O sol
surgiu cedo, antes das 7:00, eram 6:10 ainda e a bola dourada já estava
brilhando por trás das nuvens no horizonte da fazenda prometendo um dia lindo.
A
Mannu não acordou muito cedo, porque estava em ritmo de férias e, portanto, não
tinha muita pressa e nem tinha a Zezé para abrir as cortinas do quarto dela e deixar
o sol ir direto dar um beijo no rosto dela. Quando estava perto de 8:15, ela
apareceu na cozinha procurando pela Dona Lídia para saber se os pais já tinham
levantado.
― Eu
dormi muuuito bem D. Lídia, e sonhei um monte de coisa que eu não lembro
agora... eu pensei de noite, quando eu acordei um pouquinho, que eu ia contar pra
mamãe e pro papai os sonhos quando fosse de manhã, mas... agora não consigo me
lembrar de nada!
― Não
faz mal não! Daqui a “poquim”, depois que você “comê” umas “fruta e tomá um
leitim” do bom, com o pão e o queijo que eu fiz, hummmm!! Ah! E geléia de
morango, “qui ocê gosta”... morango daqui viu, sem veneno! “Cê vai vê qui” até
a memória vai “funcioná” melhor sabia!? Sente aqui “mesm” na cozinha com a Tia
Lídia que eu vou prepará umas “coisim procê” certo? Porque o papai e a mamãe já
tomaram café e já saíram pra “olhá” a horta e o pomar com o Adolfo.
―
Minha criança, nem se abale “cuma
coisim” dessa? Eles foram também pedir pro Adolfo “enciá” os três “cavalo qui é
procês irem passiá junto” daqui a pouco. Daí você vai “vê tudim!” Eles já
voltam pra buscar você, é só o tempo de você “comê um pouquim”!
Bom,
sendo assim... a Mannu se acalmou e atacou as frutas que a Lídia serviu
perguntando logo do bolo também. Ela amava aquele bolo de laranja da Lídia, e o
seu apetite ali na fazenda era uma coisa inexplicável! Ela sempre se lembrava
de uma “revistinha” que ela lia muito, sobre uma menina chamada “Magali”, e se
sentia igualzinha a ela.
Nem
deu tempo de ela terminar de comer o bolo e a mamãe apareceu na porta da
cozinha.
― Oi
meu amor! Então você já está acordada né? Que bom, porque o papai já mandou
preparar os cavalos para a gente sair passear um pouco ok? Só termine de comer
direitinho.
―
Ebaaaa mamãe!! Eu já estou quase terminando, só falta comer esse pedaço do bolo
da D. Lídia, daí já podemos ir...Mamãe, eu tive muitos sonhos esta noite e não
consigo me lembrar de nenhum sabia?
― Ah
é? Isso acontece minha filha! Eu mesma também tento lembrar alguns sonhos e não
consigo...é normal.
Dizendo
isso a Dra. Laura pegou um pedaço do bolo também enquanto esperava a Mannu
terminar. Logo que as duas terminaram de comer, apareceu o Dr. Álvaro na porta,
para chamá-las para o passeio. Estava de muito bom humor, é lógico, tinha
descansado bastante e estava no lugar onde mais se sentia bem, em contato com a
natureza. Ele amava aquela fazenda, que tinha comprado antes mesmo de se casar
com a Dra. Laura.
A
Mannu vibrou quando viu o pai de chapéu, coisa raríssima! Só quando ele ia para a
fazenda e mesmo assim, nem sempre!
Ele
deu uma boa gargalhada como se aquilo fosse mesmo uma piada, em seguida falou:
―
Certo!! Acredito em você minha filha! Agora, corre! Vai logo trocar esse pijama
por uma roupa bem gostosa pra você aguentar em cima do Pinote! Vamos passear
bastante agora, para você ver como está linda a fazenda. Corre, vai!!
Ela
disparou para o quarto dela seguida pela mãe que teria que ajudar com a roupa.
Escolheram uma bermuda bem gostosinha com camiseta clarinha, e claro, um
chapeuzinho também. Não demoraram nem cinco minutos! Ao se olhar no espelho a
Mannu aprovou, e a mãe também.
Desceram
as duas rapidamente para encontrar o pai. Antes de saírem, passaram
na cozinha para pegar garrafinhas de água para cada um. O sol estava forte e
não se pode esquecer, tomar muita água!!!
Saíram
os três a cavalo para passear pela fazenda; essa era uma das coisas que a Mannu
mais gostava de fazer quando eles iam pra lá. Passear juntos, os três, vendo
toda aquela imensidão verde e respirando aquele ar puro.
No
caminho viam pássaros de todo jeito, borboletas e flores que estavam plantadas
em todo lugar. E havia também as flores nativas que apareciam no campo e a
Mannu tentava não deixar o Pinote “pisar” em nenhuma delas, isso era
impossível! E a Mannu a todo instante falava:
―
Pinote! Você esmagou mais uma florzinha, era tão amarelinha, você não enxerga
não, é? Tadinha!!
