Todos olhavam para a Zezé
esperando o que ela diria sobre a misteriosa fruta que fazia “mal”. Dr. Álvaro
era um dos mais ansiosos para conhecer o pensamento da Zezé sobre aquilo tudo.
E a Mannu também, pois não conseguia imaginar uma árvore de frutas ruins no
meio daquele jardim maravilhoso que a Zezé tinha descrito. Para complicar um
pouquinho mais a explicação a Mannu perguntou:
― Que cor era essa fruta ruim Zezé?
Verde , vermelha, roxa, amarela... Ela era uma fruta de cor feia?
Zezé começou a explicar a partir
dessa pergunta da Mannu. Disse ela:
― Mannu, a Bíblia nos traz muitas
histórias que não conseguimos esclarecer completamente. Mas, ela sempre traz a
informação necessária para que a gente possa entender uma verdade espiritual.
Muitas coisas materiais, (físicas) são usadas na Bíblia para nos ensinar coisas
espirituais sabe?
― Mas, como será que ela era? Ela
tinha algum veneno que fazia mal pras pessoas? E por que Deus não queria que
eles comessem daquela fruta?
A curiosidade da turminha estava
cada vez mais aguçada e a Zezé tinha que dar um jeito de explicar de maneira
que as crianças entendessem, mas, também de forma que os adultos ali, todos bem
informados, pudessem compreender e aceitar sua explicação sem polêmicas
e dúvidas. Missão das mais difíceis mesmo!
― Mannu, disse a Zezé ―
Aqui não diz, se a fruta era vermelha, verde ou que formato tinha. Mas, no
capítulo3, verso 6, do livro de Gênesis, que é o livro que conta esta história, está
escrito que a mulher ‘viu” que a árvore era boa para se comer e agradável aos
olhos. Então, podemos entender que não eram frutas feias, nem distorcidas ou
coisa parecida. Pelo contrário, devia ser uma fruta bonita (agradável aos
olhos) e apetitosa.
― É mesmo... disse a menina já
formulando no pensamento a próxima pergunta. Antes dela, a Lívia fez um
comentário seguido de uma pergunta que era a mesma que estava rodando pela
mente da Mannu também.
― Zezé, se não era pra eles comerem
daquela árvore, por que, então, que Deus colocou ela ali... Todo mundo ia
querer comer dela você não acha? Se ela era uma árvore com frutas bonitas...
Nesse momento o Dr. Álvaro pensou,
e a Mannu falou, curiosa como sempre!
― Pois é... disse a Zezé tentando
entrar no assunto com cuidado. Existem várias interpretações sobre essa
“árvore” e eu vou dizer a que mais se fala por aí ok? Primeiro, como eu já
disse, na Bíblia encontramos muitas coisas e acontecimentos que figuram uma
realidade espiritual.
― O que
é “figuram”, Zezé? Perguntaram a Ju e a
Duda ao mesmo tempo.
Em
seguida, a Mannu disparou: “Realidade espiritual” o que é isso Zezé?
Nesse
instante a Zezé percebeu que tinha se descuidado um pouco na linguagem, tudo
era muito novo para todos ali, principalmente as crianças.
Depois
dessa frase, o Dr.Álvaro não pode deixar de pensar que a Zezé não estava
preparada para explicar aquelas coisas para as crianças. Parecia que ela estava
mexendo com coisas profundas demais e que as crianças jamais entenderiam tudo
aquilo.
Mas,
a Zezé nem se perturbou e tratou de “facilitar” as coisas.
―
Vamos mais devagar um pouco. Eu quis dizer que muitas coisas e histórias da
Bíblia servem para nos ensinar sobre o mundo onde Deus vive, que é o mundo
espiritual, por isso elas são uma “figura” desse mundo de Deus que Ele desenha
aqui no nosso mundo para a gente entender o mundo d’Ele, ficou mais claro?
Dr.
Álvaro se surpreendeu de novo:
Todos concordaram que estava um
pouco mais fácil de entender agora, então a Zezé continuou:
― Vamos voltar lá para a pergunta
da Lívia: Por que Deus colocou aquela árvore ali se não era para eles comerem.
