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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

O CONVITE - CAPÍTULO 13


Assim que foram dispensados para o lanche, as crianças saíram na correria de sempre. Mannu esperou a Juliana e a Duda, as gêmeas, para tomarem lanche juntas. Queria comentar a ideia que o seu pai tinha dado sobre o convite para as “inimigas”. Ela também estava um pouco ansiosa, com medo de ir falar com a Lívia e a Cássia sozinha, então queria pedir que as duas fossem com ela.


A Ju ficou alarmada com a história!

O quê? Você vai chamar aquelas duas pra sua casa Mannu? E se elas quebrarem todos os teus brinquedos... ou então resolverem rabiscar um daqueles desenhos feios que elas fazem pra você bem na sala da sua casa? Ou no teu quarto? A tua mãe não vai gostar nadinha!!!

Não Ju, acho que elas não vão fazer isso não... eu nem sei se elas vão querer ir né?

Bom, eu não vou, nem que você me chame, junto com aquelas duas, hã, hã... de jeito nenhum!

Eu estava mesmo pensando em chamar vocês e a Ma também...  A Zezé e a mamãe disseram que eu podia...

Olha Mannu, eu não sei não, eu gosto muito de você e queria ir na sua casa também, mas acho que não vai dar não, e acho que a Ma também não vai querer ir não... Só um outro dia quando as duas não estiverem lá... Você não vai ficar chateada com a gente vai?

Mannu ficou meio triste, mas achou que a Ju tinha razão.

Não Ju, pensando bem... acho que eu não vou nem chamar a Ma, ela estava ainda com muita raiva da Lívia aquele dia, por causa do lanche...Mas... vocês vão comigo só pra falar com as duas?

Tá bom... se você quer mesmo falar com elas eu vou com você Mannu. E você Duda?

Acho que eu vou ficar aqui e terminar o meu lanchinho... Você não fica de mal de mim né Mannu?

Não, pode ficar Duda... A Ju vai comigo, e a gente já volta!

Saíram as duas nessa missão “quase impossível”...

A Ju teve uma ideia doida no caminho, mas as duas fizeram rapidinho um pedido de trégua, escrito com a ajuda da coordenadora, em uma plaquinha que elas pediram para ela emprestada. 

A coordenadora achou a ideia muito boa, principalmente porque lembrou-se do que tinha acontecido com as meninas naquele lanche tumultuado. Achou que a iniciativa das duas poderia abrir uma porta para a entrada da amizade entre as meninas problemáticas e a Mannu. Enfim, esperança não faltava...

A Lívia estava junto com a Cássia no parquinho já. Quando viram a Mannu e a Ju se aproximando, ficaram muito curiosas pra saber o que é que elas vinham fazer justamente onde as duas estavam brincando. Afinal, elas sempre ficavam em outros brinquedos, bem longe delas.


Quando elas se aproximaram a Mannu começou a conversa, coisa que quase derrubou as duas de susto. Afinal, a “barata” falava!! A Ju ficou quietinha mas segurando a placa bem na frente das duas.

Oi Lívia, oi Cássia!

As duas ficaram mudas...

Eu vim aqui só porque eu queria convidar vocês duas para irem lá na minha casa sábado, o que vocês acham? A Zezé vai fazer um bolo e umas coisas bem gostosas pra gente e eu pedi pra mamãe e pro papai e eles deixaram eu chamar vocês...

A expressão das duas foi quase idêntica. Nenhuma delas conseguia fechar a boca e nem diminuir o tamanho dos olhos arregalados!


Ao notar o susto das duas, a Ju começou a rir descontroladamente, e a Mannu, nervosa, tentou acalmar a amiga enquanto perguntava se as duas queriam ir na casa dela no sábado, tudo ao mesmo tempo.

Para Ju!! Não é engraçado!! Vocês querem ir lá em casa Lívia... e Cássia?  Para de rir Ju!

Quando saíram do choque, a Lívia falou primeiro:

Mannu, se você pensa que eu vou ser sua amiga só porque você me convidou pra ir na sua casa você errou feeeeeio!! E ainda mais com a Ju se matando de rir aí... Vocês vieram provocar né?

Imediatamente a Ju parou de rir, tentando arrumar a situação. A Cássia também entrou na conversa, só que do lado da Lívia, é claro!

