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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

PÉ NA ESTRADA ... OU MELHOR, RODA NA ESTRADA! CAPÍTULO – 86



Bem, geralmente, as despedidas têm aquele gostinho de saudade e de lágrimas. E aqui, não foi diferente,  principalmente para a D. Lídia que já estava se debulhando outra vez. A Mannu deu um abraço bem demorado nela e prometeu que voltaria logo, porque o Natal já estava bem perto, outra vez, dizia ela... Perto? É bom nós lembrarmos a nossa Mannuzinha que aqui, na história, ainda é o meio do mês de janeiro. As aulas da Mannu nem recomeçaram ainda e ela e a mãe estavam apenas encerrando as férias na fazenda, o pequeno paraíso deles, para entrarem no ritmo da cidade outra vez.

Depois de bastante choradeira de todos, muitas recomendações de cuidados na estrada, cuidados na Fazenda e pedidos de “voltem logo”!! etc... Elas estavam instaladas no carro acenando pela última vez.


Logo estavam no portão maior, de saída da fazenda. A Mannu ainda olhava para trás, de vez em quando, para registrar tudo o que ia ficando e choramingar que eles deviam morar é na fazenda, isso sim!!! Tudo seria mais gostoso, segundo ela, e isso seria muito “fácil”. Era só trazer as amigas todas da Escola, ( com as suas famílias, claro), as professoras, a Orientadora e também a Diretora e montar uma Escola nova ali na Fazenda, oras bolas... Todo mundo ia amar essa ideia, ela tinha certeza! Principalmente o papai, que gosta tanto da Fazenda.

A Drª Laura só “concordava” com as ideias malucas da filha e tentava mostrar como seria a realidade; para ver se ela entendia que aquilo seria mesmo “impossível” para eles, pelo menos naquele momento da vida. Com o passar do tempo e o carro deslizando suavemente pela estrada, que estava muito tranquila, a Mannu foi sentindo sono de novo, e entre um bocejo e outro, os planos de mudarem-se todos para a Fazenda foram ficando cada vez mais distantes e a insistência no assunto já não era tão determinada. 


Enfim, a mãe viu uma oportunidade de fugir da discussão sobre os prós e contras de montarem uma “colônia só de amigos” na Fazenda, com Escola e tudo, incluindo um hospital para os pais trabalharem também. Ideias nunca faltavam naquela cabecinha. Felizmente, a “cabecinha” pensante adormeceu logo e a Doutora se concentrou na estrada e nos próprios pensamentos.

Na Fazenda, a vida também voltava à velha rotina. Seu Adão nos trabalhos de sempre e a D. Lídia arrumando toda a casa, agora vazia, e pensando o tempo todo nas duas e na falta que ela iria sentir de ouvir mais vozes por ali, principalmente a da Mannu, uma “crianss ingraçadim dimaidaconta”!

Em seu trabalho no hospital, o Dr. Álvaro era outro homem nesse dia. Só o fato de lembrar que as suas “meninas” estavam voltando para casa fazia com que ele trabalhasse com mais ânimo, mais alegria, brincando com todo mundo. Todos sabiam que a Drª Laura e a Mannu estavam voltando da Fazenda, só pela expressão leve e animada no rosto dele.

Na estrada, a viagem corria tranquila, com a Mannu dormindo no banco de trás e a Drª Laura com tempo de sobra para analisar tudo o que tinha ouvido nos últimos dias, da boca da filha e da empregada. Ela ia pensando em tudo e tentando enxergar as coisas de maneira clara. As últimas experiências ali na  Fazenda com a Mannu e o S. Adão tinham mexido muito com a forma que ela via as coisas espirituais. Ela havia ficado muito impressionada com o momento em que sentiu aquele perfume enquanto a Mannu orava na varanda. Ela sabia que sua mente não estava “sugestionada” para sentir aquilo e portanto não conseguia explicar aquela sensação tão real pela qual ela passou naquele momento. Ela SENTIU, sim, aquele perfume gostoso. Como explicar isso?

Já era fim da tarde quando elas, finalmente, entraram na cidade e a Mannu tinha acabado de adormecer novamente, depois da boa pausa que fizeram para o almoço havia umas quatro horas já. A Drª Laura já sentia uma boa disposição para um lanchinho leve de novo, mas decidiu não parar; feliz só em pensar que iam chegar a tempo de jantar com o marido. 

Lembrou-se da Zezé e ficou preocupada por não ter nem mesmo ligado para ela avisando que já estavam voltando. Já fazia um bom tempo que não conversava com ela e não sabia o que tinha acontecido com a visita do ex marido da Zezé. Por que será que ele tinha aparecido? Depois de tanto tempo... Olhou pelo espelho retrovisor o sono tranquilo da filha no banco de trás. 

