Quando as duas saíram do
escritório, encontraram a Mannu e o pai na sala conversando animadamente. Mannu
parecia empolgada com uma ideia que o pai havia lhe dado.
―
Que bom papai, e quando eu posso fazer isso?
―
Veja com a mamãe, um sábado qualquer que vocês possam aproveitar bastante.
―
Ai, eu amei essa ideia papai!!
―
Mamãe, quando eu posso convidar as minhas inimigas para virem aqui e virarem
minhas amigas?
As duas, Zezé e a patroa,
arregalaram os olhos sem saber bem o que dizer e também com vontade de rir da maneira
como a menina comunicou a situação.
Para quebrar o “choque”, o papai
disse:
―
Veja com a Zezé quando ela pode fazer aquele bolo que você gosta e outras
coisinhas deliciosas que só a Zezé sabe fazer, não é mesmo Zezé? ― Disse ele quase implorando a ajuda
da babá.
―
Eeer... lógico! Basta a Doutora me autorizar, não é Doutora?
―
Hã... Mas é claro! Se você acha que isso vai funcionar filhinha, pode chamar
hoje mesmo para as duas virem sábado que
vem, ok?
Zezé chamou a menina para irem
rapidamente trocar a roupa para a escola, pois já estavam quase atrasadas. Ela
foi correndo, eufórica com a ideia de convidar as “inimigas” para um lanche no
sábado seguinte.
Enquanto isso, a Dra. Laura e o
Dr. Alvaro saíam, apressados, para o trabalho, comentando o assunto:
―
Mas, amor ―
disse a Dra. Laura―
você acha que isso realmente vai funcionar?
―
Querida, não tenho a mínima ideia... mas, foi o que me surgiu na cabeça para
evitar complicações... o velho ditado: “Não pode com eles, junte-se a eles”.
―
Hummm... Não sei não...
―
E você? Resolveu teu assunto com a Zezé? De que se tratava afinal?
―É...
resolvi sim, eram coisas da casa, só isso... Também alguns cuidados que eu
quero que ela tome com as coisas da Mannu, sabe?
A mulher evitou a conversa porque
sabia muito bem que não haveria tempo e muito menos disposição da parte dele,
ou melhor, da parte de ambos, para aquele tipo de assunto. Pelo menos, não
naquele momento.
Na Escola, assim que chegou, Mannu
já começou a procurar pelas “inimigas”. Porém, como chegaram em cima da hora da
aula, não deu tempo de conversa nenhuma, pois a professora já estava começando
a primeira atividade da tarde.
Mannu sentou-se, encorajada pela
ideia de que o convite seria uma surpresa muito grande para as duas. A
professora estava explicando o que seria a primeira coisa que fariam para
chegarem ao ponto que ela gostaria de atingir naquele dia. As crianças estavam
todas animadas com a atividade que a professora estava propondo. Porém, Mannu
viajava mentalmente pelo sábado programado com os pais e a Zezé. A Professora,
sem perceber a distração da menina, perguntou:
―
Mannu, o que você acha dessa ideia que tivemos? Você gostaria de começar?
A menina ficou muda e tentou dizer
algo sem ter a mínima ideia do assunto.
―
Professora, eu... é... acho que não quero começar nada não, porque não entendi
muito bem...
No mesmo instante, a Lívia
(inimiga n°1) falou para todos ouvirem.
―Tá
vendo, é por isso que eu digo que ela é uma “barata sonsa”!!
Pouca gente riu, somente ela, a
Cássia e mais um menino, que sempre andava com as duas. Mas isso foi o
suficiente para a Mannu voltar a sentir o “friozinho” no estômago.
A Professora interferiu corrigindo
a Lívia, mas o estrago já tinha acontecido. Mannu baixou a cabeça num esforço para esconder o “beicinho”. De repente, ela lembrou-se do que a Zezé tinha
ensinado para ela responder, em caso de “ofensa” das duas.
Tomou coragem e virou-se para a
Lívia dizendo bem alto:
―
Merci, ma chérie!!
De imediato acabou-se o burburinho que continuava depois do riso da Lívia, da Cássia e do Adriano, o menino que
andava sempre com as duas porque vinham juntos para a Escola.
Todos olharam espantados para a
Mannu, pois ela nunca respondia, nem baixo nem alto. E a pergunta geral foi um
sonoro; O QUÊ????? QUE FOI QUE ELA DISSE?
Ninguém tinha entendido nada e
para não ficar sem nada para falar a Lívia retrucou:
―
Viu Professora? Ela também fica me xingando, o tempo todo!
A professora acalmou o burburinho da sala e depois explicou:
―
Lívia, ela não está xingando você, pelo contrário, ela te chamou de “ minha
querida”. É claro, que depende também de “como” você fala isso para ser uma
ofensa ou não, não é verdade Mannu? De qualquer forma, nada do que ela disse é
uma coisa feia.
Mannu não respondeu, até porque,
ela nem sabia o que aquilo significava também, pois a Zezé não tinha contado
para ela no dia em que ensinou as palavras e depois esqueceu de dizer, assim
como ela esqueceu de perguntar, ficou apenas repetindo a frase automaticamente
até memorizar.
A Professora continuou explicando:
― O que ela disse foi: “Obrigada,
minha querida...” só que na língua francesa.
Dizendo isso a professora olhou para a Mannu e
perguntou:
―
Quem te ensinou isso Mannu, a mamãe?
―
Não, foi a Zezé...
A professora parou um pouco sem
acreditar muito, mas não disse nada, apenas pensou...
Enfim ― disse ela ― Vamos continuar nossa aula então,
a Lívia pode ficar tranquila que a Mannu não xingou ninguém, e você deveria
pedir desculpas para a Mannu por falar estas coisas feias pra ela, Lívia. Isso
não é legal, sabe?
―
A Lívia, meio sem graça pelo fato de não entender o que a Mannu tinha dito e
também por ter sido chamada de “minha querida” pela menina, disse meio sem
jeito:
―
Eu é que não!
―
Pois você mesma é que sim, já percebi que é você quem vive criando confusão com a Mannu, Lívia, isso não
fica bem pra você, aliás isso não é bonito pra ninguém. Estamos todos aqui para
aprendermos juntos e só vamos conseguir aprender se formos todos amigos, para
podermos ajudar uns aos outros, concorda Lívia?
A menina respondeu
atravessadamente:
―
Ah Professora, tá bom, tá bom, tá bom... Depois tá? Depois...
Para encerrar a coisa que já se
prolongava demais, a professora retomou as atividades, ignorando a reação da
Lívia que continuou resmungando alguma coisa com a Cássia.
A Mannu continuou quietinha sem
olhar para as duas, mas no fundo, estava satisfeita com o resultado que a frase
provocou. Todos se espantaram e a Lívia ficou muito sem graça. Então, a Mannu
começou a pensar:
―
Huuummm... Então isso que a Zezé me ensinou é Francês, não é um palavrão
mesmo... Como é que ela nunca me falou que ela sabe Francês!!
A Professora chamou a Mannu para
participar da atividade, então, ela deixou os pensamentos de lado e foi se
juntar aos outros. Mas, ela ainda não tinha desistido de chamar as “inimigas”
para o lanche. Só não estava mais tão empolgada como no início. Até a hora do lanche ela teria que esperar e decidir se chamava as duas ainda ou não...




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