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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

UMA SEXTA FEIRA CHUVOSA! CAPÍTULO 54


As meninas foram com a Zezé para o quarto/camping delas e a Mannu não parava de falar, empolgada com a conversa que tiveram com os pais. A Zezé precisou colocar a tampa no poço de palavras dela à força, senão, as duas não conseguiriam dormir.

A Lívia já estava caindo de sono e a Mannu ainda falando. Zezé tentava acalmar os ânimos da menina.

Zezé! E Lívia também, vocês acham que eu falei certo para o papai poder entender as coisas do “Livrão”?

Falou sim, meu amor, agora, esqueça essas coisas senão o soninho vai embora tá?

A Lívia se manifestou também, meio dormindo, meio acordada.

Você falou tudo bem certinho Mannu disse ela tão certo que você nem errou a tua palavra...

A minha palavra?? Qual?

“Esfuziada”... você nem falou esfuziada, você falou “esfuziante” que a Zezé disse que existe mesmo...

É mesmo Mannu, a Lívia está certa, eu notei isso também... você estava certíssima essa noite, não se preocupe, o papai vai entender corretamente tudo o que você falou, ok? Deus vai ajudar tá? Agora tentem dormir, já é tarde.


O dia amanheceu com chuva e isso dificultou um bocado o trabalho da Zezé para acordar as meninas, que pareciam ter mergulhado em um sono muito profundo, daqueles que amarram a gente na cama. Também, com o barulhinho da chuva, hum, que delícia!!

Bom dia!!!! Quem dormiu bem? Disse a Zezé logo que entrou no quarto.

Nenhuma resposta...

Bom diaaaaa!!! Insistiu ela e foi abrindo a cortina.

O problema é que o seu amigo de todos os dias, o sol, não estava ali para ajudá-la na tarefa. As meninas nem se moveram na cama.


 Zezé olhou para o tempo lá fora e olhou para as meninas na cama. 


Ficou com pena de tirar as duas daquele sono tão gostoso. Fechou a cortina e voltou, pé ante pé, para a copa onde os pais da Mannu esperavam para o café da manhã.

Dra. Laura, com licença, eu não tive coragem de arrancar as meninas da cama. Elas estão dormindo profundamente e nem sequer se moveram quando falei com elas, devo insistir?

Não... não Zezé... deixe que elas durmam mesmo. Elas precisam descansar, e essa chuvinha está uma maravilha para dormir. Quem me dera poder ficar na cama até o raiar do “meio dia” hoje.

E eu então disse o Dr. Álvaro daria metade do meu salário desse mês pra poder ficar na cama até o meio dia hoje.


Se o senhor quiser me dar a metade do seu salário desse mês, eu posso ir trabalhar no seu lugar Dr. Daí o senhor fica dormindo sossegado aqui... Disse a Zezé espirituosa.

Hum hum, kkkkkkkk! Essa é uma troca meio arriscada Zezé, não vou poder “dormir sossegado” com isso, afinal, eu não sei usar as tuas ferramentas na cozinha...

KKKKKKK! É... agora imagine eu usando as suas “ferramentas” no cérebro de alguém lá no hospital... Eu hein?!!!

É... melhor deixar como está né Zezé? Você nos seus quitutes maravilhosos aqui e eu na minha “lambança” toda lá...

Verdade Doutor, cada um na sua...

Dizendo isso, a Zezé foi para a cozinha conversar com a Nina sobre o que fariam para o almoço naquele dia.



Durante o café da manhã o Dr Álvaro e a Dra. Laura comentaram a conversa da noite anterior, pois quando foram dormir não tiveram ânimo e nem coragem para isso.

E então, o que você achou da conversa de ontem? Não estou certa quando digo que, às vezes, nossa filha parece ter mais de 16 anos, e não  6?

É... fiquei muito impressionado... e preocupado também. Não quero que a Zezé coloque coisas irreais na cabeça dela e crie um mundo impossível dentro da mente da menina. Você sabe como é a Mannu, ela leva tudo muito a sério.

É... eu também ando preocupada com isso... Será que tudo isso é ilusão mesmo? Quero dizer... não seremos nós, de repente, os “iludidos” aqui?

Que é isso querida? Está com alguma “pane mental” agora? Nem fale uma coisa dessas! Já basta o André, com a história maluca dele lá...

André? Quem, o médico?

É, ele mesmo... você não tem ideia o que eu fiquei sabendo pela boca das enfermeiras lá do HUF.

Não tenho ideia mesmo, diga!