De repente, um estrondo enorme invadiu os ouvidos dela e da Mannu que sonhava com a Lívia e as outras amigas, e a criança acordou gritando!!


Completamente aturdida e sem entender coisa nenhuma, a Mannu se sentiu esquisita e muito tonta, por breves segundos apenas. De repente, quando ia gritar pela mãe, sua mente apagou de novo e ela não viu mais nada.


Na rua, muita gente assustada, gritando e correndo para o carro que estava quase debaixo de um caminhão que havia desrespeitado um sinal, cortando a frente do carro da médica. Uma das pessoas, imediatamente ligou para o resgate, enquanto outros tentavam ver quem estava dentro do carro e se estavam em condições de sair por si  mesmos. O motorista do caminhão, saiu logo, sem muitos ferimentos e muito assustado com o que tinha provocado. Não sabia ainda a dimensão do acidente.


As pessoas viam a Drª Laura caída um pouco de lado, com um dos lados da cabeça sobre o volante, o braço esquerdo pendente ao lado da perna. Houve falha no acionamento do airbag. Atrás, notaram a criança que parecia dormir com a cabeça apoiada no travesseiro e com o cinto bem colocado. Muitos tentaram abrir a porta do carro mas ninguém conseguia. Logo chegou o resgate e começaram a trabalhar para tirar as duas dali.

No hospital, o Dr. Álvaro seguia trabalhando, animadamente, mas com certa ansiedade pois já estava contando os minutos para receber a ligação da mulher avisando que já estavam em casa, já era hora.


Essa ligação da esposa não vinha nunca e ele não sabia se era apenas empolgação ou preocupação, mas algo tirava o sossego do seu coração. Até que ele ligou para o celular da mulher e não teve resposta. Algo no seu interior começava a se contrair como se ele sentisse uma mão apertando diretamente o seu coração. Por que ela não atendia se o carro era bem equipado, tinha bluetooth etc, e eles sempre se comunicavam quando ela estava para chegar de alguma viagem? Isso era muito incomum.

Assim que ele se levantou, muito inquieto, da cadeira em sua sala, ele viu a porta se abrir rapidamente e a sua secretária, muito pálida, tentando dizer, pausadamente, que recebera uma ligação avisando sobre um acidente na entrada da cidade e que o número do hospital, fora encontrado na bolsa da Drª Laura. O médico ficou tão aturdido que não conseguiu associar as coisas rapidamente.
 

Demorou alguns segundos para o médico conseguir se manifestar... não antes de sentar-se ali mesmo no chão, sem forças.


Ele não sabia mais o que dizer; tudo se misturava em sua cabeça; a sensação estranha que ele vinha sentindo desde que entrara na sua sala, o aperto forte no peito... Em poucos segundos, a frieza médica, tão necessária para que o raciocínio funcione nesses momentos, tinha evaporado. Ele só conseguia pensar na Mannu e na mulher, com o coração aos pulos!... Como estariam elas? Que tipo de acidente, grave, ou não? Queria perguntar, mas não tinha nem mesmo coragem pra isso. Olhou para a secretária com olhos de quem queria que ela respondesse mesmo sem que ele perguntasse. No entanto, em seu interior não queria saber, realmente. Não estava preparado para aquilo de jeito nenhum! 

A secretária falou mesmo assim:

Doutor, o resgate já chegou lá, já tiraram a Doutora de dentro, mas... ainda falta tirar a Mannuzinha. Eles chegaram bem rápido, sabe? O trânsito não estava pesado...

Nesse instante, a mulher explodiu em lágrimas e completou:


Foi a primeira verdadeira oração que saiu da alma tão cética do médico, agora sentindo-se totalmente impotente, com dificuldade até para respirar sozinho. Apenas em pensamento, ele teve forças para pedir o socorro de um Deus em quem ele nunca pensara muito bem antes. Ultimamente, talvez, depois de toda a mudança que a Zezé provocara na vida da Mannu e na deles com aquelas reuniões de todo sábado, ele havia considerado a hipótese de existir mesmo esse Deus que a filha e a Zezé sentiam com tanta facilidade. Porém, isso era ainda algo muito distante para ele, escondido atrás de montanhas de raciocínios lógicos que invadiam a sua mente todos os dias.

Juntou as forças dele, pedindo as da secretária também, para poder se levantar de onde estava e fazer alguma coisa, afinal ele sempre fora um homem de “ação”, e ação rápida.


No local do acidente, as coisas caminhavam rapidamente, todos trabalhando com muita eficiência. A Drª Laura já estava acomodada em uma maca, inconsciente, mas já tinha recebido os primeiros socorros. Estavam terminando de resgatar a Mannu, depois de terem que abrir, com uma furadeira, a porta emperrada para a passagem dela. Cortaram o cinto e puxaram a menina com todo cuidado.