Isso mesmo! Nós não precisamos ir na tua casa e nem queremos ser amigas de nenhuma de vocês. Vocês são muito bestas! Olha a cara da Ju, querendo rir até agora! “Vam bora” daqui Lívia!!

Saíram as duas furiosas e nem olharam para trás. Até esqueceram de chamar a Mannu de “barata sonsa”. A Ju, olhou sem graça para a Mannu e disse:

Ai Mannu, será que foi só porque eu dei risada? Mas é que eu não aguentei... você viu só a cara das duas? Elas ficaram iguaizinhas, as duas!



Mannu ficou tão desapontada que nem sabia mais o que dizer. Olhou para a amiguinha e disse:

Acho que elas me detestam mesmo Ju! Nem o bolo da Zezé elas quiseram!

Mas, será que foi só porque eu ri Mannu?

Não sei, acho que eu vou colocar a tampa no meu poço de palavras pra sempre com essas duas...


A Ju não entendeu nada do que a Mannu disse sobre esse poço de palavras e perguntou:

Como é que é Mannu? Você tem um poço de palavras? Como assim?

Depois eu te conto, vamos pra sala porque a professora já chamou...








quinta-feira, 28 de julho de 2016

A TARDE DA MANNU - CAPÍTULO 12


Quando as duas saíram do escritório, encontraram a Mannu e o pai na sala conversando animadamente. Mannu parecia empolgada com uma ideia que o pai havia lhe dado.

Que bom papai, e quando eu posso fazer isso?

Veja com a mamãe, um sábado qualquer que vocês possam aproveitar bastante.

Ai, eu amei essa ideia papai!!

Mamãe, quando eu posso convidar as minhas inimigas para virem aqui e virarem minhas amigas?

As duas, Zezé e a patroa, arregalaram os olhos sem saber bem o que dizer e também com vontade de rir da maneira como a menina comunicou a situação.


 Para quebrar o “choque”, o papai disse:

Veja com a Zezé quando ela pode fazer aquele bolo que você gosta e outras coisinhas deliciosas que só a Zezé sabe fazer, não é mesmo Zezé?Disse ele quase implorando a ajuda da babá.

Eeer... lógico! Basta a Doutora me autorizar, não é Doutora?

Hã... Mas é claro! Se você acha que isso vai funcionar filhinha, pode chamar hoje mesmo para as duas virem  sábado que vem, ok?

Zezé chamou a menina para irem rapidamente trocar a roupa para a escola, pois já estavam quase atrasadas. Ela foi correndo, eufórica com a ideia de convidar as “inimigas” para um lanche no sábado seguinte.

Enquanto isso, a Dra. Laura e o Dr. Alvaro saíam, apressados, para o trabalho, comentando o assunto:

Mas, amor disse a Dra. Laura você acha que isso realmente vai funcionar?

Querida, não tenho a mínima ideia... mas, foi o que me surgiu na cabeça para evitar complicações... o velho ditado: “Não pode com eles, junte-se a eles”.

Hummm... Não sei não...

E você? Resolveu teu assunto com a Zezé? De que se tratava afinal?

É... resolvi sim, eram coisas da casa, só isso... Também alguns cuidados que eu quero que ela tome com as coisas da Mannu, sabe?

A mulher evitou a conversa porque sabia muito bem que não haveria tempo e muito menos disposição da parte dele, ou melhor, da parte de ambos, para aquele tipo de assunto. Pelo menos, não naquele momento.

Na Escola, assim que chegou, Mannu já começou a procurar pelas “inimigas”. Porém, como chegaram em cima da hora da aula, não deu tempo de conversa nenhuma, pois a professora já estava começando a primeira atividade da tarde.

Mannu sentou-se, encorajada pela ideia de que o convite seria uma surpresa muito grande para as duas. A professora estava explicando o que seria a primeira coisa que fariam para chegarem ao ponto que ela gostaria de atingir naquele dia. As crianças estavam todas animadas com a atividade que a professora estava propondo. Porém, Mannu viajava mentalmente pelo sábado programado com os pais e a Zezé. A Professora, sem perceber a distração da menina, perguntou:

Mannu, o que você acha dessa ideia que tivemos? Você gostaria de começar?

A menina ficou muda e tentou dizer algo sem ter a mínima ideia do assunto.

Professora, eu... é... acho que não quero começar nada não, porque não entendi muito bem...

No mesmo instante, a Lívia (inimiga n°1) falou para todos ouvirem.

