Passaram-se quase dez minutos e só
depois disso o Dr. Álvaro apareceu no escritório para continuar a conversa.
Parecia que ele queria introduzir um novo assunto, mas, disfarçou um pouco e
não entrou nisso pois achou que não devia, ele sabia que o novo assunto
quebraria totalmente o curso da conversa com a Mannu que estava muito ansiosa
para contar a misteriosa história.
―
Que demora papai!! Você vai ter que sair de novo??
―Não,
meu amor... é... era um outro assunto, muito importante também, mas que pode
esperar até amanhã, sabe? Disse o médico olhando para a esposa que tentava
entender, nas entrelinhas, qual seria o assunto tão importante e tão demorado.
―
Bem, então vamos lá... a Zezé já está aqui também, você pode continuar Mannu.
Disse o pai com convicção de que não seriam mais incomodados.
― Bem,
eu estava falando do nome do príncipe do meu sonho e que era parecido com o
meu, lembra papai?
― Hum hum, é isso mesmo...
―
Então, papai, a coisa estranha já começa aí, porque eu nem sabia que existia
esse nome pra homem... eu disse isso pra Zezé, não foi Zezé?
―
É... foi... foi sim meu amor... Disse a Zezé, sem ter mais o que acrescentar.
―
Então, papai, esse príncipe Emanuel disse pra mim no meu sonho que ele era meu
irmão mais velho... Eu até pensei que ele era o “Pequeno Príncipe” que tinha
crescido lá no planeta dele e apareceu no meu sonho. Mas a Zezé disse que não
era, né Zezé?
―
É, meu amor, eu disse que não era não...
Os pais da Mannu olharam para a
Zezé e concordaram de imediato:
― Claro, meu anjo, a Zezé tem toda
a razão! O “Pequeno Príncipe” é apenas uma história em um livro, ele não existe
de verdade... embora ele nos ensine muitas coisas... Disse o pai.
Isso não serviu de alívio para a
Zezé, que estava se sentindo muito desconfortável, pois não sabia qual seria o
resultado final de tudo aquilo depois que a Mannu terminasse sua narrativa.
Sabia que a história que ela tinha contado para a Mannu iria soar muito mais
inacreditável para eles do que a história de um menino de cabelos dourados que
vivia em um asteroide chamado B-612 em companhia apenas de uma rosa, três
vulcões e baobás que cresciam demais, e que veio parar na Terra, em suas viagens
em busca de soluções para os seus dilemas.
Enfim, a Zezé não parava de pedir
socorro para Deus ali no seu interior. Sabia em que terreno “minado” estavam
pisando todos eles ali no momento.
―
Acontece, que eu sonhei com ele sem nunca imaginar um príncipe assim ― disse a Mannu ― e também nem estava guardado no
meu poço de memória que ele existia e que o nome dele era Emanuel. Porque nunca
ninguém tinha me falado nada sobre ele. Daí, a Zezé me mostrou no “livrão” que
tinha a história dele lá.
―
Huummm... resmungou o pai cada vez mais interessado.
―
Quando a Zezé me mostrou a história dele no “livrão”...
―
Filha... só uma coisa: que “livrão” é esse que você fala?
―
Ah!! Desculpa, o livrão tem nome; é a “Bibla”... aliás, Bi bla não... BÍ- BLI- A.
Nesse instante o Dr Álvaro parou,
olhando para a filha e para a mulher e depois voltou-se para a Zezé, que
gostaria muito de “ficar invisível” nesse momento, mas, não deu certo... e ela
estava ali, bem visível e bem na frente do Dr. Álvaro também.
―
Hum... disse o médico ―
então esta história saiu da Bíblia é?
A Zezé olhou para ele fixamente e
tomou emprestada a coragem de todos os guerreiros que ela conhecia dos livros
de história, dos filmes, da Bíblia etc... e respondeu:
―
Isso mesmo, Dr. Álvaro. É uma história da Bíblia e eu acho até mais coerente do
que alguns contos de fada que eu já tive que ler pra ela na hora de dormir...
A Dra. Laura arregalou os olhos e
tratou de colocar umas palavras mais amenas na conversa. Ela sabia a “precaução”
que o marido tinha em relação a essas histórias. Ele achava a Bíblia um livro
esquisito demais. Na verdade ele nunca tinha lido direito, só tinha ouvido
comentários sobre o livro.
