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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

domingo, 30 de abril de 2017

HISTÓRIA SEM FIM - CAPÍTULO 78


No jantar, a Drª Laura fez de tudo para desviar o assunto “filha da Zezé” toda vez que a Mannu tentava trazê-lo de volta. Achava que não era hora e nem seria bom continuarem aquela conversa triste pouco antes de irem dormir. Mas também fazia isso por não se sentir preparada para responder a todos os questionamentos surpreendentes que a filha fazia. Não sabia se podia contar com a ajuda de mais uma das suas empregadas, a Lídia. Achava que não, porque a mulher nunca tinha deixado transparecer nada sobre o assunto fé, e ela mesma nunca havia perguntado para a empregada já que isso não fazia parte das suas preocupações.

Mamãe perguntou a Mannu quando já estava quase no fim da sobremesa Posso fazer uma perguntinha só, sobre a história da Zezé?

Huuummmmm... tem certeza que é importante Mannu? Porque já falamos muito sobre isso hoje não?

Mas é que... sabe mamãe, eu estava aqui pensando... Será que Deus falou também pra Zezé que a Juliette está muito feliz lá com Ele? Porque se Ele não falou eu queria contar pra ela o que Deus me disse lá em cima quando eu estava chorando no teu colo por causa dela, sabe?

Hum... mas o que foi que Ele disse mesmo?

Então mamãe, não lembra? Ele disse pra mim que eu não precisava mais chorar por causa da Juliette, porque ela ganhou um poço de alegria que não tem fim, e disse também que ela vive correndo pelos campos de flores que ela mais gosta de lá, onde ela mora agora. Ela sempre amou as flores né?

Sim, filha... mas... como é que você sabe que isso é algo que Deus te disse? Por que você pensa assim?

É porque quando eu pensei isso, eu sabia que não era eu que tinha ido buscar esse pensamento lá no meu poço dos pensamentos escondidos. Ele subiu sozinho na minha cabeça... é como se o meu pensamento estivesse conversando com o meu pensamento, entende mamãe?


  Bom mamãe, eu não sei explicar direito como é isso, mas, eu sei que têm pensamentos que eu mesma penso, mas têm outros que eu não penso sozinha... alguém pensa dentro da minha cabeça como se estivesse conversando comigo.

Nesse instante, a Drª Laura parou de comer a sua fruta e olhou preocupadíssima para a empregada que vinha entrando na cozinha, querendo discutir o assunto com alguém, mas, sentindo-se completamente sozinha para comentar qualquer coisa. 

Sabia que não deveria colocar a empregada nesse assunto, de nada adiantaria mesmo.

Já terminaram Doutora? Posso guardar?

É... pode sim Lídia...

Que cara é essa Doutora? Ficou preocupada com alguma coisa?

É, na verdade fiquei sim Lídia.

Nesse instante a Mannu terminou seu doce no prato e perguntou para a empregada.

D. Lídia, você acredita no Deus que vive lá no céu? Aquele que é o nosso outro Papai?

A empregada foi apanhada de surpresa, pensou um pouco e olhou direto para a patroa antes de responder.


A doutora, também apanhada de surpresa, gaguejou e apressou-se a permitir a resposta da empregada, até porque, ela mesma estava muito curiosa pra saber o que ela pensava sobre o assunto.

Hein? Bem... é... lógi... lógico Lídia! Pode responder sim, só não esconda a verdade, pra não enrolar mais a cabeça da criança, entendeu?

Claro, Drª Laura! “Pódexá”comigo!


Diante da resposta da empregada, a Doutora ficou completamente atordoada. Ela achava que teria um reforço ali, mas, pelo jeito... A Mannu, pelo contrário, pulou no colo dela abraçando-a e gritando feliz!

EEEEEBAAAAAA!!! Eu sabia!!! Você tem cara de quem conhece o Papai do céu!! Eu to muito feliz D. Lídia, porque agora você pode me ajudar a ensinar a minha mãe a ser um pouco mais “criança” de novo!

