Logo após o almoço, a Zezé foi com
a Mannu para a casa da Camila, levando algumas coisas já prontas que ela tinha
feito. Lá iriam fazer mais algumas guloseimas e tudo já estaria pronto para
aguardar as meninas.
Enquanto a Zezé se resolvia lá na
cozinha com a Mari, a Camila levou a Mannu para o seu quarto para brincarem um
pouco. Antes disso a mãe da Camila apareceu para dar um beijo na Mannu. Ela
estava de saída, ia comprar algumas coisas mas logo estaria de volta para
participar também do “Sábado da História”. Já tinha um nome o evento que as
crianças tinham começado.
Depois de conversar com as meninas, a mãe da Camila foi até a cozinha para falar com a Zezé e a Mari para saber se
elas precisavam de mais alguma coisa. Elas disseram que estava tudo em ordem,
só estavam terminando de confeitar um bolo e já iriam começar a arrumar a mesa
pois já eram quase 3:00 h da tarde. Logo as meninas começariam a chegar.
As meninas estavam no quarto brincando
já fazia quase uma hora quando ouviram a campainha. Saíram as duas correndo
porque sabiam que era alguma das meninas. Quando abriram a porta, levaram até
um susto! Estavam todas ali já. Combinaram de chegar ao mesmo tempo e todas
elas cumpriram a promessa.
Foi uma festa para a Camila e a
Mannu, que puxaram as meninas todas para dentro de casa e foram imediatamente,
numa gritaria só, ver o local que a Zezé e a Mari estavam terminando de arrumar
já. As duas também se assustaram quando ouviram a algazarra das meninas.
Mal a Zezé acabou de perguntar e
apareceram as “sete” na porta que dá para a varanda onde a Zezé e a Mari tinham
arrumado a mesa, porque a vista era linda e ainda por cima, tinha um arco-íris aparecendo no horizonte. Todas estavam empolgadas e já elogiando o bolo e os doces.
― Ebaaaaaaaaaaa!!! Essa mesa sempre
me dá água na boca!! Disse a Juliana, com a concordância de todas as outras que
repetiam juntas a mesma coisa, parecendo até que tinham ensaiado!
― UAAAAAU!!! Que delíciaaaaa!!!!
A Zezé perguntou se a mãe da Camila
já tinha voltado e a Camila disse que não. Então decidiram esperar um
pouquinho mais até a mãe dela voltar
para então iniciarem o ataque à mesa que a Zezé e a Mari tinham acabado de
arrumar.
Não demorou nem cinco minutos e a Melissa já estava de volta e “autorizou” o mergulho na doçura. E avisou que tinha trazido mais uma coisa para depois. Algumas “paletas” daquelas bem deliciosas
que estavam esperando por elas no freezer. Já sabem a reação né? Lógico...
― EEEEEEBAAAAAAAAA!!! A uma só voz!
Depois da alta dose de “energia”,
foram todas para uma outra sala onde iriam ouvir as histórias da Zezé. Se
acomodaram todas, inclusive a Melissa. Os pais da Mannu ainda não tinham
chegado, então, a Mannu, um tanto preocupada, pediu para tia Mel se podia ligar
para a mãe dela.
― Claro, Mannu, toma aqui o
telefone, liga pra mamãe...
Na hora em que ela aguardava a mãe
atender, ouviu-se a campainha. Era justamente a mãe dela, acompanhada do
marido. A Mannu ficou eufórica e correu para o colo do pai.
― Ah que bom que vocês chegaram
porque a Zezé estava esperando para começar... quer dizer, para “continuar”,
porque nós já começamos sabe? Já comemos muita coisa gostosa, você não quer
também mamãe? Hein papai?
― É, isso mesmo Dr. Álvaro e Dra. Laura, o que é que vocês gostariam de tomar
e beliscar antes de iniciarmos? Perguntou a mãe da Camila.
― Só um cafezinho se tiver Melissa,
mais nada. Estamos tentando perder uns “quilos”, disse a Dra Laura, olhando
para o marido e esperando que ele concordasse.
― Ah, pois eu aceito o cafezinho e um pedaço do bolo da Zezé, esse
não posso dispensar, disse o médico dando uma piscadinha para a filha que
continuava agarrada nele.
― É pra já, disse a própria Zezé,
correndo para servir o patrão que foi se sentando por ali, no meio da
criançada.
Assim que foi resolvido o problema
do estômago vazio do Dr. Álvaro, a Zezé pegou o Livrão e começou:
― Bem, minhas crianças, nós estávamos
falando no sábado passado daque...