Como eu já falei, Deus criou um lugar perfeito e santo onde Ele colocou esse
casal que também era perfeito e santo, tanto que eles não tinham doenças nem
nada que fosse ruim, como a gente tem hoje. Mas, eles não eram “iguais” a Deus,
eles eram “semelhantes” a Deus, como eu vou ler aqui pra vocês em Gênesis 1,
verso 26 e 27, prestem atenção:
“Então disse Deus: ‘Façamos o
homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes
do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre
todos os pequenos animais que se movem rente ao chão.’
Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. "
Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. "
O burburinho recomeçou, com todos
falando ao mesmo tempo e fazendo as “boas” perguntas uma atrás da outra:
― Gente!! Então nós somos parecidos
com Deus?? Perguntou a Cássia espantadíssima.
― Quer dizer que Deus tem corpo
assim como o nosso? Ele fala e anda como a gente? Continuou a Lívia.
― Calma, vamos devagar agora. Existem
coisas na Bíblia que são muito complicadas para as crianças entenderem. É preciso
cuidado nessas questões ― Disse a Zezé buscando a sabedoria
que Deus manda nesses momentos de dificuldades na interpretação de textos
bíblicos. Continuando, ela disse:
― Deus é um Ser espiritual, então,
não podemos imaginar que tipo de corpo Ele tem. Sabemos que Ele tem um corpo
espiritual, mas nem conseguimos imaginar como é. Paulo, um dos homens inspirados
que Deus usou para escrever a Bíblia, diz uma coisa assim lá na primeira carta que
ele escreveu para os Coríntios. Essa carta dele, depois, virou um livro na Bíblia, vocês
estão entendendo crianças?
Perguntou a
Zezé, sabendo que ali ninguém conhecia a Bíblia, a não ser a Mannu, a Mel e a
Camila.
― Eu vou ler pra vocês, disse ela:
Antes de a Zezé poder ler alguma
coisa, a Marianna fez uma observação,
toda eufórica, que fez o Dr. Álvaro cair na risada!
― Nossa Zezé! Disse ela ― Então
já tinha Corintiano naquele tempo de Jesus?? Eu tenho que falar isso pro papai,
ele é Corintiano roxo! E aí ele vai querer ler a Bíblia!!!
Foi uma risada geral, e a Marianna
ficou pensando o que foi que ela tinha dito de tão especial...
A Zezé não pode deixar de rir
também, mas explicou com muito carinho e paciência para a Marianna e as outras,
inclusive a Mannu, que estava achando que era isso mesmo.
― Marianna, os “Coríntios” da
Bíblia não têm muito a ver com os Corintianos de agora, embora eles gostassem “muito”
de outros tipos de jogos também. Os Coríntios da Bíblia são pessoas que viviam
em CORINTO, uma das cidades comerciais mais importantes da época.
Isso foi o suficiente para as
crianças entenderem e para os adultos ficarem pensando em como é que a Zezé
sabia de tudo aquilo...
Continuando, a Zezé falou:
― Então, Lívia, você queria saber
se Deus tem corpo assim como o nosso, eu posso te dizer que como o nosso não é.
É muito superior, infinitamente. Vou ler aqui pra vocês em I Coríntios 15:40, e
também no 44, olha o que está escrito:
E há
corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a
dos terrestres.
Semeia-se corpo natural,
ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual.
Então, sabemos que existe um corpo
espiritual, só que ainda não sabemos como é. Por enquanto, não podemos saber
direito. O mesmo Paulo que escreveu isso, disse também, para os mesmos
Coríntios, o seguinte:
Agora, pois, vemos apenas um
reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora
conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou
plenamente conhecido.
Mas isso é outra história já... para
depois da nossa passagem por aqui... disse a Zezé, tentando voltar ao tema da
história anterior. Só que com crianças, nem sempre é possível manter um roteiro
certo, com começo, meio e fim. Muitas vezes a curiosidade delas aponta para outros
atalhos que precisam ser percorridos também para depois voltar ao trajeto
primeiro.
