.

.

Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

sábado, 11 de março de 2017

DESCOBRINDO SEGREDOS - CAPÍTULO – 74


Assim que a empregada desceu para providenciar o chá e o bolo que a Drª Laura tinha pedido, a Mannu perguntou à sua mãe.

Mamãe, onde a Zezé escondeu a filha dela, e por quê?

Calma meu amorzinho, eu já vou te explicar, deixa a Lídia trazer nosso chá, e eu vou te colocar a par da história inteirinha, ok? Você vai ver que a Zezé tem lá seus motivos para não ter contado nada sobre esta filha tá? Espera um pouquinho e não fique tentando adivinhar na sua cabecinha o que é que está acontecendo, porque pode ser pior quando você souber a verdade, entendeu?

Não... não entendi... disse ela prontamente Mas, eu vou comer primeiro o meu bolo e depois eu quero saber tudinho tá mamãe?

Claro, eu vou contar, não se preocupe... Só quero que você desmanche esse beicinho e deixe pra tirar conclusões depois de saber a história toda, ok? Principalmente conclusões sobre a Zezé, tá certo filha?

Tá mamãe, eu vou esperar então... Porque você mesma já me disse que esse mundo de vocês aí, os adultos, é mesmo muito complicado e eu não sei se vou conseguir entender, por que foi que a Zezé nunca me falou nada da filha dela...

Dizendo isso, ela emudeceu e olhando firmemente para um ponto fixo, ela começou a pensar que o mundo dos adultos era mesmo tão chato, com tanta coisa complicada que ela nem sabia mais se queria virar “gente grande” ou não.



Mais do que depressa, surgiu a D. Lídia com a bandeja de chá e o bolo.

Já Lídia? Poxa que bom! Você é rápida mesmo hein?

É que eu já tinha água no fogão fervendo para fazer um “cafézim”, mas como a senhora preferiu o chá...

Certo minha querida, pode deixar aqui que eu mesma sirvo, obrigada Lídia!

“Pur nada não doutora”, qualquer “coisim” é só me chamar...

Obrigada! Disse a médica, já servindo uma xícara do chá para a Mannu. Depois deu um pedaço do bolo que a Mannu comeu num instante.

Filha, coma devagar, não fique ansiosa ok?

Sei mamãe, mas é que eu quero saber da filha da Zezé.

Você vai saber, mas, não precisa engolir inteiro pra isso certo? Mais bolo?

Hum... só um pedacinho disse a menina com o efeito do açúcar e principalmente do chá acalmando sua agitação.

Depois que elas terminaram o lanchinho e os ânimos entraram em equilíbrio, a médica recomeçou.


A Mannu estava ansiosa para saber o resto da história, mas não parava quieta, só fazendo perguntas.

Mamãe, você não acha que eu tenho razão de ficar chateada com a Zezé? Afinal, ela escondeu uma coisa tão importante de mim e eu contava tudo, tudo mesmo pra ela, todos os meus segredos lá de dentro de mim...

A mãe até riu desse comentário tão ressentido. Como se a criança tivesse contado toda uma vida cheia de coisas escondidas para a Zezé, que não correspondeu à sua confiança, escondendo os “segredos” da vida dela.

Ela continuou.

Pois é filha, mas você vai entender que a Zezé tinha razão de nem querer pensar em te contar a história.

Tá, mas depois eu vou falar com a Zezé de qualquer jeito...

Você vai falar com ela sim, mas ouça primeiro. A Zezé teve essa filha, que era um amorzinho, parecida com ela e muito alegre também, não parava de falar, quase assim como você. Eles tinham essa vida tranquila no pequeno paraíso deles e tudo estava indo muito bem. A menina estudava em uma escola na cidade próxima e o que ela mais gostava era de ajudar a colher as flores para levar para a feira.

Aquela com nome esquisito? Aix... não sei o quê?

É, isso mesmo, Aix-en-Provence. Que era onde eles faziam tudo, vendiam suas flores e arranjos na praça do Hôtel de Ville, todas as terças, quintas e sábados de manhã na feira das flores. Na cidade também compravam o que precisavam etc...

Ok, e depois mamãe...

Bem, a vida deles era assim, tranquila e pacífica. A menina era uma boa aluna e nunca dava problemas aos pais. O pai era maluco pela filha. Um dia, a Zezé recebeu um telefonema da Escola onde a filha estudava. Era alguém falando que a criança não estava se sentindo bem, alguém deveria ir buscá-la.

A Zezé chamou o marido e foram os dois ver o que estava acontecendo. Chegando lá, a menina estava na sala da orientadora educacional da Escola e, aparentemente, nada de estranho estava acontecendo. Estavam todos conversando e rindo, inclusive a criança.


Então ela não estava dodói mamãe?

Eles acharam que não. A pessoa que telefonou explicou que encontrou a menina no banheiro, com a cabeça inclinada sobre a pia e com o nariz sangrando muito. Foi isso que fez com que se assustassem e chamassem os pais.

Mas depois viram que não era nada né? Eu também, já tive o meu nariz sangrando muitas vezes.

É, isso pode acontecer bastante, principalmente quando está seco demais, falta chuva e etc. Ou se a pessoa tiver algum resfriado forte demais e ficar assoando muito o nariz,  mas isso não é problema nenhum. A diretora dispensou a menina e a Zezé e o marido levaram a Julliete para casa.

Julliete? Gostei do nome dela mamãe!

É... eu também gosto desse nome...

No caminho eles pararam em um lugar para comprar uns docinhos que a Julliete gostava muito de comer logo que saía da escola. Chama-se “Calissons d’Aix”, é um doce típico daquela cidade.

