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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

O COMEÇO DOS QUESTIONAMENTOS - CAPÍTULO – 77




Depois de toda aquela conversa e de se sentirem bem melhor, as duas olharam pela janela da outra sala e viram um dia clarinho e bonito outra vez. Resolveram dar uma voltinha lá fora; porque a chuva havia passado e o sol voltou a brilhar com aquele calor suave e gostoso como se estivesse dizendo: “eu sou lindo e não parei de brilhar, só estava dando um tempo para a chuva fazer o papel dela”.


Elas desceram e foram passear no jardim da casa um pouco. Depois entraram e foram para a cozinha procurar a Lídia. A Dra. Laura pediu que ela fizesse um jantar leve porque as duas tinham comido tanto bolo que ninguém estava com fome. Depois de resolverem o jantar com a Lídia, foram as duas tomar um banho para que a Mannu tivesse a chance de “trocar” de pijama, já que ela tinha ficado o dia todo com aquele sem se preocupar com nada mais, a não ser com a história da filhinha da Zezé.

Enquanto a mamãe ajudava a Mannu a se vestir, a menina começou a se lembrar da história e as perguntas e dúvidas começaram a brotar.

Mamãe... começou a Mannu, bem de leve, posso dizer uma coisa que está aqui tentando pular de dentro do meu poço de palavras faz um tempão?

Huuum... tem certeza que você quer continuar com essa conversa hoje ainda? Perguntou a mãe, já sabendo que o que rodava na cabeça da filha não podia ser outra coisa mesmo. 

Eu quero sim mamãe, senão eu não vou nem poder dormir...

Certo meu amor, então diga, o que é?

Eu queria perguntar uma coisa pra você, mas, não sei se você vai saber a resposta... então... fico com medo de perguntar também...

Nesse instante, a médica percebeu que a pergunta seria de ordem religiosa com certeza, pois a filha achava que ela sabia tudo sobre tudo, menos sobre esse assunto de fé; porque ela mesma tinha dito para a filha que ela não tinha nenhuma experiência nesse assunto. Mesmo assim, ela incentivou a filha a perguntar o que quisesse, pois se ela não soubesse, as duas poderiam procurar a resposta juntas.

Meu amor, pode perguntar... se for sobre fé, você sabe que precisaremos da ajuda da Zezé, porque eu tenho muito mais dúvidas sobre isso do que você. Respondeu a mãe com inteligência – traço comum nela – e também humildade – coisa um pouco mais incomum, porém, suficiente para que ela reconhecesse que não poderia e nem deveria, jamais, desviar o assunto.

Foi um alívio para a Mannu que pensou que a mãe poderia não querer falar sobre o assunto, já que não sabia nada desta área. Respondeu animada:

Isso!!! Que ideia boa mamãe! Eu achei que você não ia querer perguntar nada pra Zezé...

A mãe sentiu-se um pouco temerosa de pisar em um terreno bem desconhecido para ela, mas, aliviada por não fugir da conversa que, para a filha, parecia ser tão importante.

Fale meu anjo, pode falar...

Pois então mamãe... eu fiquei pensando... você acha que o Papai do céu não curou a Julliete porque o pai dela, o francês, não ajudou a Zezé a orar por ela?

A médica quase engasgou, pois não esperava algo tão difícil de responder. Não tinha a mínima ideia do que dizer para a filha. Não acreditava que existia um “Segundo” Papai lá no céu para ninguém aqui na terra. Então, como responder a esta pergunta da filha? Ela, simplesmente, não “achava” coisa nenhuma, pois nunca havia pensado na possibilidade dessa conversa sobre a existência de Deus ser mesmo verdadeira. Era um assunto com o qual ela nunca quis perder nem um segundo do seu valioso tempo. Ficou uns minutos pensando e olhando para a filha, muda.

Para sua sorte, a filha continuou mais um pouquinho com as suas explicações, pois nada do que ela perguntava era assunto vazio, sem um porquê.

Sabe por quê mamãe? É que quando a mãe da Lívia estava dodói e a gente sabia que era muito grave e que ela poderia morrer, nós oramos juntas. Quer dizer, eu e a Camila só, porque a Lívia nem sabia orar ainda e ela estava chorando muito, então a gente orou no lugar dela porque ela só sabia chorar naquela hora, sabe? Mas, eu tinha a Camila pra “acreditar” junto comigo e pra me ajudar a orar, entende mamãe?
 

