Quando a Zezé saiu da sala estava
radiante e com um sorriso aberto no rosto que apenas se comparava ao da Lívia.
As meninas estavam conversando animadamente sobre “borboletas” com a
secretária. Quando viram a Zezé, a primeira que correu para perto dela foi a
Lívia, com o seu poço de palavras transbordando maravilhas.
― Zezé,
olha só!! Hoje é o dia das coisas lindas!! Foi a Mannu quem disse, e é mesmo
verdade!! Eu ganhei essa borboleta tão linda e cheia de cores, da nossa nova amiga, a Julia! ― Disse ela, eufórica, apontando
para a secretária.
Era uma borboleta linda,
multicolorida, e a moça lhe deu para que ela guardasse como recordação do dia
mais alegre da sua vida; o dia em que a sua mamãe acordou e saiu da UTI, como
ela mesma, com muito entusiasmo, havia contado para a secretária.
A Mannu e a Camila também ganharam
uma borboleta cada uma, de cor diferente, para nunca esquecerem aquele dia. É
claro que nenhuma delas esqueceria, estavam esperando ansiosamente a resposta
do céu sobre a mãe da amiguinha. Agora que elas já tinham recebido essa
alegria, não paravam de falar, e sempre colocando Deus na conversa, pois sabiam
que aquilo era simplesmente o que o “Papai do céu” tinha resolvido fazer para alegrar
o dia da Lívia e para mostrar que Ele estava mesmo ouvindo a conversa delas com
Ele na madrugada em que a Lívia estava chorando, com medo de perder a mãe.
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BORBOLETA DA MANNU
―
Olha só Lívia, cada vez que você olhar para essa borboleta aí na sua mão, você
vai se lembrar que Deus respondeu aquela nossa oração, já pensou que lindo!!
Não é assim Camila? Disse a Mannu olhando para a sua borboleta e confirmando: ― Eu vou me lembrar quando olhar
para a minha...
―
Claro!! Respondeu a Camila. ―
Todas as vezes que a gente olhar para elas nós vamos lembrar desse dia, que foi
um dia suuuuuuuuper!! Né Lívia?
A Lívia concordava repetindo:
“sim, sim, sim!!!” Maravilhada e sem tirar os olhos da borboleta multicolorida
na mão.
O médico, que ouvia da porta,
pensou consigo mesmo:
―
Para as crianças tudo é tão simples, tudo tem explicação... Quem me dera ter
mantido um pouco de infantilidade até hoje, acho que me ajudaria um bocado!!
Zezé chamou as meninas e agradeceu
a ajuda da secretária. Saíram rapidamente do hospital com a Zezé tentando
convencer a Lívia e as outras que não dava tempo de mostrar as borboletas para
a mãe dela.
―
Meus amores, não vai dar não! Eu sei que o quarto é logo ali, mas ela pode
estar dormindo já, ela precisa descansar, e nós, ai ai ai... nós estamos
atrasadíssimas sabiam? Vocês precisam almoçar e se arrumar para a Escola, vamos
ter que voar!!
―
Zezé! Gritou a Mannu, você vai levar a gente para comer pizza de novo???
―
Huuummm... dessa vez não minhas crianças! Vamos direto para casa porque a Nina
está preparando um almocinho delicioso para nós. E, assim não perdemos tempo
esperando a pizza ficar pronta etc... ok?
―
Ahhhhh... Tudo bem, disse a Mannu, a Nina também cozinha muito bem! Só não
ganha de você Zezé!!
―
Ah... obrigada Mannuzinha! Pra sua alegria teremos sorvete de novo! Só que com
salada de frutas é claro! Nada de doçuras mil apenas, não é mesmo meninas?
―
Pra mim, tá ótimo Zezé, porque eu gosto de frutas demaaaaais! Você sabe...
Disse a Mannu.
―
E eu agora estou gostando até de “espinafre”! Disse a Lívia, empolgada. Aquele
“negócio” que você fez com espinafre e
queijo e não sei mais o quê, estava uma delíííícia mesmo Zezé!
―
É mesmo Lívia! Que bom!! Assim você vai provar, sem medo, outros tipos de
pratos com espinafre e vai ver que tudo é gostoso e principalmente, faz muito
bem para a saúde.
Ao chegarem em casa, foram
imediatamente tomar banho. Almoçaram,
escovaram os dentes, pegaram as mochilas, lancheiras, e, em seguida, “voaram”
para a Escola.
Quando chegaram lá, estavam tão
atrasadas que a Zezé acompanhou as três até a sala delas para explicar o
ocorrido para a professora e pedir licença para elas entrarem.
