Ao chegarem ao hospital, o
padrasto da Lívia pagou logo o táxi e pegou a menina pela mão puxando-a pelos
corredores até à enfermaria onde havia vários leitos com pessoas internadas com
diversas doenças.
A mãe da menina estava em um leito no canto encostado
à parede e parecia uma pessoa de cera, tão branco estava o seu rosto. Havia
duas enfermeiras e um médico ao lado dela tentando trocar um soro, pois ela se
movimentava demais, agitando a cabeça de um lado para o outro. Parecia estar
sentindo dores muito fortes na cabeça.
O médico olhou para os dois
chegando e perguntou:
―
O senhor é parente?
―
Marido ―
respondeu o homem.
―
E a menina?
―
É filha dela...
―
Só dela? O senhor não é o pai?
―
Não, num sô não sinhô...
―
Bem, talvez seja melhor ela esperar um pouquinho na salinha ali ao lado, pois
ela não vai poder falar com a mãe agora porque ela está muito agitada. E não é
bom a criança ver isso.
―
Sim sinhô... Vamo lá Lívia, anda menina!
―
Mas eu quero ficar com ela...―
disse a menina entre assustada e penalizada pelo estado da mãe, que mal
conseguira enxergar, pois estava encolhida atrás do padrasto e a mulher rodeada por aquelas pessoas todas.
―
ARAAAA... ―
ia já esbravejando o homem, quando o médico interrompeu prontamente.
―
Olha, minha filha, você deve esperar um pouco ali, certo querida? Só até que a
gente consiga estabilizar a sua mãe, tá bom? Depois você vai poder falar com
ela, eu prometo. Vá com o seu padrasto, vá...
Ela foi, segurando o choro de
novo, e olhando para trás para onde os três cercavam o leito onde a mãe estava,
tentando até impedir que a menina tivesse uma visão nítida do estado em que a
mãe estava.
A salinha tinha poucas pessoas e
os dois sentaram-se em duas cadeiras no fundo, de onde não se poderia ver o
leito da mulher. O homem, quieto, sem
saber como tratar a menina que não parava de soluçar baixinho, tentando conter
o choro.
Não demorou muito e uma das
enfermeiras que estavam ajudando o médico surgiu na frente dos dois dizendo:
―
Sr... Como é mesmo o nome do senhor?
―
É Aurélio, Dona... Aurélio.
― Nossa!
Tem certeza?...
Certo, Seu Aurélio, o médico quer
falar com o senhor um pouco ok?
Ele foi saindo rapidamente e a
mesma coisa tentou fazer a Lívia, só que a enfermeira segurou a menina pelo
braço e sentou-se ao lado dela conversando.
―
Querida, não adianta você ir junto agora, porque a sua mãe está sedada, e não
vai nem abrir o olho pra ver você certo? Mas, logo, logo você poderá falar com
ela tá? Eu vou ficar um pouco aqui com você, até o seu padrasto voltar.
A menina sentou-se de novo e continuou
fungando com o choro embutido. A enfermeira tirou do bolso do seu jaleco alguns lenços de
papel e deu para ela.
―
Tome, assoe o narizinho, você está precisando né?
Ela pegou sem levantar a cabeça e
aos poucos foi se acalmando até tomar coragem e perguntar;
―
Moça, a minha mãe vai morrer?
―
Não, filha, é muito cedo pra você pensar assim. Eles vão ainda levar a sua mãe
para fazer novos exames só para confirmar se o médico está certo na suspeita
que ele tem sobre o caso dela. Depois, eles vão decidir qual é o melhor
tratamento, e se Deus quiser, logo ela estará bem, viu? Aí você vai poder falar
com ela, mas acho que ainda vai demorar um pouco... Talvez só amanhã...
Neste momento o padrasto voltou e
a enfermeira se despediu da menina fazendo um carinho na sua cabeça.
―
O que foi que o médico falou? ―
Perguntou ela, muito ansiosa, mas sem sequer olhar para o homem.
―
Bão, ele disse que vão fazê otros inzame nela e só dispois é que vão resorvê o
quê fazê de verdade. Num sei cumé que são tão inrolado desse jeito! Povim que
num sabe trabaiá...
A menina nem respondeu, apenas
ficou olhando para o chão e pensando:
Enquanto isso, no carro de volta
para casa, a Mannu e a Camila puseram a Zezé a par de toda situação da Lívia. E
a Mannu não parava de falar:
―
Eu sei que se o meu pai cuidasse dela, ela ia sarar, eu sei...
―
Mas, meu amor, você nem sabe se é alguma coisa na area do seu pai...
― Como
assim Zezé?
―
Bom, o seu pai é neurocirurgião, e qual é o problema que a mãe da Lívia tem,
você sabe?
―
Ah... eu não sei Zezé...
Estavam perto já de casa quando a
Mannu resolveu pedir uma coisa muito inesperada para a Zezé.
―
Zezé, leva a gente lá no hospital que a mãe da Lívia está? Leva Zezé??
―
Meu amor! Agora?? Eu não sei... precisaríamos falar com a sua mãe...
―
Então fala com ela Zezé, mas a gente precisa ir lá e saber o que é que a mãe da
Lívia tem... quem sabe o papai pode ajudar...
―
Ai, ai ,ai !!! Isso não vai ser fácil Mannu, as coisas são complicadas nesses
casos...
―
Não Zezé, não são não! É só a gente falar com o papai, e depois, se o papai não
puder resolver a gente fala com o “outro” Papai, entendeu Zezé?
Agora a Zezé estava enrascada,
afinal, acredita ou não Zezé? A Mannu acredita e foi você mesma que ensinou,
então...
A Zezé foi obrigada a parar em um
canto e ligar para a mãe da Mannu. Explicou toda a situação, e para sua
surpresa, a Dra. Laura incentivou a ida das meninas ao hospital.
―
Zezé, isso é ótimo! Pode ser a maneira de quebrarem o gelo e começarem uma
amizade, leve sim, só fale também com a mãe da Camila primeiro, ok??
―
Certo Doutora! Então vamos lá...
―
E aí Zezé, ela deixou?? ―
perguntaram as duas ansiosas.
―
Deixou meninas, só que preciso falar também com a mãe da Camila, ok?
―
EEEEBAAAA!! Foi o coro das duas...
―
A minha mãe vai deixar sim Zezé, tenho certeza!! Ligue logo, você tem o número
dela né?
―
Tenho sim querida, vou ligar agora.
Zezé falou com a mãe da Camila e,
como ela disse, a mãe deixou de imediato.
Assim, a Zezé tomou outro rumo e
foram para o hospital para uma visita inesperada para a Lívia e com resultados
que só Deus sabe... Não perca o capítulo de amanhã.






Eu comecei a ler atrasada, né? Mas foram duas sentadas e já estou em dia e esperando o próximo capítulo... Porque já vi desde o início que não é só para criança não. Parabéns, Tia Isa!
ResponderExcluirBjos, Dilza