Ao
mesmo tempo em que ela sentia toda aquela sensação única, maravilhosa, que ela
jamais tinha experimentado durante a sua vida na Terra, não sabia por que, mas... um
ponto de interrogação ainda estava escondido dentro dela. Será que estava
escondido mesmo?... Ali?
Achou
mais sábio nem pensar que poderia esconder qualquer sentimento ali, já sabia
que seria impossível mesmo... Talvez Ele pudesse até explicar o que ela estava
sentindo, então perguntou:
―
Senhor Jesus... Emanuel... repetiu, numa tentativa de se sentir mais próxima
ainda.
― Sim
querida...
― O
Senhor já sabe o que eu estou querendo perguntar agora não é mesmo?
― Sei
sim... mas quero que você faça a pergunta assim mesmo, é importante para você
aprender a se expressar diante de Deus. Isso é
o que buscamos na oração; o diálogo, a comunicação, gostamos de
conversar.
―
Então... pois é Senhor Jesus... Eu sinto tanta paz aqui! Mas... ao mesmo tempo
ainda não consegui me livrar de uma coisa dentro de mim que me parece...
medo... incerteza... não sei direito...
― Sim
querida... você ainda tem sensações humanas dentro de você. Lembra-se que Eu
disse que tenho outros planos pra você?
―
Lembro-me bem... e eu acho que é justamente isso que me dá essa sensação de
insegurança e medo.
―
Minha querida Laura, na realidade, o que te dá essa sensação é o fato de você
ainda se lembrar que durante a sua vida na Terra, você passou a maior parte do
tempo sem me buscar e até mesmo sem acreditar em Mim. Você agora sabe qual o
destino de quem não crê, pois aqui as coisas se tornam muito claras,
independente da sua vontade.
―
Sim... Mestre... é isso mesmo. Eu tenho muito medo de não poder ficar
aqui com o Senhor, por causa disso... e ter que ir pro outro lugar... que eu nem sei onde fica, mas agora sinto que existe...
Desviou
os olhos do rosto amoroso à sua frente e sentiu que ainda precisava chorar...
Jesus
se aproximou e falou com muita calma e com a autoridade de quem conhece todas
as coisas.
―
Laura... ouça bem o que Eu vou dizer: Você está em dúvida se em algum momento da
sua vida você sentiu algo que possa ser considerado “fé”. Seu medo vem daí;
você não tem certeza se poderá ser aceita no céu, porque agora você está
consciente de que a entrada aqui se dá apenas pela fé no sacrifício que Eu fiz
pela humanidade. Morri naquela cruz para justificar os erros e expiar o estado
de pecado que invadiu a vida de todos vocês quando o primeiro ser humano
escolheu obedecer o lado oposto ao do Meu Pai.
― É,
Senhor... eu acho que é isso mesmo o que eu estou sentindo... Agora que eu sei
que tudo é verdade, tenho medo de não ter sentido fé de verdade... no momento
em que era pra eu sentir... que era pra eu exercitar a fé... na Terra...
― Pois
bem Laura, eu conheço todos os teus sentimentos e pensamentos, não só agora,
mas quando você estava no seu mundo também. E se há uma coisa que só Eu posso
te garantir, porque só Eu tenho acesso à verdade total dentro do coração dos
seres humanos, é justamente isso: se você algum dia acreditou na minha
existência, ou não... e você creu sim. No exato momento em que você viu aquela
peça de Natal ao lado da sua avó quando você era criança. Você creu como toda
criança, com inocência e sinceridade, tanto que você queria ser “anjo” na
próxima representação do Natal que houvesse na Igreja da sua avó. Você ficou
verdadeiramente empolgada com aquilo!
Ela
olhou para Ele de novo rindo e com lágrimas rolando à vontade pelo rosto.
Ela
sentiu tanto alívio por saber que Ele conhecia o seu coração melhor do que ela
mesma; nem ela tinha certeza se o que sentia era fé ou não, mas Ele sabia... Ali
estava Alguém que conhecia todos os sentimentos e a veracidade ou a falsidade
de cada um deles. Não discutiria jamais com o Dono da Verdade... aliás... a
Zezé costumava dizer que Ele ERA a verdade personificada; só agora ela
entendia isso. Imediatamente, saltou mais um daqueles tantos versículos que a
Zezé vivia incutindo na mente dela, a toda hora, provocando até irritação na
sua cabeça tão realista e objetiva.
Nesse
instante, sem que ela mencionasse nada do que estava passando pela sua
lembrança; como se fosse para confirmar que Ele tinha ciência de todos os
pensamentos dela, o Mestre falou:
― E a
Zezé estava certa, Laura, não era chatice dela não... a única coisa que ela queria era
fixar a verdade na sua mente. E você? Lembra-se que naquele mesmo dia você teve
oportunidade de pegar a Bíblia do seu marido para conferir, mas você não quis?
Imediatamente,
a cena saltou para a memória dela também.
― Pois
é Senhor... eu... eu nem li mesmo... eu estava tão cheia de coisas na cabeça naquela
hora, que... deixei pra ler mais tarde e... depois acabei esquecendo... Disse
ela meio constrangida.
