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Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

E O JOGO DA VERDADE CONTINUA... CAPÍTULO 72



A Mannu estava aguardando a mãe confirmar se tinha entendido o assunto ou não. Porém, quanto mais a doutora pensava, menos conseguia achar o que dizer diante das últimas palavras da filha. Era fato que ela nunca havia se lembrado desse assunto (fé) na vida deles até ali. Mas, agora, a questão corria atrás dela como se fosse um “leão” gigante e faminto, pelo menos era assim que ela se sentia; fugindo de um leão que “na certa” ia alcançá-la a qualquer momento. Ela achava que não sobraria nada dela... Já imaginou?


Como ela estava demorando a responder, a Mannu logo se manifestou:

Mamãe, você não vai dizer mais nada?

Hã?? É... vou sim... calma filha!! Eu estou pensando ainda, e não estou encontrando o meu poço de palavras!! Parece que tem um LEÃO atrás de mim!!! Disse a médica tentando brincar um pouco com a menina para conseguir tempo para responder com eficiência.

Um “Leão” mamãe?? Kkkkkkkkkkkk! Então não precisa ter medo e nem correr!!! Disse a menina rindo com vontade!!


É, mamãe!! Não precisa não!! Desse “Leão” não é pra ter medo... Disse a Mannu ainda rindo, encostada no ombro da mãe.

Como assim filha? Eu acabei de explicar que esse negócio de fé é um caso sério...

Eu sei mamãe, por isso mesmo, esse “Leão” é o leão certinho pra você não ter medo, viu? Nesse “Leão” você pode ter fé, que Ele não vai machucar você...

Mannu... a mamãe não está alcançando essa sua... essa... analogia? ... Brincadeira? Que é que você quer dizer com isso filha?

Nesse momento, a Mannu foi buscar uma palavra muito interessante que ela tinha escutado fazia pouco tempo. Estava difícil de achar lá no poço de palavras dela... mas, ela procurou e procurou até que achou. Ela pegou uma pontinha e puxou. Só que saiu meio “picada” a palavra...

Mamãe, é que o meu “irmão”, Jesus, o Emanuel, sabe? Ele tem um “epí... tes... mo.” Espera! Não, é “espí...te...” Não... ai!!! Não consigo puxar essa palavra mamãe, ela é muito pesada!

A médica falou devagar, muito impressionada!

Mannu... você está querendo dizer... E- PÍ- TE- TO??


A mulher simplesmente não podia acreditar! Sabia que a filha fazia “coleção de palavras”, mas, onde ela tinha encontrado essa?

Mannu... mas, essa não é uma palavra que... para usar assim... é... quer dizer, na boca de criança... é incomum, que estranho, minha filha! Onde você aprendeu?

Mas eu achei que esta era uma palavra tão bonita mamãe! Eu ouvi o professor de Inglês lá da Escola falando para a tia Marta, a coordenadora... Ele disse: “Esse agora é meu epí... teto”. Mas eu não pude perguntar pra ele o que era. E aí, eu perguntei pra Zezé...

Hum... a Zezé, claro... e ela te explicou o que era...

Explicou sim, mamãe, e me mostrou um exemplo que eu também pedi pra ela escrever pra mim, pra eu nunca esquecer, foi um pouco antes da gente vir pra cá, sabe? Eu vou correndo no quarto buscar pra você ver!

E disparou... como sempre. Em poucos minutos estava de volta empolgada!

Veja mamãe, está escrito no último livro da Bíblia. Aquele que é bem complicado que a Zezé falou, e que a gente ainda não está estudando ele porque ainda precisamos aprender muita coisa antes... pra entender o que está escrito ali, sabe?

A mulher olhou o papel na mão da filha cada vez mais preocupada. Estava escrito assim:
 

Depois de ler, a médica perguntou:

Então... é... Jesus é designado como “Leão” também?

Hum... mamãe, o que é “designado”?

Ah não... Essa não vale!! Pra quem acabou de usar “epíteto”!!

Não... vale sim mamãe... epí...teto eu só sei porque a Zezé me ensinou entende?

Muito bem, mocinha, então, vou te explicar o que é designado tá? Designar é o mesmo que chamar, indicar, apontar entre outras coisas. Aqui, é no sentido de ser apontado como, ou chamado, também pode ser nomeado... Tudo isso... sabia? Então, teu “irmão mais velho” como você costuma dizer, foi nomeado, ou indicado como o “Leão da Tribo de Judá... agora, por quê? Não faço a mínima ideia.