A empregada ficou um pouco sem graça com o que a Mannu tinha falado e tentou “arrumar” as coisas para a patroa.

Bom Mannuzinha... a sua mãe não precisa que a gente ensine nada pra ela não! Ela já sabe tudim!! Estudou foi muito, “num” é, Doutora??

A médica nem respondeu, preocupada em analisar sua desvantagem ali. Mas, a Mannu, essa sim, tinha uma resposta na ponta da língua!

É, ela estudou tanto que a mente dela cansou e agora ela não consegue mais aprender o que é mais importante pra vida “das gentes” que ela cuida... Ela vai ter que “desaprender” umas coisas pra aprender outras sabe D. Lídia?

Ah... é??? Disse a mulher, completamente sem graça e procurando evitar que as coisas piorassem para a patroa. A Drª Laura, por sua vez, sentiu-se  na obrigação de dizer alguma coisa para que ninguém pensasse que ela tinha engolido a língua. E foi assim que ela mesma deu margem para a continuação daquela conversa que, para ela, não devia nem ter começado.

Como assim Lídia? Aposto que você nem sabe como explicar isso que você respondeu aí... sem pensar muito né?

Não Doutora? Eu sei explicar sim... quando a gente encontra Deus, a gente nunca mais “isquece” e a gente sabe muito bem a diferença que isso faz na “vidagente”, nóóó!!! Só Deus “mesm” pra "mudá" a gente assim desse “jeitim” sabe?

A médica tentou fugir do assunto mas não teve como. A Mannu e a empregada estavam empolgadas pra continuar a conversa.

Conta pra gente D. Lídia, como é que você conheceu o Papai do céu!! Pediu a Mannu com sincero desejo de conhecer a história. 

A mãe não teve outra alternativa a não ser aceitar ouvir o “causo” porque não queria ser rude com a empregada.

 Pois então... eu posso contar Drª Laura? Perguntou a empregada meio incerta.

 E a Lídia começou... misturando pelo meio da conversa os sotaques e as expressões mineiras que ela ainda mantinha.

Pois então... tudo começou quando nós viemos morar aqui, na sua fazenda. A gente tinha saído lá de Minas tão “disajustadim” eu e meu marido... “Nóis num sintendia” de jeito “ninhum”. Eu só topei de vir pra cá pra vê se alguma coisa, alguma “coisim qui” fosse mudava, sab? Mas,  o Adão cumeçou cuma história “di saí” toda noite, lá pra cidade, pra bebê cos amigo dele, amigo daqui “mesm, sab?” E então, eu percebi “qui nada ia mudá mesm!” Cumecei a ficá muito atravessada cum ele! Eu sempre dizia pra ele:

Olha, Adão, si o cê num simendá direitim, ocê vai perdê o emprego aqui na fazenda, que é um lugar tão bom di vivê!! Vê si acorda homi! Num si deixe levá pelas cunversa de quem bebe, purque num dá em boa coisa!!

Quanto mais ela avançava na história, mais ela voltava ao jeito antigo de falar e de demonstrar as emoções. D. Lídia era uma mineira decidida e ao mesmo tempo, muito paciente, mas longe, bem longe, de ser boba e inocente. Não era todo mundo que caía  nas graças da D. Lídia; ela tinha um instinto de preservação muito forte.


Tábão, minha criança! Ocê pergunta intão, casnumintenda!

Certo,D. Lídia!!

Intão... como eu ia “dizeno”, o Adão deu pra “sumidicasa,” toda noiti! E num prestava atenção nus “consei” quieu dava. Té qui um dia, ele “mi cheguimcasa”, “tardanoiti” cum camarada “isquisitdimaisdaconta.” Eu abri a porta e “quáscocaio” quano vi o sujeito. Era um “tipim” assim meio “vacaiado” e tinha um “jeitistrandioiá”.