Tá vendo, é por isso que eu digo que ela é uma “barata sonsa”!!

Pouca gente riu, somente ela, a Cássia e mais um menino, que sempre andava com as duas. Mas isso foi o suficiente para a Mannu voltar a sentir o “friozinho” no estômago.

A Professora interferiu corrigindo a Lívia, mas o estrago já tinha acontecido. Mannu baixou a cabeça num esforço para esconder o “beicinho”. De repente, ela lembrou-se do que a Zezé tinha ensinado para ela responder, em caso de “ofensa” das duas.


Tomou coragem e virou-se para a Lívia dizendo bem alto:

Merci, ma chérie!!

De imediato acabou-se o burburinho que continuava depois do riso da Lívia, da Cássia e do Adriano, o menino que andava sempre com as duas porque vinham juntos para a Escola.

Todos olharam espantados para a Mannu, pois ela nunca respondia, nem baixo nem alto. E a pergunta geral foi um sonoro; O QUÊ????? QUE FOI QUE ELA DISSE?

Ninguém tinha entendido nada e para não ficar sem nada para falar a Lívia retrucou:

Viu Professora? Ela também fica me xingando, o tempo todo!

A professora acalmou o burburinho da sala e depois explicou:

Lívia, ela não está xingando você, pelo contrário, ela te chamou de “ minha querida”. É claro, que depende também de “como” você fala isso para ser uma ofensa ou não, não é verdade Mannu? De qualquer forma, nada do que ela disse é uma coisa feia.

Mannu não respondeu, até porque, ela nem sabia o que aquilo significava também, pois a Zezé não tinha contado para ela no dia em que ensinou as palavras e depois esqueceu de dizer, assim como ela esqueceu de perguntar, ficou apenas repetindo a frase automaticamente até memorizar.

A Professora continuou explicando: O que ela disse foi: “Obrigada, minha querida...” só que na língua francesa.

 Dizendo isso a professora olhou para a Mannu e perguntou:

Quem te ensinou isso Mannu, a mamãe?

Não, foi a Zezé...

A professora parou um pouco sem acreditar muito, mas não disse nada, apenas pensou...


Enfim disse ela Vamos continuar nossa aula então, a Lívia pode ficar tranquila que a Mannu não xingou ninguém, e você deveria pedir desculpas para a Mannu por falar estas coisas feias pra ela, Lívia. Isso não é legal, sabe?

A Lívia, meio sem graça pelo fato de não entender o que a Mannu tinha dito e também por ter sido chamada de “minha querida” pela menina, disse meio sem jeito:

Eu é que não!

Pois você mesma é que sim, já percebi que é você quem vive criando confusão com a Mannu, Lívia, isso não fica bem pra você, aliás isso não é bonito pra ninguém. Estamos todos aqui para aprendermos juntos e só vamos conseguir aprender se formos todos amigos, para podermos ajudar uns aos outros, concorda Lívia?

A menina respondeu atravessadamente:

Ah Professora, tá bom, tá bom, tá bom... Depois tá? Depois...

Para encerrar a coisa que já se prolongava demais, a professora retomou as atividades, ignorando a reação da Lívia que continuou resmungando alguma coisa com a  Cássia.

A Mannu continuou quietinha sem olhar para as duas, mas no fundo, estava satisfeita com o resultado que a frase provocou. Todos se espantaram e a Lívia ficou muito sem graça. Então, a Mannu começou a pensar:

Huuummm... Então isso que a Zezé me ensinou é Francês, não é um palavrão mesmo... Como é que ela nunca me falou que ela sabe Francês!!

A Professora chamou a Mannu para participar da atividade, então, ela deixou os pensamentos de lado e foi se juntar aos outros. Mas, ela ainda não tinha desistido de chamar as “inimigas” para o lanche. Só não estava mais tão empolgada como no início. Até a hora do lanche ela teria que esperar e decidir se chamava as duas ainda ou não...




quarta-feira, 27 de julho de 2016

O ALMOÇO DECISIVO - CAPÍTULO 11


Os pais da Mannu, felizmente, conseguiram mesmo vir almoçar em casa naquele dia. Fizeram mil arranjos no hospital para poderem cumprir a promessa qua haviam feito para a filha.

