Quando já estava pronta, a Mannu
correu e pulou em cima da cama já pedindo pra Zezé ficar conversando com ela
até o “sol acordar”.
―
A Zezé vai conversar com você sim, mas não até “o sol acordar”, quando muito
até “você dormir”!
Já na cama, debaixo das cobertas
ela começou:
―
Zezé, sabe o que eu queria? Queria ter uma amiga bem legal, que fosse assim
como uma irmã minha, que não tivesse cabelo vermelho como eu, podia ser loira
como o “Pequeno Príncipe”... com cabelo de trigo...
― De
trigo? Ele não tinha cabelo “de” trigo, tinha cabelo da cor dourada do trigo,
não é isso?
―
É Zezé! Você também conhece o Pequeno Príncipe? A mamãe já me contou essa
história duas vezes... e eu ainda acho bonita.
―
É ... eu conheço sim... quer dizer; conheço a “história” porque eu também
cont... eu também lia essa história antigamente sabe?
―
Ah é Zezé? E por que você nunca me conta essa história, é sempre a mamãe.
Quando eu peço pra você ler esse livro você sempre diz que este é o livro da
mamãe ler pra mim... Por quê?
―
É porque eu já cansei de ler essa história antes, então, não vejo mais graça
nela, mas a tua mamãe gosta, então ela conta...
―
Pois eu não acho a história “desengraçada”, pra mim ela sempre vai ter graça!
Zezé não sabia se ria ou se
chorava, pois a maneira como a menina usava o poço de palavras que ela tinha
era impressionante. Às vezes ela “filosofava” como se fosse uma discípula de
Platão, outras, era tão criança como todas as crianças precisam ser para
encantar o mundo dos adultos.
― RSRSRSRS!!!! Meu amor! Não diga assim, “desengraçada”, esta
palavra não existe... diga “sem graça”... rsrsrs
―
Mas Zezé, não é a mesma coisa?
― Não, meu amor! Eu já disse que essa palavra nem existe; você vive inventando palavras né menininha sapeca! Cuidado com o que essa boquinha fala! Ainda bem que você não inventou uma palavra pesada ainda, pra eu ter que corrigir o que você fala.
― Não, meu amor! Eu já disse que essa palavra nem existe; você vive inventando palavras né menininha sapeca! Cuidado com o que essa boquinha fala! Ainda bem que você não inventou uma palavra pesada ainda, pra eu ter que corrigir o que você fala.
―
Kkkkkkkk! Tá bom filósofa, vamos mudar de assunto então...
―
O que é “fisólofa” Zezé?
―
Outra hora eu te explico tá? Você não disse que queria orar
pelas suas inimigas?
―
É, eu quero, mas foi você que disse Zezé...
―
Tá bom, não importa. Quer que eu ore? Ou você mesma quer orar, eu já te ensinei
como...
―
Eu mesma quero Zezé... feche o olho!
―
Sim senhora!
Ela começou...
―
Querido Sr Papai do céu, muito obrigada porque eu já não estou mais com raiva
das minhas inimigas. E eu queria pedir que elas virassem minhas amigas e que
viessem comer o bolo da Zezé. Quero também pedir que o Sr nunca deixe a Zezé ir
embora daqui. E também quero pedir que eu ache uma amiga com cabelo de trig...
não... dourado como trigo plantado, e que ela seja como minha irmã, porque o Sr
sabe que a minha mamãe não pode mais ter bebezinho. E eu queria muito um irmãozinho
ou uma irmãzinha. O Sr sabe que eu não estou inventando isso, é porque eu
preciso mesmo disso. Muito obrigada Papai do céu! Ah, só mais uma coisa, que eu
durma bem, e a Zezé também, e a mamãe e o papai. E que eu não tenha pesadelo,
só sonho bom . Em nome de Jesus, que a Zezé disse que mora aí no céu também, junto com o Senhor,
amém!
―
AMÉÉÉM! Que oração mais linda!!
―
Estava certo Zezé? Você acha que Ele escutou?
―
Escutou sim! E está anotando tudo lá no computador d’Ele. E sabe o que mais?
Acho que Ele ficou com vontade de te dar um beijo, como eu agora. Deus te abençoe
meu amor! Durma muito bem!!
Dizendo isso, a Zezé ajeitou as
cobertas da Mannu deu uns três beijos na testa dela e apagou a luz. Foi saindo,
com lágrimas nos olhos que a Mannu nem percebeu...
Mannu, logo pegou no sono, cansada
de todas as más e boas emoções do dia.
Durante a noite, ela teve um sonho
muito estranho, parecia até um filme de tão bonito e real. Ela não acordou com
medo nem com nada de ruim, só virou-se de lado na cama com um sorriso no rosto
e continuou sonhando.
Ela sonhou assim...
―
Hum hum... ―
respondia ela dormindo.
―
Você disse que quer muito ter um irmãozinho não é mesmo?... você vai ter uma
boa surpresa querida.
―
Huuummm, é? ... mas... quem é o Senhor? Respondia a sonolenta Mannu, se
esforçando muito para conversar e falando na cama em voz baixa. Ou melhor,
resmungando em voz baixa e misturando um pouco as palavras. Seu poço de
palavras estava meio bagunçado nessa hora.
―
Como é... o nome?... dele? Não... o nome do Senhor...?
―
Você pode me chamar de Emanuel, que é um nome que eu gosto muito querida...
―
Hããã? O meu é igual! ... quer dizer... quase... é quase igual...
Emannuele...
Você bem podia ser meu irmão...
―
E eu sou... sou seu irmão mais velho... o “Grande Príncipe”...
Neste momento a Mannu acordou
sobressaltada! Querendo sentar-se na cama, mas estava completamente mole e meio
sem saber se estava acordada mesmo ou ainda dormindo...
Virou-se para o outro lado e
continuou pensando enquanto adormecia de novo.
―
UHAHHH... Quero falar... com você de novo Emanuel...
Entrou novamente no mundo dos
sonhos de onde só sairia no dia seguinte com a voz suave da Zezé chamando seu
nome.





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