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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

sábado, 20 de maio de 2017

O CERCO ESTÁ SE FECHANDO - CAPÍTULO 79





A Mannu foi dormir fazendo beiço e demorou muito a pegar no sono, pois a curiosidade sobre o que tinha acontecido com o marido da D. Lídia e o sujeito estranho que ele trouxe para casa aquela noite era demais. Ela não entendia a atitude da mãe em não permitir que a empregada terminasse a história, afinal aquilo era tão importante, poderia até mesmo ajudar sua mãe a entender  quem era Deus, o Papai que ela tanto falava ultimamente .

Drª Laura também não conseguiu pegar no sono tão cedo; estava tão preocupada com o rumo que as coisas “espirituais” iam tomando na vida da filha, que o sono desapareceu completamente. Ela não tirava da cabeça que era sua culpa o fato da menina não ter recebido nenhuma orientação segura sobre essa questão. Bem, pelo menos era o que ela achava, segundo a sua própria interpretação desses assuntos, que, na verdade, nunca foram uma prioridade para ela, no entanto, depois que percebeu que outra pessoa tinha suprido essa necessidade na vida da sua filha, ela sentia-se frustrada, como mãe e protetora da filha em todos os sentidos. Quase como se ela tivesse dormido no ponto e outra pessoa tivesse tomado uma área importante do relacionamento dela com a filha. Sentia-se, mãe “pela metade” mais ou menos.

Para ela, essa conversa de Deus já estava indo longe demais e ela não sabia como interromper o progresso da história, e, ao mesmo tempo, sentia-se meio perdida, pois, de vez em quando, passava por sua cabeça que a “desinformada” ali era ela mesma, que nem sempre conseguia responder as perguntas da filha e também ficava muito admirada com as considerações que a Mannu fazia sobre certas coisas. Parecia que a menina tinha descoberto uma sabedoria que estava acima de muita coisa que ela conseguia explicar.

O dia seguinte surgiu com um sol brilhando forte lá fora e uma Mannu mais “brilhante” ainda; ela estava radiante e mal podia esperar para a mãe acordar e ela poder contar o que tinha acontecido durante a sua noite agoniada de curiosidade.


Assim que ouviu um barulhinho mínimo na cozinha, a menina disparou para baixo sabendo que já encontraria a Lídia preparando o café da manhã delas.

Invadiu a cozinha, como era de costume, já falando alto e sem se preocupar com o tom da voz; com intenção mesmo de “acordar” todo o mundo à sua volta. Afinal, era muito importante o que ela tinha para compartilhar naquela manhã.



Huummm!!! Bom dia minha criança!! Respondeu a empregada, alegre por ver a animação da menina.

Bom dia mesmo D. Lídia! Porque eu tenho uma coisa muito “esfuziante” pra contar pra vocês hoje de manhã!!

É “mesm”? respondeu a empregada no mineirês de sempre. Mas... antes me diga o que é “esfuziante” num intendi...

Bom... é uma coisa assim... muito maravilhosa que faz a gente ficar “esfuziada” sabe ?


Embora não tenha entendido o que a Mannu tentou explicar, a empregada fingiu que estava tudo bem e apenas perguntou se ela queria tomar alguma coisa ou queria esperar pela mãe. 

A menina disse que seria melhor esperar a mamãe porque ela queria contar uma coisa muito legal para as duas, ao mesmo tempo.

Quando a impaciência da Mannu já estava vencendo e ela ia dizer para a D. Lídia que seria melhor chamar a mamãe, a Drª Laura apareceu na porta da cozinha admirada pelo fato da filha já estar ali, vestida e na mais empolgada conversação com a empregada.



Oi mamãe!! Bom dia!! Eu não estava no meu quarto desde bem cedinho... quando eu vi o sol nascendo lá depois do lago, eu já desci.

É, estou vendo que você madrugou hoje. O que foi que aconteceu, você acordou antes das 6:00...

É que eu estava muito curiosa para saber o resto da história da D. Lídia que você não deixou ela contar ontem. Mas, não foi só isso; eu também estou muito "esfuziada" para contar um outro sonho que eu tive pra vocês duas. Ainda bem que você já “saiu de dentro do teu sono” porque eu já estava cansando de esperar e estava pensando em ir te acordar mamãe...

Espero que você não tenha contado ainda o restante da história pra ela Lídia!

Não “sinhór”, não contei “nadim” prela inda não... Ela disse que queria esperar a “sinhór”...

Ah, ótimo! Muito bem minha filha!

A empregada logo serviu o café da manhã para as duas, curiosa para que a Mannu começasse logo a contar o tal do sonho.


A mãe não gostou muito da ideia porque sabia que a menina ia “falar” muito mais do que comer! Mas, conhecendo a ansiedade da filha, já sabia que seria melhor permitir que ela falasse e ao mesmo tempo ajudar para que ela não esquecesse de comer empolgada com seu poço de palavras.

Certo filha, então você conta o sonho, mas não pode falar 10 minutos e comer 2 minutos ok?

