.

.

Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

sábado, 2 de setembro de 2017

OLHOS BEM ABERTOS – CAPÍTULO 91


Sentindo o pavor crescer dentro dela, decidiu abrir bem os olhos para ver o ponto de luz que se aproximava e encorajar a si mesma trazendo à memória qualquer resquício de fé ou, pelo menos, de algo que se parecesse um pouco com isso.


Imediatamente, lembrou-se de uma cena da sua infância, quando ela era muito pequena ainda; talvez pelos seus cinco anos de idade ou menos até. Sua avó materna estava ao seu lado em um banco de madeira dentro de um lugar diferente; uma casa grande  e toda enfeitada com guirlandas coloridas. Elas estavam no primeiro banco e havia muitos outros ainda, todos ocupados com pessoas que pareciam assistir a uma apresentação que acontecia bem ali, na sua frente.

Ela lembrava de ver outras crianças no palco à sua frente recitando “coisas bonitas” e deixando presentes ao lado do que parecia ser um berço onde ela podia ver um bebê, ou melhor, um boneco imitando um bebê. Todos vestiam roupas diferentes, longas e usavam panos para cobrir a cabeça.

Havia uma música de fundo muito linda! Essa música voltou de tal forma nítida em sua “memória” que ela tinha certeza de estar ouvindo a mesma música enquanto voava pelo túnel. Essas lembranças quase nunca voltavam à sua memória enquanto era criança e vivia no mundo físico. Ela guardava apenas alguns “flashes” de determinados momentos daquela noite, porque sentia saudade da avó a quem amava muito. Mas era só...

Agora, as mesmas lembranças pareciam ressurgidas do nada com uma nitidez tamanha que não lhe faltou nenhum detalhe daqueles momentos; incluindo o perfume gostoso que invadiu a atmosfera daquele lugar quando uma das crianças depositou, ao lado do berço do bebê, um vidro transparente e lindamente torneado com incenso. A criança abriu um pouco o vidro para que o perfume se espalhasse pelo recinto.

Ao lembrar-se disso, sentiu invadir sua memória o mesmo perfume que ela havia sentido  na varanda da sua casa na fazenda quando conversava com a filha e o empregado, alguns dias atrás, sobre o problema do S. Adão com o pai dele. Foi quando a Mannu decidiu fazer uma daquelas suas orações infantis e tão cheias de fé pura para que o S. Adão e a mãe parassem de chorar, foi exatamente ali que ela sentiu aquele mesmo perfume que, inclusive não tinha passado despercebido nem do empregado naquele momento.

Sua memória parecia “potencializada” agora; conseguia lembrar-se de muita coisa, e aquela peça assistida ao lado da avó, ainda na sua infância, se tornou muito nítida para ela enquanto viajava pelo túnel escuro.

Havia duas crianças vestidas de anjo em uma plataforma atrás do berço no palco. E agora, ela não tinha dúvidas de que o lugar era uma Igreja e a cena que ela assistiu fazia parte de uma peça de Natal. Lembrou-se também de ter dito para a avó que queria ser anjo na próxima peça de Natal que elas fossem assistir. A avó morreu naquele ano e ela nunca mais foi levada à Igreja novamente.

  

Enquanto pensava nisso, dentro daquele túnel escuro que ela não sabia onde ia parar, a médica sentiu a mesma emoção daquele dia na Fazenda. Sabia que aquele perfume na varanda tinha sido real demais para ser criação da sua mente terrena, só não entendia por que não tinha lembrado da cena de Natal que ela tinha assistido com a avó na infância, já que o perfume era o mesmo. Sentiu também que algo dentro dela havia, de certa forma, sido mudado naquele instante na varanda.

Ela tinha viajado da fazenda até à entrada da sua cidade, depois do episódio na varanda, tentando entender aquele acontecimento e perguntando a si mesma se, por acaso, aquilo seria o princípio de uma fé. Achava que sim, mas... não tinha certeza se aquilo poderia ser considerado “fé”. Estava prestes a chegar a uma conclusão quando ocorreu o acidente.

