Na manhã seguinte, as meninas
tomaram o café da manhã com os pais da Mannu, e riram o tempo todo durante a
refeição. A Dra. Laura teve que insistir para que elas parassem de rir um pouco
senão iriam se engasgar na hora de engolir. Mas... era impossível. Tudo era
engraçado para as meninas. Estava uma manhã muito “risonha” para as três.
Tinham dormido bem, não acordaram nenhuma vez de madrugada e estavam com as
energias totalmente restauradas! Salve-se quem puder!
Quando os pais da Mannu saíram
para o trabalho, elas foram fazer as tarefas da escola com a Zezé, enquanto a
Nina cuidava das outras coisas. Nem nessa hora elas se lembraram de reclamar, tudo
parecia muito bom de fazer e muito fácil também.
Fizeram com a maior rapidez a tarefa toda,
tudo certinho, e em seguida foram as três, com a Zezé para o hospital ver a mãe
da Lívia, porque já estavam todas prontas, lindas e todas de chapéu como manda
a moda Mannu.
E a Zezé também já estava pronta e
bem diferente, até as meninas se surpreenderam!! Olha só!
―
Zezé!! Você está linda!!! Gritou a Mannu, sempre acostumada a ver a Zezé com o
“uniforme” de trabalho dela.
―
É mesmo!!! Concordaram a Camila e a Lívia.
― Você
trocou até de brinco Zezé!! Que linda!! Você está parecendo uma “madame” lá de
Paris! Disse a Lívia na sua simplicidade infantil.
A Zezé ficou imediatamente séria e
tratou de apressar as meninas sem responder a observação da Mannu e da Lívia.
―
É mesmo Zezé!! A Lívia falou uma coisa certa! Eu quero saber como é que você
aprendeu aquela coisa em francês que você me ensinou pra falar pra Lívia...
Dizendo isso, a Mannu olhou meio
ressabiada para a Lívia, sem saber se ela ia lembrar daquele dia. A Lívia riu e
falou:
―
É verdade! Você aprendeu aquilo com a Zezé né Mannu? Eu fiquei espantada aquele
dia!!! Como que você sabe isso Zezé??
Ao chegarem lá, no hospital, uma
coisa completamente inesperada aguardava todas elas. Ninguém estava esperando
uma coisa daquelas. Ao entrarem, já no corredor encontraram um dos médicos que
atendiam a mãe da Lívia. Ele veio ao encontro delas parecendo meio agitado.
―
Dona Maria José! Que bom que a senhora já chegou...e as meninas também! Tenho
umas coisas para conversar...
―
Sim senhor!! Disse a Zezé, olhando já preocupada para a cara de susto da Lívia.
―
Aconteceu alguma coisa com a minha mãe Doutor? ― perguntou a Lívia já meio pálida.
O médico nem ouviu a pergunta e
foi chamando todas para seguirem atrás dele no corredor. Passaram pela UTI e
não pararam. A Lívia perguntou:
―
Doutor, é aqui não é??
O médico finalmente parou e ouviu a menina.
―
Não minha filha! Ela não está mais aí e eu tenho uma coisa que eu não sei
explicar pra vocês como foi que aconteceu!! É cada uma que me acontece!!!
Imediatamente a Zezé olhou para a
Lívia e disse:
―
Não se preocupe! Estamos aqui com você tá?
O médico não explicava tudo de uma
vez pois parecia meio atônito. Então, a Zezé interrompeu a corrida do homem:
―
Doutor, por favor! O senhor poderia andar mais devagar e pelo menos explicar as
coisas direito? Já estamos ficando assustadas aqui, as crianças estão...
―
Mas, é pra qualquer um se assustar mesmo! Até eu!!― Interrompeu o homem afobado.
Em seguida ele deu uma parada
súbita e pareceu cair na real. Falou se desculpando logo:
―
Minha gente, vocês me perdoem! Eu devia ter falado de imediato, é... eu devia
ter falado mesmo! Poxa, não é nada de ruim, mas, acontece que eu nunca tinha
visto algo assim e aconteceu agora de manhã. Não tive nem tempo de me
recuperar. É... é só incrível!! É isso que é... sabe? Minha filha, me perdoe,
sua mãe está bem viu? Você mesma vai ver...
Dizendo isso, deu mais uns três
passos enormes e abriu a porta de um quarto e mandou que elas entrassem.