No hospital, assim que o Dr. Álvaro pegou o endereço deixado pela pessoa que telefonou, ele se preparou para sair, pegando tudo o que podia lembrar que seria necessário nesses casos, sem nem mesmo levar em conta que não ia precisar de nada pois o resgate já estava lá bem antes dele. Sabia, ele mesmo, que não estava pensando direito, mas, sentia necessidade de fazer alguma coisa.

Quando ia pegar as coisas da mão da sua secretária, outra médica entrou avisando:
 

Apenas alguns segundos se passaram; e na mente do médico parecia um momento em câmera lenta, alguns anos saltaram do seu inconsciente para a sua memória como um relâmpago. Ele relembrou anos de convivência em milésimos de segundos. Com o coração desordenado, perguntou, com muito medo da resposta:


Ele largou tudo ali e disparou para o elevador do hospital, agradecendo a um Deus que ele, agora, esperava que existisse mesmo e que, realmente,  cuidasse da vida de todo mundo. Pela primeira vez, sentiu bem fortemente que a medicina era, sim, limitada. Sentia pavor de pensar em que estado poderia estar sua esposa, já que a filha, aparentemente, estava bem, mas sabia que a esposa tinha sido levada diretamente para o centro cirúrgico, o que não indicava pouca coisa. Preferia ir ver com os próprios olhos e esperava, principalmente, que fosse um caso em que a medicina tivesse domínio total.

A médica indicou, primeiro, o quarto em que estava a sua filha, na ala pediátrica, e ele entrou correndo, ansioso pra pegá-la no colo e abraçar bem forte. Depois teria que correr para o centro cirúrgico. Só queria acalmar a Mannu o quanto antes. A cena que viu, foi muito reconfortante! Ela estava chorando sim, mas, com apenas um pequeno curativo na testa e rodeada de enfermeiras, brinquedos e muito carinho.  



Ele correu para abraçar a filha e não enxergou mais ninguém por ali... nem mesmo a boneca que estava ao lado da Mannu, na cama; sentou-se em cima dela sem nem notar.


Só depois de algum tempo é que ele teve consciência para agradecer às meninas que estavam fazendo companhia pra sua filha, tentando distraí-la enquanto ele não chegava. Pediu que elas continuassem ali com a Mannu, enquanto ele ia ver a esposa. Obviamente a Mannu recomeçou, de imediato, a choradeira.

Papai!!! Eu não vou ficar aqui com elas, eu preciso ir ver a minha mamãe. Quando tiraram ela do carro, ela estava de olho fechado, igualzinho como estava a mãe da Lívia! Ela nem falou comigo!! Eu acordei logo, mas ela não papai!! Ela deve estar muito dodói, eu sei disso!!! Eu quero ir junto com você!!! BUÁÁÁÁÁÁ´!!!

Ele pegou a filha no colo novamente e explicou, com muita calma, quais eram os procedimentos no hospital e lembrou que a mãe tinha sido levada para o centro cirúrgico, porque, provavelmente, eles iam deixar ela dormir um pouco enquanto viam se estava tudo em ordem com ela. E, afinal de contas, ela era uma menina que sabia que não poderia entrar com ele na sala de cirurgia, porque precisava muito cuidado, etc... etc... Depois de algum tempo, ela se acalmou e concordou.


Antes de passar pela porta, ainda voltou-se para dar um tchauzinho para a filha, tentando garantir que a situação estava sob controle. Mas, por dentro, ele estava se sentindo como uma torre de areia, muito mal construída, que logo desabaria, por qualquer vento ou qualquer movimento mais forte.



Saiu, com o coração pesado e o passo apressado para descobrir se o seu mundo ainda teria as mesmas cores dali em diante.

terça-feira, 18 de julho de 2017

HORA DE DIZER ADEUS... OU MELHOR, ATÉ A PRÓXIMA! CAPÍTULO 85


As duas fizeram as malas rapidamente, entretanto, a mãe em silêncio, analisando tudo, e a Mannu, lógico, falando mais que um papagaio, com o poço de palavras em plena ebulição. Quando terminaram tudo, desceram para a cozinha onde a Lídia já esperava com um café cheiroso, leite quentinho, um prato de pãozinho de queijo, goiabada feita ali mesmo na fazenda, e um bolo  de laranja que a Mannu gosta muito... e, claro, uma expressão triste nada disfarçada no rosto.

As duas sentaram-se à mesa, em silêncio, já com aquela conhecida sensação de despedida no ar. De repente, de maneira muito diferente de todas as outras vezes, a doutora convidou a empregada para tomar o lanche com elas. A mulher passou de triste a espantada e respondeu toda sem graça:


Sim, você mesma Lídia. Sente-se aqui conosco para conversarmos mais um pouco e tomarmos o lanche juntas hoje. Afinal, amanhã cedinho nós duas vamos embora.

