.

.

Manô

Oi, esta é a Mannu, você vai conhecer a história dela. Todos os dias você vai ler um pouquinho sobre a vida dela, basta entrar aqui depois das cinco horas da tarde, quando você tiver tempo livre ok?? Vou contar tudo o que acontece na vida dela e das pessoas com quem ela convive. Você vai gostar muito dela, ela vai ser sua amiga de todos os dias.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

VOLTANDO AO JARDIM... – CAPÍTULO 67



Ao dizer que tudo poderia ser explicado pela Bíblia, a Zezé relembrou a pergunta que a Lívia tinha feito sobre a razão de Deus ter colocado aquela árvore no meio de um jardim perfeito e depois ter dado a ordem para que ninguém comesse do fruto dela. Parecia um teste... por que razão Deus faria isso? Seria uma maneira de testar o poder de escolha que Deus tinha dado aos primeiros seres humanos criados? Vamos ver o que a Zezé pensa disso.

Pois bem Lívia, sua pergunta foi muito interessante mesmo! 
Disse a Zezé Se Deus não queria que eles comessem da árvore, por que colocou-a bem no meio do jardim, não é mesmo? Eu quero mostrar um versículo pra vocês que nos ajuda a perceber certas intenções que Deus tinha em relação aos seres criados. Vejam lá em Gênesis 2:19, olha o que está escrito:

 Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.

Embora a turma toda tivesse já algumas perguntas para fazer só sobre este verso, a Zezé continuou:

Então... nós podemos perceber, neste verso, que depois de ter formado as criaturas todas, incluindo o homem e o jardim para ele habitar, Deus trouxe os animais todos para que o próprio homem “decidisse” como os chamaria. Já aqui vemos que Deus criou o homem com a intenção de observar como ele usaria o poder de escolha que lhe havia sido dado no momento da sua criação.

O único ser criado com raciocínio elevado e capacidade para decidir foi o homem. Os animais receberam apenas uma espécie de instinto que os guia também, e lhes dá capacidades até assombrosas, como podemos perceber em alguns animais. Porém, poder de decisão, de reação aos estímulos do meio ambiente com racionalidade e inteligência em grau mais elevado, isto foi conferido apenas ao ser humano. E, também por esta razão, Deus disse ao homem para “dominar” sobre o restante da criação. É isto que coloca o homem em uma posição acima de tudo mais no reino animal, no reino mineral e no reino vegetal. Vejam este verso aqui em Gênesis  1:26:

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.

Portanto, Deus sujeitou o mundo que ele havia criado ao “ser humano” criado também por Ele, à Sua imagem e semelhança, ou seja; com poder de decisão, com inteligência e sentimentos diferentes de todo o restante da criação.

Neste momento as mãos começaram a levantar-se pela sala toda.


A Zezé logo percebeu que aquela reunião ia ser das mais interessantes e suas explicações seriam interrompidas a todo instante. Enfim, vamos lá, ver quais são as dúvidas nas cabecinhas ali.

Certo, disse a Zezé Comece você Duda, e depois vai seguindo na ordem que vocês estão sentadas, uma de cada vez ok?

Zezé, quer dizer que o nosso gato, o Raio, não sente nada por mim e pela Ju? Quer dizer, ele não gosta da gente como a gente gosta dele? E a Ju falou em seguida Era bem isso que eu ia perguntar também...

Bom, vamos lá, disse a Zezé, arrematando duas perguntas de uma vez só os animais de estimação, como eu falei, possuem um instinto muito apurado e eles se afeiçoam sim aos seus donos. Não é o mesmo tipo de amor que sente o ser humano, mas, é muito parecido, porque eles são leais quando sentem que são queridos, alimentados e tratados com carinho. É um comportamento condicionado pelo bem estar que eles sentem quando são bem tratados. É um amor baseado em troca. Diferente, por exemplo do amor de Deus que é movido pela doação, pela compaixão e renúncia.

Na cabeça dos adultos rodavam mil perguntas e observações que gostariam de fazer, mas, todos se seguraram o máximo para não interromper as perguntas das crianças.

