.

.

Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

UMA CONVERSA SÉRIA - CAPÍTULO 9


Logo que a Mannu dormiu, a Zezé voltou para a copa procurando a Dra. Laura para conversar. Ela não estava mais na copa, tinha ido para o escritório dela. Zezé bateu na porta com cautela, meio nervosa, antecipando o resultado da conversa.



Pode entrar Zezé...

Com licença Doutora...

Claro Zezé, entre e vamos conversar um pouco. Você viu só as ideias da Mannu?

Pois é Doutora, é sobre isso mesmo que eu queria falar...

E ela só tem seis anos Zezé! Que é que eu faço com essa menina? Parece adulta!... Sei que as crianças de hoje são assim mesmo, mas quando você nota isso na sua casa é um susto!

É verdade Doutora...

Vamos sentar ali no sofá, naquele cantinho do escritório, é melhor, assim você pode se sentar também.


Está certo Doutora, sei que a senhora está cansada, mas acho importante contar algumas coisas que andam acontecendo e que ainda não tive ocasião para comentar com a senhora.

Não tem importância, estava aguardando você antes de ir tomar meu banho para descansar, pode falar Zezé.

Vou tentar ser rápida... o problema é que não é muito fácil. Estou um pouco nervosa...

Zezé, assim você está me assustando, aconteceu algo sério?

Não, quer dizer, sim, mas depende do ponto de vista...

Como assim Zezé?

Bom Doutora, é que depende do que a senhora pensa sobre certos assuntos, eu não sei bem por onde começar.

Zezé, fala logo criatura, que você já está me deixando nervosa, aconteceu alguma coisa com a Mannu?


Calma Doutora, também não é assim. É que eu fico preocupada com o que a senhora vai pensar de mim porque... Eu... é... nem sei se devia...

Fala de uma vez Zezé!!! Por favor!

Bom Dra Laura, a Mannu vinha sofrendo faz tempo com esse problema das meninas na Escola. Então, uma noite dessas ela estava muito tristinha e me disse que não estava querendo ir para a Escola no dia seguinte. Então, é... eu...

Então o quê Zezé?

Bom, eu percebi que a senhora não estava com tempo, e nem o Doutor, para ouvir as histórias dela, então, eu disse que ela podia, bem,... podia contar tudo isso para o ...

O ???? ... Quem Zezé? Fala!!

― O... Papai lá do céu... Disse a Zezé, tão rápido quanto conseguiu.



Quem mesmo? Papai de onde?

A senhora sabe Doutora, Deus, Aquele... que mora lá... em cima, sabe?

Em cima? Em cima do quê Zezé? Do Monte Olimpo?? Zezé, olha... eu não ligo que você acredite nessas coisas, mas, realmente, nós aqui não temos costume de nos preocuparmos com essas crendices e eu não sei em que isso poderia ajudar a Mannu. A não ser trazendo mais confusão ainda pra cabecinha dela.

Doutora, era esse o meu medo, que a senhora não compreendesse, não aceitasse e pusesse tudo a perder...

Perder? Perder tudo o quê Zezé? Que “tudo” é esse a que você se refere? Por acaso você já levou a Mannu ao Monte Olimpo encontrar esse “papai” que você fala? Ele deu alguma coisa pra ela que você não quer que ela perca?!



Sente-se de novo Zezé, vamos continuar essa conversa, explica isso direitinho, por favor!

Certo, Doutora... Eu vou explicar desde o início.
Zezé sentou-se e decidiu ser a mais verdadeira e clara possível. Começou de longe... desde quando ela chegou para trabalhar na casa da Dra. Laura.

Doutora, a senhora lembra quando eu apareci aqui procurando pelo emprego de babá, não lembra?

Claro, lembro muito bem, há seis anos... Chequei suas referências, soube que você morou fora do Brasil por muito tempo e que era excelente como pessoa e funcionária. Nunca tive qualquer queixa sobre os teus serviços Zezé, só que...

Desculpe Doutora, mas eu preciso lembrá-la de uma coisa também; no dia em que eu comecei a trabalhar aqui eu comentei com a senhora que eu tinha minha fé e que precisava pelo menos do domingo para cuidar da minha vida espiritual.

― Sim Zezé, eu me lembro muito bem disso. Não vi mal nenhum, tanto que concordei de imediato, não foi? O domingo pertence a você até agora, não é assim?

Perfeitamente Dra. Laura. A senhora pediu que eu morasse aqui, me ofereceu um salário muito bom, compensador, e ainda teria o domingo livre, o que para mim foi muito bom, porque eu tinha acabado de voltar e não tinha, ainda, onde morar. Aos domingos vou sempre para a casa da minha irmã.

Então Zezé, nunca tivemos problemas com essas coisas... Mas agora, parece que algo está mudando, não?

Como eu disse Doutora, depende do ponto de vista de cada um. Para mim as coisas estão mudando para melhor. Não sei se a senhora notou como a Mannu tem andado diferente nesses últimos dias, mais alegre, mais falante... inclusive comendo melhor...

É... isso eu notei mesmo... Até brinquei esses dias que ela tinha tomado alguma coisa diferente à noite, pois acordou muito animadinha...

Pois então Doutora, a única coisa que aconteceu foi que quando ela estava quase dormindo naquela noite, ela me pareceu muito triste e disse que não queria ir para a Escola de manhã. Então, eu sugeri que ela contasse o problema com as meninas para o “Papai do Céu”, sabe, Deus...

Ah... E como é que ela fez isso Zezé, mandou uma cartinha como as crianças mandam para o Papai Noel?

Dizendo isso, Dra. Laura deu uma risada um tanto debochada, mas logo conteve a brincadeira ao notar a expressão séria da Zezé.

Você sabe Zezé, que nem mesmo Papai Noel nós permitimos que engane a cabeça da Mannu. Ela sabe muito bem de onde vêm seus presentes de Natal.

Nesse instante, o Dr Alvaro chegou, chamando pela esposa e perguntado pela filha, etc...

Zezé, não poderemos continuar essa conversa agora. Amanhã, sem falta, quero terminar esse assunto com você está certo?

Certo Doutora... só peço que a senhora não comente nada com o Doutor, por enquanto, pode ser?

Nem era preciso me pedir isso Zezé, porque não vou comentar mesmo! Nem sei qual seria a reação dele...

Dizendo isso, foi logo saindo ao encontro do marido.

Boa noite Zezé, amanhã continuamos essa conversa, sem falta!

Boa noite Doutora, durma bem...

Zezé foi para o seu quarto muito preocupada com as consequências que teria essa conversa e que, por sinal, ela teria que aguardar até o dia seguinte para descobrir. Foi dormir tão preocupada que passou quase metade da noite falando com o “Papai do céu” também.




Nenhum comentário:

Postar um comentário