Quando a Mannu acordou, a Zezé
estava começando a abrir a cortina para o sol entrar. Ela se espreguiçou
demoradamente na cama enquanto a Zezé jogava palavras de ânimo para ela se
levantar rapidamente.
―
Bom dia, bom dia, bom dia!!!! Olha que sol mais lindo de novo!! Esse vai ser um
dia especial também, tenho certeza!!
―
Huuummmm... bom dia Zezé!! ―
Balbuciou a sonolenta Mannu ainda meio entorpecida.
―
Vamos pular dessa cama menininha? Tem um papai e uma mamãe com saudades de você
lá na copa esperando para o café da manhã.
Mannu deu um sorrisinho e saiu da
cama rápido, lembrando que tinha muitas novidades para contar para os pais,
estava ansiosa para fazer isso. Correu para o banheiro e o ritual foi bem mais
rápido neste dia. Em poucos minutos já estava vestida e pronta para ir
encontrar os pais que a receberam cheios de alegria, pois só tinham visto uma
Mannu “apagada” num sono gostoso na noite anterior quando chegaram.
Depois de um abraço gostoso do papai e outro
da mamãe, foram direto para a mesa com uma Mannu falante até demais, cheia de
coisas novas para contar e com um sorriso muito feliz. Coisas que eles gostavam
muito de ver, embora nesses dias, fazer a Mannu comer era uma tarefa das mais
complicadas. A empolgação não tirava a sua fome, pelo contrário, aumentava,
mas, ela tinha que usar a mesma ferramenta para falar e para comer, e aí a
coisa ficava bem difícil.
―
Meu amor, ―
dizia o papai, vendo que a comida não “diminuía” no pratinho ― Use um pouquinho a sua boca para
comer agora, tá? Depois você empresta ela de novo para o seu poço de palavras,
certo?
A mãe se divertia com a conversa
dos dois, mas também incentivava a filha, senão ninguém sairia da mesa a tempo
de trabalhar naquele dia.
―
Isso mesmo filhinha, se você só falar, não vai sobrar tempo para comer.
A menina tentava comer mais de
dois bocados antes de recomeçar a “narrativa” do dia anterior, mas era
praticamente impossível. Mal colocava a comida na boca e já misturava as
palavras junto com tudo.
―Mannu!!
Assim não filha! Mastigar e falar são duas coisas que não se dão muito bem.
A mamãe já te ensinou, não vai funcionar... ― Dizia a mãe, querendo manter as boas maneiras da criança,
mas com vontade de rir daquela carinha ansiosa tentando “manejar” o alimento
e as palavras de uma vez só.
―
Mas mamãe, você não vê que isso é “descrível” demais!!
―
“Descrível”?? Você quer dizer “incrível” né?
―
É mamãe, uma coisa que não dá pra acreditar, entende?
―
Entendo sim, então é INCRÍVEL mesmo tá?
―
Tá mamãe, “in crí vel”!
― Essa
sua nova amiguinha vai ser como sua irmã então, não é isso?
―
É mamãe, bem como eu pedi para o Pa... para Deus...
Ela ainda não tinha comentado nada
com o papai sobre essa história de ter dois “Papais”,um aqui neste mundo e
outro lá no céu, então evitou usar o termo na frente do pai, temendo que ele
ficasse com ciúmes.
Quando a Dra. Laura escutou essa
afirmação da Mannu, ela olhou disfarçadamente para os lados procurando pela
Zezé, que estava lá na cozinha, longe do seu alcance.
―
Você anda pedindo coisas para Deus agora filha? ― Perguntou o papai, impressionado.
―
É papai, eu andei falando com Ele sobre uns assuntos que Ele já resolveu
sabia? Faltam alguns ainda...
―
Ah é? E como é que você fala com... Deus? ― Perguntou o pai estranhando aquele assunto que nunca era
abordado em casa.
― Eu
falo com Ele orando papai... você não sabe orar?
A Dra. Laura apressou-se em
esclarecer um pouco a situação e amenizar o constrangimento do marido que olhava
espantado e sem graça para as duas.
―
É... Sabe o que é amor? A Zezé ensinou umas orações para ela quando ela estava
com aquele problema para ir para a escola, lembra? Com dor de estômago, etc...
―
É papai! E funcionou sabia? Eu nem sinto mais dor de estômago. E sabia também
que eu não tenho mais medo e nem raiva das minhas “inimigas” que logo, logo
mesmo, vão virar minhas amigas?
―
Ah é? ―
Respondeu o pai “estupefato”, no verdadeiro sentido da palavra.
―
Pois é, e agora que eu tenho essa nova amiga, elas nem vão mais querer brigar
comigo...
― E
por que você pensa isso?
―
Ah papai, não sei... mas eu sinto assim...
―
Humm... ―
respondeu o médico desconcertado.
―
Certo filhinha, agora termine seu pratinho ok? Nós temos que sair logo. ― Disse a mãe.
―
Tá mamãe, mas você não pode sair sem me dizer se eu posso ir fazer tarefa na
casa da Camila.
― Você
falou que ela está morando aqui no andar de baixo não é?
―
Isso mamãe, é bem pertinho...
―
KKKKKK! Eu sei que é bem pertinho meu docinho...
―
Então mamãe, posso??? Posso papai?
O marido olhou direto para a
esposa passando a incumbência da decisão para ela.
―
Bem, meu amor, você vai, mas eu quero que a Zezé vá junto e converse com a mãe
da Camila ok? Só pra ela não pensar que você vai “se mudar” pra lá, e nunca
mais sair da casa dela, tá bom?
A Zezé veio da cozinha para
confirmar se a euforia da Mannu era o que estava passando na cabeça dela
também. Assim que ela apareceu a Mannu foi logo gritando:
―
Zezé! Eles já deixaram!!!!! E eu nem precisei pedir pra você me ajudar viu?
A risada foi geral, tanto pela
alegria da menina como pela criatividade daquela pessoinha que estava se
sentindo o máximo por ter conseguido algo sem a intervenção da Zezé.
A menina abraçou os pais, feliz da
vida, enquanto eles também se despediam para irem para o hospital. Mal eles
saíram e a Mannu já foi pedindo para a Zezé ajudá-la a pegar os materiais e um
boné para ela poder ir ver a sua amiga, no apartamento do andar de baixo.
A Zezé ajudou a juntar os
materiais e convenceu a Mannu que o boné não era necessário. Zezé foi junto,
como a Dra. Laura tinha pedido pouco antes de fechar a porta.
Chegando lá, conheceram a mamãe da
Camila que era uma pessoa tão doce que lembrava um favo de “mel”. Ela também
tinha cabelos “cor de campos de trigo” e era muito, muito parecida com a filha.
Conversaram um pouco sobre as duas meninas e a alegria que elas sentiram quando
descobriram que eram vizinhas.
A mamãe da Camila apresentou a sua
ajudante também, para que a Zezé já soubesse que as duas estariam bem
acompanhadas ali, porque ela teria que ir para o trabalho. Também já combinaram
que seria um dia na casa da Camila e o outro na casa da Mannu, para não pesar
muito para nenhum dos lados.
E assim começou um dos muitos dias especiais da Mannu com a
sua nova amiga /irmã e companheira de tarefas escolares também. As duas estavam
muito alegres, e antes de qualquer coisa a Camila foi mostrar onde era o seu
quarto.










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