Ao dizer que tudo poderia ser
explicado pela Bíblia, a Zezé relembrou a pergunta que a Lívia tinha feito
sobre a razão de Deus ter colocado aquela árvore no meio de um jardim perfeito
e depois ter dado a ordem para que ninguém comesse do fruto dela. Parecia um
teste... por que razão Deus faria isso? Seria uma maneira de testar o poder de
escolha que Deus tinha dado aos primeiros seres humanos criados? Vamos ver o
que a Zezé pensa disso.
― Pois bem Lívia, sua pergunta foi
muito interessante mesmo!
Disse a Zezé ― Se Deus não queria que eles comessem
da árvore, por que colocou-a bem no meio do jardim, não é mesmo? Eu quero
mostrar um versículo pra vocês que nos ajuda a perceber certas intenções que
Deus tinha em relação aos seres criados. Vejam lá em Gênesis 2:19, olha o que
está escrito:
Havendo,
pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos
céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão
chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.
Embora a turma toda tivesse já
algumas perguntas para fazer só sobre este verso, a Zezé continuou:
― Então... nós podemos perceber,
neste verso, que depois de ter formado as criaturas todas, incluindo o homem e
o jardim para ele habitar, Deus trouxe os animais todos para que o próprio
homem “decidisse” como os chamaria. Já aqui vemos que Deus criou o homem com a
intenção de observar como ele usaria o poder de escolha que lhe havia sido dado
no momento da sua criação.
O único ser criado com raciocínio
elevado e capacidade para decidir foi o homem. Os animais receberam apenas uma
espécie de instinto que os guia também, e lhes dá capacidades até assombrosas,
como podemos perceber em alguns animais. Porém, poder de decisão, de reação aos
estímulos do meio ambiente com racionalidade e inteligência em grau mais
elevado, isto foi conferido apenas ao ser humano. E, também por esta razão,
Deus disse ao homem para “dominar” sobre o restante da criação. É isto que
coloca o homem em uma posição acima de tudo mais no reino animal, no reino
mineral e no reino vegetal. Vejam este verso aqui em Gênesis 1:26:
E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
Portanto, Deus sujeitou o mundo
que ele havia criado ao “ser humano” criado também por Ele, à Sua imagem e
semelhança, ou seja; com poder de decisão, com inteligência e sentimentos
diferentes de todo o restante da criação.
Neste momento as mãos começaram a
levantar-se pela sala toda.
A Zezé logo percebeu que aquela
reunião ia ser das mais interessantes e suas explicações seriam interrompidas a
todo instante. Enfim, vamos lá, ver quais são as dúvidas nas cabecinhas ali.
― Certo, disse a Zezé ―
Comece você Duda, e depois vai seguindo na ordem que vocês estão sentadas, uma
de cada vez ok?
― Zezé, quer dizer que o nosso
gato, o Raio, não sente nada por mim e pela Ju? Quer dizer, ele não gosta da
gente como a gente gosta dele? E a Ju falou em seguida ―
Era bem isso que eu ia perguntar também...
― Bom, vamos lá, disse a Zezé,
arrematando duas perguntas de uma vez só ― os animais de estimação, como eu
falei, possuem um instinto muito apurado e eles se afeiçoam sim aos seus donos.
Não é o mesmo tipo de amor que sente o ser humano, mas, é muito parecido,
porque eles são leais quando sentem que são queridos, alimentados e tratados
com carinho. É um comportamento condicionado pelo bem estar que eles sentem
quando são bem tratados. É um amor baseado em troca. Diferente, por exemplo do
amor de Deus que é movido pela doação, pela compaixão e renúncia.
Na cabeça dos adultos rodavam mil
perguntas e observações que gostariam de fazer, mas, todos se seguraram o
máximo para não interromper as perguntas das crianças.
Em seguida falou a Camila:
― Zezé, eu queria saber o que
significa “dominar” porque parece que muita gente acha que é maltratar, porque
eles tratam os bichos muito mal, às vezes...
Neste momento, a Cássia atravessou
a conversa, ansiosa, e falou antes da resposta da Zezé.
― É!!! Era isso mais ou menos que
eu ia perguntar também, porque o papai é muito bravo e ele sempre fala, quando
está dando bronca, que é ele quem “domina” lá em casa. Ele grita bem alto e não
deixa a gente explicar nada quando a gente faz qualquer coisa errada e ele já
vai logo falando: “todo mundo de boca fechada, que quem “domina” aqui sou eu!”
Então eu sempre achei que dominar é ser “muito ruim” com os outros e não deixar
ninguém falar, nem se mexer... Eu quase nem respiro quando ele tá bravo, porque
eu fico com muito medo...
