Na lanchonete, enquanto as
crianças comiam, A Zezé nem conseguiu tocar na xícara de café que tinha pedido.
Afastou-se um pouquinho para fazer a ligação de uma distância em que pudesse
ficar de olho nas meninas e falar com mais liberdade também.
―
Alô, eu preciso falar com a Dra. Laura por favor.
―
Um momentinho... vou ver se ela pode atender agora.
Em alguns instantes a Zezé ouviu a
voz familiar do outro lado.
―
Pois não...
―
Doutora, sou eu, a Zezé...
―
Sim Zezé, o que aconteceu? Algum problema maior por aí?
―
Huummm, bem maior doutora... Eu não sei bem o que fazer. O padrasto da menina,
da Lívia, sumiu daqui ―
disse ela meio cochichando ―
ele mal conversou com o médico que acabou de me dizer que a mãe da menina
precisa ser operada com urgência.
Só que eles não têm condições de operar ali
onde ela está, por causa da greve...
― Sei,
sei Zezé, estou sabendo da bagunça que está o Municipal atualmente. O padrasto
sumiu, foi isso que você falou?
―
Isso mesmo Doutora... agora estou eu aqui com as três meninas, não conheço mais
ninguém da família e o médico disse que precisa transferir a paciente, nem sei
o que fazer.
―
Ele disse qual é o caso? O problema dela?
―
Não pude falar muito com ele Doutora. Ele só me disse que ela vai precisar de
um bom “neurocirurgião”.
―
Huuummm, uma boa confusão pra nós né? Mas, vamos ver aqui o que é que eu
consigo... Zezé, eu já te ligo, deixa eu ver umas coisas aqui com o Álvaro.
―
Tá certo doutora, até já...
A Zezé voltou para a mesa com as
meninas e deu um gole no café, que já estava quase frio.
―
E então, meninas, gostoso o lanchinho?
―
Huuum, uma delícia Zezé! Só não é melhor do que o teu bolo, disse a Mannu.
―
Huuummm... eu não sei, ainda não comi o bolo da Zezé... Disse a Camila com cara
de malandra.
―
Há, há!!! Então vamos ter que dar um jeito nisso. Que tal no próximo sábado
hein? A Lívia poderia vir também... Disse a Zezé com a maior boa vontade!
Procurando parecer bem tranquila e alegre também.
―
Eeeeebaaaa! Claro Zezé!! Agora vai dar certo, porque a Lívia não vai dizer não,
né Lívia??
―
Não, não vou dizer mesmo! Porque eu já queria ter ido naquele outro sábado que você tinha falado Mannu...
rsrsrsrs!
A Zezé viu o sorriso da Lívia, tão
aliviada ali com as meninas, e, de repente, passou um pensamento triste na
cabeça dela. Como será que a Lívia estaria no sábado seguinte? Será que tudo ia
dar certo com a mãe dela? Como a vida é imprevisível!! Estava tão distraída nos
pensamentos que nem notou os minutos passarem, e então, o telefone tocou... Ela
levantou-se depressa.
Elas continuaram, tagarelando,
brincando e comendo, enquanto a Zezé se afastava um pouquinho para falar no
telefone.
―
Oi Dra. Laura, e então...
―
Zezé, eu falei com o Álvaro, ele faz cirurgias lá no Hospital Universitário
Federal, uma vez por semana, que seria amanhã, por sinal. Se for urgente assim como você diz, ele pode
ir para lá hoje à noite já e tentar uma vaga para ela, pra cirurgia. É um bom
hospital, com bons equipamentos, boa equipe, etc... É preciso falar com o
médico que está atendendo a mulher e pedir que ele encaminhe a paciente pra lá, com
tudo certinho, o relatório etc, ele sabe tudo o que precisa, e ele pode pedir
para falar com o próprio Álvaro ligando para o hospital. Vou te dar o telefone
para você passar para o médico, só pra agilizar.