Sim, filha, mas... por que você acha que é preciso mais de uma pessoa para orar? A gente não pode orar sozinha mesmo? A Zezé me disse que ela ora toda noite, sozinha, no quarto dela, sabia?

É... eu sei disso mamãe. Mas é que quando é uma coisa muuuito séria, eu acho que a gente precisa de mais gente junto pra orar com um “montão” de fé...

Sei filha... mas, sabe? Se eu entendi direito aquelas coisas que a Zezé falou nas reuniões, uma pessoa pode sim orar sozinha... Afinal, se Deus é esse "segundo" Pai das pessoas ele vai ouvir, porque quem tem que ter um “montão” de fé pra isso é justamente quem está orando, não é assim?

É mamãe... é isso mesmo, mas, só uma coisa; Deus não é o Segundo Pai da gente. Ele é o Primeiro, foi Ele quem criou todos os outros papais depois pra serem parecidos com Ele.

Huuum.... mas parecidos com Deus eu não vi muitos não... disse a médica com ironia.

É verdade mamãe, mas isso é porque os papais todos do mundo se afastaram de Deus e não quiseram fazer o que Ele disse pra fazer, desde o começo foi assim...

A médica sentia que não devia aprofundar essa parte e respondeu concordando.

 Ah sim... eu tinha esquecido esse pedaço.

 Pois é mamãe, eu falei do pai da Julliete porque eu fiquei pensando que a Zezé podia estar tão triste e “perocupada” com a Julliete que ela não conseguia sentir direito a fé que estava guardada lá no coração dela. Porque a “perocupação” e a tristeza atrapalham a fé de sair lá do espírito onde ela mora para subir pra cabeça dela pra ela orar direito entende? Então, ela precisava de alguém pra orar junto com ela...

A mulher emudeceu de novo. Achava um pouco de lógica no que a filha dizia, mas não sabia se do ponto de vista espiritual isso era correto. Ficou tão atrapalhada que disse a primeira coisa que passou pela cabeça dela.

Bem filha, esta história de falar com Deus, ou seja, orar, eu não entendo muito. Mas, acho que toda oração deve ser feita lá no interior da pessoa só, pra poder funcionar... não é assim? Por que precisaria de outra pessoa para ajudar a orar? Se Deus vai ouvir, Ele vai ouvir um de cada vez. Ele deve ser organizado não acha?


A médica olhou para a filha esperando a explicação “poderosamente infantil” que viria e da qual ela, pelo jeito, precisava muito.

Mamãe, lembra de uma vez quando a gente estava lá na rede e eu disse que eu ia ensinar você a ser “criança” de novo?

Hummm... lembro, foi esses dias atrás...

Isso... então mamãe, é que se você não for como criança você não “consegue” entender as coisas de Deus, sabia? Eu já disse isso pra você, e quem falou isso foi o meu “irmão mais velho”, aquele do sonho. A Zezé me mostrou na Bíblia quando foi que Ele falou isso. Ele deu uma bronca, bom... uma “bronquinha” só, nos discípulos por causa disso sabia?
 

A Mannu não perdeu tempo. Correu pegar a Bíblia que tinha ficado lá na outra sala e em segundos estava de volta, com todas aquelas anotações e o “Livrão”. Procurou rapidamente nas anotações onde estava marcado o lugar em que ficava a história e logo encontrou.

Aqui mamãe... a Zezé marcou pra mim... está lá no livro “do” Lucas, abra aí...

Hummm, o livro “do” Lucas... que tem esse mesmo nome, não é mesmo?

Isso... é lá no capítulo 18, só três versos; do 15 até o 17. Leia pra você ver mamãe.


E então ela leu assim:

O povo também estava trazendo criancinhas para que Jesus tocasse nelas. Ao verem isto, os discípulos repreendiam os que as tinham trazido.
Mas Jesus chamou a si as crianças e disse: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas.
Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele".

Viu só mamãe? Jesus disse que as crianças sabem como entrar no Reino onde Ele mora, e sabe por quê? É porque a gente que é criança não fica só se “perocupando” com coisas que a gente não sabe explicar... entendeu mamãe? Você vai ter que desaprender algumas coisas “desimportantes” pra aprender as de lá do céu que são muito mais importantes do que as daqui da Terra. Viu como é fácil mamãe? É só desaprender pra aprender.


Pois é! Só isso mesmo...