―
Mas, é... vamos continuar mais um pouco com a sua história filhinha, o papai
vai entender quando você contar inteira... acho... Completou a Dra. Laura meio
desconcertada.
―
Pois é ―
disse a Mannu voltando a falar, com empolgação, sobre o Príncipe que estava no
seu sonho e também na história bíblica.
―
Papai, eu entendi porque que ele era também meu irmão mais velho sabia?
― Ah
é? E por quê? Perguntou o pai, tentando não se preocupar com a resposta que
ouviria.
―
É porque Ele, o Príncipe, é também Filho de Deus, e Deus, é também o meu Pai,
entendeu papai?
―
Bem... não sei se entendi filha...isso quer dizer que você tem outro pai? E eu,
onde fico?
―
KKKKKKKK! Eu sabia que você ia dizer isso papai!! Mas tudo tem explicação, quer
ver?
―
Claro! Quero “ouvir” principalmente...
―
Bem, aqui na Terra, eu só tenho um papai, que é você e que eu amo muito, muito,
muito!! Mas, lá no céu, eu tenho outro “Papai”, que é Deus, entendeu?
―
Hum... acho que sim meu amor. Você está usando esse velho ditado que as pessoas
recitam por aí dizendo que “todo mundo é filho de Deus” né?
―
Não papai, não é nenhum ditado não, é o que está escrito lá na “Bibla”...
hum... “BÍBLIA”. Então é verdade mesmo!
―
Ah é? E onde é que está escrito isso, que eu quero ver... porque eu acho que
você está entendendo errado, meu anjo.
―
Não, papai, está bem explicadinho! Tem um livro lá, não sei se você sabe, mas
na Bibl..ia tem um monte de livros, por isso que ela é um “livrão”... Um livrão
cheio de outros livros sabia?
―
Humm... interessante! Confesso que eu não sabia porque nunca penso nessas
coisas sabe?
―
Pois é, tem um livro lá que diz assim: ... é... que todo mundo que acreditar em
Deus... em Jesus, que também é Deus... essa pessoa vira “automaticamente” “filho
de Deus” também, igual Jesus é...
―
Meu amor... você tem que tomar muito cuidado com a maneira como você interpreta
essas histórias filha. Nem todo mundo consegue compreender e passar a ideia
certa do que está sendo lido, entende?
Dizendo isso, ele olhou para a
Zezé e falou:
―
Vá buscar esse “livrão” Zezé, que eu quero dar uma olhada no que você anda
lendo para a Mannu...
A Zezé sentiu um frio no estômago,
mas manteve a calma e respondeu polidamente:
―
Pois não Doutor... ele está lá na sua estante, no seu escritório. Vou buscar.
―
Como é? Como assim? No meu escritório eu não tenho Bíblia nenhuma...
―
Bem... eu encontrei lá. Eu também não sabia que vocês tinham esse livro aqui.
A Dra. Laura imediatamente
lembrou-se de um fato acontecido havia muito tempo já... Antes do nascimento da
Mannu.
―
Amor, esse livro você ganhou de um dos seus pacientes, há muito tempo. Talvez
você não se lembre, mas... ele foi um caso parecido com o da mãe da Lívia e
você conseguiu vaga para ele ser operado e, na verdade, você mesmo fez a
cirurgia dele, lembra? Nessa época, morávamos em Brasília ainda, a Mannu nem era
nascida.
―
Huuuummm... tem algo brotando aqui na minha memória... Mas, eu nem lembro de
ter trazido a caixa de presente que ele me entregou... só me lembro que ele me
disse que era uma Bíblia.
―
Pois é... como você esqueceu lá na sua sala, a secretária me entregou e eu
guardei aqui, junto com seus livros...
―
Hum hum... pois bem Zezé, vá... vá logo buscar isso que eu quero ver.
Zezé se levantou num instante e
respondeu com firmeza.
E saiu, rapidamente, sabendo que
poderia estar selando seu destino longe dessa família que ela amava tanto.
Sentia dor no peito, principalmente ao pensar na Mannu. Ela era como uma filha
para ela.
Zezé entrou no escritório, pegou o
livro, apertou contra o peito e pediu mais uma vez:
Senhor, cumpra a sua vontade nessa
família, custe o que me custar...
Vamos ver no próximo capítulo o
que vai acontecer...









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