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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

EXPLICANDO O INEXPLICÁVEL II – CAPÍTULO 66



Quando a tia Mel atendeu o interfone e avisou que as meninas precisavam descer pois os pais e responsáveis já estavam todos lá esperando por elas, a reclamação foi geral. Ninguém queria interromper a história naquele pedaço, mas, trato é trato, e obedecer é necessário e é bem mais bonito do que reclamar.

AAAHHHHHHHHHH! NÃO!!!! AGORA NÃO ZEZÉ!!! Foi o pedido de todas ali, e, cá conosco, do Dr. Álvaro também, que, em pensamento, só em pensamento mesmo, estava curioso para saber que argumentos a Zezé teria para convencer uma mente altamente científica e racional como a dele. Mal sabia ele que isso não dependia dos argumentos da Zezé.

Até a Mel se juntou aos “protestos”...

Eu poderia chamar os pais aqui pra cima já que estão todos aí... disse a Mel.


A Zezé não podia fazer isso, pois não sabia até que ponto os outros estariam interessados e nem mesmo o quanto eles teriam que retroceder nas explicações por causa dos outros até que eles também pudessem acompanhar as histórias. Então ela disse:

Crianças... hoje não vai dar, ninguém veio preparado pra ficar... mas, vamos combinar uma coisa? Cada uma de vocês vai contar as histórias que vocês já ouviram até aqui para os pais de vocês, ok? Se eles quiserem vir na próxima reunião podemos até ficar um pouco mais, pode ser Dra. Laura?  Perguntou a Zezé, sabendo que a próxima seria na casa deles.

Enquanto a Dra. Laura abria a boca pra falar alguma coisa o Dr. Álvaro atropelou as palavras dela, tão ansioso para responder que até a Mannu estranhou.


  Bem, então, está resolvido o dilema, disse a Zezé. Todas pra baixo comigo agora, para encontrar os pais ok?

As crianças ainda tentaram argumentar um pouco mais, porém, a Zezé já sabia que não seria possível desta forma. Não dá para fazer as coisas sem planejamento a não ser em caso de emergência mesmo. 

Saíram todas com a Zezé, e o Dr. Álvaro e a esposa ficaram conversando um pouquinho mais com a mãe da Camila. A Mannu e a Camila desceram também, com as meninas.

O que vocês têm achado dessas histórias todas? Perguntou a Mel para o casal.

Olha... gaguejou a médica... é... pra ser franca, eu não sei muita coisa sobre isso, e, portanto, tenho participado para ver o que é que a Zezé anda ensinando para a Mannu e essas meninas, entende Melissa? É mais por isso mesmo...

É... eu também... complementou o Dr. Álvaro. Na verdade, eu tenho é andado preocupado com esse misticismo todo que a Zezé anda jogando em cima da Mannu e das outras crianças... então, estamos meio apreensivos, por isso temos feito tanta questão de assistir às reuniões.


Perfeito! Isso é muito necessário atualmente, as crianças estão expostas a tanta coisa perigosa através de internet, amigos desconhecidos, até literaturas estranhas que trazem mensagens subliminares etc... que é preciso acompanhá-los, sempre que for possível, mais de perto, não é mesmo?

Exato!! Disseram os dois ao mesmo tempo...

Eu não quero a minha filha com a cabeça cheia de dúvidas e fantasias que só podem prejudicar o desenvolvimento intelectual e emocional dela... Completou o Dr. Álvaro sentindo-se mais à vontade para ser sincero.

É verdade, todo cuidado é pouco, continuou a Melissa. Mas... vocês notaram alguma coisa, digamos... “estranha” no comportamento da Mannu por causa dessas histórias?

Eles pensaram um pouco e começaram a falar os dois ao mesmo tempo...

Olha! Começou ele... Na verdade! Disse ela...

Olharam um para o outro, rapidamente, e ficou entendido que a palavra estava com a mãe, que passava um pouco mais de tempo com a filha.

Bem... eu notei sim... mas não posso dizer que seja uma coisa “estranha” no sentido negativo... Digo, é estranho porque aconteceu de repente, mas ela está, na verdade, muito melhor. Anda mais alegre, não tem mais dor de estômago como antes, nem tem me pedido mais pra ficar com ela em casa porque não está com vontade de ir para a Escola... isso realmente acabou.

É... e outra coisa que eu notei foi que ela não tem reclamado tanto quando eu preciso sair, de repente, no meio de qualquer atividade com ela, para fazer algum atendimento de emergência. Antes era uma reclamação só... Disse o médico quase espantado por ter percebido isso.


É... sem dúvida, isso é muito bom. Porque eu acabava sempre indo trabalhar com uma espécie de “peso” por ter que deixar a minha filha sozinha tantas vezes. Enfim...

Nesse momento, a Zezé, a Mannu e a Camila entraram e a Melissa perguntou:

Que tal tomarmos mais um cafezinho? Vai bem com aquelas guloseimas todas que ainda sobraram pra me fazer ter pesadelo com um “pneu” gigante correndo atrás de mim...

Riram todos e concordaram que era melhor ter um pesadelo daqueles do que passar fome. Foram para a mesa e conversaram até mais tarde, quando o telefone do Dr. Álvaro tocou. A Mannu olhou para o pai e já sabia.


Assim que ele desligou o telefone, deu uma piscadinha para a filha e foi dar um beijo na cabeça dela. Ela realmente não reclamou. Ele se despediu de todos ali e foi para o hospital.

