A Mannu aproveitou a hora de
tranquilidade ali com os pais para tentar continuar a conversa com eles sobre o
assunto que tinha surgido na hora do jantar.
―
Papai, você disse que ia me explicar o que é “desmatar” lembra?
―
Huuuummm... lembro sim filha. Então... desmatar é o que as pessoas fazem quando
tiram toda a vegetação, as árvores de um lugar. Isso é um pouco perigoso quando
se faz sem cuidado, porque pode abalar o ecossistema, sabe?
A Dra. Laura olhou para o marido e
franziu a testa.
― “Ecossistema”
amor? Que palavra! Se prepare...
―
Papai eu entendi mas o que é eco..., como é mesmo? ecossistema? É isso?
O Dr Álvaro, que já estava cansado
demais também, tratou de arranjar um jeito para explicar em outra hora pois percebeu
que ia dar muita “corda” para as meninas que, na verdade, já deviam estar na
cama. Já era tarde para elas.
―
Meu amor, o papai vai te explicar o “ecossistema” inteirinho, só que em outra
hora ok? Agora já está tarde e os teus olhinhos, e os da Lívia também, já estão
bem “pequenininhos” porque vocês estão com sono. Vamos dormir, que o papai
também está “morto” de cansado.
Pra quê ele foi falar essa
palavra... A Mannu lembrou-se de outro assunto muuuuuuito importante que tinha
ficado para depois do jantar também.
―
Mas, papai! Por falar em “morto”, eu não contei ainda do homem que eu conheço
que morreu e depois “desmorreu”...
―
Ah é meu amor! Mas, acho que até isso vai ter que ficar para amanhã, viu? Papai
e mamãe estão muito cansados agora e essa conversa não vai ser rápida, com
certeza. Então, a gente deixa “marcada” essa conversa para amanhã, ok? Vamos tentar
chegar um pouco mais cedo, certo?
Como estavam todos, caindo de sono
mesmo, ninguém reclamou mais. Resolveram ir dormir e deixar o restante para o
dia seguinte.
Foram cada um para o seu quarto e
as duas para o “camping” interno, desta vez faltando a Camila. A Zezé levou as
duas, depois que deram os beijinhos de boa noite, e arrumou as duas cada uma em
seu colchão como vinham fazendo ultimamente.
A noite passou tranquila e o dia
amanheceu como a Zezé gosta, cheio de sol. E lá vem ela acordar as meninas com
seu bom humor de sempre. Foi abrindo as cortinas para o sol entrar e ajudá-la
nessa tarefa.
―
Bom dia, bom dia!!! Olha só quem veio acordar vocês junto com a Zezé...
As meninas foram entrando neste
mundo real aos poucos. A primeira a falar dessa vez foi a Mannu, ainda sem se
mexer na cama respondeu a Zezé, meio aos “resmungos”.
―
huuummmm... bom... bom dia Zezé... Quem veio com você, a Camila?
―
Não, meu amor! É o seu amigo “luminoso”, o sol, lembra dele?
―
Claro Zezé... eu encontro ele todo dia... não dá pra esquecer assim...
―
Então, que bom né? Já pensou se a gente quase nunca visse o sol? Que tristeza
que seria??!!
―
É verdade... disse a Lívia acordando também... Eu gosto muito do sol porque ele
me dá alegria...
―
Eu também gosto ―
disse a Mannu ―
só não gosto quando a Zezé manda ele vir me dar beijo no rosto pra eu acordar e
daí ele me dá beijo no olho e ele brilha muito, e eu quero dormir mais e ele
não deixa...
―
KKKKKKKK! Tá certo “molenguinha”, vamos pular desse colchão tá? A Lívia já está
em pé, olha só...
Ao ouvir que a Lívia já estava em
pé, ela se animou, se espreguiçou demoradamente na cama e pulou pra fora do
colchão. Foram as duas para o ritual da manhã no banheiro, com a ajuda da Zezé.
Ah, se não fosse a Zezé!
Tomaram o café da manhã com os
pais da Mannu e depois que eles saíram, foram direto para a casa da Camila, pois o combinado era fazer a tarefa lá naquela manhã. Chegando lá a Camila já
estava prontinha esperando as amigas para estudarem. Foi uma alegria só, quando
se viram, parecia que tinham ficado um ano longe uma da outra.
―
Oi gente!! Disse a Camila assim que abriu a porta com um sorrisão no rosto.
A mesma alegria veio do lado de
fora da porta. As meninas estavam tão felizes que nem reclamavam mais de ter
que fazer as tarefas todas. Foram direto para a salinha de estudo da casa da
Camila e a tia Mel chamou a Mariluce para dar as coordenadas de como seria o
almoço das meninas e tudo mais. Qualquer dúvida que tivessem na tarefa e que a
Mari não soubesse ajudar era para ligarem para a Zezé.
Tudo arranjado a mãe da Camila foi
correndo para o trabalho e as meninas para o estudo.
―
Tchau Mari, disse a mãe da Camila, já na porta ― Fique de olho naquelas três lá viu? Capriche no almocinho
delas e logo mais me ligue para dizer se está tudo indo bem ok?
―
Ok D. Mel, pode ficar tranquila, elas se comportam direitinho, por incrível que
pareça...
Enquanto isso, na sala de
justiça... ooops! Na sala de estudo.
Fizeram logo a tarefa porque o
plano era ver a mãe da Lívia antes da aula. Então não perderam tempo, só um
pouquinho. Afinal, elas precisavam “combinar” um jeito de irem para o salão de
beleza da mãe da Mannu para a Lu cortar o cabelo da Camila. E isso tinha que
ser antes de sábado, pois elas tinham aquele compromisso muito importante com as outras quatro amigas. Aquele, de comer o bolo da Zezé com muito sorvete e depois
escutar as histórias do “Livrão”.
Resolveram que iriam na sexta
feira logo depois da aula, porque assim, já estariam prontas para o sábado.
Lembraram também que elas tinham
uma “conversa marcada” naquela noite, quando o pai da Mannu chegasse, pois a
Mannu tinha que contar pra ele a história do homem que morreu e depois “desmorreu”.
É claro que a Camila estava
convidada para participar também, desde que a mamãe dela deixasse.
Quando terminaram a tarefa, a
Mannu ligou para a Zezé perguntando se já podiam ir para o hospital, porque
tinham que voltar logo para comer a comidinha gostosa que a Mariluce estava
fazendo para elas.
A Zezé passou no apartamento da
Camila e pegou as três meninas para irem ver a mãe da Lívia. Chegando lá,
correram para o quarto e encontraram o Dr. André na porta, já saindo.
―
Bom dia Dr. Está tudo bem por aqui?
―
Bom dia D. Maria José! Bom dia meninas!! É... tudo bem sim, aliás tudo ótimo!
Nunca vi uma recuperação dessas. Aliás, eu nunca vi “nada” igual ao que
aconteceu com essa mulher. Podem entrar, só não demorem demais por favor ok
meninas?
―
Não se preocupe Doutor, é só dizer um “oizinho” pra ela.
Entraram todas e a Lívia foi
direto para a cama da mãe e se jogou para abraçá-la, nem sequer lembrou-se de
tirar os chinelos. Que perigo!! Não pode Lívia!
Ela estava com uma aparência
ótima. Não parecia mesmo que tinha chegado tão perto da morte. Ficaram um pouco
com ela conversando e depois foram embora para almoçar porque o almoço da
paciente também tinha chegado e ela estava com muita fome, graças a Deus!








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