A Mannu estava aguardando a mãe
confirmar se tinha entendido o assunto ou não. Porém, quanto mais a doutora
pensava, menos conseguia achar o que dizer diante das últimas palavras da
filha. Era fato que ela nunca havia se lembrado desse assunto (fé) na vida
deles até ali. Mas, agora, a questão corria atrás dela como se fosse um “leão”
gigante e faminto, pelo menos era assim que ela se sentia; fugindo de um leão
que “na certa” ia alcançá-la a qualquer momento. Ela achava que não sobraria
nada dela... Já imaginou?
Como ela estava demorando a
responder, a Mannu logo se manifestou:
― Mamãe, você não vai dizer mais
nada?
― Hã?? É... vou sim... calma
filha!! Eu estou pensando ainda, e não estou encontrando o meu poço de
palavras!! Parece que tem um LEÃO atrás de mim!!! Disse a médica tentando
brincar um pouco com a menina para conseguir tempo para responder com
eficiência.
― Um “Leão” mamãe?? Kkkkkkkkkkkk!
Então não precisa ter medo e nem correr!!! Disse a menina rindo com vontade!!
― É, mamãe!! Não precisa não!!
Desse “Leão” não é pra ter medo... Disse a Mannu ainda rindo, encostada no
ombro da mãe.
― Como assim filha? Eu acabei de
explicar que esse negócio de fé é um caso sério...
― Eu sei mamãe, por isso mesmo,
esse “Leão” é o leão certinho pra você não ter medo, viu? Nesse “Leão” você
pode ter fé, que Ele não vai machucar você...
― Mannu... a mamãe não está
alcançando essa sua... essa... analogia? ... Brincadeira? Que é que você quer
dizer com isso filha?
Nesse momento, a Mannu foi buscar
uma palavra muito interessante que ela tinha escutado fazia pouco tempo. Estava
difícil de achar lá no poço de palavras dela... mas, ela procurou e procurou
até que achou. Ela pegou uma pontinha e puxou. Só que saiu meio “picada” a
palavra...
― Mamãe, é que o meu “irmão”,
Jesus, o Emanuel, sabe? Ele tem um “epí... tes... mo.” Espera! Não, é
“espí...te...” Não... ai!!! Não consigo puxar essa palavra mamãe, ela é muito
pesada!
A médica falou devagar, muito
impressionada!
― Mannu... você está querendo
dizer... E- PÍ- TE- TO??
A mulher simplesmente não podia
acreditar! Sabia que a filha fazia “coleção de palavras”, mas, onde ela tinha
encontrado essa?
― Mannu... mas, essa não é uma
palavra que... para usar assim... é... quer dizer, na boca de criança... é
incomum, que estranho, minha filha! Onde você aprendeu?
― Mas eu achei que esta era uma
palavra tão bonita mamãe! Eu ouvi o professor de Inglês lá da Escola falando
para a tia Marta, a coordenadora... Ele disse: “Esse agora é meu epí... teto”.
Mas eu não pude perguntar pra ele o que era. E aí, eu perguntei pra Zezé...
― Hum... a Zezé, claro... e ela te
explicou o que era...
― Explicou sim, mamãe, e me mostrou
um exemplo que eu também pedi pra ela escrever pra mim, pra eu nunca esquecer, foi
um pouco antes da gente vir pra cá, sabe? Eu vou correndo no quarto buscar pra
você ver!
E disparou... como sempre. Em
poucos minutos estava de volta empolgada!
― Veja mamãe, está escrito no
último livro da Bíblia. Aquele que é bem complicado que a Zezé falou, e que a
gente ainda não está estudando ele porque ainda precisamos aprender muita coisa
antes... pra entender o que está escrito ali, sabe?
A mulher olhou o papel na mão da
filha cada vez mais preocupada. Estava escrito assim:
Depois de ler, a médica perguntou:
― Então... é... Jesus é designado
como “Leão” também?
― Hum... mamãe, o que é
“designado”?
― Ah não... Essa não vale!! Pra
quem acabou de usar “epíteto”!!
― Não... vale sim mamãe...
epí...teto eu só sei porque a Zezé me ensinou entende?
― Muito bem, mocinha, então, vou te
explicar o que é designado tá? Designar é o mesmo que chamar, indicar, apontar
entre outras coisas. Aqui, é no sentido de ser apontado como, ou chamado,
também pode ser nomeado... Tudo isso... sabia? Então, teu “irmão mais velho”
como você costuma dizer, foi nomeado, ou indicado como o “Leão da Tribo de
Judá... agora, por quê? Não faço a mínima ideia.
― Hummm... verdade? Então me diz,
por quê?
― Foi porque o pai do Judá, que era
o Jacó, ele estava quase morrendo já, porque era muito velhinho, já tinha até
cansado de viver. Então, ele chamou todos os seus filhos pra dar uma bênção especial pra todos eles. O Jacó tinha 12 filhos e todos esses filhos viraram
nome de uma tribo láááááá de Israel, bem longe daqui...
― Sei, meu amor... pode
continuar...
E quando ele falou a bênção dele pro Judá, que
era um dos filhos dele, ele disse que ele, o Judá, era um “leãozinho”, e que quando ele se
deitava, ninguém se atrevia a acordar ele, porque, você sabe né mamãe, o leão é
o rei da floresta, todo mundo respeita ele. E o pai dele falou também que nunca
deixaria de ter “cetro” na família dele,
você sabe o que é cetro mamãe?