Hummm... verdade? Então me diz, por quê?

Foi porque o pai do Judá, que era o Jacó, ele estava quase morrendo já, porque era muito velhinho, já tinha até cansado de viver. Então, ele chamou todos os seus filhos pra dar uma bênção especial pra todos eles. O Jacó tinha 12 filhos e todos esses filhos viraram nome de uma tribo láááááá de Israel, bem longe daqui...

Sei, meu amor... pode continuar...

E quando ele falou a bênção dele pro Judá, que era um dos filhos dele, ele disse que ele, o Judá,  era um “leãozinho”, e que quando ele se deitava, ninguém se atrevia a acordar ele, porque, você sabe né mamãe, o leão é o rei da floresta, todo mundo respeita ele. E o pai dele falou também que nunca deixaria  de ter “cetro” na família dele, você sabe o que é cetro mamãe?


Isso mamãe, isso mesmo! Mas é um bastão que significa autoridade, a Zezé falou. Que bom que você já sabia disso mamãe! Disse a Mannu empolgada porque nem precisaria explicar para a mamãe o que era cetro direitinho, ela já sabia...

Então, mamãe... se nunca deixaria de ter cetro na família do Judá, isso significa que sempre haveria “reis” e “príncipes” na família dele, né? Um monte de autoridade!

Herrr... é ... deve ser né? Respondeu a médica meio incerta.

Pois então, mamãe, sempre teve rei na família do Judá, e um rei que foi muito famoso é o Rei Davi, que era dessa família, por isso, que Jesus também é chamado de “raiz de Jessé” além de “Leão da tribo de Judá”, bem como está aqui no verso escrito no papelzinho da Zezé, que eu te mostrei, viu? Ela fez no computador pra mim, tá vendo? Pena que ela não colocou coraçãozinho como ela sempre faz né mamãe?  

Ela dizia isso fazendo a mãe reler o bilhete muito importante que ela tinha recebido e guardado com todo o cuidado.

 É filha... é mesmo... Tá... mas, uma coisa muito importante; e esse Jessé, quem era?

Era o pai desse rei famoso, o Davi...

Hummmmm.... Agora entendi... Então Jesus veio dessa família, é isso?

É mamãe... da família do Rei Davi... que era da tribo de Judá, láááá no “antigamente” sabe? Bem atrás no tempo.

Huuummmm... muito interessante!

E só mais uma coisinha mamãe; o “meu irmão” ficou sendo chamado de “Leão da Tribo de Judá”, porque Ele não era um “leãozinho”, só, como o Judá... Ele era o “Leão” mais importante dessa tribo inteira. E Ele tinha muuuuuita autoridade, muito mais do que o Judá e do que todo mundo em todos os tempos.


E... filha, porque que você diz que essa história toda tem a ver com o “Emanuel”, Jesus... ou teu “irmão mais velho”, como você diz?

Bom mamãe, porque a Zezé falou que essa história já era uma profecia sobre quando Jesus ia nascer aqui na terra como bebezinho humano, como nós...

Uma profecia?

É... essa foi uma profecia porque quando o pai do Judá chamou ele de “leãozinho” e disse todas aquelas coisas lá, ele também falou que sempre teria rei na família até quando viesse Siló... Siló ainda não tinha chegado.

A médica entendeu menos ainda...


A Zezé me falou que “Siló” era um nome que podia ser de gente ou de lugar, como existe hoje também. E que nessa história, como o Jacó estava falando um monte de coisas que “pareciam estranhas” para abençoar os filhos, era porque ele estava falando o que Deus tinha mandado ele dizer, por isso, às vezes, as pessoas não entendiam bem, mas é porque era uma profecia.

Sim... mas, isso não explica...

Espera mamãe, é que eu não terminei de falar tudo ainda. Quando o Jacó falou do cetro, ele disse que sempre teria reis e príncipes na família até que viesse Siló. E a Zezé contou que a palavra Siló aqui na história queria dizer uma exp... “experção” em hebraico.

“Expressão” né?

Isso... e essa ex... per... pressão vinha de duas palavras juntas que significava isso aqui ó...

Dizendo isso, ela tirou outro papelzinho do bolso para mostrar para a mãe.





A mãe leu aquilo e ficou impressionada em como a menina tinha guardado tudo aquilo tão corretamente na cabeça sem confundir a ordem das coisas todas.