Em seguida falou a Camila:
Zezé, eu queria saber o que significa “dominar” porque parece que muita gente acha que é maltratar, porque eles tratam os bichos muito mal, às vezes...

Neste momento, a Cássia atravessou a conversa, ansiosa, e falou antes da resposta da Zezé.

É!!! Era isso mais ou menos que eu ia perguntar também, porque o papai é muito bravo e ele sempre fala, quando está dando bronca, que é ele quem “domina” lá em casa. Ele grita bem alto e não deixa a gente explicar nada quando a gente faz qualquer coisa errada e ele já vai logo falando: “todo mundo de boca fechada, que quem “domina” aqui sou eu!” Então eu sempre achei que dominar é ser “muito ruim” com os outros e não deixar ninguém falar, nem se mexer... Eu quase nem respiro quando ele tá bravo, porque eu fico com muito medo...

Só por essa pergunta e queixa da Cássia, muitos pensamentos se formaram na cabeça da Lívia e dos vários adultos ali.


A Zezé sentiu imediatamente a tensão no ar e entendeu também por que motivo a Cássia era uma menina que só sabia brigar antes, no início daquele ano na Escola. A Mannu também pensou assim, pois lembrava muito bem o quanto ela tinha sido alvo dos insultos e dos gritos da Cássia quando elas  eram “inimigas”. Sentiu tristeza pela amiguinha que sofria tudo aquilo em casa e ela nem sabia. A Cássia também nunca tinha falado, apenas “reagia” de maneira errada, ou seja, da maneira que via em casa, repetindo o exemplo. Na Escola, ela tentava “dominar” para compensar o quanto era reprimida em casa.

A Zezé preparou-se para responder a Cássia e a Camila.

Bem , Camila e Cássia, muita gente entende o verbo dominar da maneira mais torta possível. Quando Deus disse para o homem “dominar” sobre os animais e tudo quanto Ele tinha criado, Ele pretendia que o homem tivesse o controle de tudo para CUIDAR  bem das coisas. O trabalho do homem era tomar conta de tudo com muito carinho e cuidado, pois Deus havia criado tudo com esse mesmo carinho e cuidado e Ele mesmo havia dado ao homem essa autoridade. Então, dominar NÃO é maltratar. Mas, logo vocês vão entender por que isso foi deturpado na mente humana.

Agora a sua pergunta Mannu, disse a Zezé.

Pois é Zezé, eu queria saber por que que Deus deixou aquela árvore lá no jardim. Ele não sabia que os humanos iam comer? Você disse que Deus sabe tudo, sempre...

Ele sabe, meu amor, mas Ele também dá liberdade  aos acontecimentos e respeita aquilo que Ele mesmo estabeleceu. Vou explicar: Eu não disse que quando Ele criou o homem, Ele criou com “poder de decisão?”

Hum hum...

Então, quando Ele deu essa capacidade ao homem, Ele deu para que o homem tivesse a liberdade de usá-la. Tudo o que Deus deu ao ser humano era para que ele usasse para o seu próprio bem e de tudo aquilo que estava em volta dele. Mas, como seria se o homem não tivesse nenhuma oportunidade de escolher por si mesmo? Será que o homem saberia se ele tinha condições de usar essa capacidade dada por Deus? Por isso Deus colocou a árvore lá.

Ah... mas... Se Deus sabia tudo já, Ele também sabia que o humano que Ele criou não ia usar certo essa “capa...ci...deza” capacidade... socorreu a Zezé prontamente.

Isso... e então, o humano dele ia estragar tudo o que Ele tinha criado bem bonito e perfeito!! Eu não ia deixar não!!! Por que será que Deus deixou? Perguntou a Mannu fazendo beiço  e cara de irritada ao mesmo tempo, enquanto pensava no jardim que tinha perdido.


Aí é que está meu amor. Se Deus deu essa capacidade ao homem, o homem tinha também força para escolher certo, mas não escolheu. Só que se Deus não permitisse isso, então, não tinha por que Ele ter dado essa força de escolher para o homem, não acha? Se Deus não desse liberdade para ele usar essa força, por que Ele teria dado isso ao homem?