― Isso mamãe, isso mesmo! Mas é um
bastão que significa autoridade, a Zezé falou. Que bom que você já sabia disso
mamãe! Disse a Mannu empolgada porque nem precisaria explicar para a mamãe o
que era cetro direitinho, ela já sabia...
― Então, mamãe... se nunca deixaria
de ter cetro na família do Judá, isso significa que sempre haveria “reis” e
“príncipes” na família dele, né? Um monte de autoridade!
― Herrr... é ... deve ser né?
Respondeu a médica meio incerta.
― Pois então, mamãe, sempre teve
rei na família do Judá, e um rei que foi muito famoso é o Rei Davi, que era
dessa família, por isso, que Jesus também é chamado de “raiz de Jessé” além de
“Leão da tribo de Judá”, bem como está aqui no verso escrito no papelzinho da
Zezé, que eu te mostrei, viu? Ela fez no computador pra mim, tá vendo? Pena que ela não colocou coraçãozinho como ela sempre faz né mamãe?
Ela dizia isso fazendo a mãe reler o bilhete muito importante que ela tinha recebido e guardado com todo o cuidado.
― É filha... é mesmo... Tá... mas, uma coisa muito importante; e esse Jessé, quem
era?
― Era o pai desse rei famoso, o
Davi...
― Hummmmm.... Agora entendi... Então
Jesus veio dessa família, é isso?
― É mamãe... da família do Rei
Davi... que era da tribo de Judá, láááá no “antigamente” sabe? Bem atrás no
tempo.
― Huuummmm... muito interessante!
― E só mais uma coisinha mamãe; o
“meu irmão” ficou sendo chamado de “Leão da Tribo de Judá”, porque Ele não era
um “leãozinho”, só, como o Judá... Ele era o “Leão” mais importante dessa tribo
inteira. E Ele tinha muuuuuita autoridade, muito mais do que o Judá e do que
todo mundo em todos os tempos.
― E... filha, porque que você diz
que essa história toda tem a ver com o “Emanuel”, Jesus... ou teu “irmão mais
velho”, como você diz?
― Bom mamãe, porque a Zezé falou
que essa história já era uma profecia sobre quando Jesus ia nascer aqui na
terra como bebezinho humano, como nós...
― Uma profecia?
― É... essa foi uma profecia porque
quando o pai do Judá chamou ele de “leãozinho” e disse todas aquelas coisas lá,
ele também falou que sempre teria rei na família até quando viesse Siló...
Siló ainda não tinha chegado.
A médica entendeu menos ainda...
― A Zezé me falou que “Siló” era um
nome que podia ser de gente ou de lugar, como existe hoje também. E que nessa
história, como o Jacó estava falando um monte de coisas que “pareciam estranhas”
para abençoar os filhos, era porque ele estava falando o que Deus tinha mandado
ele dizer, por isso, às vezes, as pessoas não entendiam bem, mas é porque era
uma profecia.
― Sim... mas, isso não explica...
― Espera mamãe, é que eu não terminei
de falar tudo ainda. Quando o Jacó falou do cetro, ele disse que sempre teria
reis e príncipes na família até que viesse Siló. E a Zezé contou que a palavra
Siló aqui na história queria dizer uma exp... “experção” em hebraico.
― “Expressão” né?
― Isso... e essa ex... per... pressão
vinha de duas palavras juntas que significava isso aqui ó...
Dizendo isso, ela tirou outro
papelzinho do bolso para mostrar para a mãe.
A mãe leu aquilo e ficou
impressionada em como a menina tinha guardado tudo aquilo tão corretamente na
cabeça sem confundir a ordem das coisas todas.
― Entendeu agora mamãe?
― É... acho que sim filha. Isso
quer dizer que, “Siló” ainda viria no futuro e esse nome significava que seria Jesus, o teu “irmão” e que tem o “ verdadeiro domínio”? Porque Ele é maior que os
outros, não é isso?
― ISSSSSSO MAMÃE!! Viu só? Como você
já está aprendendo a ser criança de novo? Você já está entendendo as coisas...
Disse a menina olhando com pureza para uma mãe completamente abobada e sem
palavras. Dizendo isso, deitou-se no colo da mãe no sofá, satisfeita da vida!
― Mannu, você sabe onde está essa
história na Bíblia? Perguntou a mãe.
― Claro que sei mamãe! Está bem no
comecinho, no primeiro livro dela, que é o Gênesis. E está no capítulo 49,
inteiro. Mas se você quiser ler só a parte do Judá e do pai dele, é no verso 9
e 10... eu sei porque eu perguntei pra Zezé a mesma coisa.
A médica foi ficando cada vez mais
curiosa. Como é que em tão poucos minutos ali, com a filha de seis anos, ela
tinha aprendido tanta coisa. As duas tinham começado pelo “último” livro da
Bíblia, o Apocalipse, e agora já estavam no começo dela, em “ Gênesis”.
Definitivamente, a Zezé era uma ótima professora... ou a Mannu era uma ótima
aluna... Bom, as duas são ótimas, pronto!
O fato é que ela decidiu ler a história toda
para conferir se as coisas eram bem como a Mannu tinha contado. Vamos ver o que
ela vai dizer no próximo capítulo, até lá...


