Mannu estava muito animada, só pelo fato de poder ver os pais na hora do almoço, coisa que muito raramente acontece. Comeu direitinho, tudo, verduras, legumes, peixe assado, que ela gosta muito, suflê de batata com queijo que a Zezé faz especialmente pra ela. Por ter comido a comida toda, direitinho, ganhou a sobremesa preferida dela;  uma taça, enorme é claro,  de sorvete com frutas, que ela aaaaaama!


Depois dessa delícia toda, o papai foi com ela para o escritório para que ela pudesse contar direito toda a história das meninas, e para conversarem sobre o que seria preciso fazer para resolverem esse problema, que tanto incomodava a Mannu.

Enquanto isso, a Zezé, com o estômago encolhido de preocupação, foi conversar com a Dra. Laura no escritório dela, onde na noite anterior tinham começado a conversa sobre a Mannu e o “Papai do céu”.

Quem começou a falar foi a Dra. Laura:



Olha, primeiramente, eu gostaria de dizer que, realmente, acho até bonito você ter essa fé. Acho importante para você se sentir mais segura em sua vida. 
Sempre que passamos por problemas tão tristes e inimagináveis como o que você enfrentou, achamos necessário buscar auxílio em algo sobrenatural, mesmo que seja algo que não seja real, ou melhor (corrigiu ela imediatamente) que... que não conseguimos explicar e nem ver ou perceber, não é mesmo Zezé?

Verdade Doutora. É... de fato, eu não vejo Deus, mas eu consigo “perceber”, sim, a presença d’Ele...

Dra. Laura nem respondeu, não achou palavras no momento.

Zezé continuou falando com calma e muito cuidado para não agredir a confiança e o respeito que sempre houve entre as duas.

Sabe, Doutora, eu sempre soube da existência de um Deus, mas nem sempre senti a presença d’Ele de maneira tão real como depois de toda aquela... tragédia... que me aconteceu. Parece que depois de tudo aquilo, quando eu pensei que deixaria de acreditar totalmente em um Deus de amor, aí mesmo é que Ele se revelou dessa forma na minha vida acredita?

Não! – Foi a resposta quase impetuosa da patroa− Olha Zezé, se eu trouxer à memória aqueles dias que você enfrentou, com certeza, ficará muito mais difícil de responder afirmativamente a essa sua pergunta.

Nesse momento, Zezé baixou a cabeça e lutou muito para não cair no choro de novo, como tantas vezes, durante anos precisou fazer, escondida em seu quarto. Isso acontecia, principalmente, depois de colocar a Mannu na cama, contar as histórias preferidas dela e ver a menina lutando contra o sono só para ficar ouvindo a voz dela ao seu lado na cama. Logo o sono ganhava a batalha e a menina adormecia. Zezé ficava olhando aquele rostinho de anjo adormecido por um tempo até que algo invadia sua mente trazendo lembranças tão doloridas que ela saía quase correndo para o seu quarto, para buscar alívio nas suas lágrimas e no seu Deus.

A Dra. Laura conhecia bem a história que lhe foi contada antes ainda de admitir a babá no emprego. Zezé não gostava de falar no assunto, por isso ela não trouxe nada à tona. Ao contrário, tentou ser compreensiva com a mulher, achando que lhe prestaria um grande favor não prolongando ou complicando aquela conversa. E estava certa.

Zezé, minha querida, eu não vou exigir que você não comente nada sobre suas crenças com a Mannu... Se isso te faz bem e, principalmente, não tem feito mal a ela, como eu tenho notado, creio que não será nenhum problema você ensinar certas coisas que te fizeram bem na vida para Mannu. Uma oração de vez em quando sempre faz bem para as emoções. Eu penso assim, mal não vai fazer. Só não quero que você fique doutrinando a menina e enchendo a cabeça dela com coisas radicais, porque você mesma sabe o quanto isso é perigoso.

Zezé ficou mesmo surpresa com essa reação súbita da patroa. Não esperava isso, muito pelo contrário, estivera se preparando com muitos argumentos teológicos e racionais também para um combate intenso com uma pessoa que ela bem sabia ser muito competitiva e também inteligente, além de muito mais culta do que ela.

Doutora, que bom! Quer dizer que eu posso continuar ensinando a Mannu a orar?