As coisas viraram uma “farofa” na cabeça do Dr. Álvaro e também do tio da Lívia, tio Fábio.


O socorro para os dois adultos que não estavam dispostos a manifestar sua confusão sobre o assunto veio da boca das crianças; das gêmeas, que perguntaram juntinhas como muitas vezes acontecia. Será que a mente dos gêmeos é idêntica também? Às vezes parece que sim...


É, isso mesmo crianças, eu já ia completar as coisas. Quando Deus deu aquela ordem para eles não comerem da fruta daquela árvore, era para os seres humanos exercitarem sua capacidade de escolha. Ou eles acreditavam no que Deus havia dito sobre a árvore, e não comiam do fruto dela, ou eles NÃO acreditavam e desobedeciam à ordem de Deus. E como vocês sabem, eles escolheram errado, escolheram não acreditar e desobedeceram a orientação de Deus, e comeram, achando que não haveria problema nenhum por isso.

E daí, virou aquela bagunça lá no jardim deles, completou a Mannu, quase brava. Eles foram se esconder de Deus, de vergonha...

Pois é, quando eles “desobedeceram” a vontade de Deus, o que entrou no coração deles foi a primeira amostra do que era o “mal”. Lembra que Deus tinha chamado a árvore  de “árvore do conhecimento do bem e do mal?” Então, foi assim que eles descobriram o que era o “mal”, que eles nem conheciam. Ou seja, este foi o primeiro ato negativo que aconteceu entre Deus e o ser humano, e partiu do ser humano, não partiu de Deus.

Pois é isso mesmo, doutor! Parece muito pouco né? Mas se o senhor pegar um instrumento seu em uma cirurgia que tenha um único “micro-organismo”, a sua cirurgia vai ser totalmente comprometida e o seu paciente poderá morrer, não é verdade? Certas “impurezas” não cabem em determinados lugares concorda doutor?

É... lógico... claro, pensando por esse lado... Disse o médico, surpreso pela pronta analogia feita pela sua serviçal. E ela continuou a sua explicação.

Pois então imaginem um lugar totalmente puro e livre de manchas, santo e imaculado. Assim era o coração dos seres criados por Deus e o simples pingo da desobediência que caiu ali se reproduziu rapidamente acarretando uma infecção generalizada trazendo todos os outros sintomas e consequências ligados a ela. Produziu culpa, vergonha, o reconhecimento de que haviam errado, trouxe medo, doenças, e a mancha foi se expandindo, como uma bactéria mesmo, em um meio favorável, entende doutor?


Pois é isso doutor, os primeiros seres humanos foram criados, como eu disse, à imagem e “semelhança” de Deus, isto quer dizer que eram puros também, eram santos, não tinham contato com o mal. Não eram “iguais” a Deus, mas “semelhantes”, por isso, não estavam preparados para conhecer o mal sem sofrer as consequências. E assim, quando o “micro-organismo” da desobediência entrou neles, o resultado foi catastrófico. Tudo o que estava puro e limpo dentro deles foi contaminado. O senhor sabe como isso é perfeitamente possível.


É... eu sei... disse o médico ainda muito cético com toda aquela história, mas, ao mesmo tempo sem poder negar que fazia sentido da maneira como ela estava explicando. Afinal se as coisas materiais figuravam a realidade espiritual, ou seja, existindo uma realidade física e outra espiritual, essa, para ele, era a melhor maneira de entender a conexão entre elas. Afinal, ele acabou perguntando:

Se é assim como você diz Zezé, por que, então, esse Deus que você diz que sabe de tudo não arrumou a bagunça que as criaturas dele fizeram? O mundo hoje é um caos por causa disso, do tal do “mal” que os primeiros humanos trouxeram para o mundo físico, não é assim que você fala?

