Naquela
segunda feira, a Zezé chegou um pouco mais tarde. Por causa do sábado
“comprido”, a Dra Laura disse para ela vir só lá pelas 11:00h, desde que ela
chegasse com tempo de arrumar a Mannu para a Escola. Mas a Nina, a outra
empregada, já estava lá cedinho, preparando o café da manhã da família, como
sempre ela fazia.
A
Mannu, porque tinha dormido mais tarde do que de costume, só acordou perto das
9:30 naquela manhã. Quando abriu os olhos, ainda na cama, ela se espreguiçou
demoradamente e pensou:
― Huuummmm...
parece que eu dormi tanto... cadê a Zezé? Será que eu dormi uma semana e já é
sábado de novo pra gente poder continuar as “histórias”? Tomara que sim...
Nesse
instante a Nina apareceu na porta.
― Bom
dia mocinha! Você vai querer “almoçar” aqui na cama também ou vai levantar?
― Oi
Nina... cadê a Zezé? Você nunca vem me acordar! Eu estava com muuuito sono! Já
está na hora do almoço?
― Não,
não, brincadeirinha só... Ainda dá tempo de você comer umas frutinhas e comer
seu inseparável cupcake.
―
Ebaaaaa! É... eu vou levantar já, sabe? Porque hoje eu sei que tem um cupcake
com gotas de chocolate que eu aaaaaamooo! E a Zezé??
― A
Zezé vai chegar daqui a pouco, porque a sua mãe deixou ela vir mais tarde
porque sábado ela saiu muito tarde daqui, lembra?
― Ahhhh,
é mesmo Nina! Foi o sábado das historinhas e das delícias! Foi tão gostoso
Nina!! Sabia que o papai deixou a gente repetir esse sábado?
―
Nina, a Zezé já me disse que não é “cumé quié”... Tem que dizer, “como é?” Fica
mais bonito, entende? Porque quando eu falava assim a Zezé dizia que era feio,
sabe?
A
Nina tratou de “arrumar” um pouco a expressão do rosto e explicou para a Mannu:
―
“Camelar”, minha filha, é quando a gente tem que fazer tudo aquilo que nós
fizemos pra vocês no sábado aqui e daí, quando a gente chega em casa, já
cansada feito um “camelo” no deserto, ainda tem que repetir a dose na casa da
gente e ficar só com o domingo pra esticar as pernas um pouquinho de nada,
porque tem filho e marido pra cuidar... é isso, entendeu?
―
Mas... só que você não é um camelo Nina... Então não deu certo! Acho que você
tem que usar outra palavra aí. Quer que eu procure uma no meu poço de palav...
― Mannu!!
Escuta... escova esse dentinho aí, vai!!
A
Nina não estava muito legal naquele dia... Logo a Mannu percebeu...
A Mannu ficou até assustada porque a Nina
nunca reage assim. Ela não é uma “Zezé” super carinhosa, mas nunca tratou a
Mannu desse jeito. Enfim, como a Mannu não é boba, para evitar maiores
encrencas, ficou quietinha, na dela, até a Nina se acalmar. Desistiu até de
contar do dente mole.
A Nina ajudou a Mannu se vestir e foram para a
cozinha tomar o café da manhã, que a Nina serviu ali mesmo porque era só a
Mannu que ia comer, e para agilizar as coisas, ela não quis colocar a mesa lá
na copa para a menina comer sozinha. “Como a Zezé faz falta!” pensou a Nina na
sua má disposição matinal desse dia.
A
Mannu comeu as frutinhas todas que ela gosta muito, depois comeu um pãozinho de
queijo recheado com patê de presunto e ainda conseguiu comer o cupcake com
gotas de chocolate que é o seu preferido. Sempre com muito cuidado por causa do "dente mole", ui ui ui!
