Ainda pensando nos acontecimentos da sua
infância, ela ouviu a voz do Mestre novamente:
―
Minha querida Laura, você foi privada, quando criança, de conhecer a essência
de Deus. Deus é puro Amor... n’Ele não há trevas nem dor. Tudo o que você
conheceu de sofrimento em sua vida não provém do Meu Pai. Ele é a fonte de tudo
o que é bom e tudo aquilo que se opõe a isso vem da outra parte, da parte que
se rebelou contra Meu Pai antes ainda da fundação do mundo...
Imediatamente,
subiu à sua memória, agora prodigiosa, um verso bíblico daqueles que a Zezé
vivia repetindo para ela...
“Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem
do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de
variação.”
E ela lembrava, principalmente da insistência da Zezé: “Pode
conferir lá na Bíblia, doutora; está escrito no livro de Tiago, no capítulo 1
verso 17... Leia, vai ser bom pra senhora...”
Ela
dizia que ia conferir sim, mas nunca olhou, teve até vontade de procurar, mas a
correria da vida... etc... Enfim, ela não esperava que aquilo pudesse estar
armazenado em lugar nenhum da sua memória.
Ela
perguntou:
―
Senhor, então... como explicar que Ele, seu Pai, seja o “Dono do Universo” e deixe
acontecer todas aquelas coisas ruins na Terra?
―
Minha querida, você já ouviu essa explicação da boca da própria Zezé; quando
você estava questionando a fé dela em Mim quando trouxemos a Julliete de volta
pra casa...
―
Sim... eu... eu me lembro... mas, não consegui aceitar o que ela me falou,
totalmente Senhor... embora tenha concordado que ela estava certa... eu é que
não saberia se... conseguiria aguentar... isso...
―
Porque o coração de vocês, seres humanos,
se afastou de Mim, do Meu Pai, do Espírito Santo... Por isso vocês têm
imensa dificuldade de entender que o Meu Pai é o doador da vida, e tudo a Ele
pertence. Além disso, Ele é Presciente e sabe a hora exata de trazer os filhos
para casa. Quanto ao sofrimento que invade a vida de vocês, foi escolha do
próprio ser humano, você não sabia?
Novamente,
Ele olhou com um leve sorriso no rosto, e sem nenhum deboche falou:
―
Laura, Laura... Minha criança, você tem muito o que descobrir ainda... Não sou
Eu quem vai te explicar isso novamente, mas, não se preocupe, você terá
oportunidade de aprender ainda, porque Meu Pai é “realmente” Soberano...
Ele
olhou para ela que ainda aguardava uma continuação daquele mesmo assunto, mas
Ele disse:
Dizendo
isso, virou-se para o lado e fez um gesto no ar com a mão que ela não entendeu.
Nem deu tempo de perguntar e ela via, assombrada, uma outra espécie de “portal”
que se abriu ali mesmo na sua frente.
Virou-se
para o Mestre com mil perguntas na cabeça, já entendendo porque Ele havia se
referido a ela como “minha criança”. Naquele momento, ela sentia-se bem menor
que uma criança na verdade... Sentia-se até meio ridícula porque tinha pensado
em retrucar: “Senhor, eu não sou criança não...” Ainda bem que havia se calado,
pensou ela envergonhada. Com quem ela pensava que estava falando? Que mico!!!
Pensou ela novamente!
O
Mestre olhou para ela, sorrindo de novo, e ela pensou:
― É
melhor eu calar a boca mesmo... ou melhor... o “pensamento”; porque mal a coisa
me passa pela cabeça e Ele já me olha como se eu tivesse falado em alto e bom
som... O Mestre riu com gosto desta vez...
― Não
se preocupe Laura! Eu também tenho senso de humor e gostei muito destes seus
pensamentos, os últimos... KKKKKKK!!
Ela
ficou espantadíssima, e acabou rindo também
sentindo-se bem mais à vontade ao lado daquela Pessoa Maravilhosa... e
Tão Poderosa!!!!
Em
seguida ela perguntou:
―
Claro!! Eu vou com você para te mostrar algumas das obras do Meu Pai...
Atravessaram
aquele corredor que parecia escuro no início, mas logo que deram alguns passos,
ele abria -se em todas as cores do arco-íris. Era algo tão fantástico que a
médica estava completamente muda! Quase parada, tanto que o Mestre tinha que tocar
no seu braço, muitas vezes, pra que ela continuasse a caminhar.
Ela olhava tudo
maravilhada e pensando no quanto ela sabia pouco do Universo. Ou melhor...
sabia nada mesmo!
Ao
saírem do outro lado a reação ficou ainda mais forte! Ela não sabia mais o que
dizer...
Ela
olhava para todos os lados e cada lugar era mais espetacular que o outro. Era
como se a um sinal do Mestre, certas paisagens no Universo, de distância
imensurável na mente humana, se aproximassem um pouco para que ela pudesse ver
alguns detalhes, como se fosse um telão aproximando e afastando as imagens.
― É...
olhando daqui parece mesmo, apenas um salpicado de ouro... Mas, há tanta coisa
ali que você não entenderia agora... Por isso estou mostrando tudo de longe
para você.
― Obrigada
Senhor... Disse ela, com um senso de gratidão tão grande que ela desconhecia
completamente. Nem no momento mais feliz da vida dela na Terra ela sentiu algo
parecido. Era algo tão superior! Ela sentia que a gratidão dela era pura “adoração”,
sentia isso sem precisar se esforçar nem um pouco.
Ele
convidou-a para andarem um pouco mais, e entraram por uma espécie de água
translúcida e macia de pisar. Parecia vidro mas não tinha a consistência dura
do vidro; era algo suave, apesar de firme quando ela pisava. Não conseguia
entender. Queria fazer mil perguntas mas a sua própria surpresa não deixava;
parecia ser mais fácil absorver tudo aquilo e registrar em algum tipo de
memória que ela achava que talvez tivesse ainda.
― Sim!!! Reconheço sim, Senhor! Que coisa linda!!!
Sempre
que Ele levantava a mão, surgia um novo portal no espaço e ela podia ver algo
através dele. Quando Ele lhe mostrou a Terra, repentinamente, ela sentiu algo
como uma sensação de saudade, coisa que até então, ela não havia sentido
nenhuma vez ainda. Perguntou intrigada:
―
Senhor... eu ainda me lembro da minha filha, do meu marido e das pessoas que
eram importantes para mim... Isso vai continuar assim?
Ele
respondeu:
― Não
se preocupe querida... por enquanto você vai se lembrar de tudo sim, tenho
outros planos pra você.
Pela
primeira vez ali, ela teve coragem de perguntar, meio temerosa ainda:
Ele
não foi claro... Apenas respondeu:
―
Como Eu disse... Tenho outros planos pra você...
Ela
começou a sentir novamente um certo temor, muito próximo do medo e pensou:
― “ Eu
não sei o que vai me acontecer... acho que se eu estivesse no Paraíso mesmo...
e pra ficar... eu nem deveria estar sentindo essa sensação... aqui não deve existir
medo...”
Imediatamente
a resposta veio:
―
Querida Laura, você NÃO está no Paraíso não... Estou apenas permitindo que você
tenha um “vislumbre” das obras do Meu Pai... Lembre-se que Eu vim ao teu
encontro no corredor de luz... você não continuou até os portais do Paraíso.
Logo você entenderá por quê...
Isso a
deixou muito angustiada, mas Ele tomou a mão dela e o medo e tristeza se foram no mesmo instante... então Ele disse: ―
Venha, vamos andar mais um pouco...Há outras coisas que você precisa ver
ainda...












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