É assim mesmo doutor, mas Deus “arrumou” a bagunça sim, e o senhor não imagina a que preço! Mas isso vai ter que ficar para a próxima reunião nossa, porque não vai dar tempo de explicar com detalhes o desenrolar dos fatos. Eu só quero deixar claro que Deus já tinha a solução, antes mesmo do problema chegar. A solução foi escolhida antes ainda da fundação do mundo, como está escrito aqui na Bíblia em I Pedro 1:18-20. Vou ler pra vocês:

Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados,
mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito,
conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês.

O Dr. Álvaro e todos os outros adultos ficaram espantados de ver como a Zezé tinha na cabeça todos os textos que ela precisava para explicar qualquer ponto da sua fé. Será que ela tinha decorado aquele “ Livrão”?


Para encerrar a Zezé não poderia deixar de falar sobre um acontecimento “mega importante” para a humanidade toda. Ela continuou...

Olha gente, eu só quero falar mais uma coisinha. Essa solução foi enviada por Deus ao mundo para “arrumar”, como diz o Dr. Álvaro, toda a bagunça que nós herdamos. E nós estamos muito perto de comemorar a chegada dessa “Solução”. Ai de nós se não fosse Ele... as coisas estariam muito piores ainda.

Quando Ele veio, chegou a Luz e a Esperança, por isso, em todo o mundo se comemora o Natal; a chegada do Salvador. Ele nasceu, viveu entre nós e completou Sua missão para o nosso resgate. Falaremos disso em outra ocasião. Por enquanto, eu quero desejar a todos vocês um lindo Natal, com a consciência de que essa é uma comemoração que vai muito além do mundo físico, ela é festejada até hoje nos céus também. O Rei dos reis deixou a Sua majestade e veio caminhar conosco por um tempo, isso é imensurável!







sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

EXPLICANDO O INEXPLICÁVEL II – CAPÍTULO 66



Quando a tia Mel atendeu o interfone e avisou que as meninas precisavam descer pois os pais e responsáveis já estavam todos lá esperando por elas, a reclamação foi geral. Ninguém queria interromper a história naquele pedaço, mas, trato é trato, e obedecer é necessário e é bem mais bonito do que reclamar.

AAAHHHHHHHHHH! NÃO!!!! AGORA NÃO ZEZÉ!!! Foi o pedido de todas ali, e, cá conosco, do Dr. Álvaro também, que, em pensamento, só em pensamento mesmo, estava curioso para saber que argumentos a Zezé teria para convencer uma mente altamente científica e racional como a dele. Mal sabia ele que isso não dependia dos argumentos da Zezé.

Até a Mel se juntou aos “protestos”...

Eu poderia chamar os pais aqui pra cima já que estão todos aí... disse a Mel.


A Zezé não podia fazer isso, pois não sabia até que ponto os outros estariam interessados e nem mesmo o quanto eles teriam que retroceder nas explicações por causa dos outros até que eles também pudessem acompanhar as histórias. Então ela disse:

Crianças... hoje não vai dar, ninguém veio preparado pra ficar... mas, vamos combinar uma coisa? Cada uma de vocês vai contar as histórias que vocês já ouviram até aqui para os pais de vocês, ok? Se eles quiserem vir na próxima reunião podemos até ficar um pouco mais, pode ser Dra. Laura?  Perguntou a Zezé, sabendo que a próxima seria na casa deles.

Enquanto a Dra. Laura abria a boca pra falar alguma coisa o Dr. Álvaro atropelou as palavras dela, tão ansioso para responder que até a Mannu estranhou.


  Bem, então, está resolvido o dilema, disse a Zezé. Todas pra baixo comigo agora, para encontrar os pais ok?

As crianças ainda tentaram argumentar um pouco mais, porém, a Zezé já sabia que não seria possível desta forma. Não dá para fazer as coisas sem planejamento a não ser em caso de emergência mesmo. 

Saíram todas com a Zezé, e o Dr. Álvaro e a esposa ficaram conversando um pouquinho mais com a mãe da Camila. A Mannu e a Camila desceram também, com as meninas.

O que vocês têm achado dessas histórias todas? Perguntou a Mel para o casal.

Olha... gaguejou a médica... é... pra ser franca, eu não sei muita coisa sobre isso, e, portanto, tenho participado para ver o que é que a Zezé anda ensinando para a Mannu e essas meninas, entende Melissa? É mais por isso mesmo...