Quando
estava terminando o ultimo golinho do leite “com baunilha”, que ela também
gosta muito, advinha quem chegou? Isso mesmo, a querida Zezé!! A Mannu pulou no colo dela, enroscando os
braços no pescoço da Zezé, aliviada por
ter com quem conversar sem medo de levar bronca. No colo dela ainda, já foi
dizendo, quase num desabafo!
―
Zezé!!! Que bom que você chegou!! Eu já estava ficando com saudade de você,
sabia?
― É
mesmo?? Mas, que amor todo é esse? Eu só cheguei duas horinhas mais tarde!! São
só 10:30 e sua mãe disse que eu podia chegar 11:00h...
― Pois
é, Zezé... mas, você faz muita falta! Nós temos que fazer a tarefinha ainda,
ainda bem que é pouquinho hoje...
Nisso
a Nina se aproximou e disse: “ Se vocês vão fazer tarefa, podiam ir logo lá pra
salinha de estudo dela não?”
A Zezé olhou espantada para a Nina e
respondeu: “Bom dia pra você também Nina!” Já estamos indo ok? Vou só tomar o
teu cafezinho gostoso que ainda deve estar quentinho na garrafa né?
A
Nina ficou meio sem graça e nem respondeu, mas pegou logo uma xícara pequena
para a Zezé que se serviu e tomou rapidamente um golinho do café. Ela agradeceu
a Nina elogiando o café gostoso dela. Pegou a Mannu pela mão e foram para a
sala de estudo.
Assim
que se viram longe da cozinha, a Mannu foi logo dizendo.
― Você
viu como a Nina está com uma cara de má hoje Zezé? O que será que aconteceu? Ela
nunca é feia como hoje... Nunca!!
A
Zezé riu da associação da feiura com a maldade que a Mannu fez de imediato.
Assim
que a Zezé se sentou, a Mannu lembrou-se de algo muuuuuuuito importante!! O
olhinho brilhou e ela pulou da cadeira para mostrar uma coisa para a Zezé.
―
Advinha Zezé!!! Meu dente está mole!!!
― É
mesmo!!!???? Eu não disse que você não precisava deixar de escovar os dentes
para eles caírem? Viu só? Tudo tem seu tempo!!! Deixa eu ver...
A
Zezé forçou devagarinho o dente dela e disse:
― É
mocinha, logo logo você estará sorrindo “diferente”.
―
Zezé, será que vai demorar muito pra ele cair?
― Nem
se preocupe com isso meu amor! Ele também cai no tempo certo tá bom? Vamos
cuidar da tarefinha agora ok?
Fizeram
logo tudo o que tinham para fazer e a Zezé foi com a Mannu para o quarto dela
pegar um joguinho de boliche com o qual ela podia brincar um pouco sozinha. Enquanto
isso, ela ia tentar descobrir a razão da “feiura” da Nina naquele dia. Chegando
na cozinha, a Nina já estava quase terminando o almoço.
―
Ok... respondeu a Nina já pensando em quais explicações daria para a Zezé.
Logo
a Zezé estava de volta na cozinha e disse para a Nina:
― Não
precisa parar com nada para não atrasar o almoço Nina, vou te ajudar aqui. Só
quero saber se está tudo bem com você porque te achei meio nervosa hoje...
― Ah
é? Por que? A Mannu já foi choramingar que eu tratei ela mal, é isso??
― Pelo
contrário Nina! Ela não disse nada disso, só comentou que achou você esquisita também... Mas você brigou com ela?
―
Não... claro que não... respondeu a Nina meio sem jeito.
― Só
que eu não tive muita paciência de aguentar as chatices dela com essa história
de poço de palavras e etc... na verdade eu não estou me sentindo muito bem
mesmo hoje...
― Tudo
bem Nina, isso pode acontecer a qualquer um. Só gostaria de lembrar você que ninguém
tem que pagar pelo teu mal estar, muito menos a Mannu, concorda querida?
Principalmente porque ela é uma criança e você uma adulta e, além de tudo,
responsável pelo serviço aqui nesta casa onde a mãe da Mannu trata você com
muito respeito, estou certa?