Nesse instante, a Drª Laura olhou assustada para a empregada e falou sem pestanejar:

Lídia, isso é uma coisa que você nunca nos contou... E é algo que você não poderia ter escondido. A gente sempre deixou claro que a gente queria saber tudo de diferente que acontecesse aqui na fazenda , não é assim?

A empregada pareceu cair na realidade e percebeu que tinha falado “demais”, pois não tinham realmente contado nada disso para os patrões.

Bão, doutora, a sinhora “tá cubérdirazão”, mas...

E a Mannu interrompeu também:

Mamãe, deixa ela continuar, depois você briga com ela por isso tá? E... D. Lídia, o que é mesmo “cubérdirazão”?

Nem a médica, nem a empregada conseguiram evitar a gargalhada com essa intervenção da Mannu. Ela estava muito interessada na história e ligada no vocabulário da empregada.


Ao ver a seriedade da filha, a doutora ficou mais preocupada ainda. Não sabia o desfecho da história e pensou que, talvez, a empregada não soubesse bem os limites para contar o que tinha acontecido para uma criança. Tentou intervir para o bem da filha.

Bem Lídia, explique para ela o que significa “cubérdirazão” e vamos deixar essa história para amanhã certo?

Ahhh não mamãe!!! Reclamou imediatamente a Mannu como você acha que eu vou conseguir dormir mamãe? Sem saber o resto da história o meu poço de curiosidade vai ferver a noite inteira e não vai me deixar dormir!!

Sem teimosia Mannu! Eu já decidi, amanhã você fica sabendo o resto da história... Disse a médica, determinada a não deixar a coisa progredir sem saber o que vinha pela frente. No dia seguinte, pretendia falar com a empregada e saber o final da história para definir se seria bom a Mannu tomar conhecimento do restante.
Como a empregada conhecia bem a patroa, tratou de não insistir com a conversa, foi logo acalmando a Mannu.

É, minha criança, ó... “préstenção” , sua mãe tem razão, amanhã eu conto tudim o resto da cunversa, tábão? Hoje é ‘meitardi” já e a prosa é “cumpridimaisdaconta” pra gente terminar. Mas, amanhã, ocê fica sabendurestu! Prometo procê!

A Mannu fez todos os beiços possíveis mas de nada adiantou, então se conformou em saber apenas o que significava “cubérdirazão”.


“Cubérdirazão” é o que eu digo quando acho que a pessoa está certa, cheia de razão, ou “coberta de razão”, entendeu fii??

ENTÃO, QUE SEJA! ATÉ A PRÓXIMA!!! 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

O COMEÇO DOS QUESTIONAMENTOS - CAPÍTULO – 77




Depois de toda aquela conversa e de se sentirem bem melhor, as duas olharam pela janela da outra sala e viram um dia clarinho e bonito outra vez. Resolveram dar uma voltinha lá fora; porque a chuva havia passado e o sol voltou a brilhar com aquele calor suave e gostoso como se estivesse dizendo: “eu sou lindo e não parei de brilhar, só estava dando um tempo para a chuva fazer o papel dela”.


Elas desceram e foram passear no jardim da casa um pouco. Depois entraram e foram para a cozinha procurar a Lídia. A Dra. Laura pediu que ela fizesse um jantar leve porque as duas tinham comido tanto bolo que ninguém estava com fome. Depois de resolverem o jantar com a Lídia, foram as duas tomar um banho para que a Mannu tivesse a chance de “trocar” de pijama, já que ela tinha ficado o dia todo com aquele sem se preocupar com nada mais, a não ser com a história da filhinha da Zezé.

Enquanto a mamãe ajudava a Mannu a se vestir, a menina começou a se lembrar da história e as perguntas e dúvidas começaram a brotar.

Mamãe... começou a Mannu, bem de leve, posso dizer uma coisa que está aqui tentando pular de dentro do meu poço de palavras faz um tempão?

