─ Bom dia mocinha!! Dormiu bem? Disse a Zezé,
entrando e abrindo a cortina para o sol dizer bom dia também. A Mannu abriu os olhos com preguiça e disse com toda a moleza da manhã: ─ Hummm... ainda estou com sono...
─ UHAAAA... Ai Zezé... você acordou malvada hoje?
Huuuummm... Eu dormi bem Zezé, mas não ouvi nada
do que o “Papai do céu” ia dizer... disse ela sentando-se na cama:
─ Ah! Você falou com Ele meu amor?
─ Falei, mas Ele não disse nada... Só se Ele falou
quando eu já estava dormindo...
─ Hum hum, talvez seja isso mesmo o que aconteceu.
Não deu tempo de você ouvir porque dormiu logo né? Mas olha, se Ele falou
alguma coisa e você não ouviu, não tem problema. Quero que você me faça um
favor. Prometa pra Zezé que você vai prestar bastante atenção se as coisas não
vão parecer mais fáceis hoje. Tá bom?
─ Como assim Zezé?
─ Bem, quero que você note se as meninas vão te
incomodar muito, ou melhor, se você vai se sentir do mesmo jeito se elas te
provocarem ... Só isso.
─ Tá bom Zezé...
─ Agora, corre pro banheiro e vamos ficar linda pra
tomar café com a mamãe e o papai... Zezé
vai te ajudar.
Com um tapinha no bumbum e uma boa gargalhada a
Mannu voou pra dentro do banheiro.
À mesa do café da manhã, a Mannu estava mais falante
do que o habitual. Demorou mais para
comer e NÃO fez a pergunta de todos os dias: “Mamãe, você pode ficar em casa
comigo hoje? ”
Sua mãe até estranhou e perguntou para a Zezé,
brincando, é claro, se a Mannu tinha tomado alguma coisa diferente antes de
dormir.
Logo que terminaram o café da manhã os pais da
Mannu foram para o trabalho e ela ficou fazendo a tarefa da escola ao lado da
Zezé.
A Mannu estava doida pra perguntar algumas coisas pra Zezé sobre a
conversa que ela teve com o Papai do céu na noite passada, mas terminou toda a
tarefa primeiro e assim que escreveu o último ponto no caderno, disparou uma
rajada de perguntas em cima da Zezé.
─ Zezé?
─ Sim meu amor.
─ Você acha que Ele, o “Papai do céu”, me escutou
mesmo? E você acha que Ele não vai ficar bravo comigo porque eu disse que
também sinto raiva das duas? E você acha que Ele respondeu e eu não escutei
porque dormi? E você acha que.... Neste momento, a Zezé interrompeu a disparada
da Mannu.
─ Ôpa ôpa
ôpa !!! Calma meu amor! Uma pergunta de cada vez. Você está parecendo
uma metralhadora!! Vamos lá: Primeiro: Sim, eu acho que Ele te escutou; segundo:
Não, eu não acho que Ele vai ficar bravo por você dizer que sente raiva também
e terceiro: Sim, eu acho que Ele já te respondeu e você escutou, mas
ainda não sabe que escutou.
─ Como assim Zezé? Não sei se entendi não... Ih, de novo, acho que você está
“pirando” Zezé... Qui qui qui qui!!!
A Zezé riu da risadinha marota da Mannu e disse pra
ela tirar a mão da boca para ouvir bem o que ela ia explicar.
─ Zezé, mas eu não escuto com a minha boca! Disse a
Mannu rindo mais alto ainda.
─ Mannu, eu disse pra você tirar essa mãozinha da
boca, “parar de rir” e ouvir com atenção ok?
A Zezé, então explicou para a Mannu que ela podia
ter ouvido o Papai do céu, só que não com a mente dela porque a mente dela
estava dormindo, mas ela ouviu no espírito dela, porque o espírito nunca dorme.
Só que, por isso, a Mannu pensava que não tinha ouvido nada, porque tinha
ouvido lá no espírito e não na mente, onde tudo fica guardado na memória pra
gente lembrar depois.
─ Ah, sei Zezé... Se não está guardado na nossa
memória, na mente, a gente não consegue lembrar né? É isso?
─ É meu amor, mais ou menos assim.
─ Zezé, mas então, o que adianta se eu não
conseguir lembrar e não sentir nada diferente?
─ Aí é que está o segredo! Você ACHA que nada ficou
diferente, mas, pense bem e lembre-se de como você estava se sentindo hoje de manhã,
quando tomava café com a mamãe e o papai. Você não percebeu o quanto você
falou, falou e falou, que até parecia que não ia parar nunca mais?
─ KKKKKKKK!! Eu lembro sim Zezé, é que eu estava
com muuuuuuita vontade de falar. Mais até do que de comer.
─ Então, por que você acha que estava com toda essa
vontade de falar, se você é sempre tão quietinha no café da manhã? Hein?
─ Ah, não sei Zezé! Eu só sei que estava gostoso de
ficar falando e falando e falando...
─ Pois é, se algum momento é gostoso, é porque a
gente está alegre, e se a gente está alegre, é porque as coisas estão
diferentes dentro da gente, entendeu? Você se lembra que você nem ficou pedindo
pra mamãe ficar com você em casa em vez de ir para o trabalho?
─ É... eu não precisei pedir isso pra ela...Acho
que entendi Zezé. Foi porque hoje eu estava com muita vontade de falar, assim
como quando eu estou muito alegre... E é só quando eu estou triste que eu quero
que a mamãe fique comigo e não tenho vontade nenhuma de falar... Mannu pensou
mais um pouquinho e arrematou: ─ Quando eu estou triste, é como se alguém
tivesse colocado uma tampa no meu poço de palavras...
Zezé riu muito com a criatividade da Mannu, depois
deu um daqueles abraços bem apertados nela, até que ela começou a gritar e
gargalhar ao mesmo tempo! Como há muitos dias ela não fazia. Parecia mesmo que
ela estava com o “poço da alegria” sem tampa também, assim como o poço das
palavras.
Como ainda era cedo, a Zezé levou a Mannu para brincar um pouco no parquinho na frente do prédio onde elas moram. Havia mais crianças lá e a Mannu brincou um pouco com elas até que a Zezé chamou para subirem, pois era hora de tomar banho e ir para a escola.
No elevador, a Mannu estava alegre e falando como nunca, até que ela olhou muito séria para a Zezé e falou que apesar de estar se sentindo feliz ela ainda queria que o "Pequeno príncipe" fosse irmão dela.
Zezé não disse nada, apenas falou que ela não devia se preocupar tanto com isso porque ela tinha muitas amigas na Escola.
A Mannu sorriu e disse que era verdade, mas que nenhuma delas era tão amiga como se fosse uma irmã ou um irmão.
Quando chegaram no apartamento, a Mannu foi direto para o banho e a Zezé foi arrumar a roupa da escola para ela vestir.





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