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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

sábado, 11 de março de 2017

DESCOBRINDO SEGREDOS - CAPÍTULO – 74


Assim que a empregada desceu para providenciar o chá e o bolo que a Drª Laura tinha pedido, a Mannu perguntou à sua mãe.

Mamãe, onde a Zezé escondeu a filha dela, e por quê?

Calma meu amorzinho, eu já vou te explicar, deixa a Lídia trazer nosso chá, e eu vou te colocar a par da história inteirinha, ok? Você vai ver que a Zezé tem lá seus motivos para não ter contado nada sobre esta filha tá? Espera um pouquinho e não fique tentando adivinhar na sua cabecinha o que é que está acontecendo, porque pode ser pior quando você souber a verdade, entendeu?

Não... não entendi... disse ela prontamente Mas, eu vou comer primeiro o meu bolo e depois eu quero saber tudinho tá mamãe?

Claro, eu vou contar, não se preocupe... Só quero que você desmanche esse beicinho e deixe pra tirar conclusões depois de saber a história toda, ok? Principalmente conclusões sobre a Zezé, tá certo filha?

Tá mamãe, eu vou esperar então... Porque você mesma já me disse que esse mundo de vocês aí, os adultos, é mesmo muito complicado e eu não sei se vou conseguir entender, por que foi que a Zezé nunca me falou nada da filha dela...

Dizendo isso, ela emudeceu e olhando firmemente para um ponto fixo, ela começou a pensar que o mundo dos adultos era mesmo tão chato, com tanta coisa complicada que ela nem sabia mais se queria virar “gente grande” ou não.



Mais do que depressa, surgiu a D. Lídia com a bandeja de chá e o bolo.

Já Lídia? Poxa que bom! Você é rápida mesmo hein?

É que eu já tinha água no fogão fervendo para fazer um “cafézim”, mas como a senhora preferiu o chá...

Certo minha querida, pode deixar aqui que eu mesma sirvo, obrigada Lídia!

“Pur nada não doutora”, qualquer “coisim” é só me chamar...

Obrigada! Disse a médica, já servindo uma xícara do chá para a Mannu. Depois deu um pedaço do bolo que a Mannu comeu num instante.

Filha, coma devagar, não fique ansiosa ok?

Sei mamãe, mas é que eu quero saber da filha da Zezé.

Você vai saber, mas, não precisa engolir inteiro pra isso certo? Mais bolo?

Hum... só um pedacinho disse a menina com o efeito do açúcar e principalmente do chá acalmando sua agitação.

Depois que elas terminaram o lanchinho e os ânimos entraram em equilíbrio, a médica recomeçou.


A Mannu estava ansiosa para saber o resto da história, mas não parava quieta, só fazendo perguntas.

Mamãe, você não acha que eu tenho razão de ficar chateada com a Zezé? Afinal, ela escondeu uma coisa tão importante de mim e eu contava tudo, tudo mesmo pra ela, todos os meus segredos lá de dentro de mim...

A mãe até riu desse comentário tão ressentido. Como se a criança tivesse contado toda uma vida cheia de coisas escondidas para a Zezé, que não correspondeu à sua confiança, escondendo os “segredos” da vida dela.

Ela continuou.

Pois é filha, mas você vai entender que a Zezé tinha razão de nem querer pensar em te contar a história.

Tá, mas depois eu vou falar com a Zezé de qualquer jeito...

Você vai falar com ela sim, mas ouça primeiro. A Zezé teve essa filha, que era um amorzinho, parecida com ela e muito alegre também, não parava de falar, quase assim como você. Eles tinham essa vida tranquila no pequeno paraíso deles e tudo estava indo muito bem. A menina estudava em uma escola na cidade próxima e o que ela mais gostava era de ajudar a colher as flores para levar para a feira.

Aquela com nome esquisito? Aix... não sei o quê?

