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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

FUI EU... - CAPÍTULO 48



Entraram no edifício Belmonte e encontraram a mãe da Camila no elevador. Só assim para a Camila ir direto para a casa dela, senão ela iria direto para a casa da Mannu.

Oi mamãe!! Que surpresa legal!!! Você já está aqui também!! Disse a Camila quando entraram no elevador.

Oi Filhota! Até que enfim encontrei você né? Agora mudou-se pra casa da Mannu e nem liga pra mamãe mais!

Ai mamãe! Não fala isso! Claro que eu ligo pra você, hoje por exemplo eu acho que eu vou dormir aqui com você, porque a Lívia já está bem mais alegre, sabia ? A mamãe dela não está mais dormindo!

Hãããã!! Que coisa boa!! Lívia, graças a Deus né?

É sim tia Mel! Eu fiquei “esfuziada” de alegria sabe?

“Esfuziada”?? Disse a mãe da Camila com cara de espanto misturada com a cara de quem procura algo na memória. Será que a palavra existia e ela tinha esquecido? Parecia uma palavra convincente mesmo...


 As três meninas começaram a rir, enquanto a Zezé tratava de explicar para a Mel o significado de “esfuziada”. Parece que a palavra seria encorporada no vocabulário das meninas, mesmo não existindo, pois afinal, expressava tão bem o sentimento delas naquele momento.

Antes de saírem do elevador, a Camila lembrou-se do “trato do cabelo” e não perdeu tempo!

Mamãe, nós tínhamos combinado de eu cortar o cabelo igual o da Mannu, você deixa?? E a Lívia vai pedir pra mãe dela se ela pode pintar o cabelo da cor do dela...

Como é? A Lívia vai “pintar” o cabelo da cor do dela? Por quê???

É porque eu acho linda a cor do cabelo dela, e eu queria muito que fosse igual, tia.

Bom... respondeu a Melissa A Camila cortar, até poderia, se ela gosta do corte e se ficar bem pra ela... Mas acho que pintar é arriscado, você não acha Lívia? Já pensou se depois de pintado você não gosta da cor em você?

Bom... eu nem tinha pensado nisso... Disse a Lívia já temerosa.

Mas não é só isso... Além de tudo, pintura é uma coisa forte, você é muito novinha para começar a estragar o seu cabelinho que é tão bonito também. Eu gosto da cor do seu cabelo!

Não deu mais tempo de terminar a conversa pois o elevador chegou no andar das duas. A Camila e a mãe desceram se despedindo rapidamente. Combinaram de ir fazer a tarefa no dia seguinte na casa da Camila, para a Zezé ter um pouco mais de folga.


 Chegando no andar delas, que era um acima do andar da Camila, a Mannu e a Lívia correram para o ritual do banho e depois, vieram as maçãs picadinhas com um pouco de sal e limão para aguentarem esperar a chegada do papai e da mamãe da Mannu, que hoje viriam jantar com elas.

 Quando os pais dela chegaram foram todos para a mesa do jantar, porque  o pai da Mannu falou que se ele demorasse mais cinco minutos para comer alguma coisa ele cairia desfalecido no chão.
A Mannu arregalou os olhos e perguntou.

Como assim papai? Se você está “desfalecido” não quer dizer que você não está falecido? Por que,  então, que você iria cair... não entendi! Você ia cair só se você estivesse “falecido” que é o mesmo que morto não?

Os adultos riram e trataram de resolver a dúvida dela.

Meu amor, disse o pai, nem sempre “des” significa o oposto ou a negação de uma palavra. Nesse caso, “desfalecido” significa, desmaiado, inconsciente, sabe?

Ah... Disse a Mannu. Pois então é por isso que eu “crio’ algumas palavras estranhas, porque eu pensei que só precisava colocar um “des” na palavra pra ela virar o contrário... Por ex: Virar- desvirar; ligar-desligar; armar- desarmar, então não é, né?

Não, meu anjo, existem outras palavras que já carregam um “des” com elas, mas não quer dizer o contrário... Por ex: Matar é um verbo e significa tirar a vida de algo ou alguém. Só que “desmatar” é outro verbo bem diferente e não significa o contrário de "matar", até porque, você nunca consegue “desmatar” alguém, ou algo, um animal, por ex. Se algo morreu, nunca mais volta a viver, e se você foi quem matou, você não pode “desmatar”... Isso não existe , entende? Não sei se eu fui claro filha...

