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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O JANTAR INTERROMPIDO - CAPÍTULO 8


Quando os pais da Mannu chegaram, ela correu para pular no colo do papai e contar as novidades do seu dia na escola. A mamãe deu um beijo nela e pediu para ela esperar um pouco até que todos estivessem sentados para jantar e então ela poderia contar tudo para os dois.

À mesa do jantar, estava difícil fazer a Mannu comer, porque ela só queria falar, falar e falar, o tempo inteiro. A tampa do seu poço de palavras tinha “sumido” e ela nem sabia onde estava para colocar de volta.

Quando ela terminou de contar a história do lanche tumultuado, seu pai perguntou:

Mas por que você acha que essa menina tentou derrubar teu lanche, ela pode mesmo ter enroscado a mão sem querer na tua lancheira.

A Mannu olhou para ele com desapontamento e disse:


Papai, faz tempo que eu reclamo dessas duas meninas pra você e pra mamãe, e você nem lembra disso. Eu já contei que elas sempre fazem isso, derrubam meus cadernos, me empurram pra eu cair e ficam me chamando de “barata sonsa”. E tem mais coisas ainda que elas fazem e eu nem contei...

Ah é minha filha? Mas então você precisa contar tudo isso para a professora na hora que acontecer
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Eu até já falei uma vez, mas ela só falou para a Lívia juntar meu caderno e pedir desculpas. Daí a Lívia juntou o caderno e colocou de volta na minha carteira, mas não pediu desculpas e ainda me mostrou a língua fazendo uma careta muito feia!


Sim, e a professora não viu isso?

Não papai, porque ela estava de costas pra professora e olhando pra mim...

A mamãe da Mannu entrou na conversa dizendo:

Filhinha, eu já disse pra você não se importar com essas coisinhas, senão não vai haver escola no mundo onde você possa estudar. Isso acontece em todo lugar.

Mamãe, isso não é uma “coisinha” pra mim... eu fico triste sempre que elas implicam comigo, eu já tentei falar isso pra senhora...

Nesse instante, a Zezé que estava na cozinha próxima da copa, pensou:


De fato, ela tem razão, muitos adultos não percebem o quanto certas coisas têm importância para a formação da personalidade de uma criança. Não percebem também que certas coisas, que para os adultos não têm a mínima importância, na mente infantil, ao contrário, podem funcionar como uma bomba relógio.

Quando já estavam terminando o jantar, o telefone do Dr. Alvaro tocou, interrompendo o que a Mannu estava começando a contar sobre o quanto aquilo tudo a incomodava. Estavam precisando dele no hospital novamente. Ele levantou-se imediatamente, deu um rápido beijo na esposa e na filha e saiu apressado.

Mannu ficou com a boca aberta começando uma sílaba que não conseguiu terminar. Colocou um pedaço de pudim na boca e falou meio mastigando e meio resmungando:

Desse jeito meu "poço de palavras" vai secar...

Sua mãe lhe disse para engolir primeiro e depois falar, mas ela respondeu de uma maneira que causou espanto na Dra. Laura e também em Zezé que estava atenta à conversação.

Não tenho mais nada pra falar porque já engoli todas as palavras junto com o pudim!

Nesse momento, Dra. Laura olhou espantada para Zezé que tinha acabado de surgir na porta de entrada para a copa, também com os olhos arregalados pela natureza da resposta da menina, tão séria e tão madura para sua pouca idade.


Um tanto surpresa e meio sem jeito com a reação da filha a Dra. Laura tentou justificar a saída do pai justamente naquele momento. Um momento que só agora ela compreendia o quanto era importante para Mannu.

Zezé, essa menina diz cada uma não?

Zezé respondeu admirada : Verdade Dra... a Mannu é muito inteligente!

É mesmo Zezé... mas é por isso que ela precisa entender que quando chamam o papai, ele precisa ir, porque tem gente precisando dele no hospital, entende filhinha?

Mannu não respondeu de imediato. Terminou o pudim e pediu para a mamãe se já podia ir para o quarto porque ela não queria ler o “Pequeno príncipe” aquela noite pois estava muito cansada.
A mamãe respondeu que tudo bem, até aliviada, pois estava também muito cansada do longo dia no hospital.

Claro filhinha, tudo bem, pode ir com a Zezé... antes me dá um beijo e um abraço de pelo menos um minuto tá?

Mannu obedeceu e deu um abraço bem demorado na mamãe. Quando já estava saindo com a Zezé, virou-se para
a mãe e disse:


Mamãe, eu sei que muita gente precisa do papai, mas eu também preciso e parece que essas pessoas sempre precisam dele muito mais do que eu, a toda hora, não sobra nenhum minutinho pra mim!

De novo a Dra. Laura arregalou os olhos, surpresa com a maturidade da queixa da criança. Olhou para Zezé, sem saber bem o que dizer. Zezé foi quem preencheu o silêncio tentando socorrer a filha e a mãe.



Verdade, meu amor, que coisa não?! Mas você vai ver que antes ainda de você dormir o papai já está de volta e vocês podem até terminar a conversa, não é?

Mannu respondeu: Zezé, você sabe que não é assim, o papai só vai chegar quando eu estiver sonhando já...

Vamos ver se vai ser assim hoje também certo? Vamos lá que a Zezé vai te contar uma história daquelas que você gosta até você dormir.

Dizendo isso, Zezé olhou para a Dra. Laura ainda sentada à mesa e perguntou:

Dra... eu gostaria de falar com a senhora depois, pode ser?

Claro Zezé, se não for uma conversa muito demorada, porque o dia hoje foi puxado lá no hospital, estou acabada!
Saíram as duas deixando a Dra. Laura sozinha e pensativa.







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