É, isso mesmo, Aix-en-Provence. Que era onde eles faziam tudo, vendiam suas flores e arranjos na praça do Hôtel de Ville, todas as terças, quintas e sábados de manhã na feira das flores. Na cidade também compravam o que precisavam etc...

Ok, e depois mamãe...

Bem, a vida deles era assim, tranquila e pacífica. A menina era uma boa aluna e nunca dava problemas aos pais. O pai era maluco pela filha. Um dia, a Zezé recebeu um telefonema da Escola onde a filha estudava. Era alguém falando que a criança não estava se sentindo bem, alguém deveria ir buscá-la.

A Zezé chamou o marido e foram os dois ver o que estava acontecendo. Chegando lá, a menina estava na sala da orientadora educacional da Escola e, aparentemente, nada de estranho estava acontecendo. Estavam todos conversando e rindo, inclusive a criança.


Então ela não estava dodói mamãe?

Eles acharam que não. A pessoa que telefonou explicou que encontrou a menina no banheiro, com a cabeça inclinada sobre a pia e com o nariz sangrando muito. Foi isso que fez com que se assustassem e chamassem os pais.

Mas depois viram que não era nada né? Eu também, já tive o meu nariz sangrando muitas vezes.

É, isso pode acontecer bastante, principalmente quando está seco demais, falta chuva e etc. Ou se a pessoa tiver algum resfriado forte demais e ficar assoando muito o nariz,  mas isso não é problema nenhum. A diretora dispensou a menina e a Zezé e o marido levaram a Julliete para casa.

Julliete? Gostei do nome dela mamãe!

É... eu também gosto desse nome...

No caminho eles pararam em um lugar para comprar uns docinhos que a Julliete gostava muito de comer logo que saía da escola. Chama-se “Calissons d’Aix”, é um doce típico daquela cidade.

Callissons... que nome estranho!! Mas era gostoso pelo menos?

Muito gostoso, eles são feitos de amêndoas... Mas a Zezé estranhou porque a Julliete nem quis comer, estava sem fome.


Mesmo assim eles levaram um monte de doce para casa para ela comer mais tarde. Só que chegando em casa, ela começou a passar mal, estava com febre, parecia que tinha uma gripe bem forte.

Ih mamãe! Ela teve que ir no hospital tomar injeção?

Na verdade, a Zezé e o marido não pensaram nisso no momento porque ela sempre tinha essas crises que eles achavam que era alergia, principalmente depois que ela ajudava a colher as flores. Não se preocuparam muito. E, no dia seguinte ela estava bem melhor, então deixaram que ela ficasse em casa pra descansar um pouco e se recuperar da virose, ou alergia, ou gripe qualquer que eles acharam que ela tinha. A Zezé fez um remédio caseiro que deixou a menina como nova, alegre e bem disposta outra vez.

Ah, eu não gosto de faltar aula não, acho que ela também não gostou disso, gostou?

Não gostou mesmo, respondeu a mãe da Mannu.

Mas ela teve que ficar em casa mesmo assim?

Teve que ficar porque o pai não deixou que ela fosse, estava preocupado com a saúde dela. Embora  o remédio da Zezé tivesse feito uma diferença grande.

É... eu sei... isso é que o papai também faz comigo. Ele não deixa eu ir nem que eu melhore, por causa de mim mesma e por causa dos outros, porque ele diz que se eu tiver gripe eu posso passar os vírus todos para as minha amigas não é mamãe?

Rsrsrsrs... é... não digo “os vírus todos” mas, pode passar sim. E aí elas ficam com gripe também.

E depois mamãe, quando ela sarou, ela voltou pra escola né?

Claro, voltou sim, e terminou aquele ano muito bem, apesar de ter faltado algumas vezes por causa dessas crises.

E quantos anos ela tinha nessa época mamãe?

Ela tinha quase sete, seis e meio mais ou menos.

Da minha idade!!!

É... sua idade...