Huuum... tem certeza que você quer continuar com essa conversa hoje ainda? Perguntou a mãe, já sabendo que o que rodava na cabeça da filha não podia ser outra coisa mesmo. 

Eu quero sim mamãe, senão eu não vou nem poder dormir...

Certo meu amor, então diga, o que é?

Eu queria perguntar uma coisa pra você, mas, não sei se você vai saber a resposta... então... fico com medo de perguntar também...

Nesse instante, a médica percebeu que a pergunta seria de ordem religiosa com certeza, pois a filha achava que ela sabia tudo sobre tudo, menos sobre esse assunto de fé; porque ela mesma tinha dito para a filha que ela não tinha nenhuma experiência nesse assunto. Mesmo assim, ela incentivou a filha a perguntar o que quisesse, pois se ela não soubesse, as duas poderiam procurar a resposta juntas.

Meu amor, pode perguntar... se for sobre fé, você sabe que precisaremos da ajuda da Zezé, porque eu tenho muito mais dúvidas sobre isso do que você. Respondeu a mãe com inteligência – traço comum nela – e também humildade – coisa um pouco mais incomum, porém, suficiente para que ela reconhecesse que não poderia e nem deveria, jamais, desviar o assunto.

Foi um alívio para a Mannu que pensou que a mãe poderia não querer falar sobre o assunto, já que não sabia nada desta área. Respondeu animada:

Isso!!! Que ideia boa mamãe! Eu achei que você não ia querer perguntar nada pra Zezé...

A mãe sentiu-se um pouco temerosa de pisar em um terreno bem desconhecido para ela, mas, aliviada por não fugir da conversa que, para a filha, parecia ser tão importante.

Fale meu anjo, pode falar...

Pois então mamãe... eu fiquei pensando... você acha que o Papai do céu não curou a Julliete porque o pai dela, o francês, não ajudou a Zezé a orar por ela?

A médica quase engasgou, pois não esperava algo tão difícil de responder. Não tinha a mínima ideia do que dizer para a filha. Não acreditava que existia um “Segundo” Papai lá no céu para ninguém aqui na terra. Então, como responder a esta pergunta da filha? Ela, simplesmente, não “achava” coisa nenhuma, pois nunca havia pensado na possibilidade dessa conversa sobre a existência de Deus ser mesmo verdadeira. Era um assunto com o qual ela nunca quis perder nem um segundo do seu valioso tempo. Ficou uns minutos pensando e olhando para a filha, muda.

Para sua sorte, a filha continuou mais um pouquinho com as suas explicações, pois nada do que ela perguntava era assunto vazio, sem um porquê.

Sabe por quê mamãe? É que quando a mãe da Lívia estava dodói e a gente sabia que era muito grave e que ela poderia morrer, nós oramos juntas. Quer dizer, eu e a Camila só, porque a Lívia nem sabia orar ainda e ela estava chorando muito, então a gente orou no lugar dela porque ela só sabia chorar naquela hora, sabe? Mas, eu tinha a Camila pra “acreditar” junto comigo e pra me ajudar a orar, entende mamãe?
 

Sim, filha, mas... por que você acha que é preciso mais de uma pessoa para orar? A gente não pode orar sozinha mesmo? A Zezé me disse que ela ora toda noite, sozinha, no quarto dela, sabia?

É... eu sei disso mamãe. Mas é que quando é uma coisa muuuito séria, eu acho que a gente precisa de mais gente junto pra orar com um “montão” de fé...

Sei filha... mas, sabe? Se eu entendi direito aquelas coisas que a Zezé falou nas reuniões, uma pessoa pode sim orar sozinha... Afinal, se Deus é esse "segundo" Pai das pessoas ele vai ouvir, porque quem tem que ter um “montão” de fé pra isso é justamente quem está orando, não é assim?

É mamãe... é isso mesmo, mas, só uma coisa; Deus não é o Segundo Pai da gente. Ele é o Primeiro, foi Ele quem criou todos os outros papais depois pra serem parecidos com Ele.

