O dia amanheceu bem diferente. Assim
que a Mannu acordou, olhou para o relógio ao lado da sua cama e levou um susto.
― Como assim? Eu dormi tudo isso e
ainda está escuro? Que aconteceu?
Levantou-se correndo e desceu com
o seu poço de perguntas já fervilhando em busca de respostas “urgentes”. Nem
precisaria de tudo isso, bastaria olhar pela janela e ela logo entenderia. Chegou na cozinha
esbaforida e já dizendo:
― Gente, eu dormi até 10:00 h... e
ainda está escuro, cadê o sol, foi embora e nem me deu bom dia?
A D. Lídia também riu do espanto
da menina que nem tinha notado a chuva que tinha caído durante toda a noite e o
céu escuro cheio de nuvens pesadas esperando a hora de desaguar de novo...
Você nem ouviu a chuva durante a
noite Mannu?
Perguntou a mãe dela, até espantada, pois durante o temporal, à
noite, ela achou que quando os trovões eram fortes, a menina logo apareceria na
porta do seu quarto com o seu travesseirinho e os olhos arregalados de medo, mas, isso
não aconteceu. Ela foi, silenciosamente, olhar a filha no quarto e a menina
dormia profundamente, como se os estrondos fossem uma “suave” canção de
ninar... Interessante, pra quem tinha tanto medo de raios e trovões.
Ela sentou-se ao lado da mãe
dizendo:
― Mamãe! E como é que eu não ouvi
nadinha!! E não acordei também!! Mas, eu sonhei que estava num temporal bem
grande lá perto do lago da fazenda e que o meu “irmão” estava junto comigo, e
ele falava uma coisa engraçada... ele dizia assim:
“Você está com medo Mannu? Se
estiver lembre-se que eu posso mandar o temporal embora certo?”
A Mannu riu ao lembrar disso e
nesse instante a D. Lídia riu também, e foi logo dizendo:
― Uai!! Eu nem sabia que você tinha
um irmão? E que irmão é esse que manda até na chuva? E por que foi que ele não
veio com você então? Acho que ela está pedindo pra senhora “adotar” um
“irmãozin” pra ela doutora? Disse a empregada já ciente de que a doutora não
podia mais ter filhos.
A médica ficou séria, e a
empregada desconfiou que passou um pouquinho do limite, por isso tratou de se
desculpar imediatamente:
― É... hehehe “qué dizê né”, “disculpa”
doutora, eu falei “dimais...” sei que a senhora não gosta muito desse assunto
né? Ai, “disculpa mesm” doutora!!! Eu só quis “brincá coa” Mannuzinha “sab?”
― Não tem problema Lídia ―
respondeu a médica ― depois a Mannu te explica essa
história de “meu irmão”, não é filha?
Elas tomaram o café juntas e
depois resolveram ir para a sala de estar no andar de cima que tinha uma vista
muito bonita das montanhas e do lago, mesmo com aquele temporal se arrumando lá
fora valia a pena... Ali elas poderiam jogar qualquer coisa, brincar ou apenas conversar
sobre as coisas “incríveis” que a Mannu ainda tinha para contar.
Elas subiram e escolheram um sofá
bem de frente para a janela, com aquela vista gostosa, onde poderiam passar as
horas tranquilamente, esperando que o sol voltasse logo para poderem sair com
os cavalos outra vez.
Quando se sentaram, a Mannu, mais
que depressa começou a liderar a situação.
― Mamãe, vamos brincar de jogo da
verdade? Lembra? Aquele que você me ensinou e disse que era um jogo que você
fazia quando era criança também, vamos?
― Hummm... jogo da verdade é?
Espertinha você né? Eu sei porque que você quer essa brincadeira, só para eu
não poder fugir do que eu prometi ontem né? Mas, eu vou te contar sobre o meu
“medão” tá bom? Eu prometi, então eu tenho que cumprir né?
― É verdade mamãe, você mesma
sempre diz isso, prometeu tem que cumprir...
― Filha, você nem tirou esse
pijama! Vamos lá trocar a roupa primeiro?
― Nãããão mamãe! Não! Posso ficar de
pijama o dia inteiro hoje? Está chovendo mesmo, se me der sono eu durmo outra
vez, e nem preciso colocar pijama de novo. Ah, deixa mamãe? Eu nunca posso
passar o dia inteiro de pijama, deixa?