Mamãe, eu quero conhecer a filha da Zezé, posso ligar pra ela e saber onde ela está e por que a Zezé não me contou dela e também por que a Zezé não trouxe ela pro Brasil pra ser minha “quase-irmã”?

O poço de palavras da Mannu, explodiu assim, de repente, e a sua mãe teve que pedir que ela se aquietasse um pouco mais para saber o por quê das coisas. Ela queria ligar naquele instante para a Zezé pra saber da Julliete.



Tá, então conta logo, porque eu quero ligar pra Zezé hoje mamãe!

Ótimo, você pode ligar, não tem problema não... Mas deixa eu terminar.

Certo mamãe, corre então!

Bem... no final daquele ano, eles saíram de férias e foram pra Marseille, uma cidade perto de lá, uns trinta quilômetros mais ou menos. É um lugar muito bonito e a Julliete gostava muito de ir pra lá.

Mamãe, você me leva pra conhecer Marseille também, um dia?

Vamos sim filha, qualquer hora dessas podemos ir, quando teu pai puder sair um pouco.

A Mannu, imediatamente, se pôs a imaginar o encontro dela com a Julliete e tudo o que elas poderiam fazer se ela estivesse morando por lá ainda.

Mamãe, eu quero encontrar a Julliete, você tem que me levar pra lá viu? Ela continua morando lá?

Não meu amor, ela não mora mais lá, por isso que a Zezé não gosta de falar no assunto.

Por que mamãe? O papai dela ficou com a Julliete e não deixou a Zezé ficar com eles lá? Eles se separaram?

É... uma coisa assim, só que eu preciso continuar de onde eu parei tá bom? Pra você entender direitinho o que aconteceu. Não foi culpa da Zezé nem do marido dela, mas eles acabaram se separando por causa de muitos problemas que vieram mais tarde.

Ah mamãe, que pena!! Eu não queria que a Zezé passasse por estas coisas, ela é tão legal!!

Pois é filha, mas, certas coisas a gente não consegue controlar e então a vida muda muito. Essa é uma das razões do meu “medão” como você diz, as coisas que eu não consigo controlar...

Mas, mamãe, você não precisa ter medo que o papai nunca vai me tirar de você e nem vai se separar de você porque ele já me disse que ele ama você assim ó... MUITÃO!!

Ela disse isso fazendo um gesto com os braços erguidos para demonstrar o tamanho do amor do pai dela pela mãe. Mas teve que concordar que o seu braço não alcançaria o tamanho que ela queria mostrar.

Ah, mamãe! Não é bem assim não... porque eu não alcanço o tamanho, o papai disse que é muuuuuuuito maior do que isso, ele disse que é “infinito”... Isso quer dizer que nunca acaba, sabia?



 Elas riram um pouco até que a empregada interrompeu trazendo o telefone porque o pai da Mannu estava ligando. Acho que essa história só vai continuar no próximo capítulo minha gente. Não percam pra saber porque a Zezé nunca falou do marido e da filha. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

UM FILME MUITO TRISTE - CAPÍTULO – 73


Aquele dia foi o dia adequado para as duas ficarem em casa só conversando e lendo, ou assistindo a algum filme, jogando, etc... Choveu a tarde toda e depois da conversa na sala lá em cima, as duas desceram para almoçar. Estavam sonolentas, porque o dia chuvoso é uma maravilha para a gente relaxar e passar o dia inteiro de pijama, segundo a opinião da Mannu.

Assim que terminaram de almoçar, a Drª Laura perguntou se a Mannu gostaria de ver um filme ou jogar alguma coisa.   Como a mãe dela tinha permitido que ela passasse aquele dia todo de pijama, para ela o dia estava perfeito, não precisava muita coisa mais. Só um bom filme na TV com um enorme pote de pipoca e a mãe ao lado. Subiram para escolher que filme iam ver.  

