Ao chegarem no apartamento, a Zezé arrumou
as roupas para as duas e mandou as meninas para o banho. Ajudou as duas a se
vestirem e foram para a copa onde a Zezé já tinha deixado a mesa pronta.
―
Enquanto a gente espera a Camila, vou aquecer um pouco o que está no forno ok?
―
Eba, o que é Zezé? Torta de atum? Lasanha? Tudo isso eu gosto... Perguntou a
Mannu, curiosa...
―
É, eu sei, mas o que eu fiz não é isso, é algo que faz tempo que você não come
e você gostava muito! Quiche de espinafre com presunto e queijo...
―
Isso mesmo mocinha! Tem que comer bastante, mas só até a fome ir embora
entendeu? Não pode exagerar né?
―
Huuummm... eu gosto tan... Que cara é essa Lívia? Você não gosta de quiche?
―
Humm... é... eu nem sei porque nunca comi, mas é que eu não consigo gostar é de
espinafre...
―
Ah, mas quando você provar esse quiche da Zezé, você vai gostar muuuuuito de
espinafre. Ele fica cremosinho junto com o queijo, é uma delícia, você vai ver!!
―
É sim Lívia, ―
disse a Zezé para incentivar ― e
além disso tem
uma salada colorida muito gostosa com maionese misturado com iogurte, bem
saudável pra vocês. E... de sobremesa... Sorvete de creme com banana caramelada
e calda quente de chocolate, daquelas que ficam sequinhas em cima e crocante,
sabe?
Não demorou muito e a Camila
chegou. Fizeram aquela festa! E então, a
Mannu lembrou de perguntar.
―
Mas, Zezé, e a mamãe e o papai, não vamos esperar eles chegarem?
―
Não, meu amor, eles hoje vêm bem tarde, lembra?
―
Ah.... que pena... Tá bom, vamos comer que eu gosto de tudo isso Zezé! Por isso
você nunca pode ir embora tá Zezé? Você cuida muito bem de mim... de nós,
aliás...
Depois que elas comeram, a Mannu,
bem depressa se lembrou de perguntar para a Zezé.
―
Zezé, você falou que sabia como fazer a Cássia e a Ju e a Duda ficarem nossas
amigas de novo né? Como é que isso vai acontecer?
―
Ah, sim meu amor, vou só terminar de arrumar as coisas aqui e nós vamos lá para
o escritório da mamãe para conversar tá certo? Por enquanto vão brincando com alguma coisa
lá no seu quarto tá?
Elas foram e nem deu muito tempo de brincar porque logo a Zezé estava chamando
para elas colocarem os pijaminhas e irem para o escritório, onde ela ia mostrar
umas coisas pra elas.
Elas se sentaram todas no
sofazinho, ao lado da Zezé para descobrir o segredo do negócio.
―
Trouxe sim meu amor, mas você já aprendeu o nome do livrão, como é?
―
Hum hum, eu sei, é Bibla...
― "Bibla" não... Bíblia, né?
―
Isso... o que que você vai ler nela Zezé?
―
Eu quero mostrar uma coisa que o Papai do céu mandou as pessoas escreverem
aqui, escutem só...
“Quando os caminhos de um homem
são agradáveis ao Senhor, ele faz que até os seus inimigos vivam em paz com
ele. Provérbios 16:7”
―
Viram só? Quando alguém anda do jeito que Deus manda aqui na Palavra d’Ele, os
inimigos dessa pessoa acabam virando amigos de novo e vivem em paz. Por isso,
eu acho que as meninas vão fazer as pazes com vocês, logo, logo; porque vocês
têm sido muito bonitinhas até agora. Pararam de brigar e uma ajuda a outra não
é mesmo?
―
É sim Zezé... mas... olha, nem eu nem a Lívia e nem a Camila é “homem” né? Quer
dizer... “São homens”... aliás “samos” “homens”...
―
“Somos”, meu amor, é “somos”, não “samos”.
―
Como assim Mannu? Perguntou a Lívia meio perdida...
A Zezé se apressou em explicar:
―
É que eu li aqui, Lívia, que “quando os caminhos de “um homem” são
agradáveis a Deus... etc... e a Mannu não entendeu isso. Mas quando a Bíblia
usa a palavra “homem”, muitas vezes ela quer dizer uma “pessoa” um homem ou
mulher, menino, ou menina sabe?