Bem, é uma história complicada... o problema é que os dois residentes que estavam com ele confirmam a coisa, então só posso pensar em uma espécie de “alucinação coletiva”.

Como assim amor? Que história é essa?

Disseram que a mãe da menina tinha sofrido outra parada cardíaca, a segunda daquela madrugada. Quando ele chegou lá, era bem cedo e eles estavam tentando há um bom tempo reanimá-la, mas sem sucesso. Então desistiram. Saíram para providenciar a remoção dela etc... e enquanto isso o André ficou ali , com os dois residentes para explicar umas coisas da UTI que seriam mudadas neste mês.

Nisso... dizem... que surgiu uma “luz” diferente e bem intensa que foi se espalhando pelo corpo da mulher e, de repente, os sinais vitais voltaram e, está lá a mulher, se recuperando de uma cirurgia daquelas como se fosse de uma gripezinha qualquer. Dá pra entender?


Depois, no caminho  eu te conto mais uns detalhes, mas essa é a conversa da semana lá no HUF.

Os dois terminaram o café da manhã avisaram a Zezé que estavam de saída e foram para mais um dia de lutas e imprevistos. No caminho, ele recontou a história misteriosa da D. Irene e também lembrou-se de contar algo importante para a esposa.

Ah! Querida! Não falei ontem porque, francamente, aquela história toda do Emanuel da Mannu bagunçou tanto a minha cabeça que eu até esqueci... Lembra do telefonema, que eu atendi na hora da conversa com ela?

Sim, lembro, claro...

Então... o sujeito se identificou como um tal de Fábio, tio da Lívia. Pediu pra falar com a menina, mas eu preferi dizer que ela já estava dormindo... primeiro porque eu quero averiguar essa história, saber se é verdade mesmo... Segundo, porque se eu chamasse a menina iria interromper, de novo, a tal da história da Mannu e a culpa ia acabar sendo minha, então...

 Claro... acho que você fez bem mesmo, até porque não se sabe se é mesmo tio dela ou aquele “padrasto” louco que a Zezé comentou. Irmão da D. Irene então... isso seria muito bom! Pelo menos ela não estaria completamente sozinha depois de tudo isso.

Sim, isso seria bom mesmo. Ele disse que quer falar comigo, vai ao Hospital hoje e pediu para ver a irmã etc. Disse, inclusive, que qualquer despesa dela ele vai pagar direitinho etc... Será? Bom, pague ou não pague, a mulher está viva né?!

É amor... que bom! Isso é o que importa de fato.

Em casa, as duas acabavam de acordar e chamaram a Zezé para saber porque estava ainda escuro.

É porque está uma chuva e tanto lá fora! Se vocês quiserem dormir mais um pouquinho, aproveitem!

HUUUUUMMMM... se espreguiçou a Mannu...

A Lívia, preocupada em ver a mãe, não quis saber de dormir mais.

Eu acho que eu vou “acordar”, porque eu tenho que  fazer tarefa, e ir ver a mamãe ainda...



Lívia, você não “vai acordar,” porque você já está “acordada”... você está até falando... Disse a Mannu, se espreguiçando de novo pra ter coragem de sair da cama.

É... é mesmo... então, eu vou “levantar”...

Você vai levantar o quê? O colchão? Perguntou a Zezé aproveitando a provocação da Mannu.

Como assim Zezé? perguntaram as duas ao mesmo tempo...

A Zezé riu e disse que estava só brincando com a Lívia, porque, na verdade, ela tinha usado um verbo “acidentalmente” pronominal, só que sem o pronome.

Ih... não entendi Zezé... Disse a Lívia

Nem eu, disse a Mannu fazendo uma careta. A aula já começou é? Nós nem tomamos café ainda... reclamou ela.

Zezé riu e falou:

Não minhas princesas! Ninguém merece acordar com gramática nos ouvidos né? 

Mas acho que vou explicar assim mesmo tá? Basta vocês saberem que esse tipo de verbo vem, às vezes,  junto com um pronome. No caso dela, seria “me levantar”, porque ela está falando dela mesma. Se ela disser só “levantar” fica faltando alguma coisa... ela vai levantar o quê? Nesse caso, é ela mesma, então ela deve dizer: Vou “me” levantar... Entenderam?

Hummm... mais ou menos Zezé! Mas eu não tô querendo entender agora... Quero ir comer isso sim. Disse a Mannu com a completa concordância da Lívia.


Tem razão Mannu! Nada de gramática de manhã e com o estômago vazio! HUMPF !!!! Ninguém merece mesmo!!!

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