O tempo lá fora continuava escuro e triste, por isso, resolveram que iam assistir a  alguma coisa bem divertida para “equilibrar” as coisas. Encontraram, na TV mesmo, um filme que tinha um título bonito e resolveram assistir, o nome era: Milagre no Paraíso. Foi um filme muito lindo, mas... um pouco triste também, e no fim do filme, a Drª Laura estava, de novo, com aquele ar de peso no rosto.

Mamãe... você está com aquela cara de novo, sabia?


Filha... não é que eu não gostei, mas, eu acabei me lembrando de algumas coisas que eu não gostaria de lembrar... sabe?

Ah é, mamãe? E... você pode me contar essas coisas? Ou não é pra criança saber...

A médica riu da filha que, com muito cuidado, investigava o seu interior, sabendo que nem tudo o que ela queria saber, a mãe contaria. Ela já tinha aprendido que, nem sempre, as coisas seriam discutidas com ela, pois a mãe sempre dizia que nem tudo era pra “crianças saberem”... As crianças teriam seu tempo, quanto mais tarde melhor,  de se preocupar com as coisas dos adultos.

Como a mãe estava “vagando” em seus próprios pensamentos, sem responder a filha, é lógico que a Mannu deu um jeitinho de atrair a atenção da mãe. Pulou na sua frente e perguntou sem titubear.

Mamãe, esse filme fez você lembrar do seu “medão”?? Aquele que fez você chorar aquele dia? É isso?




Vendo a insistência da menina, a Drª Laura resolveu tentar contar algumas coisas que ela sempre evitava conversar por saber que era um assunto muito triste, muito sério e que não se podia prever como a Mannu entenderia. Enfim, como ela sentia que, realmente, a Mannu tinha  mais segurança com toda essa história de fé que a Zezé vinha ensinando, ela decidiu compartilhar um segredo, que aliás, nem era dela, era da Zezé. Mas, ela tinha autorização da Zezé para contar quando achasse conveniente. E ela pensou que não teria melhor hora do que aquela. Começou com cuidado.

Pois então, a mamãe vai te contar ok? Quem sabe você para de se preocupar com a mamãe toda vez que eu fico séria...  Sente aqui comigo.

A menina pulou de volta para o sofá e se aconchegou à mãe, feliz da vida, afinal, a sua mãe confiava nela a ponto de contar uma coisa “séria” pra ela. Isso era muito bom, na opinião da menina, que já manifestava, de vez em quando, aquela vontade tão natural e “incompreensível para os adultos” de querer crescer e virar “gente grande”.


Então filhinha... realmente você tem razão, por causa desse filme, eu voltei a sentir aquele frio no estômago, como eu estava sentindo aquele dia que você foi me ver lá no quarto. É mesmo um “medão” que eu sinto.

Nesse instante ela parou um pouco ( para agonia da Mannu) para ver por onde deveria começar. A menina estava curiosa demais pra saber que medão era esse que tanto incomodava sua mãe.

Filha, você já ficou sabendo que a Zezé morou um tempo na França, não é mesmo?

É... eu sei sim mamãe, ela até me ensinou uma coisa em francês para eu dizer para a Lívia e a Cássia quando elas ainda eram minhas “inimigas”...

Pois então, a Zezé foi parar na França porque se casou com um francês que ela conheceu lá em uma praia da Paraíba, no tempo em que ela morava lá. Ela estava fazendo um passeio com a turma de crianças pra quem ela dava aulas e encontrou esse francês, que gostou dela imediatamente, ao notar o jeito carinhoso dela tratar as crianças enquanto explicava algumas coisas para o pequeno grupo de alunos que ela fazia questão de ensinar de maneira prática, usando as experiências de vida, no dia a dia das crianças.


Mamãe, a Zezé é uma linda não acha? Eu tô com saudade dela já...

É sim filha... ela é uma pessoa incrível! Só eu sei o quanto...

E onde está o marido dela mamãe, fez igual o Seu Aurélio? Ele é mau?

Não filha... a história é bem pior...