―
Ah, tá Zezé... então vale pra menina, menino e mulher também né? Disse a Lívia
interessada no assunto.
―
Isso mesmo, vale para quem já entende um pouco como deve se comportar, seja
quem for.
―
Então, é assim Zezé? Perguntou a Camila.
―
É... é o que está escrito aqui né? Então eu acredito, porque tudo o que está
escrito aqui, eu já pude ver que acontece mesmo... Disse a Zezé, sem prolongar
muito as explicações.
―
Então eu acho que amanhã mesmo elas vão falar com a gente Mannu!
―
Pode ser Camila, porque quando a Zezé disse que eu devia contar as coisas para
o Papai do céu e pedir pra Ele me ajudar, Ele ouviu, rapidinho, e as coisas
boas começaram a acontecer logo, você chegou na Escola e a Lívia já não tem
mais raiva de mim...
Nesse instante a Lívia ficou um
pouco sem graça e começou, gaguejando, a explicar umas coisas que ela não tinha
conseguido falar ainda.
―
É que... é...eu, bom Mannu, eu não tinha raiva de você, de verdade, sabe?... Eu
não sei bem explicar, é que... eu vinha pra escola sempre com muita raiva do
meu padrasto, porque eu via ele bater na minha mãe... quase todo dia, quando
ele bebia... e ele batia muito em mim também... Daí... eu via o teu pai trazer
você de vez em quando, junto com a Zezé, e o seu pai dava sempre um beijo em
você e a Zezé dava aqueles abraços dela, que é tão gostoso né? E daí... é...
eu, não sei porque, mas eu ficava com raiva de você também.
A Zezé olhava com tristeza ao
ouvir a história daquela criança, que com toda certeza, não sabia o que era um
carinho de pai e para piorar, ainda apanhava de um homem que nem era seu pai e
era bem “maior” do que ela. Deveria ter paciência, mas não tinha, e com certeza
também não tinha limites quando ficava bêbado e irritado. Zezé nem conseguia
imaginar quanta coisa terrível aquela criança já tinha enfrentado.
Ela olhou com carinho para a
menina e se levantou para dar um daqueles abraços dela, bem apertados na Lívia que a essa altura já estava fazendo
cara de choro, só de falar naquelas coisas todas.
Quando viram isso, a Camila e a
Mannu começaram a bater palmas, pois estavam com muita peninha da tristeza que
a Lívia estava enfrentando, e gostaram da sinceridade dela em contar aquelas
coisas tão ruins que ninguém gosta de falar.
Depois de ganhar um colinho da
Zezé por uns minutos, a Lívia disse:
―
Eu nem podia saber o tanto que vocês eram legais. Eu ficava sempre imaginando
como será que era aqui na casa da Mannu e achava que era bem assim mesmo, muito bom!!!
Eu to mesmo alegre de estar aqui junto com vocês... Em casa eu nem tinha
ninguém pra conversar, só a minha mãe... mas até isso o Seu Aurélio não
deixava, às vezes... ele dizia que eu estava fazendo manha quando queria ficar
perto da minha mãe e que o que eu precisava mesmo era apanhar mais. Daí eu corria pro
meu quarto e ouvia a minha mãe discutindo com ele... Era muito ruim... eu não
quero que ele volte mais...
A Zezé percebeu que havia muito
ainda a ser tratado naquela criança, mas, agora já era hora de irem dormir,
estava ficando tarde. Ela fez uma oração bem linda com as meninas, pediu para
Deus cuidar de todos os problemas da Lívia e principalmente da mamãe dela lá no
hospital. Depois, ela foi ajeitar as três no “quarto camping” delas. Estavam todas
bocejando e com muito sono, só depois que escovaram os dentes, claro! Com sono
e tudo...
Zezé saiu, fechou a porta e se
assustou porque não ouviu mais nada, nem um cochicho sequer. Estavam mesmo
cansadinhas as meninas.
A Zezé aproveitou o silêncio da
casa para “orar” mais um pouquinho e pedir que realmente Deus fizesse um
milagre na vida da Lívia que estava precisando muito. Pediu também para Deus
abençoar a vida da Mannu e da Camila e, é claro, agradeceu muito por ter a
chance de cuidar dessas crianças e interceder pela vida delas também. A Zezé
sabia que não estava cuidando só fisicamente delas, mas, espiritualmente
também, o que era muito importante.







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