Agora, sozinha naquele túnel, ela buscava com urgência algum sinal de que ela tinha crido “em tempo” ainda, ou seja, enquanto estava viva. Lembrava-se muito bem da Zezé dizendo para ela que a fé só tinha utilidade aqui, no mundo físico. Lembrou até de que ela havia advertido que o tempo era “agora” e não depois.

A imagem da Zezé surgiu nítida em sua lembrança e mais ainda as palavras que ela tinha dito quando tentava explicar a importância de ter fé para agradar a Deus. Dizia ela:

Eu vou ler aqui pra senhora ver que eu estou falando sério doutora. Olha o que está escrito aqui na Bíblia:

Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo.
Pelo contrário, encorajem-se uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama "hoje", de modo que nenhum de vocês seja endurecido pelo engano do pecado,
pois passamos a ser participantes de Cristo, desde que, de fato, nos apeguemos até o fim à confiança que tivemos no princípio.
Por isso é que se diz: "Se hoje vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração, como na rebelião".
Quem foram os que ouviram e se rebelaram? Não foram todos os que Moisés tirou do Egito?
Contra quem Deus esteve irado durante quarenta anos? Não foi contra aqueles que pecaram, cujos corpos caíram no deserto?
E a quem jurou que nunca haveriam de entrar no seu descanso? Não foi àqueles que foram desobedientes?
Vemos, assim, que foi por causa da incredulidade que não puderam entrar.


Entendeu agora doutora? É por isso que eu insisto tanto nisso com a senhora. A incredulidade provoca a “ira” de Deus. Quem não crê não pode agradar a Deus nunca! Pode conferir lá na Bíblia, isso está escrito no livro de Hebreus capítulo 3 do verso 12 ao 19. Mas a senhora pode ler o capítulo todo e se tiver dúvida pode me perguntar...

Continuou sua viagem lembrando inúmeros versículos que a Zezé e a própria Mannu falavam. Ela achava que não tinham ficado guardados em sua memória, pois, quase nunca se lembrava deles. No entanto, agora, eles estavam ali, mais vivos do que nunca em sua consciência espiritual.


De repente, viu-se em um portal, onde sentia que os seus pés pisavam em algo, nem sabia definir se era sólido ou não o suporte onde ela se firmava agora. Mas sentia-se “em pé”. Parou assustada sem saber se prosseguia, os olhos tentando se acostumar àquela luz tão brilhante. Ouviu nitidamente uma voz forte, mas calma, que disse apenas:

VENHA...


 Deu alguns passos e achou-se em uma imensidão que não saberia descrever. Ela estava envolvida por uma luz tão radiante que quase lhe cegava os olhos, mas não sentia nenhum desconforto por isso. Apenas um certo temor e insegurança.


Dava passos pequenos como se tivesse medo de cair; achava que não sabia andar naquele lugar tão incrível e tão diferente de tudo o que ela tinha armazenado em sua memória na terra. Na verdade, nunca tinha sonhado nem imaginado existir um lugar assim. De que seria feita aquela substância na qual ela pisava? Era tão macia... Sentia-se em um corredor de luz com uma temperatura perfeita e muito agradável. A sensação era deliciosa.

Deu mais alguns passos em direção ao centro de luz que via à sua frente. De repente teve a impressão de ver uma silhueta bem no meio da luz.


Parou sem saber se devia prosseguir... A silhueta foi se definindo mais e mais e aproximou-se dela. Ela não teve coragem de olhar para o rosto daquele Ser. Sem dizer muita coisa Ele tomou a mão da médica e ela ouviu sua voz: “Venha, não precisa ter medo...”