O francês se apaixonou mesmo pela Zezé e ficou mais do que planejava aqui no Brasil, tudo pra convencer a Zezé a casar com ele e ir morar na França. Ele tinha uma pequena estância em Aix-en-Provence, no sul da França, e ele tinha campos de flores. O negócio ia bem, ele vendia as flores na feira de flores do centro da cidade e levava uma vida paradisíaca e tranquila. Não foi muito difícil convencer a Zezé, até porque, o francês era uma excelente pessoa e prometeu levar a Zezé, primeiro para conhecer o lugar e sua família, depois ela poderia decidir se queria alguma coisa com ele ou não.

Nesse instante, um redemoinho estava girando pela cabeça da Mannu que achou aquilo tudo um perigo muito grande!
 

É verdade filha, é preciso muito cuidado e não ir logo acreditando em tudo o que as pessoas dizem sem verificar primeiro. Acontece que a Zezé sempre foi esperta, e foi investigando a vida dele enquanto ele esteve aqui no Brasil. Ele mostrou fotos e em uma das fotos, que era da irmã dele, a Zezé achou um número de telefone escrito atrás. Ela anotou o número sem ele perceber e ligou pra lá, escondido dele, junto com uma amiga que sabia falar francês, porque nessa época a Zezé não falava nada ainda. Elas conversaram com a moça como se fossem turistas que queriam conhecer a região, e fizeram perguntas estratégicas para descobrir se o que ele dizia era verdade. E parecia tudo certo mesmo...

Mamãe, só uma coisinha... o que é mesmo pergunta “esta... trégica”?

Ah, sim... desculpe. "EsTRAtégica"... É uma pergunta bem planejada para conseguir um resultado, entende? Elas queriam saber se existia o tal campo de flores que o francês falou e a moça confirmou que sim. Ela praticamente repetiu tudo o que ele já tinha contado pra elas. Qual era o nome dele, o que ele fazia, onde vendia suas flores e disseram também que ele tinha viajado para o Brasil. Enfim, parecia tudo correto.


Bem, o fato é que a Zezé foi pra lá, com ele e a amiga que falava um pouco de francês para conhecer a família dele. Voltaram maravilhadas e apaixonadas pela família inteira. Então, no final daquele ano, ele veio pra cá, casou-se com a Zezé e fizeram uma festinha simples aqui, para a família e amigos dela e outra lá, com a família dele.

Isso parece até aqueles filmes que você gosta de ver pra chorar... Disse a Mannu com um risinho maroto.

Eu??? Nunca!! Acho que agora você se enganou filha, não sou dessa época tão romântica, não tive tempo para isso, estava preocupada estudando e tentando ser a melhor médica do planeta...

Agora o redemoinho estava na cabeça da médica, que por uns momentos se perdeu nos pensamentos.



  Então tá mamãe... continua...

Enfim, eles se casaram, foram pra lá, tinham um cantinho bonito perto do campo de flores dele e também muito próximo da cidade (Aix-en-Provence) e tudo ia muito bem no paraíso. A Zezé aprendeu o francês e logo estava totalmente adaptada no lugar e na família. 

Ela ajudava na venda das flores e eles viviam bem, era uma vida confortável.

Com o tempo eles tiveram uma filhinha, que nasceu muito bem , linda e parecidinha com a Zezé.

Nesse momento a Mannu arregalou os olhos e até gaguejou.

A Mannu não se conformava 
de forma alguma... Como assim? Como é que a Zezé tinha uma filha e nunca falou nada pra ela, logo ela que queria tanto uma irmãzinha! 

A Tampa do seu poço de palavras pulou longe e ela não conseguia mais parar nem pra pensar. Queria ligar pra Zezé no mesmo instante para “discutir” o assunto com ela. Foi difícil a mãe convencê-la de que isso não seria bom e que nem era hora pra fazer uma coisa dessas. Depois as duas conversariam sobre tudo isso. 

Com dificuldade, a mãe conseguiu fazer com que a Mannu se calasse e escutasse só mais um pouco.

