Pois bem,
você se lembra que ontem, a Mannu chegou triste em casa porque as meninas
chatas da escola ficaram provocando ela, não é? Depois que a Zezé deu aquele
abraço especial dela na Mannu e trouxe a maçãzinha picadinha com sal e limão, a
Mannu se acalmou, esperou o jantar ficar pronto e, logo em seguida, a mamãe
dela chegou. As duas jantaram juntas, sem o papai, porque ele estava
trabalhando ainda, fazendo uma cirurgia.
A Mannu
contou para a mãe dela sobre as meninas do colégio, mas a sua mãe disse apenas
que isto acontece em todas as escolas do mundo, e não era pra Mannu dar muita
bola pois, senão, ela teria que mudar de escola. Ela foi carinhosa com a filha,
quando disse:
─ Mannu eu
sei que você não gosta de brigar, e isto é ótimo filhinha. Você não deve mesmo
dar bola para essas garotas porque em qualquer escola que você vá, sempre vai
ter gente assim. Ignore o que elas fazem e elas vão se cansar... E eu não quero
tirar você dali, pois a escola é muito boa.
─ Mas
mamãe, elas fazem isso desde o começo e eu nunca fiz nada pra elas...
A Drª Laura não queria fazer a Mannu sentir que as coisas eram impossíveis de aguentar e então acabou dizendo só isso.
A Drª Laura não queria fazer a Mannu sentir que as coisas eram impossíveis de aguentar e então acabou dizendo só isso.
─
Filhinha, coma essa comidinha toda do seu prato, está uma delícia!! Prove!
A Mannu ficou
triste porque pareceu que a mamãe dela não tinha escutado o que ela falou por último, e ela não estava aguentando mais a chateação daquelas meninas, mas, acontece
que, no fundo, ela gosta muito da escola e dos outros amigos que ela tem lá. Também ama as
professoras que são muito legais e divertidas. Então, ela resolveu ficar
quietinha, mas não quer dizer que ela ficou feliz com a resposta da mamãe.
A Mannu
comeu tudo e também a sobremesa que era salada de frutas com sorvete. A Mannu
gosta muito de frutas, já percebeu né? Depois do jantar, ela foi para a sala de
TV com a mamãe. Elas foram continuar a leitura de um livro que a Mannu gosta
muito: “O Pequeno Príncipe”. Já leram para ela umas três vezes, mas ela não se
cansa de ouvir. Só que logo estava com sono e pediu para a mamãe chamar a Zezé,
queria ir dormir.
Depois do
banho, e depois que a mamãe dela veio dar um beijo de boa noite, a Zezé ficou
com ela no quarto um pouco mais. A Mannu aproveitou para dizer que não estava feliz
de ter que ir para a escola no dia seguinte. A Zezé bem sabia por quê.
─ Mannu, é
por causa das meninas, não é? Olha, faça como a sua mãe disse. Ignore, finja
que não está ouvindo nada do que elas falam. Aí, elas vão se cansar...
─ Mas
Zezé, eu faço isso sempre, não adianta nada... Elas não gostam de mim e continuam me
provocando. E a mamãe parece não ligar pra isso...
A Zezé
olhou para a criança deitada com aquele olharzinho triste e desanimado, pensando no que poderia fazer pra ajudar no problema.
De
repente, a Mannu disse:
─ Sabe Zezé, eu queria que o Pequeno Príncipe morasse aqui comigo. Ele podia ser meu irmão mais velho e ele poderia ir comigo para a escola, não acha?
─ Sabe Zezé, eu queria que o Pequeno Príncipe morasse aqui comigo. Ele podia ser meu irmão mais velho e ele poderia ir comigo para a escola, não acha?
─ Você gostaria é Mannu? Pois é... mas ele é só uma
história, não existe de verdade meu amor...
─ Ah Zezé! Mas eu queria que ele existisse!
A Zezé olhou com carinho para aquela criança, tão
meiga e desconsolada, que estava tentando entender as coisas que não cabiam
ainda na cabecinha dela e de repente, teve uma ideia; não sabia bem se devia
falar, mas falou!
─ Mannu, por que você não conta esta história para
o “ Papai do céu”?
─ “Papai do céu”?? Quem é o “Papai do céu?
─ Bem, as pessoas costumam chamá-lo de Deus ... eu
sei que aqui na sua casa ninguém fala muito dele, mas... Ele existe, e costuma
ouvir tudo o que a gente fala pra Ele... Coisas boas e coisas ruins, você pode
contar tudo pra Ele...
─ Mas, Zezé, onde é que Ele mora? Como eu vou
contar tudo pra Ele se Ele não está aqui comigo??
─ Meu anjinho, Ele está aqui com você sim, só que
você não consegue vê-lo...
─ Mas então Zezé, como eu vou contar coisas pra Ele
se eu não vejo Ele??
─ Bom, vou te dizer como: Você conta em uma
oração...
─ Oração?? O que que é isso Zezé?