Isso!! Disse a Mannu animadíssima com a ideia Sente mesmo!!! Sente bem aqui do meu ladinho D. Lídia!!

“Quiéiss Mannuzim? Eu num vô minxerí di sentá na mesa cocêis... magine minina??? Nunca! Nunquinha mezz!!

E por que não Lídia? Se sou eu mesma que estou convidando você... Vamos, coloque mais um lugar pra você nessa mesa e sente-se logo aí... disse a Drª Laura para encorajar a empregada.

A mulher ficou muito sem graça e se aproximou, colocando timidamente as coisas, bem devagar, mesmo com a Mannu puxando a cadeira estrondosamente para ela e batendo no assento quase gritando de tão alto que falava:

Isso!!! Isso mamãe! Eu achei essa ideia sua muito legal! Esfuziante mesmo!!! Sente aqui, D. Lídia, sente, sente, sente!!!

A empregada não teve outra alternativa a não ser sentar-se ao lado da Mannu, muito encabulada e olhando para a mesa, sem saber bem o que fazer e nem onde pôr as mãos.



Logo a Mannu conseguiu colocar a D. Lídia bem à vontade. Tomaram o lanche e conversaram animadamente, com a Mannu falando sempre e puxando todos os assuntos possíveis, numa empolgação que a mãe nem entendia. Mas, sentia-se muito bem vendo a alegria da filha e da empregada; as duas rindo e falando mais do que comiam.

“A sinhór já terminô tudas mala dotôra?” Perguntou a empregada pensando que ainda teria que ajudar a patroa lá em cima.

Já... já terminei sim Lídia. A Mannu me ajudou muito, foi juntando todas as coisas que eram dela e que estavam espalhadas lá por cima e aqui por baixo. Tudo em ordem já.

“Ah qui bão! Quédzê... bão coisaninhuma!! Fico só matutano como vai sê os meus dia daqui pa frenti sem oceis puraqui... coisa mais ‘disinxavida’!!!”


A mãe, mais do que depressa, tratou de responder corrigindo já a fala da mulher, pois, sabia que ali ia mais um vocábulo pro poço das palavras da Mannu, então, era melhor que fosse da forma correta.

Filha, coisa DESENXABIDA é uma coisa sem graça, aborrecida... entende?

“Isss!!! Iss mezz Mannu! É o qui a tua mãe falô, tudo cinzentim e sem gostu! Sab? Sem graça qui só...”

Ah sim! Entendi... é porque você vai ficar sozinha aqui né D. Lídia... E nem vai ter mais Mannu pra você fazer bolo de laranja né?


Ao ver os olhos marejados da mulher, a Mannu pulou da cadeira e deu um abraço na empregada tentando consolar e fazer com que a empregada não chorasse, porque senão, o poço de lágrimas dela poderia secar, dizia a Mannu.
 

É, fiii... cê tá bem certim... num vô chorá mais não, afinal, oceis ainda vão durmí mais uma noiti aqui né? I eu num quero estragá a úrtima noiti doceis pur aqui cum choradêra ninhuma, né verdadi?

 A Drª Laura também se manifestou tentando animar a Lídia que lutava pra não cair no choro de verdade.

Isso mesmo Lídia! Acalme-se porque logo, logo, é Natal de novo e estaremos por aqui. O tempo anda voando tanto que quando chega julho já é hora de ir pensando em comprar coisas para o fim de ano. No final desse ano gostaríamos de passar mais de quinze dias aqui com vocês, vamos ver...

A empregada colocou um sorriso meio amarelinho no rosto e foi tratando de tirar a mesa para finalizar o seu dia na cozinha. A Drª Laura agradeceu pelo café gostoso e chamou a Mannu para subirem, ver algumas coisinhas mais e tentarem dormir mais cedo, pois ela planejava sair antes das 6:00 no dia seguinte, para pegar uma boa parte da estrada mais tranquila ainda. 

Enquanto ela se levantava para sair, a Mannu pulou no colo da D. Lídia e encheu o rosto sardento da mulher de beijinhos agradecendo muito pelo bolo maravilhoso de laranja que ela tinha feito.

Ainda na porta da cozinha a menina voltou-se para a empregada para dar o tchauzinho de sempre, com as duas mãos!



Elas subiram e logo a casa caiu no silêncio. A D. Lídia terminou o serviço na cozinha e também foi para sua casa para descansar, ansiosa para comentar o dia com o marido e saber o que ele tinha achado de tudo aquilo.

 O dia seguinte surgiu nublado, para fazer jus a um dia de despedida. Ainda não eram 5:30 e a mesa do café já estava posta, aguardando a Mannu e a mãe. A fiel D. Lídia estava de plantão ali em volta da mesa, bocejando de vez em quando, esperando que elas descessem.