Sim, eu creio que isso não trará nenhum “dano cerebral” ou psicológico para ela. Como eu disse, apenas quero ser informada das coisas que você tem passado para minha filha; o tipo de oração, as conversas sobre fé, e tudo mais. Até porque Zezé, v ocê sempre me surpreendeu, tanto pela coerência em tudo quanto pela força que você demonstrou diante de situações que, sinceramente, se acontecessem a mim, não sei se eu sobreviveria.

Zezé sentiu-se muito grata, na verdade, mais que isso, sentiu-se compensada, renovada e profundamente aliviada pelo desfecho da conversa. Interiormente, em seu espírito, agradeceu a ajuda que sabia ter vindo do Alto. Não se tratava apenas de misericórdia da patroa pela sua condição emocional, pois muitas outras vezes, no tempo do sofrimento maior, tentara falar sobre isso com a Doutora, mas ela tinha sempre se mostrado fechada.

Doutora, sinceramente, nem sei como lhe agradecer pela compreensão e por não me demitir, pois até nisso cheguei a pensar. Mas, quero lhe garantir que a senhora nunca vai se arrepender disso. Eu amo demais essa menina e jamais traria algo pra vida dela que pudesse prejudicá-la de alguma forma. 
 
Obrigada Zezé, no fundo eu sei disso... Você sempre me passou muita segurança, confio muito em você Zezé. Seus valores e suas atitudes diante da vida, seu cuidado sempre amoroso e fiel com a Mannu,  são os argumentos mais convincentes que eu conheço.

Neste momento, Mannu e o papai já vinham conversando no corredor. Zezé olhou o relógio e quase pulou do sofá.

Doutora! A senhora não imagina a hora!! Vamos ter que “voar”, para a Mannu não chegar atrasada na Escola.

Voar, mas só aqui dentro né Zezé, porque no carro, na rua, hã, hã! Ok?

Claro Doutora, claro! É que, na verdade, eu pensei que essa nossa conversa seria depois que eu levasse a Mannu para a Escola.

É que não seria possível esperar Zezé, você sabe a batalha que é para podermos sair do hospital nesse horário...

É Doutora, eu sei... Obrigada mais uma vez, pela compreensão sobre o assunto da Mannu.

Na verdade, Zezé, quem deve lhe agradecer sou eu...

Nesse momento, a Dra. Laura disse algo que a Zezé JAMAIS imaginou que ouviria da boca da sua patroa.

Sabe Zezé, muitas vezes já me passou pela cabeça se estamos mesmo certos em impedir que a Mannu tenha acesso a essa fé que você vive. Noto realmente que isto te torna uma pessoa diferente... eu diria, até, melhor do que muitas pessoas que eu já conheci, mais preparada para as lutas.

Obrigada pela confiança Doutora... mas, na realidade não sou melhor do que ninguém, apenas deixo Alguém que é Superior em tudo guiar minha vida.

Pois é... chego a sentir uma ponta de inveja de você, por conseguir acreditar dessa forma... Eu, realmente, não consigo.

Levantaram-se as duas e saíram, cada uma com um peso a menos nos ombros.




terça-feira, 26 de julho de 2016

LOGO DE MANHÃ - CAPÍTULO 10


Mal surgiu o dia e a Zezé pulou da cama, tomou seu banho, vestiu-se depressa e correu para a cozinha. A outra empregada já estava lá e o cheirinho de café estava muito bom. Mas, a Zezé passou por ela dizendo um bom dia muito rápido e nem sequer pegou a xícara que a outra já tinha servido para ela como fazia todas as manhãs.

Uai Zezé, não vai tomar seu café?

Não, obrigada Nina, depois tomo... e depois converso com você também.

Zezé entrou no quarto da Mannu que ainda dormia profundamente. Abriu as cortinas e chamou a criança suavemente, como fazia todas as manhãs.

Bom dia mocinha, vamos acordar porque o sol está com saudade de você...

Huuuummmm... não Zezé, diga pro sol esperar um pouco que eu estou com muito sono! UAHHHHH...

Zezé foi para a janela e usou seu truque infalível. Escancarou as cortinas e o sol entrou com gosto, indo direto beijar o rosto da Mannu, que apertou os olhos  reclamando da luz forte.

Ah Zezé!!!! Que claro!! Manda o sol sair um pouquinho só!! Ele pode voltar daqui a pouco... to com sonUAHHHH!

Disse misturando as palavras com o bocejo.

Não Mannu, veja só que dia lindo está fazendo hoje!

Que vista linda da sua janela meu amor veja só!!


