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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O AMANHECER NA FAZENDA – CAPÍTULO 69


O sol surgiu cedo, antes das 7:00, eram 6:10 ainda e a bola dourada já estava brilhando por trás das nuvens no horizonte da fazenda prometendo um dia lindo.


A Mannu não acordou muito cedo, porque estava em ritmo de férias e, portanto, não tinha muita pressa e nem tinha a Zezé para abrir as cortinas do quarto dela e deixar o sol ir direto dar um beijo no rosto dela. Quando estava perto de 8:15, ela apareceu na cozinha procurando pela Dona Lídia para saber se os pais já tinham levantado.
 

                                                                  






































Eu dormi muuuito bem D. Lídia, e sonhei um monte de coisa que eu não lembro agora... eu pensei de noite, quando eu acordei um pouquinho, que eu ia contar pra mamãe e pro papai os sonhos quando fosse de manhã, mas... agora não consigo me lembrar de nada!

Não faz mal não! Daqui a “poquim”, depois que você “comê” umas “fruta e tomá um leitim” do bom, com o pão e o queijo que eu fiz, hummmm!! Ah! E geléia de morango, “qui ocê gosta”... morango daqui viu, sem veneno! “Cê vai vê qui” até a memória vai “funcioná” melhor sabia!? Sente aqui “mesm” na cozinha com a Tia Lídia que eu vou prepará umas “coisim procê” certo? Porque o papai e a mamãe já tomaram café e já saíram pra “olhá” a horta e o pomar com o Adolfo.


Minha criança, nem se abale  “cuma coisim” dessa? Eles foram também pedir pro Adolfo “enciá” os três “cavalo qui é procês irem passiá junto” daqui a pouco. Daí você vai “vê tudim!” Eles já voltam pra buscar você, é só o tempo de você “comê um pouquim”!

Bom, sendo assim... a Mannu se acalmou e atacou as frutas que a Lídia serviu perguntando logo do bolo também. Ela amava aquele bolo de laranja da Lídia, e o seu apetite ali na fazenda era uma coisa inexplicável! Ela sempre se lembrava de uma “revistinha” que ela lia muito, sobre uma menina chamada “Magali”, e se sentia igualzinha a ela.

Nem deu tempo de ela terminar de comer o bolo e a mamãe apareceu na porta da cozinha.


Oi meu amor! Então você já está acordada né? Que bom, porque o papai já mandou preparar os cavalos para a gente sair passear um pouco ok? Só termine de comer direitinho.

Ebaaaa mamãe!! Eu já estou quase terminando, só falta comer esse pedaço do bolo da D. Lídia, daí já podemos ir...Mamãe, eu tive muitos sonhos esta noite e não consigo me lembrar de nenhum sabia?

Ah é? Isso acontece minha filha! Eu mesma também tento lembrar alguns sonhos e não consigo...é normal.

Dizendo isso a Dra. Laura pegou um pedaço do bolo também enquanto esperava a Mannu terminar. Logo que as duas terminaram de comer, apareceu o Dr. Álvaro na porta, para chamá-las para o passeio. Estava de muito bom humor, é lógico, tinha descansado bastante e estava no lugar onde mais se sentia bem, em contato com a natureza. Ele amava aquela fazenda, que tinha comprado antes mesmo de se casar com a Dra. Laura.


A Mannu vibrou quando viu o pai de chapéu, coisa raríssima! Só quando ele ia para a fazenda e mesmo assim, nem sempre!


Ele deu uma boa gargalhada como se aquilo fosse mesmo uma piada, em seguida falou:

Certo!! Acredito em você minha filha! Agora, corre! Vai logo trocar esse pijama por uma roupa bem gostosa pra você aguentar em cima do Pinote! Vamos passear bastante agora, para você ver como está linda a fazenda. Corre, vai!!

Ela disparou para o quarto dela seguida pela mãe que teria que ajudar com a roupa. Escolheram uma bermuda bem gostosinha com camiseta clarinha, e claro, um chapeuzinho também. Não demoraram nem cinco minutos! Ao se olhar no espelho a Mannu aprovou, e a mãe também.


Desceram as duas rapidamente para encontrar o pai. Antes de saírem, passaram na cozinha para pegar garrafinhas de água para cada um. O sol estava forte e não se pode esquecer, tomar muita água!!!

Saíram os três a cavalo para passear pela fazenda; essa era uma das coisas que a Mannu mais gostava de fazer quando eles iam pra lá. Passear juntos, os três, vendo toda aquela imensidão verde e respirando aquele ar puro.