Filha! Por favor, vamos nos acalmar e pensar um pouco? Você não acha que se ela não contou isso é porque ela tem lá seus motivos? Pense bem!! Disse a médica já achando que não tinha feito bem em comentar isso com a menina.

Tá mamãe... tá certo, mas é que é muito estranho!! Ela nunca me disse nada e eu sempre falei muuuuuito pra ela que eu queria uma irmã e a filha dela ia ser uma “quase irmã” pra mim, porque a Zezé é minha “quase mãe”!!! Disse a menina com um olhar de profundo desapontamento.

Bem, querida, disse a mãe, eu vou te contar porque que ela, provavelmente, não te contou nada. Sente-se aqui do meu lado de novo.

A Mannu sentou-se, fazendo beiço, inconformada!

A doutora chamou a empregada e pediu que ela subisse ali um momento.



Chamei sim Lídia... Por favor, prepare um chá bem forte e gostoso de erva cidreira e traga também aquele bolo especial que você fez. A Mannu gosta muito do seu bolo seja ele qual for. Vamos precisar fazer uma pequena pausa aqui, depois continuamos com a história porque senão a Mannu vai começar a chorar já, já... E eu também...

A empregada ficou um pouco espantada, mas não perguntou nada mais. Desceu rapidamente para providenciar o que a patroa tinha pedido. Até o próximo capítulo, não percam porque vai ser bom!





sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

E O JOGO DA VERDADE CONTINUA... CAPÍTULO 72



A Mannu estava aguardando a mãe confirmar se tinha entendido o assunto ou não. Porém, quanto mais a doutora pensava, menos conseguia achar o que dizer diante das últimas palavras da filha. Era fato que ela nunca havia se lembrado desse assunto (fé) na vida deles até ali. Mas, agora, a questão corria atrás dela como se fosse um “leão” gigante e faminto, pelo menos era assim que ela se sentia; fugindo de um leão que “na certa” ia alcançá-la a qualquer momento. Ela achava que não sobraria nada dela... Já imaginou?


Como ela estava demorando a responder, a Mannu logo se manifestou:

Mamãe, você não vai dizer mais nada?

Hã?? É... vou sim... calma filha!! Eu estou pensando ainda, e não estou encontrando o meu poço de palavras!! Parece que tem um LEÃO atrás de mim!!! Disse a médica tentando brincar um pouco com a menina para conseguir tempo para responder com eficiência.

Um “Leão” mamãe?? Kkkkkkkkkkkk! Então não precisa ter medo e nem correr!!! Disse a menina rindo com vontade!!


É, mamãe!! Não precisa não!! Desse “Leão” não é pra ter medo... Disse a Mannu ainda rindo, encostada no ombro da mãe.

Como assim filha? Eu acabei de explicar que esse negócio de fé é um caso sério...

Eu sei mamãe, por isso mesmo, esse “Leão” é o leão certinho pra você não ter medo, viu? Nesse “Leão” você pode ter fé, que Ele não vai machucar você...

Mannu... a mamãe não está alcançando essa sua... essa... analogia? ... Brincadeira? Que é que você quer dizer com isso filha?

Nesse momento, a Mannu foi buscar uma palavra muito interessante que ela tinha escutado fazia pouco tempo. Estava difícil de achar lá no poço de palavras dela... mas, ela procurou e procurou até que achou. Ela pegou uma pontinha e puxou. Só que saiu meio “picada” a palavra...

Mamãe, é que o meu “irmão”, Jesus, o Emanuel, sabe? Ele tem um “epí... tes... mo.” Espera! Não, é “espí...te...” Não... ai!!! Não consigo puxar essa palavra mamãe, ela é muito pesada!

A médica falou devagar, muito impressionada!

Mannu... você está querendo dizer... E- PÍ- TE- TO??


A mulher simplesmente não podia acreditar! Sabia que a filha fazia “coleção de palavras”, mas, onde ela tinha encontrado essa?