― Eu
sei Laura... você estava mesmo com a cabeça muito cheia, tão cheia que nem
sequer se perguntou o que é que a Bíblia estava fazendo ali... na mesa... e não
na estante onde sempre ficava...
Parecia
que só agora ela tinha se dado conta disso. Realmente, ela nem tinha estranhado
o fato de ver a Bíblia em cima da mesinha na sala do marido e não na estante de
onde nunca saía, a não ser quando a pessoa da limpeza tirava o pó, e ainda
assim, por breves minutos, para logo voltar ao seu lugar ao lado de outros
livros que ficavam ali apenas por enfeite.
― É...
verdade Senhor... eu nem me preocupei com isso... Bom, só posso pensar que era
porque alguém andava lendo a Bíblia por
ali, não? A mulher da limpeza, talvez... ela era evangélica...
― Não... ela não lia ali, apenas orava, enquanto
trabalhava. Quem leu aquele dia foi exatamente o seu marido. Ele andava pesquisando algumas dúvidas que ficaram martelando em sua cabeça depois das
conversas com a Zezé e a Mannu.
―
Ah... disse ela, totalmente sem graça e buscando o que falar para se justificar
diante daquela imensidão no Universo e diante do Criador de tudo aquilo. Para onde ela olhava percebia grandeza! Sentia-se um farelinho, menos que uma partícula diante de tudo ali e
principalmente diante do Senhor de toda aquela Glória.
― Não
preciso que você se justifique agora pelo seu desinteresse Laura. Só quero que
você pense em quantas oportunidades você perdeu de tentar entender o que foi
deixado escrito pra vocês. Se vocês questionassem menos e lessem mais, juntos, sem
a falsa sustentação que o conhecimento humano promove, vocês dois teriam
chegado a conclusões impressionantes pra vocês, porque o próprio Espírito Santo
revelaria ao seu espírito as coisas que aos olhos de vocês nunca fizeram
sentido.
― Querida
Laura, você analisou demais as coisas e sempre da perspectiva enganosa semeada desde
o princípio pelo adversário da humanidade na dimensão espiritual. Aliás, para
você esse “adversário” não passava de “criação” da mente humana, não é mesmo?
No entanto, você fez exatamente a vontade dele muitas vezes, mesmo sem acreditar na existência dele, você "trabalhou" com ele; pois era justamente disso que ele precisava, da sua
descrença. Essa é, até hoje, uma das suas melhores estratégias; quanto mais
despercebido ele estiver, mais fácil para ele trabalhar nas mentes humanas sem
ser rejeitado.
Ela
pensou um pouco nas muitas vezes em que se preocupara pelo fato da Zezé ficar
falando em “inimigo” aqui... “inimigo” ali... Afinal, isso parecia mais uma
tortura psicológica para fazer as pessoas acreditarem levadas pelo medo! Ela se
preocupava muito com o que poderia estar sendo plantado na mente da sua Mannu
através dessas conversas ilusórias criadas pela imaginação humana. O ser humano
tinha apenas um inimigo, na opinião dela, e o seu nome variava bastante; poderia
ser Mirtes, Flavio, Lúcio, José, Claudio, Maria etc...! Mas, todos bem humanos
mesmo. Trabalhando individualmente ou organizados sob diversas instituições.
No
entanto, agora, ela sentia que as coisas não eram bem assim. Sentia que toda a
racionalidade, que ela fizera tanta questão de preservar, tinha lhe dado uma
rasteira espiritual enorme e a sua queda seria lenta, mas estrondosa. Esse era
o sentimento que invadia a sua consciência nesse momento sem que ela pudesse
lutar contra isso. Era uma certeza que ela não conseguia barrar, entrava, se
instalava e ponto final. Bem, ela estava na Mundo da Verdade agora, não poderia
lutar com armas humanas ali, seria invadida por ela (a Verdade) mesmo que não a
aceitasse. Seu pensamento e seu raciocínio não mandavam ali, logo percebeu isso.
― Pois
é... e o que é que eu posso fazer agora?
―
Você, agora, aqui, não pode fazer mais nada. A partir de agora as coisas serão
como foram determinadas pelo meu Pai. Ele é, realmente, Soberano...
Ela
não conseguiu definir se isso, para ela, seria uma coisa boa ou péssima.
Sentiu-se invadida pela forma mais forte de terror. A simples ideia de não
poder ficar ali e ter que enfrentar outra realidade que ela desconhecia
completamente e temia, e que agora conseguia sentir, aproximando-se dela,
pouco a pouco, lhe causava
uma dor que parecia física e era muito forte! Chegou a duvidar que tivesse
morrido mesmo, afinal, como poderia estar sentindo aquela dor? Sempre soube que
no “ Paraíso” não existia dor... será que ela estava entrando na outra
realidade? Aquela... oposta à do
Paraíso? Nem se atrevia a pensar no nome.
Caiu
de joelhos ali mesmo diante do Rei do Universo.









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