A Mannu e a mãe ficaram um pouco mais conversando com a Melissa, enquanto a Zezé e a Mari davam um jeito na desordem da cozinha. Depois disso, foram todas embora. A Zezé para a casa da irmã, a Mari para a sua própria casa e a Mannu e a mamãe para o andar de cima.

Essa semana demoraria um bocado a passar; para todos. A curiosidade estaria rodopiando na mente de todos ali. Que será que viria na outra parte da história? Será que iriam todos os outros na reunião também? E qual seria a continuação da história?

O Dr. Álvaro passou a semana se preparando mentalmente para inquirir a Zezé, com cuidado para não “massacrar” a empregada por quem tinha muito respeito. Mas, dessa vez ele queria tirar algumas explicações mais objetivas da Zezé, pensou ele.

Enfim, chegou o sábado seguinte. No mesmo horário, lá estavam todas as meninas na casa da Mannu. Somente a Lívia conseguiu trazer o tio e a mãe para o encontro, as outras não  conseguiram convencer os pais a virem também. Então a grupo estava maior desta vez.

Assim que terminou a sessão “doçura”, passaram para o local onde teriam a sessão “nutrição espiritual”. Acomodaram-se todos e a Zezé começou:

Bem, hoje temos mais dois novos participantes do nosso grupo, a mãe da Lívia e o tio dela. Bem vindos D. Irene e Sr. Fábio, queremos que vocês se sintam bem à vontade com a gente. Qualquer coisa que ficar meio atrapalhada na cabeça de vocês podem fazer as perguntas que quiserem ok?

Eles agradeceram e disseram que estavam muito felizes por também tomarem conhecimento dessa história que ficava cada dia mais interessante.  Já sabiam tudo até ali, pois a Lívia havia passado o “relatório” completo de tudo.


O Dr. Álvaro sorriu e disse que estava feliz de vê-los ali, e também de ver a aparência da D. Irene; mais corada, com um lencinho bem arranjado na cabeça, bem diferente da última vez que eles se encontraram.

A Zezé recomeçou:

Bem, vamos lá; a gente estava falando sobre o quê mesmo, quem lembra?

Imediatamente várias mãos infantis se levantaram.


A Zezé sorriu para as interessadíssimas e foi logo falando, ela mesma:

Ótimo!! Todo mundo lembrando né? Nós estávamos falando sobre o quanto a nossa vida é apenas uma passagem rápida por este mundo não é mesmo? Vocês falaram dos avós que já foram embora e etc, não foi isso?

É isso sim Zezé! Falou a Lívia que estava muito ansiosa para comentar esse tipo de coisa.

Sabe Zezé, eu tinha muito medo de falar sobre morte, porque quando a minha mamãe ficou doente, eu pensei que ela ia morrer. Mas, a Mannu me ensinou que quando eu tiver medo é só eu me lembrar que Deus existe mesmo! E que eu posso falar com Ele... Daí, quando a gente lembra disso, o medo se assusta e vai embora!


 A Zezé abriu o livro e leu assim:

No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Isso está escrito lá em 1 João 4:18. E sabe quem é o “perfeito amor”? Que tem essa força toda de espantar o medo maior do mundo? É exatamente Deus... porque Deus é AMOR, e amor perfeito. Vou ler pra vocês verem como isto também está escrito na Bíblia: Está lá em I João 4:8 que diz assim:

Quem não ama não conhece a Deus, porque DEUS É AMOR.


Por isso, Lívia, quando você falou com Deus, você reconheceu que Ele existe e demonstrou que você confia n’Ele, então, o amor d’Ele entrou no teu coraçãozinho, e expulsou o medo de lá, entendeu? Porque medo e confiança não se dão bem quando estão juntos. E quer saber mais? Mesmo que Ele tivesse levado a sua mamãe embora, Ele nunca deixaria você sozinha. Ele sempre iria providenciar alguém pra cuidar de você e amar você muito também, porque você confia n’Ele e depende d’Ele.


É... eu sei Zezé, mas eu não queria ficar sem a minha mamãe não!!

Claro, querida! Ninguém quer perder ninguém. Mas, quando isso é preciso acontecer, e só Deus sabe por que, é o próprio Deus que toma conta da situação de quem fica aqui. Aliás, de quem fica e de quem vai... Ele cuida de tudo. Portanto, se a gente acredita e ama mesmo a Deus, a gente nunca fica abandonado, ou abandonada, na solidão... entenderam?

Os adultos estavam num silêncio total. Pareciam todos sem palavras; até gostariam de discordar, mas não parecia correto e nem oportuno. Afinal, se a coisa funcionasse assim mesmo, e as pessoas conseguissem enxergar isso, seria um grande consolo para quem tem que se separar de alguém que ama para sempre.

O Dr. Álvaro limpou a garganta e achou que “devia” dizer alguma coisa.

É, seria muito bom se todos acreditassem assim, pois seria mais fácil lidar com a morte... mas... o problema é que isso depende muito do ser humano, a gente vê que nem todos ajudam ou se preocupam o suficiente com quem perde os entes queridos. Caso contrário, não teria tanta criança abandonada, sofrendo sozinha por aí...

Exato, Doutor! E sabe por quê? Justamente por culpa de nós mesmos! Para entendermos isso precisamos voltar lá na história do jardim, no momento em que os seres humanos resolveram que seria “bom” conhecer o “bem’ e o “mal” Disse a Zezé aproveitando para retomar o assunto que havia sido desviado na última reunião.

Ah... e você acha que isso pode ser explicado com aquela “lenda” do jardim perfeito? Perguntou o médico quase com ironia.


Essa parte vai ficar para o outro capítulo, veja se não perde ok? Vai ser emocionante...


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