Tá mamãe... eu “pometro”

Nesse instante a D. Lídia postou-se atrás das duas para que a patroa nem se lembrasse dela ali e assim não inventasse de pedir pra ela fazer alguma outra coisa quando ela estava mesmo era ansiosa pra saber o que a menina tinha sonhado.


Embora a médica fingisse que aquilo não a incomodava muito, ela já sabia que teria que ouvir coisas que não seria capaz de entender bem e muito menos de esclarecer para a filha de um ponto de vista humano e que ela considerava mais aceitável. Tentou progredir na conversa de maneira bem normal.

Ah é filha? Aquele que você chama de Emanuel?

É mamãe, eu só tenho esse irmão lembra?

Humm... respondeu a médica um tanto espantada com a aparente ironia nas palavras da filha.

Pois então, mamãe, lembra que eu fui dormir muito chateada porque eu queria saber o resto da história da D. Lídia?

Lembro filha, mas eu gostaria que você entendesse que eu só não permiti porque tudo tem um tempo certo... e talvez não fosse uma boa hora pra você ouvir aquela história que eu nem sei como termina. Aliás, é isso que eu vou perguntar para a Lídia antes de permitir que ela conte o resto da história pra você sabe?

A empregada, que estava se fazendo de invisível atrás das duas, acabou se manifestando bem depressa para explicar as coisas.

Drª Laura, a “sinhór não pricissipreocupá não”, a história acaba muito bem sim “sinhór”... só tem uns “pedacim mei istranho”, mas “nadimais não”...

A patroa virou-se e viu a empregada de braços cruzados ali atrás, quietinha, e logo entendeu que o interesse era ouvir o sonho da Mannu. Deu um sorriso e disse:

Lídia, você estava aí? não tinha percebido... Se quiser ouvir a história, sente-se aqui conosco, não tem problema não!

“Quiéiss dotôra”!! Num pricisa não! Eu escuto daqui mesm!! “Podi cunversá como sieu nem tivesspuraqui...”

A médica olhou para a filha e deu uma piscadinha para a menina sorrindo abertamente e incentivando a filha a continuar o sonho. A Mannu, muito empolgada, foi logo dizendo:

Mamãe! Que coisa mais incrível! Você sabe que você acabou de me dizer uma coisa que o meu irmão também me disse neste sonho??


A médica mal podia esperar para ouvir o que tinha acontecido nesse sonho. Ao invés de incentivar a filha a comer, ela também parou com o seu café e começou a fazer perguntas insistindo para que a Mannu andasse logo com aquela história.

Pois é mamãe... quando eu entrei dentro do sono... que demorou bastante, eu comecei logo a sonhar. E no meu sonho, eu estava sentada lá na beira do lago, sozinha e muuuuito triste, porque no meu pensamento estava passando uma coisa assim: A minha mãe nunca vai entender essas coisas de Deus e do céu. Ela nem gosta de ouvir falar sobre essas histórias, e eu acho tão importante e o meu coração bate muito mais feliz quando eu converso sobre essas coisas... mas ela não gosta disso, eu já percebi...

 Neste momento, o coração da médica se contraiu de uma forma tão forte, como ela nunca havia sentido antes. Ela ficou até preocupada e começou a analisar, do seu ponto de vista, médico, é lógico, se não estaria perto de ter uma síncope qualquer. Mas, logo se controlou e tentou dizer algo para amenizar o que parecia ser um grande sofrimento para a filha que ela amava tanto.



 E sem perder tempo, a Mannu continuou com o sonho:

Aí mamãe, quando eu estava bem triste assim, no meu sonho, o meu irmão Emanuel veio andando na água do lago e me disse uma coisa muito legal...

Espera um pouco filha, andando “na água do lago”? Você quis dizer na “beira” do lago né filha? Porque ninguém anda em cima da água...

Não mamãe, eu quis dizer em cima da água mesmo! Ninguém aqui dos “humanos” faz isso, mas o meu irmão é bem acostumado a fazer essas coisas... ele sabe como fazer isso, é só você ler na Bíblia que Ele já tinha feito isso uma vez, sabia?

A médica olhou para trás para ver a reação da empregada que estava com um ar completamente calmo, como se aquilo fosse uma coisa muito natural. Por via das dúvidas, a doutora resolveu nem perguntar nada mais sobre esse assunto. Afinal, aquilo era um sonho de uma criança, apenas...

Sim, filha, e daí... o que foi que o teu irmão falou então?

Bem mamãe. Ele primeiro saiu de cima da água e sentou bem pertinho de mim no gramado. E, sabe mamãe? Eu já disse uma vez que Ele tem um cheirinho muito gostoso, é um perfume muito bom, e eu fiquei com vontade de deitar no colo dele pra descansar do meu pensamento chato que não ia embora nunca... E aí foi que eu achei muito legal, porque eu não precisei usar o meu poço de palavras pra falar isso pra Ele, eu só estava pensando aquilo dentro da minha cabeça e Ele já respondeu: “Pode vir pro meu colo Mannu, estou aqui pra isso”.