― Ok! Ok... Não tem problema...
nada melhor que um dia de chuva pra você passar o dia inteiro de pijama,
aproveite então!
― Ebaaaaa! Mamãe, você é a mamãe
mais legal do planeta sabia?
― KKKKKKKKK! Nossa! Só porque eu
deixei você passar um dia inteiro de pijama?
― Claro!! Tem mamãe que não deixa
os filhos fazerem nada, nem isso. A Dani, da minha sala, disse que a mãe dela é
assim. Tudo tem que ter hora certa e ela não pode fazer nada que seja diferente
do que a mãe dela está acostumada... já pensou que chato??
A médica teve que concordar com a
filha. Como será que as pessoas ficam assim tão metódicas a ponto de quase
“escravizarem” os filhos por causa de um sistema a que estão acostumadas? Isso
não é saber viver.
― Bem... vou começar falando
daquele dia lá no quarto então... que você disse que eu te apertei muito no meu
colo. Pode ser?
― Pode sim mamãe, é isso mesmo que
eu quero saber... Por que você estava tão “perocupada”? Ops, “prero...”
“peo...” Tshh! Ah, você sabe mamãe.
― Hum, hum, “preocupada” né? Arrumou
a médica ― Isso... ―
respondeu a Mannu, como sempre.
― Pois é filha... é... bom, não é
assim tão simples de explicar, mas eu vou tentar. Lembra que eu falei que
estava me comparando com a Zezé?
― Hum hum...
― Então, eu cheguei à conclusão que
não sou capaz de ter “fé” como a Zezé sente. E aí, isso ficou me atormentando a
cabeça, porque eu percebo que pra você isso fez muita diferença. Eu não
consegui te ajudar com o problema das meninas na Escola, no entanto, a Zezé,
com a fé que ela te ensinou, em menos de um mês conseguiu resolver tudo, e de
uma maneira incrível... entende?
A menina pensou por alguns
segundos antes de responder:
― Huuuumm... acho que não entendo
não mamãe... Se o problema foi resolvido pela Zezé, por que você continuou
sentindo o “medão”? Ela pensou mais um
pouco e quando a mãe se preparava para responder ela complementou.
― Mamãe, você tem “medão” que eu queira
ser filha da Zezé e não sua?
A médica não pode deixar de rir da
conclusão rápida e até interessante que a Mannu tinha alcançado.
― Mamãe vai explicar direitinho.
Você sabe que você é a coisa mais importante que a mamãe tem na vida , não
sabe? Eu já te falei isso muitas vezes.
― Sim, mamãe, você até falou que eu
“valo” mais do que o anel de diamante “fuscurante” que você ganhou do papai...
― Isso mesmo, meu amor, e é
“fulgurante’, não fuscurante tá bom? Outra coisa, eu “valho”, e não ‘valo’ ok?
Só pra não deixar fixar a forma errada dentro do teu poço de palavras que é tão
importante pra você né?
― Tá bom mamãe, eu fico tão feliz
de saber que você me acha assim tão “valhorosa”...
― Hum hum, “vaLOROsa né?
― Isso... espera... como assim
mamãe? Você não disse que é “eu valho” então, porque não é “valhorosa”?
A médica já sabia que isso iria
acontecer, no momento em que corrigiu a palavra errada da filha. Mas, ela tinha
por hábito não deixar que ela fixasse nenhuma das palavras de forma errada, só
que nem sempre isso era uma vantagem, porque ela acabava perdendo muito tempo
nas explicações e desviava o foco do assunto principal.
Tentou resumir a “aula
gramatical” que tinha menos importância no momento e nem era ainda do alcance
da menina.
― Filha, é porque alguns verbos têm
uma maneira de se falar que muda um pouco, mas o termo “valorosa” vem de
“valor”, não vem do verbo, por isso fica assim , certo?
― Ah sei, mamãe, já entendi
tudinho... pode continuar...
Isso foi o suficiente para a Mannu
ficar tranquila e voltar a atenção para o outro assunto, o que importava mais,
na verdade.
― Então, a mamãe, na verdade ficou
até feliz de ver que a Zezé conseguiu resolver aquela situação tão rapidamente.
Mas, ao mesmo tempo, a mamãe fica preocupada em “deixar” que a Zezé oriente
essa parte da sua vida, porque é uma coisa muito séria, essa história de “fé”,
entende minha filha?