A professora conversou com a Zezé,
na porta, e entendeu perfeitamente o problema, pois sabia da situação da
Lívia e da sua mãe no hospital. Ela
permitiu que as meninas entrassem e quando as três entraram, notaram que a
Cássia, a Ju e a Duda estavam sentadas todas juntas lá atrás, a Ju, no lugar
que era da Lívia, e a Duda do outro lado da Cássia.
Olharam espantadas, e a Lívia teve
que se sentar na frente, no lugar que era da Ju, ao lado da Mannu e da Camila. Tudo
bem para a Lívia, pois a Cássia não estava conversando mais com ela mesmo...
Quando chegou a hora do recreio, a
Lívia estava ansiosa para contar para a Cássia sobre a sua mãe. Mas, ela saiu
junto com a Duda e a Ju e nem sequer olharam para ela nem para a Camila e a
Mannu.
As meninas ficara muito
desapontadas e diziam uma para a outra.
―
Viram só? Elas nem olharam pra nossa cara!
―
Que chato!! Disse a Lívia... ―
Logo hoje que eu estou tão feliz, a minha mãe já acordou e está melhor...
―
Pois é! A gente tinha tanta coisa bonita pra contar pra elas e elas nem querem
conversar com a gente... Acho que elas não eram nossas amigas de verdade...
Disse a Mannu decepcionada!
Saíram as três muito chateadas
para o recreio e no caminho encontraram a Marianna que também não olhou para a
cara delas. Aí foi que a Lívia começou a chorar mesmo, dizendo que estava muito
triste e que não ia mais para a salinha do lanche porque não estava com fome
nenhuma mais...
A Mannu e a Camila tentavam
consolar a Lívia que não queria ir para a salinha e nem queria parar de chorar,
ela só dizia:
―
Eu que estraguei tudo, como sempre... Eu bem sabia que eu não podia ser sua amiga Mannu, porque o meu padrasto sempre dizia que essa escola nem era pra mim,
porque eu sou pobre e devia estar estudando em uma outra escola que é lá perto
de casa, com gente igual a mim...
―
Isso mesmo! Não é verdade dele Lívia! O Seu Aurélio não sabe de nada! Ele trata
todo mundo mal, então, isso é sinal que ele não sabe de nada mesmo. Ele é muito
pouco inteligente sabe? Dizia a Mannu, com esperança de convencer a amiga de
que o Seu Aurélio não sabia o que estava falando.
E, de fato, ele não sabia mesmo.
Ele só tinha um poço de palavras feias dentro dele, e era um poço cheio de
coisas ruins, raiva , inveja, violência... Ele precisava muito de alguma coisa
para colocar dentro do poço das palavras dele e também do poço dos sentimentos
dele, para ver se acontecia uma purificação naquela “água suja” que ele
guardava dentro dos poços da alma.
A Professora Lucia veio ver por que
as meninas não estavam indo para a salinha fazer o lanchinho e se deparou com a
Lívia chorando e a Mannu e a Camila tentando consolar a amiguinha. A professora
ficou muito preocupada e perguntou:
― O
que aconteceu Lívia? Você não disse que a sua mãe tinha melhorado e você estava
muito feliz por isso?
Quem respondeu foi a Camila,
porque a Lívia estava chorando e não conseguia parar pra falar.
―
Sabe o que é Tia Lucia? É que a Ju, a Duda e a Cássia não querem mais ser
nossas amigas, só porque nós agora somos amigas também da Lívia... e até a
Marianna não quis nem falar com a gente hoje...
― É...
completou a Mannu ―
e por isso a Lívia está muito triste no dia em que ela tinha que estar muito
alegre! Mais alegre do que todos os outros dias! A Cássia e a Ju e a Duda e a
Ma estragaram o dia alegre da Lívia...
A professora Lucia parou por
alguns instantes e disse:
―
Minhas queridas, eu acho que as coisas não são bem assim... Vocês podem ter se
enganado a respeito das meninas. Vai ver que elas só estão esperando o momento
certo para virem conversar com vocês... Com o tempo elas vão entender que é
muito melhor ter amizade com todo mundo do que viver de cara feia com as
pessoas. É tão ruim ficar sem falar com as pessoas né? Elas vão sentir falta de vocês, podem acreditar!
A professora conversou por mais
uns minutos com as meninas ali, até que conseguiram acalmar a Lívia e ela decidiu
ir para a salinha de lanche tentar comer alguma coisa, antes que o sinal batesse para elas entrarem de novo
para o término da aula. Vamos ver amanhã como as coisas vão correr, não é
mesmo? Um novo dia sempre traz algo novo também junto com ele, pelo menos é
assim que a Zezé fala.











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