No caminho viam pássaros de todo jeito, borboletas e flores que estavam plantadas em todo lugar. E havia também as flores nativas que apareciam no campo e a Mannu tentava não deixar o Pinote “pisar” em nenhuma delas, isso era impossível! E a Mannu a todo instante falava:

Pinote! Você esmagou mais uma florzinha, era tão amarelinha, você não enxerga não, é? Tadinha!!

E os pais riam da preocupação dela em manter as flores todas. Ás vezes, até conseguia fazer o Pinote desviar, mas, nem sempre.

Chegaram ao lago, que era até grande, tinha alguns peixes também que os moradores dali podiam pescar, só os moradores, ninguém de fora tinha autorização para isso.


Enquanto conversavam ali em frente ao lago, Dr. Álvaro começou a pensar:

Olha... se existiu mesmo esse tal “paraíso” que a Zezé tanto fala, deve ter sido muito parecido com isso aqui. e seu pensamento foi mais além acho que pra um ser humano ser capaz de escolher qualquer outra coisa e não preservar uma coisa dessas, só posso crer que, ou ele era mesmo completamente inocente sobre o mal, e, portanto, não poderia mesmo ter ideia do que aconteceria se escolhesse introduzir o mal no mundo onde vivia, ou então era um sujeitinho muito “burro” mesmo!

Quando ele pensou isso, imediatamente, algo em seu peito se contraiu e ele sentiu uma espécie de desconforto que nem conseguiu definir se era físico ou emocional. Enquanto tentava entender essa sensação, sua filha fez um comentário interessante.

Papai, eu estava aqui pensando: por que será que o Adão e a Eva, não resolveram “usar” a inteligência que eles tinham ganhado de Deus. Eles podiam muito bem ter obedecido Deus e o “paraíso” ia continuar lindo e gostoso como era. Mas não, eles resolveram querer conhecer essa coisa feia que é o mal! Eles fizeram uma “caca” no nosso mundo...

Essa observação dela provocou uma espécie de insegurança ainda maior no  médico. Ele percebeu que não teria respostas para isso e, ao mesmo tempo, algo lá no seu interior continuava aumentando aquela sensação de desconforto, quase como se fosse uma culpa escondida por algo que ele nem tinha ainda consciência de ter feito. Não pode deixar de concordar que o que ele tinha pensado, poucos segundos atrás, a respeito dos primeiros seres humanos criados, não era totalmente verdadeiro.

Segundo o que a sua filha tinha acabado de dizer e segundo o que a Zezé sempre frisava, esses seres foram criados com “inteligência” superior à do restante da criação. Então, “burros” não era algo que se pudesse dizer deles. Outra coisa que o médico lembrou-se. A Zezé tinha dito que eles tinha sido criados à “imagem e semelhança” de Deus. De repente, seu constrangimento aumentou e muito!



O médico perdeu-se nos próprios pensamentos tentando se justificar por ter sido tão duro com os seus ancestrais e ao mesmo tempo, tentando se explicar com Deus, em quem ele não acreditava, é claro, mas... por via das dúvidas... apenas em seu pensamento, tentava corrigir seu insulto às pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus.

Bem... pensou ele, com certeza, “burros” não poderiam ser mesmo, mas que foram “descuidados” isso foram, no mínimo! Se tinham recebido inteligência e poder de decisão, podiam pelo menos ter usado isso um pouco melhor... Mas não! Sempre achando que “curiosidade” é a coisa mais importante para descobertas humanas... nem sempre... Às vezes, é preciso saber onde vai pisar antes de invadir o terreno.

Tão absorto estava que nem percebeu as duas chamando para irem embora.


Quando se deu conta da sua distração, se atrapalhou todo e arranjou uma desculpa qualquer para sua “imersão” em outros mundos. Saiu na frente das duas chamando para cavalgarem de verdade e não como criança!

Espera aí papai!! Mas eu SOU CRIANÇA!! Não posso fazer o Pinote disparar senão eu caio! Disse a Mannu, rindo e tentando trotar um pouquinho mais rápido. Logo estava alcançando o pai, ela cavalgava bem pois o pai a colocava em cima de um cavalo com ele desde que ela tinha dois anos e meio. Quem ficou para trás foi a Dra. Laura que, meio amedrontada, se esforçou para alcançar os dois, gritando de longe.

Mannu, por favor!! Cuidado! Você só tem sete anos, quase!!! Aiiii! Esses dois malucos!!

Chegaram na sede da fazenda bem na hora do almoço da Lídia! Comeram com gosto e combinaram de tirar uma soneca e depois, 4:00 da tarde todo mundo na piscina! A Mannu estava pura alegria! Ninguém ainda havia chamado o seu papai para nenhuma emergência! Que bom!! A tarde prometia diversão das boas!!



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