Em poucos minutos, elas surgiram na porta da cozinha, meio sonolentas também, e a Mannu resmungou um “bom dia” baixinho, sentando-se imediatamente, como se a cadeira pudesse substituir a cama.

Bom dia Lídia! Disse  médica com cara de sono.

Djiiaa dotôra! Djiiaa Mannuzim!!

Bom dia, D. Lídia... resmungou a menina mais uma vez, deitada nos braços cruzados em cima da mesa.

― “Cê tá inda ‘pingano di sonu né criansss?”

É... isso... eu precisava dormir mais duas horas e mais uma hora e meia...

KKKKKKK... riu a mãe. Não era mais fácil você dizer que precisava dormir mais umas três horas e meia?

É... mas acontece que eu quis dizer assim mesmo... respondeu uma Mannu sonolenta e quase mal-humorada.

“Tadim dess bixim... Tia Lídi vai fazê um chocolatim quentim procê acordá, tá bão fii?”

Ebaa! Disse ela, sem muita força e sem conseguir ainda levantar o rosto dos braços Ai D. Lídia... hoje acho que eu é que estou “disinxa...” espera... “desinxa...- vi -... epa, “vi” não... BI... hummm... ah!!! Como é mesmo essa palavra?



Hein? Perguntou a médica meio desligada também...

“ Oquieudissionti... di noitchi dotôra... a palavra nóvim da Mannu...

Ah... sim... DESENXABIDA... aborrecida, que é como está a Mannu hoje, não é mesmo filhinha?

É... respondeu ela, sem nenhuma intenção de continuar a frase.

“Bão, táqui teu chocolatim quentim, tomi logu procê acordá... I proveiti o bolu di laranjquinda tem sab? I dotôra, fiz uns pãodiqueju pa sinhór levá po dotô i tamém tem um sacdifruta fresquim qui o Adão já jeitô lá no carrducêis.”

Ótimo Lídia! Que bom, ele vai amar quando vir tudo isso!

Depois do chocolate quentinho, dois pãezinhos de queijo com goiabada e um pedaço do bolo de laranja, a Mannu já estava falante e totalmente desperta. Pra completar, um pouco de iogurte, que a própria Lídia tinha feito com o leite maravilhoso ali da fazenda, acompanhado de morangos em calda, também da fazenda. Pronto, ressurgiu a Mannu de sempre.

Ebaaaa!!! Morango em calda que eu ajudei você a colher antes de ontem não é D. Lídia?

“Iss mess fii... agora coma tudim quissaí tá bão dimaidaconta!”

Assim que terminaram o café da manhã, o S. Adão já tinha descido toda a bagagem das duas e tinha colocado no carro. Hora de partir... Ninguém gostou desse pedaço...


Essa parte vai ficar para o próximo capítulo....

sábado, 1 de julho de 2017

MAIS UM FINAL DE HISTÓRIA - CAPÍTULO 84


A mãe e a filha entraram e o empregado voltou para as suas obrigações na Fazenda. Quando a Mannu e a mãe passaram pela cozinha, viram a D. Lídia, de braços cruzados, olhando para fora, muito quieta. A Drª Laura perguntou:



  Que foi Lídia? Pensativa?

A mulher não se voltou de imediato, parecia estar tentando tomar coragem. A Mannu, “perocupada” como sempre, também perguntou:

Aconteceu alguma coisa D. Lídia? Você ficou triste?

A mulher voltou-se devagar e meio sem graça para falar com as duas. E os olhos... cheeeeios de lágrimas também.




As duas se aproximaram, preocupadas com a empregada que estava, a essas alturas, já soluçando também. Fizeram a mulher sentar-se e trouxeram um pouco de água para ela se acalmar para depois poderem conversar.


Depois que a mulher se acalmou e tomou um pouquinho da água, ela começou a se explicar.

“Sab quiequié dotôra? É qui... (snif)... quando eu vi a Mannuzinha falano... coessa doçura toda quiela tem, aquelas coisa bunita... (snif) e aquele marmanjão do meu marido si disaguando todo di tanto chorá, eu fiquei foi (snif) foi... muito da chorosa tamém sab?... parésqui mi subiu o mesm nó na guela qui... SNIF! SNIF...qui o Adão tava falaaaaaano... BUÁÁÁÁÁ!!!!!!!”

E logo estava soluçando alto novamente para o desespero da Drª Laura e o espanto da Mannu, que foi logo tratando de consolar a mulher do jeito que podia.

Não!! Não precisa chorar não D. Lídia, porque você também já é filha do Papai do céu, não é? Porque você já disse que acredita n’Ele também...

“É... snif... eu criditu sim Mannuzinha. É qui eu fiquei ‘mocionada’ dimais da conta di vê o Adão chorano daquele jeitu. Ele num é hómi di chorá não, sab genti? Issé sinar qui ele disimpedrô aquele coração duro qui ele tinha... Eu tô mesmé filiz qui só!!”