E os
pais riam da preocupação dela em manter as flores todas. Ás vezes, até
conseguia fazer o Pinote desviar, mas, nem sempre.
Chegaram
ao lago, que era até grande, tinha alguns peixes também que os moradores dali
podiam pescar, só os moradores, ninguém de fora tinha autorização para isso.
Enquanto
conversavam ali em frente ao lago, Dr. Álvaro começou a pensar:
―
Olha... se existiu mesmo esse tal “paraíso” que a Zezé tanto fala, deve ter
sido muito parecido com isso aqui. ― e
seu pensamento foi mais além ― acho
que pra um ser humano ser capaz de escolher qualquer outra coisa e não
preservar uma coisa dessas, só posso crer que, ou ele era mesmo completamente
inocente sobre o mal, e, portanto, não poderia mesmo ter ideia do que aconteceria
se escolhesse introduzir o mal no mundo onde vivia, ou então era um sujeitinho
muito “burro” mesmo!
Quando
ele pensou isso, imediatamente, algo em seu peito se contraiu e ele sentiu uma
espécie de desconforto que nem conseguiu definir se era físico ou emocional. Enquanto
tentava entender essa sensação, sua filha fez um comentário interessante.
―
Papai, eu estava aqui pensando: por que será que o Adão e a Eva, não resolveram
“usar” a inteligência que eles tinham ganhado de Deus. Eles podiam muito bem
ter obedecido Deus e o “paraíso” ia continuar lindo e gostoso como era. Mas
não, eles resolveram querer conhecer essa coisa feia que é o mal! Eles fizeram
uma “caca” no nosso mundo...
Essa
observação dela provocou uma espécie de insegurança ainda maior no médico. Ele percebeu que não teria respostas
para isso e, ao mesmo tempo, algo lá no seu interior continuava aumentando
aquela sensação de desconforto, quase como se fosse uma culpa escondida por
algo que ele nem tinha ainda consciência de ter feito. Não pode deixar de concordar que o que ele tinha pensado, poucos segundos atrás, a respeito dos
primeiros seres humanos criados, não era totalmente verdadeiro.
Segundo
o que a sua filha tinha acabado de dizer e segundo o que a Zezé sempre frisava,
esses seres foram criados com “inteligência” superior à do restante da criação.
Então, “burros” não era algo que se pudesse dizer deles. Outra coisa que o
médico lembrou-se. A Zezé tinha dito que eles tinha sido criados à “imagem e
semelhança” de Deus. De repente, seu constrangimento aumentou e muito!
O
médico perdeu-se nos próprios pensamentos tentando se justificar por ter sido
tão duro com os seus ancestrais e ao mesmo tempo, tentando se explicar com Deus,
em quem ele não acreditava, é claro, mas... por via das dúvidas... apenas em seu
pensamento, tentava corrigir seu insulto às pessoas criadas à imagem e
semelhança de Deus.
―
Bem... pensou ele, com certeza, “burros” não poderiam ser mesmo, mas que foram “descuidados”
isso foram, no mínimo! Se tinham recebido inteligência e poder de decisão,
podiam pelo menos ter usado isso um pouco melhor... Mas não! Sempre achando que
“curiosidade” é a coisa mais importante para descobertas humanas... nem
sempre... Às vezes, é preciso saber onde vai pisar antes de invadir o terreno.
Tão
absorto estava que nem percebeu as duas chamando para irem embora.
Quando
se deu conta da sua distração, se atrapalhou todo e arranjou uma desculpa
qualquer para sua “imersão” em outros mundos. Saiu na frente das duas chamando
para cavalgarem de verdade e não como criança!
―
Espera aí papai!! Mas eu SOU CRIANÇA!! Não posso fazer o Pinote disparar senão
eu caio! Disse a Mannu, rindo e tentando trotar um pouquinho mais rápido. Logo
estava alcançando o pai, ela cavalgava bem pois o pai a colocava em cima de um
cavalo com ele desde que ela tinha dois anos e meio. Quem ficou para trás foi a
Dra. Laura que, meio amedrontada, se esforçou para alcançar os dois, gritando
de longe.
― Mannu,
por favor!! Cuidado! Você só tem sete anos, quase!!! Aiiii! Esses dois
malucos!!
Chegaram
na sede da fazenda bem na hora do almoço da Lídia! Comeram com gosto e
combinaram de tirar uma soneca e depois, 4:00 da tarde todo mundo na piscina! A
Mannu estava pura alegria! Ninguém ainda havia chamado o seu papai para nenhuma
emergência! Que bom!! A tarde prometia diversão das boas!!














Nenhum comentário:
Postar um comentário