― Entendo sim mamãe, a Zezé até já
falou isso também. Mas eu penso muito “séria” quando eu estou falando com o meu
Papai que é lá do céu. Eu não fico fazendo brincadeira boba com Deus, igual o
Adriano lá da Escola. Eu até já falei pra ele que Deus não acha bonito ficar
rindo dessas coisas... Eu sei que essas coisas são bem sérias mesmo, a Zezé já
me disse.
―É meu amor, é isso mesmo, mas...
não era bem nesse sentido que eu estava falando. Veja, existem muitas estradas
que você viu quando a gente veio aqui para a fazenda, não é mesmo?
― É... eu até já estava enjoada de
ficar vendo estrada na minha frente...
― Pois é... mas o papai teve que
dirigir por aquela estrada um tempão, pra conseguir chegar na fazenda que é
nossa não foi assim?
― Foi...
― Você se lembra de um momento em
que o papai teve que “escolher” uma entrada para pegar a estrada que trazia até
aqui? Lembra? Ele entrou à esquerda, e não na outra estrada que ia para a
direita, lembra?
― Sei, e o papai avisou que logo ia
aparecer o portão da fazenda...
― Isso mesmo! Se ele tivesse
entrado à direita, ele não ia chegar aqui na nossa fazenda. Então, é preciso
conhecer as estradas para a gente saber qual é a que a gente deve pegar
entendeu?
― Sim, mamãe, eu entendi... mas, o
que isso tem a ver com a fé da Zezé?
― É que o caso da fé da Zezé, é uma
coisa meio parecida com isso. Por exemplo, como é que você ou eu podemos saber
se a estrada que a Zezé pegou é a certa? Existem muitas estradas de “fé” para a
gente seguir, e eu não gostaria que você ficasse andando em uma estrada que
você não conhece direito, entende? Nem eu conheço...
― Pois então, mamãe, você mesma disse
que nem você não conhece... mas a Zezé conhece, é como o papai, ele só chegou
aqui porque ele “sabia” que essa era a estrada certa pra nossa fazenda não foi assim?
― É... é isso mesmo filha...
A médica ficou espantada, de novo,
com a capacidade que a filha tinha para fazer as considerações dela quando se
tratava de falar da tal da “fé” da Zezé. Por que será que ela tinha tanta
certeza assim que a Zezé, sabia o que estava falando?
― Então mamãe, você não precisa ter
“medão” que a Zezé erre o caminho porque ela conhece bem a estrada inteira
sabe? Ela sabe bem pra onde ela está indo, ela sempre fala isso...
― Sim, meu anjo, mas, por que você
tem tanta certeza disso?
― Mamãe... é que quando eu falei
com o Papai do céu, sobre todos aqueles problemas “urgentes”, tudo funcionou
bem como a Zezé falou que ia funcionar... Então ela já sabia qual era o caminho
pra eu chegar lá no colo de Deus e falar com Ele, entendeu? Mas você mamãe,
é... você mesma me disse que não sabe achar esse caminho... não é assim?
Isso emudeceu a doutora por
completo, ela tinha falado isso mesmo para a filha e reconhecia que não sabia
mesmo, então...
Devido a esse pequeno embaraço no
poço de palavras da mãe da Mannu, vamos ter que esperar para saber no próximo
capítulo como é que isso vai se arranjar. Quando a Dra. Laura encontrar as
palavras lá no poço...Não percam!









Querida Mannu, eu amo sua fé pura e simples! Posso pedir um favor? Quando você falar com o Papai do Céu, pede pra Ele guiar a Madison na nova estrada que ela vai ter que vai há pra chegar no destino que Deus tem pra ela. O destino é o mesmo. Só a estrada é um pouquinho diferente. Ela tem uma fé linda como a sua, menininha! Um dia vocês se conhecem, mas você tem que aprender a falar Inglês ou a Madison vai ter que aprender a falar "Pork and cheese" hahaha não, é Português e:)
ResponderExcluirDebbie, a Mannu vai orar pela Madison sim, e eu tb... Tudo vai dar certo, pode crer... Acho melhor a Mannu aprender Inglês, pq é mais fácil nós duas ensinarmos isso pra Mannu do que "pork and cheese" pra Madison!!! Gostei dessa >>> "pork and cheese"!! ��
ResponderExcluirShow this message to Madison: Mannu told me she thinks Madison's hair so beautiful!!! She also told me she is pretty sure Madison is a "winner" since now and forever!!!