― Depois do quê? Zezé? Nossa
passagem por onde? Como assim? Eu queria entender já! Disse a Mannu com o poço
de perguntas fervilhando!
A Zezé percebeu que não poderia
fugir da pergunta pois, sem querer, ela havia levantado dúvidas nas cabecinhas
ali, e não eram dúvidas só nas cabecinhas infantis não, nas cabeças muito pensantes
dos adultos também. Dr. Álvaro e a Dra. Laura olhavam para ela sem disfarçar a
expectativa.
― Bem, disse ela com cuidado. ―
É que eu não queria falar desse tipo de coisa hoje, é preciso vocês entenderem
outras coisas antes de começarmos a pensar nessas coisas tão... tão sérias e
difíceis de se falar.
Os adultos entenderam de que
passagem a Zezé estava falando, mas estavam muito curiosos para saber sobre a
história de “ semear corpos naturais” e surgir corpos espirituais. Que história
era essa afinal? Então, a Dra Laura, preocupada sobre como a Zezé abordaria o
assunto, falou para a turma o seguinte:
― Olha,
crianças, vocês sabem que nós, meu marido e eu, somos médicos e, então, estamos
acostumados a falar sobre essas coisas... Para nós é uma coisa muito natural,
mas existem crianças que não gostam de falar sobre isso, então... é... não
sei... Zezé, o que você acha? Acabou perguntando sem saber ao certo o que
fazer quando viu aqueles olhos infantis, todos, voltados para ela.
Percebeu que a situação não era simples.
Zezé,
como sempre, foi sábia, e não mentiu ou criou ilusões na cabeça das crianças.
Todas ali já sabiam o que era morte e já tinham ouvido sobre pessoas que “passavam”
daqui para outro espaço. Então ela foi clara, mas cuidadosa:
― Meus
amores, quantos aqui têm avô e avó?
Só a
Marianna, a Cássia e a Camila levantaram a mão. A Lívia disse que não tinha mais vovô nem
vovó, a Ju e a Duda também não, e a Mannu tinha só uma vovó que morava longe
dali. Era mãe do seu papai. Então, ela mesma, falante como sempre, começou a
explicação:
― Eu
tenho só uma vovó Zezé, e foram embora dois avôs e mais uma vovó.
― Pois
é, eles foram embora como?
― A
mamãe falou que eles morreram, que viraram estrelinha...
― Pois
então, geralmente, quando a gente envelhece bastante, a gente vai morar em
outro lugar e, para isso, tem que morrer. Só entra nesse outro lugar, depois
que morrer. E era disso que o Paulo que escreveu para os Coríntios estava
falando. Por isso ele falou de um corpo espiritual, diferente desse aqui que
precisa morrer, sabe?
― Você
está dizendo que a vida continua depois da morte Zezé? Perguntou o Dr. Álvaro,
muito quieto até então.
― Isso
mesmo Doutor, é o que nós cremos. Nossa vida aqui é só uma passagem, e bem
curta aliás...
A
Zezé estava tratando o assunto com a maior naturalidade possível, justamente
para que não ficasse pairando no ar nenhuma sensação de medo ou de angústia. É
claro, que isso precisa ser muito bem explicado para que as crianças entendam e
não fiquem assustadas só por falar nisso. Isso é uma coisa natural.
Infelizmente, a Zezé não pode continuar a sua
conversa com eles, pois o interfone tocou e isso significava que a hora tinha
passado voando e não deu tempo de muita coisa. Os pais e responsáveis pelas
meninas já estavam ali para buscar as crianças. Mas a Zezé vai explicar bem
mais no próximo capítulo, não perca de jeito nenhum!








Essa Zeze é mesmo inspirada, viu? Eu acordei pensando na Mannu hoje! Hahaha
ResponderExcluirInspiradíssima Debbie! Mas ela vai ter que responder cada uma!!!! 😞
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