Só por essa pergunta e queixa da
Cássia, muitos pensamentos se formaram na cabeça da Lívia e dos vários adultos ali.
A Zezé sentiu imediatamente a
tensão no ar e entendeu também por que motivo a Cássia era uma menina que só
sabia brigar antes, no início daquele ano na Escola. A Mannu também pensou
assim, pois lembrava muito bem o quanto ela tinha sido alvo dos insultos e dos
gritos da Cássia quando elas eram
“inimigas”. Sentiu tristeza pela amiguinha que sofria tudo aquilo em casa e ela
nem sabia. A Cássia também nunca tinha falado, apenas “reagia” de maneira
errada, ou seja, da maneira que via em casa, repetindo o exemplo. Na Escola, ela tentava “dominar”
para compensar o quanto era reprimida em casa.
A Zezé preparou-se para responder
a Cássia e a Camila.
― Bem , Camila e Cássia, muita
gente entende o verbo dominar da maneira mais torta possível. Quando Deus disse
para o homem “dominar” sobre os animais e tudo quanto Ele tinha criado, Ele
pretendia que o homem tivesse o controle de tudo para CUIDAR bem das coisas. O trabalho do homem era tomar
conta de tudo com muito carinho e cuidado, pois Deus havia criado tudo com esse
mesmo carinho e cuidado e Ele mesmo havia dado ao homem essa autoridade. Então,
dominar NÃO é maltratar. Mas, logo vocês vão entender por que isso foi
deturpado na mente humana.
― Agora a sua pergunta Mannu, disse
a Zezé.
― Pois é Zezé, eu queria saber por
que que Deus deixou aquela árvore lá no jardim. Ele não sabia que os humanos
iam comer? Você disse que Deus sabe tudo, sempre...
― Ele sabe, meu amor, mas Ele
também dá liberdade aos acontecimentos e
respeita aquilo que Ele mesmo estabeleceu. Vou explicar: Eu não disse que
quando Ele criou o homem, Ele criou com “poder de decisão?”
― Hum hum...
― Então, quando Ele deu essa
capacidade ao homem, Ele deu para que o homem tivesse a liberdade de usá-la.
Tudo o que Deus deu ao ser humano era para que ele usasse para o seu próprio
bem e de tudo aquilo que estava em volta dele. Mas, como seria se o homem não
tivesse nenhuma oportunidade de escolher por si mesmo? Será que o homem saberia
se ele tinha condições de usar essa capacidade dada por Deus? Por isso Deus
colocou a árvore lá.
― Ah... mas... Se Deus sabia tudo já, Ele também sabia que o
humano que Ele criou não ia usar certo essa “capa...ci...deza” ― capacidade... socorreu a Zezé prontamente.
―
Isso... e então, o humano dele ia estragar tudo o que Ele tinha criado bem
bonito e perfeito!! Eu não ia deixar não!!! Por que será que Deus deixou? Perguntou
a Mannu fazendo beiço e cara de irritada
ao mesmo tempo, enquanto pensava no jardim que tinha perdido.
― Aí é
que está meu amor. Se Deus deu essa capacidade ao homem, o homem tinha também
força para escolher certo, mas não escolheu. Só que se Deus não permitisse
isso, então, não tinha por que Ele ter dado essa força de escolher para o
homem, não acha? Se Deus não desse liberdade para ele usar essa força, por que
Ele teria dado isso ao homem?
As
coisas viraram uma “farofa” na cabeça do Dr. Álvaro e também do tio da Lívia,
tio Fábio.
O
socorro para os dois adultos que não estavam dispostos a manifestar sua confusão
sobre o assunto veio da boca das crianças; das gêmeas, que perguntaram
juntinhas como muitas vezes acontecia. Será que a mente dos gêmeos é idêntica
também? Às vezes parece que sim...
― É,
isso mesmo crianças, eu já ia completar as coisas. Quando Deus deu aquela ordem
para eles não comerem da fruta daquela árvore, era para os seres humanos
exercitarem sua capacidade de escolha. Ou eles acreditavam no que Deus havia
dito sobre a árvore, e não comiam do fruto dela, ou eles NÃO acreditavam e
desobedeciam à ordem de Deus. E como vocês sabem, eles escolheram errado,
escolheram não acreditar e desobedeceram a orientação de Deus, e comeram,
achando que não haveria problema nenhum por isso.
― E
daí, virou aquela bagunça lá no jardim deles, completou a Mannu, quase brava.
Eles foram se esconder de Deus, de vergonha...
