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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

FIM DA TARDE - CAPÍTULO 14


Quando terminou a aula naquela tarde complicada quando as meninas recusaram o convite da Mannu para passarem o sábado na casa dela, a Zezé chegou um pouquinho mais tarde para buscar a Mannu. 

Quando ela chegou, encontrou a menina triste, conversando com a coordenadora perto do portão da Escola e esperando pela babá.

Imediatamente a Zezé percebeu que as coisas não tinham saído como o esperado. Aproximou-se rapidamente, desculpando-se com a cooordenadora e com a Mannu pelo pequeno atraso, e ao mesmo tempo perguntando:

Que carinha é essa Mannu? As coisas não andaram bem hoje por aqui?

A coordenadora apressou-se em explicar o que tinha acontecido, pois sabia que a disposição da menina para repetir a história toda outra vez estava no nível mais baixo possível naquele momento.

Zezé ouviu tudo e, como já conhecia bem a Mannu, nem tentou prolongar a conversa naquele instante, sabia que ela precisava de um “descanso”. Despediu-se da coordenadora e pegou a menina pela mão para correrem para casa.

Ao entrarem no carro, a própria Mannu tirou a tampa do poço de palavras novamente.

Sabe Zezé, acho que eu nunca mais vou falar com elas mesmo. A Ju é que tem razão, eu sou é boba...


Não, meu amor, você não é boba. Você fez o que podia e o que precisava para se aproximar delas. Se elas não quiseram, bobas são elas! Elas que vão lamber sabão!!

Dizendo isso, a babá ficou repensando se não havia plantado alguma “erva daninha” no coração da criança. Afinal, ressentimento e desprezo crescem em qualquer terreno e ela conhecia muito bem o solo daquele coraçãozinho, uma terrinha fofa em que tudo o que fosse semeado brotaria, criaria raízes e se tornaria uma planta forte com chances de se tornar, mais tarde, uma árvore das mais frondosas.

Zezé pensou por uns instantes, conversou com Deus lá no seu interior e por fim falou:

Mannu, sabe de uma coisa, essa história ainda não acabou... Não sei por que, mas eu sinto que elas vão pensar em casa e vão descobrir elas mesmas que foram bobas de não aceitar teu convite. Você nem vai precisar ir atrás delas outra vez, elas virão procurar você, sabia?

Ah é? Pois se elas vierem eu vou fazer como a Ju disse, não vou querer nem olhar pra cara delas, e vou ser bem “osfentiva” com elas dessa vez.

Você quer dizer “ofensiva” né?

É... é bem isso mesmo. Porque o que eu falei hoje não adiantou de nada, e AHHHH Zezé!! Eu não sabia que aquilo que você me ensinou pra dizer pra elas quando elas me “osfen...tissem” era francês...

Zezé se calou por alguns instantes, com o pensamento longe no tempo e no espaço.



Zezéé? Por que você não me contou que você sabia falar francês? E a professora disse que aquilo não era nenhuma palavra feia...

Mas é claro, meu amor, você acha que eu iria ensinar alguma palavra feia pra você que é tão bonita? Pra quê? Pra você ficar feia junto com as palavras feias na sua boca?

Eu não quero ficar feia... mas eu queria dizer uma coisa que também fosse “osfent... osfensiva”

O-FEN-SI-VA ...

Isso... pra aquelas duas chatas.

Bom, se você quiser fazer a mesma coisa que elas fazem, você vai ser igual a elas, você quer? Você gosta do jeito delas?

Ecaaaa! Não! Não gosto mesmo...

Então, não queira ser igual a elas, faça coisas diferentes...

Mas Zezé, eu já fiz muita coisa diferente. Eu já respondi e já “desrespondi” também e nenhuma coisa funcionou...

Quando você diz que “desrespondeu” você quer dizer que NÃO respondeu? É isso? Que você deixou de responder?

É, Zezé! Claro! Quando você “liga” o carro, você não “desliga” também? É isso que eu to falando...


Dizendo isso, a Mannu cruzou os braços numa atitude de impaciência. Afinal, como é que a Zezé sabia falar “francês” e não sabia o que era “desresponder”.

A Zezé percebeu imediatamente o cansaço da menina e nem continuou com a conversa para evitar a irritação que chega sempre quando o cansaço dá as caras.

Certo, então deixa eu te contar uma coisa. Sabe o que a Zezé fez pra você no jantar hoje? Uma coisa que eu sei que você gosta muito...

Demorou um pouco até a Mannu ter vontade de responder.

MMM... Panqueca...

Não... só mais uma chance...

Pizza? Lazanha? Quibe assado? Eu gosto disso tudo...

Não, “escondidinho de camarão”

Ebaaaaa!!!!

E de sobremesa, “cartola”...

De novo EBAAAAA!!!

Chegaram em casa e em primeiro lugar, aquele banho quentinho para tirar o cansaço e tudo mais que um dia desses derruba em cima da gente.

Mas, antes do banho, a Mannu lembrou-se de perguntar pela mamãe e pelo papai, pois a Zezé já estava colocando a mesa só pra elas, e ficou sabendo que os dois não viriam jantar com elas aquela noite. Lá vem o beiço de novo:



Meu amor, você não vai ficar chateada com eles também né? Você se lembra que hoje eles vieram almoçar com você?

Eu sei, mas eu queria contar pro papai o que as minhas inimigas fizeram... e queria também dizer pra ele que elas são minhas inimigas pra sempre agora...

Meu anjo, venha, vamos tomar aquele banhinho gostoso, colocar um pijaminha macio e depois a Zezé vai falar com você sobre essa história tá? Depois do jantar. Só depois do jantar...


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