É... mais ou menos papai... mas eu entendi. Então, existem palavras com ‘des” que não significam o contrário né? O “des” ali é delas mesmo né?

É... pode-se dizer assim...

Mas papai, depois eu quero saber o que é “desmatar” então. Mas... Só que eu preciso dizer uma coisa primeiro: Eu conheço uma pessoa que “morreu” e depois “desmorreu”...

 Nesse instante a Zezé correu para tentar amenizar as coisas, porque sabia que uma conversa daquelas antes do jantar seria o “desastre” da noite.

É... hã hã hã... riu a Zezé, meio desconcertada Nem se espante com isso Dr. Álvaro! A Mannu está falando de algumas “histórias” que ela escutou e que depois ela explica, não é mesmo Mannuzinha? É melhor vocês começarem a comer logo, porque senão a comida vai ficar fria, e aí, todo mundo vai reclamar.

É isso mesmo!! Disse o Dr. Álvaro, para o alívio da Zezé...

Eu estou morrendo de fome, isso sim! Disse a mãe da Mannu 
Vamos lá meninas! Depois você nos conta a história da pessoa que “desmorreu” tá minha filha? 

Tá mamãe, eu quero mesmo contar, porque é bem bonita a história, a Zezé que me contou...

A Dra Laura só olhou para a Zezé, imaginando que aquilo, com certeza, só poderia ser coisa mesmo da Zezé com as suas crenças.

A Zezé, por sua vez, saiu de fininho, esperando que a conversa não progredisse, e não progrediu mesmo, porque estavam todos com fome e a comida estava bem apetitosa!

Depois do jantar, foram todos para a sala de TV e o Dr. Álvaro falou uma coisa que nem a Mannu sabia ainda:

Lívia, eu soube que sua mãe está bem melhor e eu fico muito feliz com isso, porque fui eu mesmo que fiz a cirurgia dela, então isso é um alívio também para mim. O caso dela tem sido muito comentado lá no hospital, pois a recuperação dela foi uma coisa quase inexplicável, muito rápida!


Tanto a Lívia quanto a Mannu ainda não sabiam quem tinha operado a D. Irene, então foi uma surpresa para as duas.


Pode me chamar de “tio” querida, eu não me incomodo não!

Pois então, é... “Tio”, eu queria dizer muito! Muito! Muito! Obrigada mesmo!!! Porque se não fosse o senhor, acho que a minha mamãe não estaria viva agora!

Dr. Álvaro ficou comovido com a expressão de gratidão tão sincera que ele viu no rosto da menina. Ficou até meio embaraçado com a limpidez do olhar carinhoso que ele recebeu naquele momento.

Que é isso querida! Nem precisa agradecer. Qualquer outro médico teria feito o mesmo pela sua mãe. Ela é que é muito forte e resistiu bem!

Ela é mesmo bem forte, mas eu sei,... tio... ela ainda ficava constrangida de chamar o médico de “tio” na verdade, eu sei que se fosse outro médico talvez não fosse se importar assim com a minha mãe...

Ele se espantou com a noção clara que a menina tinha de como certas coisas corriam no meio da classe médica. Ele mesmo tinha ouvido colegas dizendo que nem perderiam tempo operando uma mulher como aquela, que não tinha quase nada de chances de sobreviver e muito menos de pagar por tudo o que seria necessário para o seu restabelecimento completo.

Ficou envergonhado e triste por ter que admitir que a menina estava certa. Ele sabia como as coisas aconteciam no seu mundo. Mas sabia também de tantos outros que, como ele, ainda fariam até sacrifícios para salvar a vida de uma pessoa carente, como era o caso da mãe da Lívia.

A Mannu correu para dar um abraço no pai; agradecida e orgulhosa pelo que ele havia feito.




































A menina não perdeu tempo, correu também e abraçou o médico com muito carinho e gratidão, pois era exatamente o que ela estava querendo fazer também!


A Dra. Laura, que estava ali ao lado, ficou com os olhos cheios de lágrimas, mas disfarçou muito bem, não era acostumada a demonstrar sentimentos tão facilmente. 


Ela tratou  logo de enxugar as lágrimas teimosas para disfarçar. Em seguida, olhou para os três no sofá e sentiu muita ternura pela cena que ela estava presenciando, pois sabia que o marido era um bom pai, carinhoso e muito paciente. Sabia também que eles não poderiam mais ter outros filhos para fazerem companhia para a Mannu. Isto, na verdade, era um motivo de tristeza que ela guardava apenas consigo mesma.





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