Entendeu agora mamãe?

É... acho que sim filha. Isso quer dizer que,  “Siló” ainda viria no futuro e esse nome significava que seria Jesus, o teu “irmão” e que tem o “ verdadeiro domínio”? Porque Ele é maior que os outros, não é isso?

ISSSSSSO MAMÃE!! Viu só? Como você já está aprendendo a ser criança de novo? Você já está entendendo as coisas... Disse a menina olhando com pureza para uma mãe completamente abobada e sem palavras. Dizendo isso, deitou-se no colo da mãe no sofá, satisfeita da vida!


Mannu, você sabe onde está essa história na Bíblia? Perguntou a mãe.

Claro que sei mamãe! Está bem no comecinho, no primeiro livro dela, que é o Gênesis. E está no capítulo 49, inteiro. Mas se você quiser ler só a parte do Judá e do pai dele, é no verso 9 e 10... eu sei porque eu perguntei pra Zezé a mesma coisa.

A médica foi ficando cada vez mais curiosa. Como é que em tão poucos minutos ali, com a filha de seis anos, ela tinha aprendido tanta coisa. As duas tinham começado pelo “último” livro da Bíblia, o Apocalipse, e agora já estavam no começo dela, em “ Gênesis”. Definitivamente, a Zezé era uma ótima professora... ou a Mannu era uma ótima aluna... Bom, as duas são ótimas, pronto!


 O fato é que ela decidiu ler a história toda para conferir se as coisas eram bem como a Mannu tinha contado. Vamos ver o que ela vai dizer no próximo capítulo, até lá...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

CADÊ O SOL? – CAPÍTULO 71


O dia amanheceu bem diferente. Assim que a Mannu acordou, olhou para o relógio ao lado da sua cama e levou um susto.

Como assim? Eu dormi tudo isso e ainda está escuro? Que aconteceu?

Levantou-se correndo e desceu com o seu poço de perguntas já fervilhando em busca de respostas “urgentes”. Nem precisaria de tudo isso, bastaria olhar pela janela e ela logo entenderia. Chegou na cozinha esbaforida e já dizendo:

Gente, eu dormi até 10:00 h... e ainda está escuro, cadê o sol, foi embora e nem me deu bom dia?






A D. Lídia também riu do espanto da menina que nem tinha notado a chuva que tinha caído durante toda a noite e o céu escuro cheio de nuvens pesadas esperando a hora de desaguar de novo...


Você nem ouviu a chuva durante a noite Mannu? 

Perguntou a mãe dela, até espantada, pois durante o temporal, à noite, ela achou que quando os trovões eram fortes, a menina logo apareceria na porta do seu quarto com o seu travesseirinho e os olhos arregalados de medo, mas, isso não aconteceu. Ela foi, silenciosamente, olhar a filha no quarto e a menina dormia profundamente, como se os estrondos fossem uma “suave” canção de ninar... Interessante, pra quem tinha tanto medo de raios e trovões.

Ela sentou-se ao lado da mãe dizendo:

Mamãe! E como é que eu não ouvi nadinha!! E não acordei também!! Mas, eu sonhei que estava num temporal bem grande lá perto do lago da fazenda e que o meu “irmão” estava junto comigo, e ele falava uma coisa engraçada... ele dizia assim:
“Você está com medo Mannu? Se estiver lembre-se que eu posso mandar o temporal embora certo?”

A Mannu riu ao lembrar disso e nesse instante a D. Lídia riu também, e foi logo dizendo:

Uai!! Eu nem sabia que você tinha um irmão? E que irmão é esse que manda até na chuva? E por que foi que ele não veio com você então? Acho que ela está pedindo pra senhora “adotar” um “irmãozin” pra ela doutora? Disse a empregada já ciente de que a doutora não podia mais ter filhos.

A médica ficou séria, e a empregada desconfiou que passou um pouquinho do limite, por isso tratou de se desculpar imediatamente:

É... hehehe “qué dizê né”, “disculpa” doutora, eu falei “dimais...” sei que a senhora não gosta muito desse assunto né? Ai, “disculpa mesm” doutora!!! Eu só quis “brincá coa” Mannuzinha “sab?”

Não tem problema Lídia respondeu a médica depois a Mannu te explica essa história de “meu irmão”, não é filha?