No mesmo instante, toda a insegurança se foi e o que ela sentia era muito difícil de se definir. Parecia uma mistura em proporções perfeitas de todos os bons sentimentos de que ela tinha conhecimento. Ela aproveitou bem aquela sensação maravilhosa de “bem estar” pleno; de paz perfeita, ou o que quer que fosse... depois começou a pensar: “Quem seria aquele? Seria um anjo? Ou... quem sabe o próprio Jesus de quem a filha falava tanto.

No mesmo instante em que esses pensamentos envolviam a médica, ela começou a sentir aquele mesmo perfume... Isso mesmo, aquele perfume que ela tinha sentido na varanda e na cena de Natal da sua infância. Ela olhou para o Ser que caminhava com ela e Ele devolveu o olhar com um sorriso muito terno como se dissesse. “Exato, sou Eu mesmo!”  Ela nunca tinha visto um olhar tão lindo, tão puro, tão verdadeiro e tão amoroso. Sentiu uma paz sem definição também, um sentimento além da paz e que ela desconhecia.


Pediu com uma humildade inesperada, mas que brotava espontânea em si mesma. Ali, nenhum sentimento precisava ser forçado, tudo surgia naturalmente e com muita sinceridade.

Posso fazer uma pergunta?

Ele respondeu: Todas, minha querida! Todas as que você precisar, aproveite! De novo aquele olhar amoroso.

Qual é o seu nome? Como eu devo chamá-lo?

Você me conhece por Jesus Cristo, aquele das pinturas que você olhava curiosa na infância, mas, para você posso ser mais que isso, sou Emanuel, o irmão mais velho da sua filha. Fica mais próximo de você, concorda?

Sim! Disse ela maravilhada! Concordo sim! Então nos sonhos dela... era você mesmo? Você, Jesus? Você entrava mesmo nos sonhos dela?

Sim, era Eu sim... sua filha é uma criança angelical e por isso teve pureza suficiente para perceber que Eu me comunicava com ela através dos sonhos e visões da noite... Ela teve muita facilidade para perceber a dimensão espiritual...

Diferente de mim né? Pensou ela, mas não falou, porque sentiu vergonha. A resposta veio mesmo assim, outra vez envolvida em um olhar de Amor, sem acusação:

Sim, diferente de você... Mas não se culpe, você não teve uma Zezé ao seu lado quando era pequena para ajudá-la a ouvir minhas batidas na porta do seu espírito, que, aliás, estava muito bem trancado, você sabe por que agora, não é?

Ela estava justamente pensando nisso... Que significava aquilo?! Ele “lia” seus pensamentos e também seus sentimentos? 

Instantaneamente, ela começou a ter a real noção de quando foi que seu espírito havia se trancado para as coisas espirituais. Foi no ano em que a sua Avó tinha morrido. Ela via o sofrimento e a reação da mãe dela diante do fato e não conseguia entender:


Ela era criança e, muitas vezes, a mãe a levava com ela para visitar o túmulo da avó. Ela sentia toda a tristeza do seu coração infantil que não sabia ainda lidar com certos acontecimentos e sentia também a tristeza que a sua mãe derramava por todos os poros. Era muito peso para dividir com uma criança, mas a mãe dela não percebia isso e não foram poucas as vezes que a criança ouvia  o pai tentando controlar os acessos da mãe, que  reclamava por Deus não ter curado  sua mãe e ter permitido que ela partisse tão cedo.

― Se Deus é tão bom assim, por que Ele levou a minha vovó e está fazendo a minha mãe sofrer desse jeito?... 

Eram perguntas que não saíam da sua cabecinha infantil e não havia ninguém, naquela época, que pudesse responder de maneira adequada. Muitas vezes ela buscou ajuda dos adultos com quem ela convivia, mas,  só encontrou teorias de corações endurecidos por vários tipos de sofrimentos e que estavam, na realidade, mal informados sobre a essência de Deus.
















Nenhum comentário:

Postar um comentário