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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O DIA NA ESCOLA - CAPÍTULO 4


Quando Zezé foi levar a Mannu para a escola naquele dia, parecia que a tampa do poço de palavras da Mannu tinha sido colocada de novo. Mannu ia quietinha e pensativa...



 Até que a Zezé perguntou:

─ Mannu, que aconteceu? Cansou de falar?

A menina pensou um pouquinho e respondeu:

─ Sabe o que é Zezé? É que quando eu estou chegando na escola, eu começo a sentir uma coisa esquisita aqui no meu estômago, é como se ele estivesse com frio...

Zezé entendeu imediatamente que a menina estava sentindo medo de enfrentar a situação que já conhecia, embora, nem entendesse bem isso. Então procurou falar com naturalidade para explicar aquela sensação para Mannu.

─ Sabe o que é meu amor? É que quando a gente está um pouco ansiosa com alguma coisa, o estômago se encolhe um pouquinho e dá essa sensação de friozinho.

─ Pois é, dá impressão que hoje é um dia de aula de Matemática, que eu não gosto muito... nem com aqueles joguinhos que a Tia Lucia faz, eu não consigo gostar de números e contas... Eu gosto muito mais de palavras... E eu fico assim quando é dia de números também.

─ Não se preocupe! Respondeu a Zezé.

─ Lembre-se apenas que você já conversou ontem com o Papai lá do céu e Ele já está sabendo de toda a situação com as meninas. Então, você não precisa mais se preocupar com isso. De hoje em diante, quem vai cuidar de tudo é Ele, tá bom?

Mannu pensou mais um pouquinho e por fim respondeu:

─ Mas Zezé, como eu vou saber que Ele vai fazer alguma coisa se Ele nem falou comigo. E se Ele não falou comigo, acho que não vai falar com elas também... Eu acho que elas vão continuar me chamando de “barata sonsa” e você sabe que eu não sou nada disso... E Zezé, mais uma coisa: o que é “sonsa”?



─ Zezé respondeu com toda a clareza e naturalidade que encontrou.

─ “Sonsa” é uma pessoa que se faz de boba, como se não entendesse as coisas, ou finge não ouvir nada.

─ Então eu não sou isso também, porque eu não finjo que não entendi o que elas me dizem. Eu só não quero responder porque eu não sei nenhuma palavra feia pra dizer pra elas também. E eu fico com vontade de chorar quando elas brigam comigo.

─ Muito bem, meu amor, você não precisa dizer nenhuma palavra feia pra elas mesmo, senão você fica feia também. A única coisa que você precisa fazer é lembrar que você tem um sorriso pra jogar em cima delas. Elas não vão aguentar o peso.

─ KKKKKKK! Como assim Zezé? Eu tenho um sorriso de ferro, bem pesado? Não!!! Acho que é de hipopótamo ou de elefante, ou de baleia!!! Mas uma baleia bonitinha né?



E a Mannu riu muito dessa ideia esquisita da Zezé. Até que a Zezé falou muito seriamente:

─ Olha, muitas vezes, quando as pessoas ficam provocando a gente, é porque elas, na verdade, querem ser amigas, mas pensam que a gente é muito chata ou muito diferente delas e não vai querer ser amiga delas. Então quando você sorri, as coisas ficam mais fáceis pra outra pessoa tentar um jeito diferente de falar com você.

─ Huuumm, não sei se isso vai dar certo Zezé. Elas podem pensar que eu sou mesmo uma “sonsa” você não acha? Eu vou olhar pra elas e ficar sorrindo?? Só isso?? Ihhhhhh, não gostei disso Zezé, que esquisito!

─ Então, além de sorrir vou te ensinar uma palavra bem esquisita pra você dizer pra elas quando elas te incomodarem tá bom? Elas não vão entender nada e vão ficar pensando no que você quis dizer com aquilo.

Mannu arregalou os olhos e falou:

─ Mas Zezé, a mamãe disse que eu não devo ficar falando palavras feias porque é “osfentivo” para as pessoas.

─ Kkkkk, você quer dizer “ofensivo” né? Então não se preocupe, não é uma palavra feia, é só diferente e elas não vão entender isso que você vai dizer. Depois eu te conto o que significa e você pode até contar pra elas também.

A Mannu ficou um pouco preocupada ainda, mas mesmo assim, mais encorajada. Afinal, agora ela também teria uma palavra estranha para dizer para as meninas.

A Zezé, sussurrou no ouvido da Mannu a “tal” palavra, ou melhor, as “tais” palavras porque eram mais de uma. A Mannu fez uma careta e disse: ─ “Hã???”

A Zezé repetiu no ouvido dela e ainda anotou num papel para a Mannu não esquecer. Escrevia diferente de como falava, mas a Zezé escreveu na frente como é que a Mannu devia falar as palavras.


Já estavam no portão da escola e a Zezé deu um beijo na Mannu que entrou correndo e olhando para trás com um sorrisinho confiante. O friozinho no estômago tinha ido embora. 


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