No carro, as duas iam combinando o
que falar quando chegassem ao hospital. A Mannu era a mais preocupada; ao mesmo
tempo que queria muito ajudar a amiga, ficava com medo de ser mal recebida pela
Lívia, pois todas as tentativas de conversa ou de aproximação anteriores sempre foram
repelidas com muita irritação pela menina.
―
Eu nem sei bem o que que eu vou dizer pra ela quando chegar lá Camila. Que tal
que ela faz cara feia pra mim ou começa a gritar comigo, eu tenho medo...
―
Não Mannu, eu acho que ela não vai fazer nada disso não. Ela está muito triste,
lembra que a Tia Marta falou?
―
É... eu lembro, mas...
A Zezé, ia pensativa tentando
achar uma ideia boa para auxiliar as meninas. Até que a Mannu perguntou:
―
Zezé, você acha que a Lívia vai ficar brava porque a gente vai lá?
―
Sinceramente eu não sei Mannu, ela é tão estranha, quer dizer, ela reage de
maneira estranha pelo que você me conta sempre...
A Zezé deu uma freada quase brusca
e sem dizer nada, parou em uma vaga diante de uma loja no caminho.
―
Que foi Zezé? Já chegamos?
―
Não Mannuzinha, eu tive uma ideia...
Dizendo isso, ela chamou as
meninas para saírem do carro e entrarem com ela na loja. As duas foram
acompanhando a Zezé sem entender bem o que ia acontecer. No interior da loja,
uma moça veio atendê-las assim que elas entraram.
―
Olá, posso ajudar?
―
Sim ―
disse a Zezé ―
eu estou procurando uma boneca, ou um bichinho de pelúcia bem bonitinho para
levar para uma criança, você tem algo assim?
―
Claro, por aqui, por favor...
A Camila e a Mannu entenderam na
hora e acharam a ideia ótima!!
―
Ehhhhhh! Isso Zezé!! Ela vai gostar né Camila?
―
Vai sim, tenho certeza!! Olha aquela bonequinha ali, é tão fofinha!
―
Essa aqui? ―
Perguntou a atendente.
―
É... ela é lindinha não é Mannu?
―
É!!! Muito, muito, muito... muito lindinha!! É bem essa Zezé!!
―
Pode sim, vamos lá meus amores, precisamos andar depressa!
A Zezé pagou a bonequinha, pediu
pra fazer um pacote de presente e lá se foram elas, empolgadas...
Chegando ao hospital, a Zezé pediu
as informações necessárias e em pouco tempo estavam diante de uma menina
chorando sozinha em um cantinho da sala de espera que ficava próxima da
enfermaria.
Ela tinha deixado o padrasto sentado lá atrás e veio para perto de
uma janela, para ficar um pouco longe daquele homem que ela não suportava.
Elas se aproximaram quietinhas,
junto com a Zezé, e a Zezé é quem tomou a iniciativa de chamar a Lívia, porque
as duas perderam a fala quando viram a menina. Não foi só medo, foi também
tristeza por ver a carinha dela, o quanto ela estava abatida.
Quando a Lívia ouviu a voz da
Zezé, que ela conhecia bem, quase não conseguiu se mover. Ficou muito espantada
e o coração dela disparou. Mil pensamentos passavam pela cabeça dela, como se
fossem um redemoinho. Ela não se virou
de imediato, com medo de encarar a Zezé e sentindo que a Mannu poderia estar
ali também.
Ela se virou devagar e quando viu
as três paradas ali na sua frente, ela simplesmente não sabia o que fazer.
Ficou parada olhando para elas com uma expressão de quem ia chorar mais ainda.
E de fato, ela não parecia a Lívia que todos conheciam. Sem saber o que fazer
ela correu pra Zezé e se encolheu no abraço dela, chorando alto.
A Zezé, acariciava o cabelo dela
tentando consolar a menina que não parava de chorar, agarrada na Zezé com medo
de tudo e principalmente da vida, que ela não tinha mais a mínima ideia de como
seria, caso sua mãe... fosse embora.
A Mannu e a Camila ficaram mudas e
com muita peninha da Lívia. Nunca poderiam imaginar que ela estivesse assim.
Nem sabiam que ela chorava também, como todo ser humano. Será que afinal ela
não era tão “horrível” assim?
A Mannu já estava com os olhos
cheios de água e a Camila também. Não sabiam o que dizer para a “amiga”. Mas
ficaram ali até ela se acalmar um pouco, para poder conversar.
Novamente a Zezé tomou a iniciativa,
lógico, pois elas estavam paralisadas com o presente na mão.
―
Lívia, olhe, a Mannu e a Camila também vieram e elas querem entregar uma coisa
pra você .
Ela nem conseguia se virar para as
meninas, principalmente para a Mannu. Estava muito envergonhada, por tudo o que
ela bem sabia que tinha feito, nem queria olhar para as duas que estavam ali
sem ação, quase soluçando também.
Enfim, ela olhou para a Mannu e
viu o presente na sua mão. Queria pegar mas, achava que não podia fazer isso
depois de tantas coisas chatas que ela tinha feito para a coleguinha. A Camila
foi quem incentivou a Lívia que estava sem ação, olhando para a Mannu que
estendeu a mão para entregar o presente.
― Pega Lívia, você vai gostar... é tão bonitinha! Disse a Camila.
Finalmente, o presente passou das
mãos da Mannu para as mãos da Lívia, que olhava muito sem graça para as duas.
Antes de abrir, ela tomou coragem e disse para a Mannu.
― Primeiro,
eu... é... eu queria...preciso pedir desculpas né Mannu... como a Tia Marta
falou aquele dia. Eu ia mesmo pedir... não aquele dia, mas quando você me
convidou pra ir comer o bolo da Zezé. É... eu não disse que queria na hora,
porque achei que era fingimento seu e da Ju, principalmente por causa da Ju...
ela não parava de rir... Mas depois, em casa, eu pensei que eu queria ter
falado pra você que eu queria muito ir na sua casa, sabe?
―
É mesmo Lívia? Ebaaa, eu gostei de ouvir isso, viu só Zezé? Disse a Mannu toda
sorridente e ainda com lágrimas pingando dos olhos.
A Camila também ficou feliz com a
atitude da Lívia. Mas, a Lívia ainda tinha coisas que ela queria dizer.
―
Sabe aquele dia Mannu? O dia que a Camila chegou na nossa sala. Eu ia falar com
você, pra pedir desculpas, mas a Cássia ficou com vergonha de ir comigo e eu
também fiquei... por causa da Camila...
Mas agora eu sei que a Camila é legal
também... e... eu não queria ter sido chata com você, desde o começo. Outro dia
eu vou te contar por que eu fui sempre chata assim, desculpa tá?
―
Não faz mal Lívia. Eu desculpo sim, porque eu sempre queria ser sua amiga, mas
não dava certo...né?
―
É, mas... é porque...
A Zezé interrompeu porque estava
aflita para ir saber notícias da mãe da menina.
―
Que bom mesmo Lívia!! Agora abra o seu presentinho querida, abra pra ver se você gosta.
A menina abriu depressa, e quando
viu a bonequinha o primeiro sorriso do dia apareceu no rosto dela.
Nesse instante, o médico que
estava tomando conta do caso da mãe da Lívia apareceu na porta e chamou o
padrasto dela. Elas estavam perto e ouviram. Foram todas para lá para saber alguma
confirmação das coisas.
Será que ela tinha melhorado? Será que estava pior? Já
sabiam o que ela tinha com certeza? Muitas perguntas que rodavam na cabeça de
todos ali. No próximo capítulo você vai saber.









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