Mal surgiu o dia e a Zezé pulou da
cama, tomou seu banho, vestiu-se depressa e correu para a cozinha. A outra
empregada já estava lá e o cheirinho de café estava muito bom. Mas, a Zezé
passou por ela dizendo um bom dia muito rápido e nem sequer pegou a xícara que
a outra já tinha servido para ela como fazia todas as manhãs.
―
Uai Zezé, não vai tomar seu café?
―
Não, obrigada Nina, depois tomo... e depois converso com você também.
Zezé entrou no quarto da Mannu que
ainda dormia profundamente. Abriu as cortinas e chamou a criança suavemente,
como fazia todas as manhãs.
―
Bom dia mocinha, vamos acordar porque o sol está com saudade de você...
―
Huuuummmm... não Zezé, diga pro sol esperar um pouco que eu estou com muito
sono! UAHHHHH...
Zezé foi para a janela e usou seu
truque infalível. Escancarou as cortinas e o sol entrou com gosto, indo direto
beijar o rosto da Mannu, que apertou os olhos reclamando da luz forte.
― Ah
Zezé!!!! Que claro!! Manda o sol sair um pouquinho só!! Ele pode voltar daqui a
pouco... to com sonUAHHHH!
Disse misturando as palavras com o
bocejo.
―Não
Mannu, veja só que dia lindo está fazendo hoje!
Que vista linda da sua janela meu
amor veja só!!
Hora de levantar, vamos, porque
você tem bastante tarefa da escola pra fazer, lembra?
―
O papai e a mamãe já acordaram?
―
Acho que já e estão esperando você para o café da manhã. Lembra que hoje é um
dia que eles saem mais cedo?
―
Hummm, claro que lembro, eles sempre saem mais cedo e chegam mais tarde... o
papai, principalmente.
―
Então vamos logo para não perder de tomar café com eles tá?
―
Ok... quero falar com o papai...
Certo meu amor, então vamos lá,
vou ver sua roupinha tá bom? Corre pro banheiro...
Na mesa do café da manhã, Dr
Alvaro e Dra Laura já esperavam pela filha enquanto conversavam.
―
Amor, você precisava ouvir a sua filha falando comigo e com a Zezé ontem.
Cheguei a ter dúvidas se ela estava com seis ou dezesseis anos...
―
Como assim?? Ela pediu pra namorar já?
―
Ai amor, nem tanto né? Mas eu me surpreendi... Acho que os filhos amadurecem
muito rápido e se a gente não prestar atenção, foi-se a infância e nem vimos
passar...pior ainda, não aproveitamos essa época deles também.
―
É... e o pior é que não volta mais. Só temos uma filha, é bom lembrarmos disso
mesmo... Por falar nisso, aí vem a minh
a princesa!―Disse
ele colocando um sorriso no rosto – além do costumeiro beijinho - para receber
a filha.
Mannu estava ainda muito sonolenta
e até despertou com a acolhida tão calorosa e incomum para essa hora da manhã
quando todos estão, ainda, tentando pegar embalo na rotina do dia.
―
Bom dia papai, bom dia mamãe...
―
Você dormiu bem meu amor? Perguntou o papai, todo cuidadoso, sabendo que estava
“marcado” pela saída repentina e “fora de hora” da noite anterior.
―
Eu dormi bem papai, mas só depois de esperar bastante pra você chegar... e você
não chegou.
―
Cheguei sim, eu estou aqui, não estou? Bem juntinho de você.
―
Mas não chegou antes de eu dormir ontem e agora não vai poder escutar o que
você não escutou e que eu queria falar ontem ― Foi a queixa dela, rápida e decidida.
―
Pois é meu amor, mas o papai já explicou pra você que muitas vezes isso
acontece na profissão do papai. E você não ia querer que o seu pai deixasse uma
pessoa sofrendo lá no hospital, precisando de ajuda não é mesmo?
―
Bom, isso eu não ia querer mesmo... respondeu ela
ainda procurando um meio de
continuar a reclamação.
― Mas,
acontece papai, que eu também estava sofrendo ontem, estava até com dor de
estômago esses dias, né Zezé? Tudo porque eu preci sava muito contar pra você as
coisas horríveis que aquelas duas me dizem todos os dias...
Doutor Alvaro olhou surpreso para
a esposa e depois para Zezé, que estava muito séria, com ar de preocupada.
A esposa deu uma piscadinha disfarçada pra ele
que entendeu, finalmente, a seriedade do que ela havia comentado com ele um
pouco antes da menina chegar.
Procurou explicar de maneira mais convincente sua
situação para a filha de seis anos que falava,“mesmo” como se tivesse
dezesseis.
―
Bem, meu amor, então, o papai vai dar um jeito de tentar vir aqui almoçar com
você hoje, certo? Vamos conversar sobre isso tudo ok?
―
Ótima ideia meu querido! ―
Respondeu a esposa―
Vou tentar vir junto, porque tenho algumas coisas também para tratar com a
Zezé, não é mesmo Zezé?
Zezé nem respondeu, mas Mannu se
manifestou, eufórica!
―
Verdade mesmo papai?? E você também vem mamãe??
―
Vamos tentar, meu amor, papai vai fazer tudo o que for possível, certo?
―
Agora venha para a mesa, precisamos tomar café...
― Não
acredito! – Disse a menina− Isso parece até um filme desses que tudo termina
bonito no final!!
Os dois se entreolharam sem dizer
nada, apenas tentando uma comunicação por “pensamento”...
Tomaram o café animadamente, Mannu
falando e rindo bastante, como já vinha acontecendo nos últimos dias...
Assim que terminaram, os pais se despediram da
filha com beijos extras e correram para o trabalho.
Zezé foi buscar os cadernos da
Mannu para fazerem as tarefas da Escola.
Agora era Zezé quem estava com
“frio no estômago” imaginando a conversa que teria que enfrentar com a patroa
depois que almoçassem e ela levasse a Mannu para a Escola.






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