Nesse instante, a empregada já estava grudada na cadeira atrás das duas, prestando muita atenção e sem nenhuma preocupação de não incomodar.

A médica, estava com o olhar fixo no prato e a mente voando também, e a menina continuou como se tudo fosse muito normal e assim devesse ser sempre.

Então ele me pegou no colo, bem como o papai faz quando eu estou triste ou dodói. E só porque eu estava ali abraçada com Ele, eu já não sentia mais nenhuma tristeza sabia mamãe. É um colo tão macio e “conforchegante”...

Hummm... você quer dizer confortável e aconchegante né? Corrigiu a mãe, só para ter o que dizer...

É mamãe, é isso mesmo, é que o meu pensamento foi muito rápido e eu pensei as duas palavras ao mesmo tempo mas só falei um pouco de cada, entende?


Mas, o mais legal ainda foi quando Ele me disse que eu não precisava ficar “perocupada” com a mamãe, porque tudo tem um tempo “derteminado”, e que, por enquanto ela estava só ouvindo as coisas, mas, logo ela ia começar a entender direito. Lembra mamãe, que agora há pouco você me disse isso também, que tudo tem um tempo certo, porque eu queria saber logo o final da história da D.  Lídia?

Nesse instante a médica lembrou-se que havia falado isso mesmo para a filha há poucos minutos, quando ela estava ansiosa pra saber o resto da história da noite anterior. A mulher não pode deixar de sentir algo diferente, como se alguém mais estivesse por ali, de olho em toda aquela situação, mas não respondeu nada. E a Mannu continuou empolgada.

Eu queria saber contar pra vocês como fica diferente o ar em volta da gente quando o meu irmão está por perto. É muito lindo mamãe, porque a gente fica se sentindo tão bem, e nada parece difícil, tudo é muito gostoso, o ar fica iluminado e bem morninho... Ele me disse muita coisa bonita sobre o céu e eu nem consigo lembrar tudo, mas uma coisa eu lembro: Ele disse pra eu não ficar triste porque você mamãe, e o papai também, são dele. E logo vocês vão descobrir isso. Ele falou isso porque Ele sabia que eu estava muito “perocupada” e queria muito que você virasse criança logo, pra acreditar em Deus... Mas, Ele disse que você não vai virar criança assim como eu penso, mas você vai “nascer de novo”. Essa parte eu não entendi, mas eu nem quis perguntar porque se Ele falou é porque vai ser bem assim mesmo...

A empregada mal se aguentava de tanta alegria e só faltava pular e agarrar a médica que, com certeza, ficaria muito assustada com esta reação, aliás, ela já estava bem assustada com tudo o que tinha ouvido até ali e estava muito séria, analisando como deveria entender essa história de nascer de novo, que, logicamente, só poderia ser uma espécie de figura de linguagem.

Na cabeça das três, rolavam sentimentos bem fortes!


A médica, curiosa, perguntou se Ele, o irmão, tinha falado mais alguma coisa, e a menina respondeu alegre:

Mamãe, Ele falou muita coisa, coisas importantes, e eu não estou conseguindo lembrar tudo agora. Mas eu vou lembrando aos poucos e vou contando para vocês tá certo? Por enquanto eu só lembro dessa parte e de como estava bom ficar no colo do meu irmão conversando com Ele. Eu sentia uma alegria muito esfuziante dentro de mim, eu nem sei como explicar isso mamãe! Só me lembro bem da cena quando Ele veio andando pela água e de como eu levei um susto! Mas logo passou o medo quando Ele chegou perto de mim porque eu reconheci Ele do meu outro sonho lembra? Eu comecei a me sentir tão alegre e lembro bem que eu nem queria acordar, pra não sair do meu sonho, porque estava muito bom ali...


Então você já teve outro sonho assim Mannu? Perguntou a D. Lídia curiosíssima!

Já sim, e eu já falei disso aqui também, logo que eu cheguei de férias...

A médica continuava muda e a empregada com a língua bem solta.

E daí minha criança, “miconti”, a voz dele é qui nem trovão mesm??

Ah... eu não achei não D. Lídia... porque se fosse que nem trovão, talvez eu ficasse com medo. Ele falou comigo com uma voz bem bonita, parecida com a do papai, e era a mesma voz que eu ouvi no meu primeiro sonho com Ele.

Ela parecia ter esquecido da história não terminada da D. Lídia. Mas, lembrou-se em seguida e pediu para a mãe para saber o final. A mãe, ainda incerta, preferiu pedir que ela continuasse a tentar lembrar o restante do sonho dela. Depois do almoço elas poderiam continuar com a história da Lídia.


Neste momento, o telefone da mãe tocou e era o papai da Mannu. Conversaram um pouco e depois ela passou para a Mannu que estava ansiosa para conversar com o pai também. O restante do sonho e o final da história da D. Lídia vão ficar para o próximo capítulo também, já viu né?

2 comentários:

  1. Eu tbém kkkkkkkk
    Que curiosidade, mas amei o sonho da Mannu, até me emocionei... como gostaria de ter sonhos assim!!

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