não entendi! Um tempo que não tem fim?
Como assim? Ele é mais comprido do que a estrada que vai lá para a nossa casa
na fazenda?
A Zezé riu e foi respondendo
enquanto procurava uma história pra contar para a Mannu.
―
Meu amor, não é nesse sentido... não é tamanho do tempo, é duração do tempo, é
alguma coisa que dura pra sempre... que nunca acaba. É só você pensar em alguma
coisa que nunca tem fim... isto é eternidade. Certas coisas são muito difíceis
até para os adultos entenderem, então, não se preocupe muito com isso, porque é
mesmo difícil de entender.
―
Ah sei Zezé! É como quando a gente está de férias, e a gente não quer que acabe
mais aquele tempo né?
―
Isso, meu amor, é mais ou menos assim, pra você poder entender... Se bem que no
fim das férias, você já está com saudades da escola não é mesmo?
―
É mesmo Zezé... mas eu acho que é mais saudade de brincar com as minhas amigas
de lá...
―
Ahhhh espertinha! Então é isso é? Rsrsrs...
―
Zezé, acha logo essa história!
―
Eu já achei, só que eu tenho que te falar uma coisa primeiro. Você se lembra
que você vive me dizendo que queria que o “Pequeno Príncipe” fosse seu irmão?
―
Claro Zezé! Eu “selembro” e eu queria mesmo que ele fosse...
―
Pois é, então duas coisas eu tenho que te dizer: Primeiro, não é eu “selembro”
é eu ME lembro, tá? Segundo: Você se lembra do sonho que você teve essa noite?
―
Claro que eu “selem...” ME lembro Zezé... foi muito bonito!!
―
Então, lembra também que você falou com um Príncipe no sonho?
―
É Zezééé! É mesmo! E Ele disse que era o meu irmão mais velho... IHHH! Zezé!!!e
sabe? Ele também falou que ele era o “Graaande Príncipe”!!! Será que ele é o
Pequeno Príncipe que já cresceu?
Zezé olhava com carinho aquela
inocência toda, e ao mesmo tempo pensava: “Ela nem sabe da profundidade disso
tudo que ela sonhou..., como é que eu vou explicar isso pra ela?!!”
―
Meu amor, esse não é o “Pequeno Príncipe” que já cresceu, não... Ele é mesmo um
Príncipe, e aqui nesse “livrão” tem a história dele... Ele também era chamado
de “Príncipe da Paz”.
―HÊNNN!!― Disse a Mannu puxando o fôlego
assombrada!
―Zezé!!
Como assim? Ele está aí no livrão e também estava no meu sonho? Mas como? Se eu
nunca li a história dele aí??? Ele não estava guardado na minha memória... Você
não disse uma vez que a gente sonha com aquilo que fica guardado na memória,
que é onde fica também o poço das palavras? Na memória a gente pode lembrar das
coisas assim como lembra das palavras... Não é por isso que a gente sonha...??
― Pois é, meu amor...
E agora Zezé? Como explicar isso? A Zezé vai tentar, no próximo capítulo, mas não vai ser fácil... Não perca !





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