Mannu... mas, essa não é uma palavra que... para usar assim... é... quer dizer, na boca de criança... é incomum, que estranho, minha filha! Onde você aprendeu?

Mas eu achei que esta era uma palavra tão bonita mamãe! Eu ouvi o professor de Inglês lá da Escola falando para a tia Marta, a coordenadora... Ele disse: “Esse agora é meu epí... teto”. Mas eu não pude perguntar pra ele o que era. E aí, eu perguntei pra Zezé...

Hum... a Zezé, claro... e ela te explicou o que era...

Explicou sim, mamãe, e me mostrou um exemplo que eu também pedi pra ela escrever pra mim, pra eu nunca esquecer, foi um pouco antes da gente vir pra cá, sabe? Eu vou correndo no quarto buscar pra você ver!

E disparou... como sempre. Em poucos minutos estava de volta empolgada!

Veja mamãe, está escrito no último livro da Bíblia. Aquele que é bem complicado que a Zezé falou, e que a gente ainda não está estudando ele porque ainda precisamos aprender muita coisa antes... pra entender o que está escrito ali, sabe?

A mulher olhou o papel na mão da filha cada vez mais preocupada. Estava escrito assim:
 

Depois de ler, a médica perguntou:

Então... é... Jesus é designado como “Leão” também?

Hum... mamãe, o que é “designado”?

Ah não... Essa não vale!! Pra quem acabou de usar “epíteto”!!

Não... vale sim mamãe... epí...teto eu só sei porque a Zezé me ensinou entende?

Muito bem, mocinha, então, vou te explicar o que é designado tá? Designar é o mesmo que chamar, indicar, apontar entre outras coisas. Aqui, é no sentido de ser apontado como, ou chamado, também pode ser nomeado... Tudo isso... sabia? Então, teu “irmão mais velho” como você costuma dizer, foi nomeado, ou indicado como o “Leão da Tribo de Judá... agora, por quê? Não faço a mínima ideia.


Hummm... verdade? Então me diz, por quê?

Foi porque o pai do Judá, que era o Jacó, ele estava quase morrendo já, porque era muito velhinho, já tinha até cansado de viver. Então, ele chamou todos os seus filhos pra dar uma bênção especial pra todos eles. O Jacó tinha 12 filhos e todos esses filhos viraram nome de uma tribo láááááá de Israel, bem longe daqui...

Sei, meu amor... pode continuar...

E quando ele falou a bênção dele pro Judá, que era um dos filhos dele, ele disse que ele, o Judá,  era um “leãozinho”, e que quando ele se deitava, ninguém se atrevia a acordar ele, porque, você sabe né mamãe, o leão é o rei da floresta, todo mundo respeita ele. E o pai dele falou também que nunca deixaria  de ter “cetro” na família dele, você sabe o que é cetro mamãe?


Isso mamãe, isso mesmo! Mas é um bastão que significa autoridade, a Zezé falou. Que bom que você já sabia disso mamãe! Disse a Mannu empolgada porque nem precisaria explicar para a mamãe o que era cetro direitinho, ela já sabia...

Então, mamãe... se nunca deixaria de ter cetro na família do Judá, isso significa que sempre haveria “reis” e “príncipes” na família dele, né? Um monte de autoridade!

Herrr... é ... deve ser né? Respondeu a médica meio incerta.

Pois então, mamãe, sempre teve rei na família do Judá, e um rei que foi muito famoso é o Rei Davi, que era dessa família, por isso, que Jesus também é chamado de “raiz de Jessé” além de “Leão da tribo de Judá”, bem como está aqui no verso escrito no papelzinho da Zezé, que eu te mostrei, viu? Ela fez no computador pra mim, tá vendo? Pena que ela não colocou coraçãozinho como ela sempre faz né mamãe?  

Ela dizia isso fazendo a mãe reler o bilhete muito importante que ela tinha recebido e guardado com todo o cuidado.