― Daquele jardim lindo que Deus fez
para o homem e para mulher cuidarem Zezé! Gritou a Lívia, antes de todas as
meninas. Ela estava muito feliz aquele dia, pois a sua mãe tinha dito que na
próxima vez, ela também queria ir para participar do “Sábado da História”.
― Isso mesmo Lívia! Todos se
lembram disso?
― Siiiiiiimmmmm! Foi a resposta geral.
― Pois bem, continuou a Zezé:
“Vamos então só relembrar um pouquinho. Esse jardim era perfeito e nele, o
homem, a mulher e os animais viviam em harmonia. Nenhum deles sentia medo um do
outro, nem vergonha. O casal andava por ali sem roupa nenhuma e tudo era muito
normal e calmo.
― Sem roupa? Perguntou a Cássia, estranhando a situação...
― É... sem roupa Cássia. Sabe por
quê? Porque eles eram totalmente puros de pensamento, eles não conheciam o mal
e, portanto, não sabiam sentir vergonha, ou medo, ou mesmo raiva, nada dessas
coisas que nós sentimos na nossa vida agora.
― Ah... eu queria morar lá Zezé!
Disse a Juliana rindo. Em seguida perguntou:
― Mas Zezé... eles não ficavam com
frio e com gripe?
― Não minha querida. Lá, a
temperatura era constantemente equilibrada para que eles se sentissem muito
bem. E doença era outra coisa que não existia nesse jardim.
Nesse instante o Dr.Álvaro não
pode deixar de pensar:
A Zezé continuou explicando que
Deus tinha feito um lugar perfeito, com criaturas perfeitas, para que tudo
andasse em perfeita harmonia. Só que o homem e a mulher não obedeceram ao que
Deus tinha falado sobre as frutas que eles podiam comer. Então, resolveram
provar, ou melhor, foram convencidos a experimentar o fruto de uma árvore que
Deus tinha alertado que eles não deveriam comer. Essa árvore era chamada de
“árvore do conhecimento do bem e do mal”.
Nesse instante, o Dr. Álvaro
começou a pensar se ele deveria estar ali ouvindo uma “fábula” daquelas que ele
mal sabia onde ia parar. Pela sua cabeça passava o quanto ele estava preocupado com
o que a sua filha andava ouvindo e aceitando como verdade. Mas, ao mesmo tempo,
por mais que ele quisesse interromper a Zezé e fazer mil perguntas e oposições
ao que ela falava, menos ele tinha coragem para tanto. Parecia que se ele
abrisse a boca seria um vexame a mais. Era como se ele se sentisse pequeno
demais diante daquela história que ele não sabia por que, tinha tanto poder de
atrair e fixar sua atenção e de todas aquelas crianças.
Achou melhor esperar mais um
pouquinho para depois fazer suas perguntas e contestações todas.
A Zezé continuou: ―
Quando o primeiro homem e a primeira mulher comeram da árvore que Deus havia
determinado que eles não comessem, algo mudou imediatamente na mente deles. De
repente eles perceberam que estavam nus e sentiram vergonha um do outro. Sem
saber ao certo por que, sentiram culpa, sentiram vontade de se esconder de Deus
que vinha sempre no final do dia encontrar-se com eles para conversar. Deus se
comunicava com o ser humano de maneira direta nesse tempo. As coisas eram muito diferentes.
Nesse instante, a Lívia fez
exatamente a mesma pergunta que estava “rodando” na mente do Dr. Álvaro. Tanto
que ele até se assustou por ver que a menina estava seguindo o mesmo raciocínio
dele... ou seria ele quem estava seguindo o raciocínio dela? Essa pergunta
inquietou a alma dele.
Disse a Lívia: ―
Mas Zezé, eu não entendo: Por que só uma fruta fez tanta mudança neles?
Em seguida, a Mannu completou: ―
É Zezé, como é que pode fruta fazer mal, porque eu gosto tanto de todas as
frutas do mundo! Essa fruta era ruim?
A Zezé percebeu imediatamente que
a parte difícil começaria agora. Olhou para o Dr. Álvaro que estava com uma
expressão de curiosidade misturada com alívio por saber que teria a explicação
que ele queria sem precisar perguntar. A Zezé, no entanto, jogou o pensamento
lá pra cima, nos céus, e pediu socorro ao Único que poderia ajudar nesse
momento. Ela pediu em pensamento:
Essa parte será bem explicada pela
Zezé para que não reste dúvida na cabeça de ninguém. É uma longa explicação que
você não vai poder perder no próximo capítulo.











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