A Drª Laura deu um abraço na mulher e falou uma coisa que colocou um sorriso esperançoso no rosto da Mannu.


 
A Mannu ficou olhando para a mãe que percebeu imediatamente que a filha esperava algo mais; foi logo se explicando.

Filhinha... a mamãe está “começando” a considerar essas coisas e, portanto, ainda não estou pronta para fazer o que você disse para o Seu Adão fazer, certo? Aquela história de “declaração da fé” entendeu filha?Deixa eu repensar um pouquinho tudo isso... tenho algumas dúvidas ainda na minha mente... mas... vamos ver como resolvo isso.

Ah mamãe!!! Nem se “perocupe”... A Zezé vai te ajudar a resolver essas dúvidas viu? Porque o meu irmão disse no meu sonho que não pode ter dúvidas... Tem que ter fé! Ele falou que “sem fé” não dá pra agradar o Papai d’Ele... sabia mamãe?  Ele gosta muito mesmo de fé... Mais do que eu gosto de chocolate e de sorvete, e mais ainda do que o papai gosta de café, acredita?

KKKKKK! Sei meu amor... vou me lembrar disso. Mas eu preciso de algo... algo mais... mais... “convincente” do que a Zezé, talvez, sabe? Algo que eu não possa colocar em xeque... ou alguém com quem eu não possa argumentar... sei lá... é tão sério isso! Tão difícil...

Nesse momento a D. Lídia entrou na conversa, até meio assustada.

“Ai Dotôra! Num dig um negósdessi não... Criditi logodumaveiz!!
 
Purque sinão, acuntece pásinhór arguma coisistranh como mi aconteceu naquela história do Adão e do tar “amigu” qui ele trôxe pra casa quela noiti, lembra? Aquela história quieu cumecei contá lá atráis i num terminei...”



A Drª Laura sabia que a Mannu não iria embora dali sem saber o resto do “causo” da D. Lídia, então, ela ainda tentou alertar para que a empregada não exagerasse no realismo se por acaso as coisas fossem meio “esquisitas”demais na história... E a D. Lídia respondeu com sinceridade:

“Ó... eu achu bem isquisitu o qui acunteceu, sim,  mais... dotôra, essas crianss dioji nem si assusta cum mais nada, té nus desenhim delis tem umas coisa... uns bixu feiu... qui faiz medo té nos grandão qui nem nóis. Né não dotôra?”



“Bão... eu vô tê qui contá proceis, purque foi um trem muitistranh mesm... Ceis pricisa sabê cumuessas coisa aconteci... Vô tomá cuidado coas palavra e co floreio tá dotôra?”

Ok... vá lá Lídia, comece, senão não vou conseguir subir pra fazer nossas malas...

“Si preocupi não dotôra, vô lhi ajudá mesm...”

 E a mulher retomou a história de onde tinham parado fazia tempo...

“Bão... cumoceis si lembram, eu disse qui o Adão andava cumas história di saí tuda noiti pa bebê cuns amigu. Eu ficava em casa incasquetada caquilu! I um dii, érum sábadanoiti, i eli diss qui tava ino pa cidadi só um cadim, num ia demorá...”

Hummm.. resmungou a Drª Laura, preocupada com as malas por fazer e  pensando no quanto poderia demorar até ela terminar de contar aquele “causo”.

A Mannu nem piscava, só absorvendo as palavras todas e a maneira diferente da mulher falar. Ela percebia que desde que eles chegaram ali, para passar as fériasa D. Lídia tinha “aperfeiçoado” o seu mineirês que já andava mais suave. Porém, quando ela se soltava e se sentia à vontade com as pessoas, o seu vocabulário se transformava no mais puro mineirês dos confins do município de Itajubá, sudoeste de Minas.

Ela continuou...

Prestenção... eli num saiu dizeno qui vortava logu? Eu fiquei intrigada ca demór do hómi, já ia pa mais di meianoiti bem pa mais... i essi hómi num chegava! I eu na porta oiando a istrada isperano eli aparecê já todo mancueba di tanto bebê.

D. Lídia... interrompeu a Mannu com suavidade... O que é mesmo “mancué... ba”

Ah fiii, discurpi, misqueci quiocê nuintendi mias cunversa doidimais... Mancueba é o messqui “pé torto”, “manco”, sab? Quanduhómi beb qui fica mancano i tontim qui só.

Ah, entendi, andando meio torto né? E depois?

Bão, já era madrugadim quandeli miapareci na porta cum sujeitim mais ‘pédicana’ qui ele ainda...



A mãe da Mannu notou a cara de espanto e dúvida da filha e se apressou em responder para não demorar muito.

Pé de cana filha... uma pessoa que bebe muito sabe?

Ah sim...