―
Sei... sei de tudo isso, só que nem sempre a gente está disposta a ficar
fazendo tudo e mais um pouco pelos outros.
A
Zezé logo percebeu que havia algo mais por trás desse “tudo e mais um pouco”.
― O
que você quer dizer exatamente com “tudo e mais um pouco” Nina?
A
Nina pensou um pouco e de repente disparou a falar e a prever situações que só
rodavam dentro da cabeça dela.
― Bom
Zezé, tem muita coisa que já estou vendo acontecer de agora em diante. Vou ter
que ficar aqui todo sábado ajudando você na cozinha por causa da reunião dessas
meninas mimadas. Depois vou chegar em casa moída e ainda vou ter que escutar marido reclamando que eu cheguei tarde e o filho e ele estão largados em casa e
que sou capacho da patroa, tudo isso entende? Não sei se vou aguentar muito
tempo não!
A
Zezé sabia muito bem que a “palavra dura traz a ira à tona, mas, uma palavra
branda, de compreensão, pode desviar o furor. Princípios que ela aprendeu no “Livrão”.
Então,
ela tratou de demonstrar que a Nina tinha muito valor ali e que ninguém iria fazer
dela um “capacho” como o marido dela tinha falado. Pelo contrário, a patroa só
ficaria muito grata a ela e iria valorizar ainda mais a presença dela naquela
casa.
Depois
de uma conversinha mansa, a Nina já estava bem mais calma e acabou dizendo que na
verdade, o marido estava querendo que ela saísse desse emprego. E isso era o
que estava pesando mais, pois ela gostava de trabalhar ali. Mas, no sábado, por
causa da demora dela para chegar, eles tinham discutido e ele foi muito
grosseiro com ela.
A
Zezé não perdeu tempo. Puxou a Nina para um canto e pediu:
―
Nina, posso fazer uma oração por você agora?
―
Agora?? Mas... aqui? E se a patroa souber disso... Não vai gostar nadinha. É
capaz de mandar as duas embora porque não está pagando a gente para “benzer” a
casa dela.
― Sim,
Nina, mas para cuidar da casa dela direito precisamos estar bem, e para
estarmos bem precisamos de uma ajuda do Alto sempre... entende?
― Tá
certo... Você sempre vence mesmo... vá lá... diga a sua reza aí que eu vou
prestar atenção, mas seja rápida viu? Que eu não quero problema pro meu lado
por causa disso...
A
Zezé concordou e começou:
―
Senhor, nosso Pai de amor, eu te agradeço pela vida da Nina e pelo valor que ela
tem para o Senhor e para a família dela também. Eu peço que o Senhor tome conta
da situação complicada que surgiu na casa dela, com o marido, e que o Senhor
revele teu poder na vida dela, porque ela é muito preciosa para todos nós. Em
nome de Jesus, amém.
Foi
tão rápido que a Nina se surpreendeu, mas quando abriu os olhos, depois da “reza”
da Zezé, olha como estava a Nina, sem nem saber direito explicar por quê.
A
Zezé, explicou que era porque Deus tinha se comunicado com ela, tinha falado ao
coração dela através daquela oração. Por isso que ela sentiu vontade de chorar,
porque ela conseguiu sentir que aquela era realmente uma conversa com Deus.
A
Zezé explicou que ela não precisava se preocupar mais porque Deus estaria
tomando conta de tudo agora. E, além de tudo, não seria todo sábado assim pois
a mãe da Camila já tinha oferecido a casa dela para o próximo sábado.
A
Nina ficou muito aliviada e abraçou a Zezé com gratidão. Sentia-se muito
diferente, como se alguém realmente estivesse tomando conta das coisas que ela
não podia resolver. Essa Zezé é uma bênção! Não acham?
Não
percam a próxima reunião que vai ser a continuação das histórias da Bíblia, na
casa da Camila.









Nenhum comentário:
Postar um comentário