 É filha... é mesmo... Tá... mas, uma coisa muito importante; e esse Jessé, quem era?

Era o pai desse rei famoso, o Davi...

Hummmmm.... Agora entendi... Então Jesus veio dessa família, é isso?

É mamãe... da família do Rei Davi... que era da tribo de Judá, láááá no “antigamente” sabe? Bem atrás no tempo.

Huuummmm... muito interessante!

E só mais uma coisinha mamãe; o “meu irmão” ficou sendo chamado de “Leão da Tribo de Judá”, porque Ele não era um “leãozinho”, só, como o Judá... Ele era o “Leão” mais importante dessa tribo inteira. E Ele tinha muuuuuita autoridade, muito mais do que o Judá e do que todo mundo em todos os tempos.


E... filha, porque que você diz que essa história toda tem a ver com o “Emanuel”, Jesus... ou teu “irmão mais velho”, como você diz?

Bom mamãe, porque a Zezé falou que essa história já era uma profecia sobre quando Jesus ia nascer aqui na terra como bebezinho humano, como nós...

Uma profecia?

É... essa foi uma profecia porque quando o pai do Judá chamou ele de “leãozinho” e disse todas aquelas coisas lá, ele também falou que sempre teria rei na família até quando viesse Siló... Siló ainda não tinha chegado.

A médica entendeu menos ainda...


A Zezé me falou que “Siló” era um nome que podia ser de gente ou de lugar, como existe hoje também. E que nessa história, como o Jacó estava falando um monte de coisas que “pareciam estranhas” para abençoar os filhos, era porque ele estava falando o que Deus tinha mandado ele dizer, por isso, às vezes, as pessoas não entendiam bem, mas é porque era uma profecia.

Sim... mas, isso não explica...

Espera mamãe, é que eu não terminei de falar tudo ainda. Quando o Jacó falou do cetro, ele disse que sempre teria reis e príncipes na família até que viesse Siló. E a Zezé contou que a palavra Siló aqui na história queria dizer uma exp... “experção” em hebraico.

“Expressão” né?

Isso... e essa ex... per... pressão vinha de duas palavras juntas que significava isso aqui ó...

Dizendo isso, ela tirou outro papelzinho do bolso para mostrar para a mãe.





A mãe leu aquilo e ficou impressionada em como a menina tinha guardado tudo aquilo tão corretamente na cabeça sem confundir a ordem das coisas todas.

Entendeu agora mamãe?

É... acho que sim filha. Isso quer dizer que,  “Siló” ainda viria no futuro e esse nome significava que seria Jesus, o teu “irmão” e que tem o “ verdadeiro domínio”? Porque Ele é maior que os outros, não é isso?

ISSSSSSO MAMÃE!! Viu só? Como você já está aprendendo a ser criança de novo? Você já está entendendo as coisas... Disse a menina olhando com pureza para uma mãe completamente abobada e sem palavras. Dizendo isso, deitou-se no colo da mãe no sofá, satisfeita da vida!


Mannu, você sabe onde está essa história na Bíblia? Perguntou a mãe.

Claro que sei mamãe! Está bem no comecinho, no primeiro livro dela, que é o Gênesis. E está no capítulo 49, inteiro. Mas se você quiser ler só a parte do Judá e do pai dele, é no verso 9 e 10... eu sei porque eu perguntei pra Zezé a mesma coisa.

A médica foi ficando cada vez mais curiosa. Como é que em tão poucos minutos ali, com a filha de seis anos, ela tinha aprendido tanta coisa. As duas tinham começado pelo “último” livro da Bíblia, o Apocalipse, e agora já estavam no começo dela, em “ Gênesis”. Definitivamente, a Zezé era uma ótima professora... ou a Mannu era uma ótima aluna... Bom, as duas são ótimas, pronto!


 O fato é que ela decidiu ler a história toda para conferir se as coisas eram bem como a Mannu tinha contado. Vamos ver o que ela vai dizer no próximo capítulo, até lá...