Huuum.... mas parecidos com Deus eu não vi muitos não... disse a médica com ironia.

É verdade mamãe, mas isso é porque os papais todos do mundo se afastaram de Deus e não quiseram fazer o que Ele disse pra fazer, desde o começo foi assim...

A médica sentia que não devia aprofundar essa parte e respondeu concordando.

 Ah sim... eu tinha esquecido esse pedaço.

 Pois é mamãe, eu falei do pai da Julliete porque eu fiquei pensando que a Zezé podia estar tão triste e “perocupada” com a Julliete que ela não conseguia sentir direito a fé que estava guardada lá no coração dela. Porque a “perocupação” e a tristeza atrapalham a fé de sair lá do espírito onde ela mora para subir pra cabeça dela pra ela orar direito entende? Então, ela precisava de alguém pra orar junto com ela...

A mulher emudeceu de novo. Achava um pouco de lógica no que a filha dizia, mas não sabia se do ponto de vista espiritual isso era correto. Ficou tão atrapalhada que disse a primeira coisa que passou pela cabeça dela.

Bem filha, esta história de falar com Deus, ou seja, orar, eu não entendo muito. Mas, acho que toda oração deve ser feita lá no interior da pessoa só, pra poder funcionar... não é assim? Por que precisaria de outra pessoa para ajudar a orar? Se Deus vai ouvir, Ele vai ouvir um de cada vez. Ele deve ser organizado não acha?


A médica olhou para a filha esperando a explicação “poderosamente infantil” que viria e da qual ela, pelo jeito, precisava muito.

Mamãe, lembra de uma vez quando a gente estava lá na rede e eu disse que eu ia ensinar você a ser “criança” de novo?

Hummm... lembro, foi esses dias atrás...

Isso... então mamãe, é que se você não for como criança você não “consegue” entender as coisas de Deus, sabia? Eu já disse isso pra você, e quem falou isso foi o meu “irmão mais velho”, aquele do sonho. A Zezé me mostrou na Bíblia quando foi que Ele falou isso. Ele deu uma bronca, bom... uma “bronquinha” só, nos discípulos por causa disso sabia?
 

A Mannu não perdeu tempo. Correu pegar a Bíblia que tinha ficado lá na outra sala e em segundos estava de volta, com todas aquelas anotações e o “Livrão”. Procurou rapidamente nas anotações onde estava marcado o lugar em que ficava a história e logo encontrou.

Aqui mamãe... a Zezé marcou pra mim... está lá no livro “do” Lucas, abra aí...

Hummm, o livro “do” Lucas... que tem esse mesmo nome, não é mesmo?

Isso... é lá no capítulo 18, só três versos; do 15 até o 17. Leia pra você ver mamãe.


E então ela leu assim:

O povo também estava trazendo criancinhas para que Jesus tocasse nelas. Ao verem isto, os discípulos repreendiam os que as tinham trazido.
Mas Jesus chamou a si as crianças e disse: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas.
Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele".

Viu só mamãe? Jesus disse que as crianças sabem como entrar no Reino onde Ele mora, e sabe por quê? É porque a gente que é criança não fica só se “perocupando” com coisas que a gente não sabe explicar... entendeu mamãe? Você vai ter que desaprender algumas coisas “desimportantes” pra aprender as de lá do céu que são muito mais importantes do que as daqui da Terra. Viu como é fácil mamãe? É só desaprender pra aprender.


Pois é! Só isso mesmo...

Espantada com tanta simplicidade e “credulidade” da filha, a médica disse o que menos traria problemas para ela mesma naquele momento.

Então, quem sabe eu consiga né?

Claro que consegue mamãe! Você sempre foi muito inteligente pra aprender TUDO! Então, pra desaprender vai ser mais fácil ainda, porque você vai ter que desaprender só algumas coisas tá? Não é tudo...