Elas tomaram o café juntas e depois resolveram ir para a sala de estar no andar de cima que tinha uma vista muito bonita das montanhas e do lago, mesmo com aquele temporal se arrumando lá fora valia a pena... Ali elas poderiam jogar qualquer coisa, brincar ou apenas conversar sobre as coisas “incríveis” que a Mannu ainda tinha para contar.

Elas subiram e escolheram um sofá bem de frente para a janela, com aquela vista gostosa, onde poderiam passar as horas tranquilamente, esperando que o sol voltasse logo para poderem sair com os cavalos outra vez.


Quando se sentaram, a Mannu, mais que depressa começou a liderar a situação.

Mamãe, vamos brincar de jogo da verdade? Lembra? Aquele que você me ensinou e disse que era um jogo que você fazia quando era criança também, vamos?

Hummm... jogo da verdade é? Espertinha você né? Eu sei porque que você quer essa brincadeira, só para eu não poder fugir do que eu prometi ontem né? Mas, eu vou te contar sobre o meu “medão” tá bom? Eu prometi, então eu tenho que cumprir né?

É verdade mamãe, você mesma sempre diz isso, prometeu tem que cumprir...

Filha, você nem tirou esse pijama! Vamos lá trocar a roupa primeiro?

Nãããão mamãe! Não! Posso ficar de pijama o dia inteiro hoje? Está chovendo mesmo, se me der sono eu durmo outra vez, e nem preciso colocar pijama de novo. Ah, deixa mamãe? Eu nunca posso passar  o dia inteiro de pijama, deixa?

Ok! Ok... Não tem problema... nada melhor que um dia de chuva pra você passar o dia inteiro de pijama, aproveite então!

Ebaaaaa! Mamãe, você é a mamãe mais legal do planeta sabia?

KKKKKKKKK! Nossa! Só porque eu deixei você passar um dia inteiro de pijama?

Claro!! Tem mamãe que não deixa os filhos fazerem nada, nem isso. A Dani, da minha sala, disse que a mãe dela é assim. Tudo tem que ter hora certa e ela não pode fazer nada que seja diferente do que a mãe dela está acostumada... já pensou que chato??

A médica teve que concordar com a filha. Como será que as pessoas ficam assim tão metódicas a ponto de quase “escravizarem” os filhos por causa de um sistema a que estão acostumadas? Isso não é saber viver.


Bem... vou começar falando daquele dia lá no quarto então... que você disse que eu te apertei muito no meu colo. Pode ser?

Pode sim mamãe, é isso mesmo que eu quero saber... Por que você estava tão “perocupada”? Ops, “prero...” “peo...”  Tshh! Ah, você sabe mamãe.

Hum, hum, “preocupada” né? Arrumou a médica Isso... respondeu a Mannu, como sempre.

Pois é filha... é... bom, não é assim tão simples de explicar, mas eu vou tentar. Lembra que eu falei que estava me comparando com a Zezé?

Hum hum...

Então, eu cheguei à conclusão que não sou capaz de ter “fé” como a Zezé sente. E aí, isso ficou me atormentando a cabeça, porque eu percebo que pra você isso fez muita diferença. Eu não consegui te ajudar com o problema das meninas na Escola, no entanto, a Zezé, com a fé que ela te ensinou, em menos de um mês conseguiu resolver tudo, e de uma maneira incrível... entende?

A menina pensou por alguns segundos antes de responder:

Huuuumm... acho que não entendo não mamãe... Se o problema foi resolvido pela Zezé, por que você continuou sentindo o “medão”?  Ela pensou mais um pouco e quando a mãe se preparava para responder ela complementou.

Mamãe, você tem “medão” que eu queira ser filha da Zezé e não sua?

A médica não pode deixar de rir da conclusão rápida e até interessante que a Mannu tinha alcançado.


Mamãe vai explicar direitinho. Você sabe que você é a coisa mais importante que a mamãe tem na vida , não sabe? Eu já te falei isso muitas vezes.

Sim, mamãe, você até falou que eu “valo” mais do que o anel de diamante “fuscurante” que você ganhou do papai...

Isso mesmo, meu amor, e é “fulgurante’, não fuscurante tá bom? Outra coisa, eu “valho”, e não ‘valo’ ok? Só pra não deixar fixar a forma errada dentro do teu poço de palavras que é tão importante pra você né?

Tá bom mamãe, eu fico tão feliz de saber que você me acha assim tão “valhorosa”...

Hum hum, “vaLOROsa né?

Isso... espera... como assim mamãe? Você não disse que é “eu valho” então, porque não é “valhorosa”?