Intão... quandeu oiei pas fuça dos dois, ahh, vi logo qui aquelanoiti eu ia minjuriá dimaidaconta... Pa num dizê tudas coisa quieu tava quereno, eu fui logo pa cama. Dexei os dois lá cas bobajada qui elis tavam falano. Aconteci qui nu quarto, eu fiquei tão da injuriada qui num miguentei... cumecei choráááá quiera uma coisdiloco. Quiria mesm era sumí dali mais pensei... proncovô?? Num tinha mesm prondií... Intão chorei mais um tanto, até ficá pingano di sono.


Ao notar a incerteza no olhar das duas, a D. Lídia tratou de explicar.

Assim, sab, com sono dimaidaconta! Quase pin-gan-do de sono, mei caíno já... intenderu?

Ahhh... kkkkkkk, sim, claro, pode continuar Lídia. Disse a médica enquanto a Mannu ria e aproveitava para aumentar o seu poço de palavras com aquelas expressões engraçadas, ela amava escutar tudo aquilo. Ela só precisou perguntar uma coisinha...

D. Lídia... só uma coisa eu não sei se eu entendi certo... o que é “proncovô”?

Ah fiii... é... vô falá direitim agór, na tua língua. É o mess qui “prondiquieuvô”??


 "Iss fiii... Cumeu ia dizeno, eu tava mesm pingano de sono intão incostei um poquim no cabissero, daí...”

Nesse momento, a Mannu nem esperou, interrompeu logo:

E “cabissero”, o que é D. Lídia?

“Uai... é ondiocê põe tua cabecim pa durmi...”


“É... é iss... cabissero, travissero, é isso mesm...”

E ela continuou...

“Bão... dirrepenti, eu tava durminu, ou meio durminu, num sei bem, purque eu tava tão incafifada cos dois caínu di bicudo lá na cuzim... mió... bêbadu... sinão ceis num vão sabê o quié “bicudo” né? Pa nóis, ‘bicudo’ é o mess qui Bêbadu”... Bão, eu tava incafifada, mais muito cansada tamém... purisso quieu digu qui num sei si eu tava mess durminu quandissacunteceu... módi quieu nun tava ssussegadim pa durmi bem durmidu, intenderu?”

Entendemos sim, D.  Lídia, fale logo o que aconteceu que o meu poço de curiosidade tá já transbordando!!! Disse a Mannu, agoniada.

“Intão... eu tava assim meiusonssim, i iscutei uma vóiz muito crara dentro da minha cabeça... Pegue o livro e leia! ... eu abri us zóio, bem abridu mess... fiquei sustada! Purque a vóiz era muito diverdadi, paricia qui tava ali na minha cabeça, quando eu iscutei, sab genti?”


“Bão... eu num tenhu livo ninhum em casa, só uma bríbia qui tava ali do lado da minha cama i queu lia muito diveiz em quando, purque acho difíss dimais... Mais eu peguei e abri num cantu lá, e li... dizia bem assim ó, vô mostrá proceis... é qui a bríbia da Mannu tá ali na sala, vô pegá, um instantim...”

E ela se afastou apressada para buscar a Bíblia na sala enquanto a Mannu e a mãe se entreolhavam muito sérias... Voltou num instante já com a Bíblia aberta no verso que ela sabia quase de cor.

“Ó só... o qui dizia... vô lê divagar purque oceis sab qui num sô muito boa na leitura, mais vô lê certim: Os setenta e dois voltaram alegres e disseram: "Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome".



“Mia fiii... eu num intendi foi nadim!!! Daí, cumecei a pensá um poquim... quim era qui tinha falado aquilu? I fui leno lá pa cima da história pa discubri quem tava falano cum quem. I vi qui era us discípru falano cum Jesuis, e era no nome d’Ele (Jesuis) qui os demônio fugia tudim!”

Ah sim... eu sei disso D. Lídia... a Zezé me contou que os demônios sabem que Ele é o Filho de Deus e tremem de medo d’Ele... Tá vendo mamãe? Até os demônios sabem que Jesus existe e que é muuuuuuito Poderoso!!


A médica ficou sem palavras diante da observação da filha. Ela sentia-se ridícula por pensar em crer nas histórias bíblicas mas, nesse instante, lhe parecia mais ridículo ainda NÃO acreditar.


E depois D. Lídia o que a senhora fez?

“Eu num fiz foi NADIM!! Mincolhi di medo ali na cama enquanto iscutava as risadaiada dus bicudo na cuzim... Acuntece, qui eu fechei di novo us zóio e falei pa Deus assim... Ó Deus... eu num intendi bem issu, o quié qui eu faço cuisso?... ouvi mais uma veiz uma vóiz dizeno: Faça isso mesmo! Quascomorro di sustu sab? Purqui era a mesma vóiz di dantis, quieu tinhiscutadu.”