―
Ai, que bom Doutora!! Poxa! Eu não sabia o que fazer aqui. Eu só preciso
descobrir agora algum parente dela para autorizar essa remoção, porque o marido
se mandou pelo jeito, mas...
― Olha,
quando o caso é muito urgente e não se encontra nenhum parente, o próprio
médico que está atendendo pode autorizar esse transporte.
―
Ah, é... parece que o médico de lá me falou uma coisa assim mesmo... então
melhor ainda, porque é preciso resolver logo isso, ela não está nada bem, ele
disse.
―
Então, andem depressa, falem logo com o médico, porque nesses casos não se pode perder
tempo.
Zezé voltou rapidamente e apressou
as meninas para terminarem de comer.
―
Vamos logo, meus amores, comam porque precisamos voltar para o hospital e saber
mais sobre a mãe da Lívia ok?
―
É mesmo Zezé, vamos logo...
Terminaram de comer e foram direto
para o hospital que ficava em frente. Chegando lá procuraram pelo Dr Samuel.
Enquanto a Zezé se preparava para entrar no assunto da transferência da mãe da
Lívia, a própria Lívia, que já estava um
pouco mais tranquila, perguntou:
―
Doutor Samuel, o senhor vai dar injeção na minha mãe?
―
KKKKKK! Então, a mocinha está preocupada com as injeções é?
―
É que eu... eu não gosto nada de injeções sabe?... tenho medo.
―
Pois é querida, mas a sua mãe é uma mulher muito corajosa e ela já tomou uma
agora há pouco, e ela nem chorou viu? Ela vai tomar muitas eu creio, mas não
sou eu quem vai aplicar tá certo? Não precisa ficar com raiva de mim... Só das
enfermeiras! Brincadeirinha querida!! Nem das enfermeiras! Porque elas vão
cuidar muito bem da sua mãe e as injeções são para ela sarar mais depressa ok?
―
Tá bom doutor... eu sei...
―
Sabe que eu aprendi a não ter medo de injeção Lívia? ― Disse a Mannu tentando encorajar
a amiga.
―
Como assim??? Você não tem medo?
―
Bom... um pouquinho só, mas daí, eu me lembro que o meu pai disse pra eu
imaginar que a injeção é um mosquitinho bem pequenininho que vai só me dar um
beijinho doído pra eu sarar bem rápido...
―
Isso mesmo! É mais rápido ainda que um mosquitinho...
Complementou a Zezé ao ver a cara
da Camila e da Lívia.
O Dr. Samuel riu da história, mas
concordou que era uma boa tática. A Mannu garantiu que funcionava, pelo menos
para ela.
Em seguida, a Lívia perguntou para
o médico quanto tempo a mãe ainda teria que ficar "dormindo" no hospital. O
médico aproveitou para colocar todas mais ou menos a par da situação, com todo
cuidado para não aterrorizar a menina.
―
Pois então, mocinha, sua mãe vai ter que ficar alguns dias internada, em outro
hospital, que é mais preparado para o caso dela. Ela vai ter que fazer uma
cirurgia, provavelmente, e então vai demorar um pouquinho.
―
É mesmo Doutor? Então ela não vai sair hoje? Ou amanhã, depois que ela dormir a
noite inteira?
―
Não querida, vai demorar um pouquinho mais, porque ela precisa sarar muito bem
antes de ir para casa, certo?
Dizendo isso, ele fez sinal para
uma auxiliar que estava por perto e pediu para ela levar as meninas ver um
aquário com peixinhos coloridos na sala dele, enquanto ele combinava algumas
coisas com a Zezé.
Elas foram, empolgadas para ver os
peixinhos, e ele tratou dos detalhes da remoção da paciente com a Zezé, que lhe
deu a opção que ela ouviu da Dra. Laura. Ele achou ótima a ideia, porque era
para lá mesmo que estava pensando em mandar a mulher. Tudo resolvido por aquele
momento.
Vamos ver como será amanhã...






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