─ Uma oração é uma conversa, só que é uma conversa
com alguém que você não está vendo, mas você sabe que está escutando.
─ Como assim Zezé? Como vou saber que ele está
escutando se eu não estiver vendo a pessoa?? Não entendo isso...
─ E você não precisa entender, basta você acreditar
tá bom? Você tem que acreditar que Ele está ouvindo o que você está dizendo, só
isso...
─ Tá bom Zezé, eu vou acreditar, mas acho que é
como a mamãe fala, às vezes, “a Zezé está “pirando”!!
Disse isso com um ar maroto e uma risadinha
debochada. Zezé gostou muito disso, pois era, talvez, a primeira risada dela
naquele dia. Deu mais um beijo nela e disse: ─ Durma bem Mannu! Tenha bons
sonhos!
Quando ia saindo a Mannu perguntou:
─ Zezé, o Papai chegou?...Eu estou falando do
“Papai da terra” .
─ Ah !!! Não ainda meu amor. Mas pode dormir
sossegada que quando ele chegar ele passa aqui pra te dar um beijinho de boa
noite, você sabe disso não é?
─Sei sim Zezé! Às vezes eu sinto quando ele chega
pra me dar o beijinho de boa noite. Mas, eu nem consigo abrir os olhos de tanto
sono!
─ Então
durma agora, e não esqueça de “conversar” com o Papai do céu também ok?
─ Tá bom
Zezé... Boa noite...
Muito
bem, assim que a Zezé fechou a porta e saiu, a Mannu, deitada ainda, pensou:
“Acho que vou tentar conversar com o “Papai do céu” que ela falou... Mas, é
estranho... como é que eu vou saber que ele me escutou? Mas, se a Zezé falou é
porque é assim mesmo; a Zezé nunca mente... E eu gosto muito dela... e ela gosta
muito de mim... eu sei... então, ela não ia dizer uma mentira pra mim...
Mannu,
então, sentou-se na cama e começou; falando tão baixinho que até parecia que
nem ela mesma estava escutando o que dizia...
─ Sr. Papai do céu, com licença! Disse ela toda cuidadosa e mais baixo...
A Mannu sempre pede licença para falar com as pessoas
porque ela é muito bem-educada. E ela continuou, já numa voz normal:
─ Eu queria falar umas coisas pro Senhor. A Zezé
falou que o Senhor está me ouvindo mesmo que eu não possa ver o Senhor. Então,
eu queria dizer que eu já falei isso que eu vou contar pro senhor agora pra
mamãe, mas não deu muito certo. Ela não ligou muito e eu continuo triste por
causa das meninas lá do colégio. Eu não sei por que a Cássia e a Lívia não
gostam de mim... elas enchem a minha paciência e ficam implicando comigo. Até
me chamam de “barata sonsa”, que eu não sou. Eu não sei o que é “sonsa”, mas
deve ser uma coisa bem ruim, porque elas só falam coisas feias pra mim... Eu
não sou uma barata, eu sou “uma” gente.
Neste momento, a Mannu parou um pouco e pensou:
─ Será que ele está ouvindo? Se ele morar muito
longe não vai me ouvir e eu não posso gritar senão a mamãe vem aqui e pensa que
eu estou tendo um sonho bem horrível. Eu acho que eu vou falar só mais um pouquinho, e
amanhã eu pergunto pra Zezé se está certo assim... ─ e continuou:
─ Bom, Sr. Papai do céu, eu não gosto de brigar,
mas às vezes, eu fico com vontade de bater bastante nas duas, e também fico com
vontade de arrancar um monte de cabelo delas. A Cássia já arrancou um dente na
frente, mas eu queria quebrar o outro dente dela também, pra ela chorar
bastante... A Lívia eu não quero quebrar o dente dela, mas eu podia bater na
testa dela com a sombrinha da professora que daí ela ia ficar com uma bola roxa
na testa e ia ficar bem feia e também ia chorar bastante.
Neste exato momento, a Mannu ficou com medo de ouvir
uma bronca do Papai do céu. Ela parou e escutou um pouquinho, mas, estava tudo
em silêncio no quarto. Então ela continuou:
─ Bom, Sr. Papai do céu, é isso que eu queria
contar... Ah, mais uma coisinha: quando elas implicam comigo, eu tenho vontade
de bater nelas como eu já disse. Mas, é que eu não sei como fazer isso e daí eu
fico com vontade de chorar... por isso que eu não digo nada pra elas...
Quando terminou de falar essas coisas a Mannu pensou: ─ Eu podia falar mais coisas ainda, mas eu estou com muito sono e não
sei se Ele está mesmo me ouvindo... Ele nem me deu bronca quando eu falei que
queria arrancar o cabelo delas... e quebrar o dente UHAAA da Cássia... e bater com a
sombrinha... UHAAA! Bocejou de novo... resmungou mais alguma coisa e bocejou mais uma vez...
Pensando assim, e bocejando assim, caiu num sono
profundo que só teve fim no dia seguinte quando a Zezé entrou no quarto...




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