“Nããããão fiii... péra só um cadim qui ocê já vai intendê... Nu quieu iscutei dinovo a tal da vóiz, eu miergui da cam num pulo, foi outro sustu! E cumecei prestátenção nus bicudo na cuzim, qui tavum muito quietu!!! Quédzê! Eu iscutava uma ispéci dum gimidu, cumu si alguém tivessi quereno gritá sem cunsigui... Fiquei incafifada caquilu e fui oiá o qui tavacuntecenu.”

Nesse momento a mulher parou de falar e ficou olhando para as duas como se estivesse, tardiamente, medindo a seriedade do que ia contar.

Aiaiai... sei não si divia tê cumeçado essa história... Achu quioceis num vão criditá não...


“Bão... gór quieu já cumecei né? Vamlá! Criditi ou não, foi issmesmquieu vi quancheguei na cuzim... o Adão tava isticado nu chão, cas mão na garganta i aquela coisincima deli, apertano o pescoço deli... o Adão tava té bateno as perna como si tevessi já sufocano...”


“Aí é quitá dotôra!!! O qui chegô cum ele, quieu já num tinha gostado quanoiei pa cara deli, tinha um zóio istranhdimai... Bão... a cois fica pióinda... eu num via o mesmómi qui chegô co Adão... eu só via uma sombra escura, meio sem forma, assim... cumo si tivessi frutuano pur cima do Adão... mais eu cunsiguia vê bem umas mãozona apertano o pescoss deli... tuduera sombra!”


Desta vez, nem a Mannu conseguiu dizer alguma coisa, só mesmo arregalou os olhos como a mãe. E a D. Lídia continuou olhando firmemente para as duas garantindo que tinha certeza do que tinha visto. Ela não pestanejou em nenhum momento.


A primeira a recuperar a fala foi a Mannu.

E daí D. Lídia, o que foi que você fez?

“Bão! Nu quieu vi aquilo, eu inda tava ca bríbia na mão, e mais ainda cas palavra qui eu tinha lido e ouvido na mia cabess. Eu gritei na mesma hór! ‘Crendiospai!!! Largumeu marido agór mezz, sua coisa feia!!!” A coiz nem si mexeu... quédzê, meio qui si virô pa mim, e eu co coração nus pulo gritei dinovo: Largumeumaridu, coisa feia, em nomi di Jesuis! Iss mezz! O Jesuis fii di Deus qui morreu na cruiz i ti derrotô!!”


“Ah mia fii!! Na mesm hór!!! Sissumiu interim!!”

Como assim Lídia? Sumiu inteirinho? Largou o seu marido e saiu correndo?

“Não, dotôra!! Sumiussi mezzz!! Assim no ar, qui nem candagenti disliga uma televisão, intendi? A sombra disapareceu mezzz”!

Claro mamãe! A Zezé já disse que as “sombras” fogem de Jesus, porque Ele é a Luz do mundo, lembra que eu já falei isso pra você? E foi o Emanuel mesmo que me pediu pra dizer pra você, especialmente, naquele último sonho que eu contei lembra mamãe? 

Isso foi demais para a Drª Laura. Ela olhou para baixo, pensando no que dizer, mas não encontrou palavras, Não queria entrar em nenhuma argumentação com aquela mulher simples e nem com a filha, que acreditava totalmente no que estava dizendo.

A D. Lídia não deixou passar... depois que a Doutora disse que era hora de parar... porque já tinham ouvido o final da história e  tinham que subir para fazer as malas porque  havia muita coisa para arrumar, ela imediatamente pediu licença e falou:

 "Cumlicensss... só uma coisim dotôra, só mezz parrematá a prosa. Nu qui aquela cois sumiu, o Adão abriu o zóio e si levantô, perguntano o quié qui ele tava fazeno ali nu chão. Paricia qui num tinha uma gotim di arco no corpo, cumu si num tivessi bibidu coiz ninhuma. Falava do mess jeitim di sempri, e eu tive qui contá a história toda prele qui num si lembrava di nadim! Foi daí quieu resorvi, sozim mezz, prucurá uma igreja i tentá intendê essas coiz!! I hoji, eu intendu tudim o qui a Mannuzinha fala, né mezz fiii? I tem mais! Eu tava é pidino muito pa Deus fazê o meu maridintendê essas coiz tamém. E pareci qui Eli usô a boquim dessa crianss, a nossa Mannuzim, pra rancá tudu qui tindiruim di dentro deli, puriss qui eli chorô tantu i eu tamém!! Graças ao Deus du céu!"

A Mannu ficou muito feliz e abriu um sorriso, enquanto a mãe ficava mais preocupada ainda, com tudo aquilo que não fazia sentido nenhum pra ela, mas, não era hora de discutir o assunto, não daria tempo, precisavam fazer as malas.



E elas subiram... a Mannu dançando, e a mãe pensando...