No quarto, elas viram uma cena que
ninguém esperava ver tão cedo! Foi muito emocionante para a Lívia.
―
Mamãe!!! Você acordou!! Gritou ela correndo e pulando em cima da mãe com a Zezé
pondo a mão na cabeça e gritando:
―
Tenha cuidado, minha filha!! Sua mãe...
―
A mãe dela está melhor do que eu... ― disse o médico, antes da Zezé terminar a advertência. ― Eu sim é que acho que posso
infartar a qualquer momento depois de hoje... continuou ele.
A Lívia já estava
em cima da cama com a mãe e com um enorme sorriso no rosto!!
A Mannu e a Camila, ficaram
olhando com tranquilidade e com muita alegria para aquela cena. Mal passava
pela cabeça delas que aquilo estivera a um passo de nunca mais acontecer.
A Zezé olhou para o médico, de
braços cruzados ali do lado e perguntou:
―
Ela está bem, não está doutor?
―
Hum... como eu disse, melhor que eu...
―
Doutor, o senhor fala como se...
O médico, novamente, não deixou a
Zezé terminar a frase.
―
D. Maria José, é o seguinte, depois eu gostaria de conversar com a senhora, a sós,
para eu poder explicar a razão dessa minha preocupação... ou... sei lá se é
preocupação, ou... Bem, depois conversamos ok? Fiquem só mais um pouco com ela
e depois é melhor que ela descanse bastante, certo?
―
Certo, doutor... ―
Disse a Zezé, ainda mais cismada do que ele, olhando o médico sair.
A Zezé se aproximou da cama e
falou:
―
D. Irene, é... eu sou a Zezé, trabalho pra Dra. Laura... Talvez a senhora nem a
conheça, mas é a mãe da Mannu aqui, que é amiga da escola da Lívia.
―
É mamãe!! Ela é a minha melhor amiga... agora. Ela e a Camila, sabe?
―
É filha? Que bom né? Então você tem duas “melhores” amigas...
―
É... é isso mesmo mamãe. E elas cuidaram de mim nesses dias que você estava
dormindo... Elas e a Zezé.
―
Puxa, D. Zezé, muito obrigada mesmo! Porque quando eu acordei, sabe, a primeira
coisa que me veio na cabeça foi justamente, como estaria essa menina, sozinha
com aquele... “desmiolado” do Aurélio. Por falar nisso, filha. Ele está por
perto?
―
Não mamãe, graças a Deus! Ele fez uma mala e foi viajar... não sei pra onde...
A mulher só deu um longo suspiro,
que pareceu muito mais de alívio, do que de qualquer outra coisa.
―
Então... foi por isso que você precisou ir pra casa da sua amiguinha né? Como é
mesmo o nome dela?
―
Essa é a Mannu, foi na casa dela que eu dormi. E essa é a Camila, que dormiu
junto com a gente lá também, foi muito legal, mamãe. Senão eu ia chorar a noite
inteira e muitas noites, só pensando na senhora. Elas me ajudaram, elas até
oraram comigo, sabia?
A mulher encheu os olhos de
lágrimas e agradeceu novamente.
―
Obrigada crianças, muito obrigada! D. Zezé, muito obrigada de novo, vocês são
os anjos que Deus colocou no caminho da gente!
―
Não precisa agradecer a gente não D. Irene, é só agradecer o Papai do céu, que
cuidou da senhora pra Lívia ficar alegre hoje. Disse a Mannu, com toda a
firmeza de uma pessoa muito cheia de fé. Para ela tudo era muito natural, era
assim mesmo que deveria funcionar a fé.
A Zezé avisou que o médico tinha dito que a mulher
precisava descansar e a Lívia, com muita resistência, deu um beijo na mãe e se
despediram todas da mulher que ficou acenando da cama com um ar de quem nem
sabia que tinha enfrentado uma cirurgia terrível e muito perigosa. E não sabia
mesmo, talvez fosse uma vantagem ignorar certas coisas.
A Zezé saiu e lembrou-se que
precisava passar na salinha que o médico tinha indicado ali ao lado para falar
com ele. Depois de se identificar, pediu a ajuda da secretária que estava
dentro da salinha para as crianças ficarem com ela enquanto ela entrava
conversar com o médico.
―
Sim senhora, disse a moça, a senhora pode entrar que ele já me avisou que
estava aguardando a senhora.
Zezé entrou, e só vamos saber o
resto dessa conversa na próxima semana... Até...










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