Callissons... que nome estranho!! Mas era gostoso pelo menos?

Muito gostoso, eles são feitos de amêndoas... Mas a Zezé estranhou porque a Julliete nem quis comer, estava sem fome.


Mesmo assim eles levaram um monte de doce para casa para ela comer mais tarde. Só que chegando em casa, ela começou a passar mal, estava com febre, parecia que tinha uma gripe bem forte.

Ih mamãe! Ela teve que ir no hospital tomar injeção?

Na verdade, a Zezé e o marido não pensaram nisso no momento porque ela sempre tinha essas crises que eles achavam que era alergia, principalmente depois que ela ajudava a colher as flores. Não se preocuparam muito. E, no dia seguinte ela estava bem melhor, então deixaram que ela ficasse em casa pra descansar um pouco e se recuperar da virose, ou alergia, ou gripe qualquer que eles acharam que ela tinha. A Zezé fez um remédio caseiro que deixou a menina como nova, alegre e bem disposta outra vez.

Ah, eu não gosto de faltar aula não, acho que ela também não gostou disso, gostou?

Não gostou mesmo, respondeu a mãe da Mannu.

Mas ela teve que ficar em casa mesmo assim?

Teve que ficar porque o pai não deixou que ela fosse, estava preocupado com a saúde dela. Embora  o remédio da Zezé tivesse feito uma diferença grande.

É... eu sei... isso é que o papai também faz comigo. Ele não deixa eu ir nem que eu melhore, por causa de mim mesma e por causa dos outros, porque ele diz que se eu tiver gripe eu posso passar os vírus todos para as minha amigas não é mamãe?

Rsrsrsrs... é... não digo “os vírus todos” mas, pode passar sim. E aí elas ficam com gripe também.

E depois mamãe, quando ela sarou, ela voltou pra escola né?

Claro, voltou sim, e terminou aquele ano muito bem, apesar de ter faltado algumas vezes por causa dessas crises.

E quantos anos ela tinha nessa época mamãe?

Ela tinha quase sete, seis e meio mais ou menos.

Da minha idade!!!

É... sua idade...

Mamãe, eu quero conhecer a filha da Zezé, posso ligar pra ela e saber onde ela está e por que a Zezé não me contou dela e também por que a Zezé não trouxe ela pro Brasil pra ser minha “quase-irmã”?

O poço de palavras da Mannu, explodiu assim, de repente, e a sua mãe teve que pedir que ela se aquietasse um pouco mais para saber o por quê das coisas. Ela queria ligar naquele instante para a Zezé pra saber da Julliete.



Tá, então conta logo, porque eu quero ligar pra Zezé hoje mamãe!

Ótimo, você pode ligar, não tem problema não... Mas deixa eu terminar.

Certo mamãe, corre então!

Bem... no final daquele ano, eles saíram de férias e foram pra Marseille, uma cidade perto de lá, uns trinta quilômetros mais ou menos. É um lugar muito bonito e a Julliete gostava muito de ir pra lá.

Mamãe, você me leva pra conhecer Marseille também, um dia?

Vamos sim filha, qualquer hora dessas podemos ir, quando teu pai puder sair um pouco.

A Mannu, imediatamente, se pôs a imaginar o encontro dela com a Julliete e tudo o que elas poderiam fazer se ela estivesse morando por lá ainda.

Mamãe, eu quero encontrar a Julliete, você tem que me levar pra lá viu? Ela continua morando lá?

Não meu amor, ela não mora mais lá, por isso que a Zezé não gosta de falar no assunto.

Por que mamãe? O papai dela ficou com a Julliete e não deixou a Zezé ficar com eles lá? Eles se separaram?

É... uma coisa assim, só que eu preciso continuar de onde eu parei tá bom? Pra você entender direitinho o que aconteceu. Não foi culpa da Zezé nem do marido dela, mas eles acabaram se separando por causa de muitos problemas que vieram mais tarde.

Ah mamãe, que pena!! Eu não queria que a Zezé passasse por estas coisas, ela é tão legal!!

Pois é filha, mas, certas coisas a gente não consegue controlar e então a vida muda muito. Essa é uma das razões do meu “medão” como você diz, as coisas que eu não consigo controlar...

Mas, mamãe, você não precisa ter medo que o papai nunca vai me tirar de você e nem vai se separar de você porque ele já me disse que ele ama você assim ó... MUITÃO!!

Ela disse isso fazendo um gesto com os braços erguidos para demonstrar o tamanho do amor do pai dela pela mãe. Mas teve que concordar que o seu braço não alcançaria o tamanho que ela queria mostrar.

Ah, mamãe! Não é bem assim não... porque eu não alcanço o tamanho, o papai disse que é muuuuuuuito maior do que isso, ele disse que é “infinito”... Isso quer dizer que nunca acaba, sabia?



 Elas riram um pouco até que a empregada interrompeu trazendo o telefone porque o pai da Mannu estava ligando. Acho que essa história só vai continuar no próximo capítulo minha gente. Não percam pra saber porque a Zezé nunca falou do marido e da filha. 

2 comentários:

  1. Oh noooooo!! Eu estou desesperada pra saber!! Dá vontade de amordaçar a Mannu com este poço de palavras que acaba ocupando todo o espaço e daí não sobra lugar pra terminar essa bendita narrativa da Dra. Laura. Quando vai sair outra história Isa?

    ResponderExcluir
  2. Kkkkkkkkk!! 😄 até eu tenho vontade de amordaçar a Mannu às vezes... Mas criança é assim mesmo!! Gostei dessa Raquel!! Bjo pra vc!!!

    ResponderExcluir