― Pois
é, quando eles “desobedeceram” a vontade de Deus, o que entrou no coração deles
foi a primeira amostra do que era o “mal”. Lembra que Deus tinha chamado a árvore de “árvore do conhecimento do bem e do mal?”
Então, foi assim que eles descobriram o que era o “mal”, que eles nem
conheciam. Ou seja, este foi o primeiro ato negativo que aconteceu entre Deus e
o ser humano, e partiu do ser humano, não partiu de Deus.
― Pois
é isso mesmo, doutor! Parece muito pouco né? Mas se o senhor pegar um
instrumento seu em uma cirurgia que tenha um único “micro-organismo”, a sua
cirurgia vai ser totalmente comprometida e o seu paciente poderá morrer, não é
verdade? Certas “impurezas” não cabem em determinados lugares concorda doutor?
― É...
lógico... claro, pensando por esse lado... Disse o médico, surpreso pela pronta
analogia feita pela sua serviçal. E ela continuou a sua explicação.
― Pois
então imaginem um lugar totalmente puro e livre de manchas, santo e imaculado.
Assim era o coração dos seres criados por Deus e o simples pingo da
desobediência que caiu ali se reproduziu rapidamente acarretando uma infecção generalizada
trazendo todos os outros sintomas e consequências ligados a ela. Produziu
culpa, vergonha, o reconhecimento de que haviam errado, trouxe medo, doenças, e a mancha
foi se expandindo, como uma bactéria mesmo, em um meio favorável, entende
doutor?
― Pois
é isso doutor, os primeiros seres humanos foram criados, como eu disse, à
imagem e “semelhança” de Deus, isto quer dizer que eram puros também, eram
santos, não tinham contato com o mal. Não eram “iguais” a Deus, mas
“semelhantes”, por isso, não estavam preparados para conhecer o mal sem sofrer as
consequências. E assim, quando o “micro-organismo” da desobediência entrou
neles, o resultado foi catastrófico. Tudo o que estava puro e limpo dentro
deles foi contaminado. O senhor sabe como isso é perfeitamente possível.
― É...
eu sei... disse o médico ainda muito cético com toda aquela história, mas, ao
mesmo tempo sem poder negar que fazia sentido da maneira como ela estava
explicando. Afinal se as coisas materiais figuravam a realidade espiritual, ou
seja, existindo uma realidade física e outra espiritual, essa, para ele, era a
melhor maneira de entender a conexão entre elas. Afinal, ele acabou
perguntando:
― Se é
assim como você diz Zezé, por que, então, esse Deus que você diz que sabe de
tudo não arrumou a bagunça que as criaturas dele fizeram? O mundo hoje é um
caos por causa disso, do tal do “mal” que os primeiros humanos trouxeram para o
mundo físico, não é assim que você fala?
― É
assim mesmo doutor, mas Deus “arrumou” a bagunça sim, e o senhor não imagina a
que preço! Mas isso vai ter que ficar para a próxima reunião nossa, porque não
vai dar tempo de explicar com detalhes o desenrolar dos fatos. Eu só quero
deixar claro que Deus já tinha a solução, antes mesmo do problema chegar. A
solução foi escolhida antes ainda da fundação do mundo, como está escrito aqui
na Bíblia em I Pedro 1:18-20. Vou ler pra vocês:
Pois
vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês
foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus
antepassados,
mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito,
conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês.
mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito,
conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês.
O Dr.
Álvaro e todos os outros adultos ficaram espantados de ver como a Zezé tinha na
cabeça todos os textos que ela precisava para explicar qualquer ponto da sua
fé. Será que ela tinha decorado aquele “ Livrão”?
Para
encerrar a Zezé não poderia deixar de falar sobre um acontecimento “mega
importante” para a humanidade toda. Ela continuou...
― Olha
gente, eu só quero falar mais uma coisinha. Essa solução foi enviada por Deus
ao mundo para “arrumar”, como diz o Dr. Álvaro, toda a bagunça que nós
herdamos. E nós estamos muito perto de comemorar a chegada dessa “Solução”. Ai
de nós se não fosse Ele... as coisas estariam muito piores ainda.
Quando
Ele veio, chegou a Luz e a Esperança, por isso, em todo o mundo se comemora o
Natal; a chegada do Salvador. Ele nasceu, viveu entre nós e completou Sua
missão para o nosso resgate. Falaremos disso em outra ocasião. Por enquanto, eu
quero desejar a todos vocês um lindo Natal, com a consciência de que essa é uma
comemoração que vai muito além do mundo físico, ela é festejada até hoje nos
céus também. O Rei dos reis deixou a Sua majestade e veio caminhar conosco por
um tempo, isso é imensurável!









Merry Christmas!!!!
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