A médica já sabia que isso iria acontecer, no momento em que corrigiu a palavra errada da filha. Mas, ela tinha por hábito não deixar que ela fixasse nenhuma das palavras de forma errada, só que nem sempre isso era uma vantagem, porque ela acabava perdendo muito tempo nas explicações e desviava o foco do assunto principal. 


Tentou resumir a “aula gramatical” que tinha menos importância no momento e nem era ainda do alcance da menina.

Filha, é porque alguns verbos têm uma maneira de se falar que muda um pouco, mas o termo “valorosa” vem de “valor”, não vem do verbo, por isso fica assim , certo?

Ah sei, mamãe, já entendi tudinho... pode continuar...

Isso foi o suficiente para a Mannu ficar tranquila e voltar a atenção para o outro assunto, o que importava mais, na verdade.

Então, a mamãe, na verdade ficou até feliz de ver que a Zezé conseguiu resolver aquela situação tão rapidamente. Mas, ao mesmo tempo, a mamãe fica preocupada em “deixar” que a Zezé oriente essa parte da sua vida, porque é uma coisa muito séria, essa história de “fé”, entende minha filha?

Entendo sim mamãe, a Zezé até já falou isso também. Mas eu penso muito “séria” quando eu estou falando com o meu Papai que é lá do céu. Eu não fico fazendo brincadeira boba com Deus, igual o Adriano lá da Escola. Eu até já falei pra ele que Deus não acha bonito ficar rindo dessas coisas... Eu sei que essas coisas são bem sérias mesmo, a Zezé já me disse.

É meu amor, é isso mesmo, mas... não era bem nesse sentido que eu estava falando. Veja, existem muitas estradas que você viu quando a gente veio aqui para a fazenda, não é mesmo?

É... eu até já estava enjoada de ficar vendo estrada na minha frente...

Pois é... mas o papai teve que dirigir por aquela estrada um tempão, pra conseguir chegar na fazenda que é nossa não foi assim?

Foi...

Você se lembra de um momento em que o papai teve que “escolher” uma entrada para pegar a estrada que trazia até aqui? Lembra? Ele entrou à esquerda, e não na outra estrada que ia para a direita, lembra?

Sei, e o papai avisou que logo ia aparecer o portão da fazenda...

Isso mesmo! Se ele tivesse entrado à direita, ele não ia chegar aqui na nossa fazenda. Então, é preciso conhecer as estradas para a gente saber qual é a que a gente deve pegar entendeu?

Sim, mamãe, eu entendi... mas, o que isso tem a ver com a fé da Zezé?

É que o caso da fé da Zezé, é uma coisa meio parecida com isso. Por exemplo, como é que você ou eu podemos saber se a estrada que a Zezé pegou é a certa? Existem muitas estradas de “fé” para a gente seguir, e eu não gostaria que você ficasse andando em uma estrada que você não conhece direito, entende? Nem eu conheço...

Pois então, mamãe, você mesma disse que nem você não conhece... mas a Zezé conhece, é como o papai, ele só chegou aqui porque ele “sabia” que essa era a estrada certa pra nossa fazenda não foi assim?

É... é isso mesmo filha...

A médica ficou espantada, de novo, com a capacidade que a filha tinha para fazer as considerações dela quando se tratava de falar da tal da “fé” da Zezé. Por que será que ela tinha tanta certeza assim que a Zezé, sabia o que estava falando?

Então mamãe, você não precisa ter “medão” que a Zezé erre o caminho porque ela conhece bem a estrada inteira sabe? Ela sabe bem pra onde ela está indo, ela sempre fala isso...


  Sim, meu anjo, mas, por que você tem tanta certeza disso?

Mamãe... é que quando eu falei com o Papai do céu, sobre todos aqueles problemas “urgentes”, tudo funcionou bem como a Zezé falou que ia funcionar... Então ela já sabia qual era o caminho pra eu chegar lá no colo de Deus e falar com Ele, entendeu? Mas você mamãe, é... você mesma me disse que não sabe achar esse caminho... não é assim?

Isso emudeceu a doutora por completo, ela tinha falado isso mesmo para a filha e reconhecia que não sabia mesmo, então...



Devido a esse pequeno embaraço no poço de palavras da mãe da Mannu, vamos ter que esperar para saber no próximo capítulo como é que isso vai se arranjar. Quando a Dra. Laura encontrar as palavras lá no poço...Não percam!