Ah sim! Disse a mãe fazendo uma cara bem falsa de “muito alívio” para a filha, que nem se importou e prosseguiu com o assunto da oração que a mãe já tinha até esquecido.

  Por exemplo mamãe: você tem que aprender que Deus é muuuuuito, mas, muuuuuuuuuuuuito mais organizado do que você pensa. Ele é tão organizado que Ele ouve as orações de todo mundo ao mesmo tempo, sabia mamãe?


De repente, a mãe ficou séria e começou a tentar mudar um pouco a direção da conversa porque já estava achando demais aquilo.

Tá certo, filha, tá certo... deixa eu te dizer uma coisa: você falou uma ou duas palavrinhas erradas e eu nem pude te corrigir porque não queria interromper o que você estava falando tá?

Ah é mamãe? E qual foi a palavra?

Uma era “desimportante” e a outra foi “perocupada”... Você pode dizer: sem importância, ou insignificante, qualquer coisa assim, mas não “desimportante” tá bom filhinha? Essa não se usa... e é PREocupada, e não “perocupada” tá certo meu amor?

Tá bom mamãe!! Obrigada por me ajudar com o meu poço de palavras... mas eu preciso dizer só mais uma coisinha tá?

Hum, hum... o que é?

É que o Papai – lá do céu – Ele ouve mesmo todo mundo ao mesmo tempo, porque Ele tem um “atibru...” não! Deixa eu falar bem devagar: Ele tem um A – TRI – BU – TO, que é muito importante... e que só quem é Deus é que tem...

Olha!! Você falou certinho ATRIBUTO... Parabéns filha! E que atributo é esse que você fala?

É um bem legal! E eu nem vou errar essa palavra também... Ele tem uma coisa que ninguém mais tem que é ONISCIÊNCIA... 

Essa palavra a Mannu falou de uma vez só, sem tropeçar e sem gaguejar, para o completo espanto da mãe dela!


É por isso que Ele pode ouvir todo mundo ao mesmo tempo e ficar sabendo de tudo ao mesmo tempo e Ele nem se atrapalha, sabe?

Jesus!!! E não é que você sabe mesmo o que significa isso!!

Mamãe! Você falou “Jesus”, isso é porque você sabe que Ele existe mesmo!

Imagine filha! Essa é só uma expressão que todo mundo usa por aí...

É mamãe, mas sabe que nem é certo ficar usando o nome dele pra qualquer coisa? E principalmente sem “acreditar” nele de verdade... É porque Ele não é só uma grande “autoridade”... Ele é também “SAGRADO”... E além disso, Ele é a maior autoridade do universo inteiro... Ele é muito mais importante do que um Rei de um país aqui da Terra.

Dizendo isso, ela pegou novamente a Bíblia e a mãe pensou que ela viria com algum texto qualquer falando sobre isso, mas não... ela simplesmente voltou ao assunto que ela tinha levantado lá atrás, o da oração em conjunto.

Olha esse outro texto que a Zezé marcou pra mim aqui mamãe. Leia você porque eu leio um pouco devagar.

E a mãe leu:
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Mateus 18.20.

Então, mamãe, eu perguntei aquilo do pai da Julliete porque eu lembrei desse versículo. Eu sei que Deus ouve quando a gente ora sozinha também... porque Ele me ouviu quando eu falei com Ele sozinha no meu quarto a primeira vez, e eu nem sabia se Ele estava me escutando porque eu falei bem baixinho. Mas é que eu acho que Ele gosta quando as pessoas oram juntas também, porque Ele disse que Ele vem pro meio delas quando elas se reúnem no nome dele... e a gente sempre ora no nome dele...

A médica não tinha mais o que dizer e a alegria dela foi quando, neste exato momento, a querida Lídia apareceu na sala chamando para jantarem.

Pois é filha! Essa história é muito complicada... vamos jantar e a gente termina outra hora, certo?

Tá bom mamãe... eu to mesmo com fome agora.


 E desceram, as três em silêncio, cada uma com seus pensamentos profundos.