Ao chegarem em casa, a Camila foi
correndo falar com a mãe, com sérios planos na cabeça. E a Mannu foi junto é
lógico, pois ela era a “mentora” do grandioso plano. Carregou a Zezé também, e
nem deixou que ela entrasse no apartamento antes de resolverem o enigma.
A Camila tocou a campainha e a
mãe abriu a porta quase ansiosa já. A Zezé tinha avisado aonde iam e quando
voltariam, mas parecia que tudo tinha se duplicado em tempo e confusão, e a
demora foi grande.
A própria Zezé foi explicando
todas as reviravoltas do dia, e por fim, passou a palavra para a Mannu, que
estava ansiosa pra falar:
―
Tia... é que... bom, essa aqui é a Lívia, uma amiga nossa... uma “nova” amiga.
E a mãe dela vai ter que dormir lá no hospital e vai tomar muuuuitas injeções.
Daí, nós fomos levar a Lívia lá na casa dela, mas, o “padastro” dela...
―
PaDRasto... corrigiu prontamente a Zezé.
―
Isso... ele foi embora e deixou ela sozinha lá...
―
Hããã!!! Sério?
―
É... é sim, não é Zezé?
―
É verdade, infelizmente... ou felizmente não se sabe... Uma vizinha disse que
ele fez as malas e foi para a rodoviária, então...
―
Gente!! Exclamou a mãe da Camila assustada...
Moderando a reação, a mãe da
Camila olhou preocupada para a menina que estava meio encolhida atrás da Zezé.
Então, mamãe ―
disse a Camila já impaciente ― aí a Mannu trouxe ela para dormir na casa dela sabe?
―
Huuummm... sei...
―
Pois é tia ―
retomou a palavra a empolgada Mannu
― daí, nós fizemos um plano muuuito legal.
A mãe da Camila já estava segurando
o riso nessas alturas.
―
Bom... e aí, só falta a senhora deixar a Camila ir dormir lá também... Daí o
plano vai ser mega, super, ultra muuuuito legal!!!
―KKKKKKKKKK!
Entendi... Eu mais ou menos imaginava isso sabe?
―
É tia?? Então você está “imaginando” também de deixar ela ir né?
―
KKKKKKK! Zezé, essa mocinha!!! Tem o dom da oratória viu!?
―
Mamãe, isso quer dizer que ela conseguiu fazer você deixar eu dormir lá também?
Perguntou a Camila.
―
Eu ainda não disse nada...
―
Mas mamãe, você não vê que isso é muito necessário?
―
Necessário?? Hum... pois eu não estava percebendo isso sabe?
A Zezé não se aguentava de vontade
de rir, mas deixou que elas resolvessem o assunto sozinhas, como ela tinha
prometido para as duas.
―
Juntando você com ela então, Dona Camila, a coisa fica completa! Ninguém vence
vocês duas... Completou a mãe da Camila, dando um abraço gostoso na filha. A
Lívia só olhava e esperava o resultado de tudo.
A Mannu repetiu:
―
Bem ―
respondeu a mãe dela ―
amanhã seria o dia que ela ia fazer tarefa lá com você né? Então, eu vou
deixar, mas só se a Zezé me garantir que a sua mãe não vai se assustar com essa
invasão súbita, hein Zezé? Que é que você me diz?
―
Nem se preocupe, antes de tudo já falei com a Dra. Laura e ela já está
concordando com o “grande plano”, já falei inclusive que ela não ia deixar de
chamar a Camila, então... ela já sabe.
―
Então, tudo bem, mas... você toma seu banho aqui Camila, e depois vai pra lá,
porque assim a “perturbação” fica menor.
―
A senhora é quem sabe, mas se quiser ela pode tomar lá também, banheiro não
falta... rsrsrsrs...
―
Elas já comeram Zezé?
―
Já, já sim, mas depois ainda tomam um lanchinho leve mais tarde... Não se preocupe.
―
Ok, vou arrumar as coisas da Camila e daqui a pouco ela vai ok?
―
Ótimo!! Elas vão se divertir hoje!
―
Só que precisam dormir também, viu Mannu e Camila, e deixar os outros dormirem
também, não é verdade Lívia?
―
É sim senhora, mas nós vamos dormir sim, acho... Disse a Lívia ainda meio
tímida...
A Zezé e as outras foram para o
apartamento enquanto a Camila ia tomar banho.
Ao entrarem, já viram o Dr.
Álvaro na sala, conversando com a Dra. Laura.
―
Boa noite Dr... então Doutora, tivemos vários contratempos, depois explico
melhor. Mas no fim deu tudo certo.
A Mannu correu dar um beijo no pai
e na mãe, já perguntando. O senhor também vai viajar papai?
―
Não, querida, essa malinha é para o papai levar para o hospital, vou dormir lá
hoje. Se é que vou dormir...
A Lívia estava muito envergonhada
e tentava se proteger atrás da Zezé, imaginando que a Mannu devia ter contado
das suas implicâncias pra eles e estava muito sem graça mesmo.
―
Então as coisas não foram tão fáceis é Zezé?
A Mannu, mais do que depressa,
tratou de tentar tirar a Lívia detrás da Zezé. A menina, muito constrangida,
não queria sair do lugar e cochichou pra Mannu.
―
Mannu, não... eu tô com vergonha... de tudo o que eu fiz antes pra você... e
duvido que você não tenha contado pra eles...
A Mannu, que era uma criança muito
sensível, entendeu a situação da amiguinha e começou a falar baixinho pra ela.
―
Lívia, foi a minha mãe que disse pra Zezé trazer você pra cá, ela não está
pensando em nada, não... nem sei se ela sabe que é você, a menina que eu
reclamava pra ela, sabe?
Aos poucos ela foi se encorajando,
com a ajuda da Zezé e também da Mannu, e da própria Dra. Laura.
―
Então... eu quero muito conhecer essa mocinha que eu sei que passou uns maus
bocados hoje, não é mesmo? Disse a Dra Laura, tentando incentivar a menina a
sair detrás da Zezé.
A Mannu puxou devagarinho a menina
e colocou o braço no ombro dela pra apresentar para a mãe.
A Dra. Laura tratou a menina com a
maior naturalidade para que ela se sentisse mais à vontade. Sabia quem era ela,
sabia das encrencas com a sua filha, mas sabia também que ela estava
enfrentando algo bem maior do que ela naquele momento. E, sua maior alegria na
verdade, era saber que, agora, ela e a Mannu estavam se entendendo, o que
trazia muito conforto para a mãe, pois não gostava de ver a filha sempre triste e
reclamando das brigas sem poder fazer nada. Estava muito aliviada também, pelo
fato de conhecer a menina e ver que ela não parecia ser nenhum “monstro”.
Vamos ver amanhã como as coisas
vão correr.








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