Hora de levantar, vamos, porque você tem bastante tarefa da escola pra fazer, lembra?

O papai e a mamãe já acordaram?

Acho que já e estão esperando você para o café da manhã. Lembra que hoje é um dia que eles saem mais cedo?

Hummm, claro que lembro, eles sempre saem mais cedo e chegam mais tarde... o papai, principalmente.

Então vamos logo para não perder de tomar café com eles tá?

Ok... quero falar com o papai...


Certo meu amor, então vamos lá, vou ver sua roupinha tá bom? Corre pro banheiro...

Na mesa do café da manhã, Dr Alvaro e Dra Laura já esperavam pela filha enquanto conversavam.

Amor, você precisava ouvir a sua filha falando comigo e com a Zezé ontem. Cheguei a ter dúvidas se ela estava com seis ou dezesseis anos...

Como assim?? Ela pediu pra namorar já?

Ai amor, nem tanto né? Mas eu me surpreendi... Acho que os filhos amadurecem muito rápido e se a gente não prestar atenção, foi-se a infância e nem vimos passar...pior ainda, não aproveitamos essa época deles também.

É... e o pior é que não volta mais. Só temos uma filha, é bom lembrarmos disso mesmo... Por falar nisso, aí vem a minh a princesa!Disse ele colocando um sorriso no rosto – além do costumeiro beijinho - para receber a filha.


Mannu estava ainda muito sonolenta e até despertou com a acolhida tão calorosa e incomum para essa hora da manhã quando todos estão, ainda, tentando pegar embalo na rotina do dia.

Bom dia papai, bom dia mamãe...

Você dormiu bem meu amor? Perguntou o papai, todo cuidadoso, sabendo que estava “marcado” pela saída repentina e “fora de hora” da noite anterior.

Eu dormi bem papai, mas só depois de esperar bastante pra você chegar... e você não chegou.

Cheguei sim, eu estou aqui, não estou? Bem juntinho de você.

Mas não chegou antes de eu dormir ontem e agora não vai poder escutar o que você não escutou e que eu queria falar ontem Foi a queixa dela, rápida e decidida.

Pois é meu amor, mas o papai já explicou pra você que muitas vezes isso acontece na profissão do papai. E você não ia querer que o seu pai deixasse uma pessoa sofrendo lá no hospital, precisando de ajuda não é mesmo?

Bom, isso eu não ia querer mesmo... respondeu ela
ainda procurando um meio de continuar a reclamação.


Mas, acontece papai, que eu também estava sofrendo ontem, estava até com dor de estômago esses dias, né Zezé? Tudo porque eu preci sava muito contar pra você as coisas horríveis que aquelas duas me dizem todos os dias...

Doutor Alvaro olhou surpreso para a esposa e depois para Zezé, que estava muito séria, com ar de preocupada.

 A esposa deu uma piscadinha disfarçada pra ele que entendeu, finalmente, a seriedade do que ela havia comentado com ele um pouco antes da menina chegar. 

Procurou explicar de maneira mais convincente sua situação para a filha de seis anos que falava,“mesmo” como se tivesse dezesseis.

Bem, meu amor, então, o papai vai dar um jeito de tentar vir aqui almoçar com você hoje, certo? Vamos conversar sobre isso tudo ok?

Ótima ideia meu querido! Respondeu a esposa Vou tentar vir junto, porque tenho algumas coisas também para tratar com a Zezé, não é mesmo Zezé?

Zezé nem respondeu, mas Mannu se manifestou, eufórica!

Verdade mesmo papai?? E você também vem mamãe??

Vamos tentar, meu amor, papai vai fazer tudo o que for possível, certo?

Agora venha para a mesa, precisamos tomar café...

Não acredito! – Disse a menina− Isso parece até um filme desses que tudo termina bonito no final!!


Os dois se entreolharam sem dizer nada, apenas tentando uma comunicação por “pensamento”...

Tomaram o café animadamente, Mannu falando e rindo bastante, como já vinha acontecendo nos últimos dias...


 Assim que terminaram, os pais se despediram da filha com beijos extras e correram para o trabalho.

Zezé foi buscar os cadernos da Mannu para fazerem as tarefas da Escola.

Agora era Zezé quem estava com “frio no estômago” imaginando a conversa que teria que enfrentar com a patroa depois que almoçassem e ela levasse a Mannu para a Escola.