Espantada com tanta simplicidade e “credulidade” da filha, a médica disse o que menos traria problemas para ela mesma naquele momento.

Então, quem sabe eu consiga né?

Claro que consegue mamãe! Você sempre foi muito inteligente pra aprender TUDO! Então, pra desaprender vai ser mais fácil ainda, porque você vai ter que desaprender só algumas coisas tá? Não é tudo...

Ah sim! Disse a mãe fazendo uma cara bem falsa de “muito alívio” para a filha, que nem se importou e prosseguiu com o assunto da oração que a mãe já tinha até esquecido.

  Por exemplo mamãe: você tem que aprender que Deus é muuuuuito, mas, muuuuuuuuuuuuito mais organizado do que você pensa. Ele é tão organizado que Ele ouve as orações de todo mundo ao mesmo tempo, sabia mamãe?


De repente, a mãe ficou séria e começou a tentar mudar um pouco a direção da conversa porque já estava achando demais aquilo.

Tá certo, filha, tá certo... deixa eu te dizer uma coisa: você falou uma ou duas palavrinhas erradas e eu nem pude te corrigir porque não queria interromper o que você estava falando tá?

Ah é mamãe? E qual foi a palavra?

Uma era “desimportante” e a outra foi “perocupada”... Você pode dizer: sem importância, ou insignificante, qualquer coisa assim, mas não “desimportante” tá bom filhinha? Essa não se usa... e é PREocupada, e não “perocupada” tá certo meu amor?

Tá bom mamãe!! Obrigada por me ajudar com o meu poço de palavras... mas eu preciso dizer só mais uma coisinha tá?

Hum, hum... o que é?

É que o Papai – lá do céu – Ele ouve mesmo todo mundo ao mesmo tempo, porque Ele tem um “atibru...” não! Deixa eu falar bem devagar: Ele tem um A – TRI – BU – TO, que é muito importante... e que só quem é Deus é que tem...

Olha!! Você falou certinho ATRIBUTO... Parabéns filha! E que atributo é esse que você fala?

É um bem legal! E eu nem vou errar essa palavra também... Ele tem uma coisa que ninguém mais tem que é ONISCIÊNCIA... 

Essa palavra a Mannu falou de uma vez só, sem tropeçar e sem gaguejar, para o completo espanto da mãe dela!


É por isso que Ele pode ouvir todo mundo ao mesmo tempo e ficar sabendo de tudo ao mesmo tempo e Ele nem se atrapalha, sabe?

Jesus!!! E não é que você sabe mesmo o que significa isso!!

Mamãe! Você falou “Jesus”, isso é porque você sabe que Ele existe mesmo!

Imagine filha! Essa é só uma expressão que todo mundo usa por aí...

É mamãe, mas sabe que nem é certo ficar usando o nome dele pra qualquer coisa? E principalmente sem “acreditar” nele de verdade... É porque Ele não é só uma grande “autoridade”... Ele é também “SAGRADO”... E além disso, Ele é a maior autoridade do universo inteiro... Ele é muito mais importante do que um Rei de um país aqui da Terra.

Dizendo isso, ela pegou novamente a Bíblia e a mãe pensou que ela viria com algum texto qualquer falando sobre isso, mas não... ela simplesmente voltou ao assunto que ela tinha levantado lá atrás, o da oração em conjunto.

Olha esse outro texto que a Zezé marcou pra mim aqui mamãe. Leia você porque eu leio um pouco devagar.

E a mãe leu:
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Mateus 18.20.

Então, mamãe, eu perguntei aquilo do pai da Julliete porque eu lembrei desse versículo. Eu sei que Deus ouve quando a gente ora sozinha também... porque Ele me ouviu quando eu falei com Ele sozinha no meu quarto a primeira vez, e eu nem sabia se Ele estava me escutando porque eu falei bem baixinho. Mas é que eu acho que Ele gosta quando as pessoas oram juntas também, porque Ele disse que Ele vem pro meio delas quando elas se reúnem no nome dele... e a gente sempre ora no nome dele...

A médica não tinha mais o que dizer e a alegria dela foi quando, neste exato momento, a querida Lídia apareceu na sala chamando para jantarem.

Pois é filha! Essa história é muito complicada... vamos jantar e a gente termina outra hora, certo?

Tá bom mamãe... eu to mesmo com fome agora.


 E desceram, as três em silêncio, cada uma com seus pensamentos profundos.

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