É... eu também... complementou o Dr. Álvaro. Na verdade, eu tenho é andado preocupado com esse misticismo todo que a Zezé anda jogando em cima da Mannu e das outras crianças... então, estamos meio apreensivos, por isso temos feito tanta questão de assistir às reuniões.


Perfeito! Isso é muito necessário atualmente, as crianças estão expostas a tanta coisa perigosa através de internet, amigos desconhecidos, até literaturas estranhas que trazem mensagens subliminares etc... que é preciso acompanhá-los, sempre que for possível, mais de perto, não é mesmo?

Exato!! Disseram os dois ao mesmo tempo...

Eu não quero a minha filha com a cabeça cheia de dúvidas e fantasias que só podem prejudicar o desenvolvimento intelectual e emocional dela... Completou o Dr. Álvaro sentindo-se mais à vontade para ser sincero.

É verdade, todo cuidado é pouco, continuou a Melissa. Mas... vocês notaram alguma coisa, digamos... “estranha” no comportamento da Mannu por causa dessas histórias?

Eles pensaram um pouco e começaram a falar os dois ao mesmo tempo...

Olha! Começou ele... Na verdade! Disse ela...

Olharam um para o outro, rapidamente, e ficou entendido que a palavra estava com a mãe, que passava um pouco mais de tempo com a filha.

Bem... eu notei sim... mas não posso dizer que seja uma coisa “estranha” no sentido negativo... Digo, é estranho porque aconteceu de repente, mas ela está, na verdade, muito melhor. Anda mais alegre, não tem mais dor de estômago como antes, nem tem me pedido mais pra ficar com ela em casa porque não está com vontade de ir para a Escola... isso realmente acabou.

É... e outra coisa que eu notei foi que ela não tem reclamado tanto quando eu preciso sair, de repente, no meio de qualquer atividade com ela, para fazer algum atendimento de emergência. Antes era uma reclamação só... Disse o médico quase espantado por ter percebido isso.


É... sem dúvida, isso é muito bom. Porque eu acabava sempre indo trabalhar com uma espécie de “peso” por ter que deixar a minha filha sozinha tantas vezes. Enfim...

Nesse momento, a Zezé, a Mannu e a Camila entraram e a Melissa perguntou:

Que tal tomarmos mais um cafezinho? Vai bem com aquelas guloseimas todas que ainda sobraram pra me fazer ter pesadelo com um “pneu” gigante correndo atrás de mim...

Riram todos e concordaram que era melhor ter um pesadelo daqueles do que passar fome. Foram para a mesa e conversaram até mais tarde, quando o telefone do Dr. Álvaro tocou. A Mannu olhou para o pai e já sabia.


Assim que ele desligou o telefone, deu uma piscadinha para a filha e foi dar um beijo na cabeça dela. Ela realmente não reclamou. Ele se despediu de todos ali e foi para o hospital.

A Mannu e a mãe ficaram um pouco mais conversando com a Melissa, enquanto a Zezé e a Mari davam um jeito na desordem da cozinha. Depois disso, foram todas embora. A Zezé para a casa da irmã, a Mari para a sua própria casa e a Mannu e a mamãe para o andar de cima.

Essa semana demoraria um bocado a passar; para todos. A curiosidade estaria rodopiando na mente de todos ali. Que será que viria na outra parte da história? Será que iriam todos os outros na reunião também? E qual seria a continuação da história?

O Dr. Álvaro passou a semana se preparando mentalmente para inquirir a Zezé, com cuidado para não “massacrar” a empregada por quem tinha muito respeito. Mas, dessa vez ele queria tirar algumas explicações mais objetivas da Zezé, pensou ele.

Enfim, chegou o sábado seguinte. No mesmo horário, lá estavam todas as meninas na casa da Mannu. Somente a Lívia conseguiu trazer o tio e a mãe para o encontro, as outras não  conseguiram convencer os pais a virem também. Então a grupo estava maior desta vez.

Assim que terminou a sessão “doçura”, passaram para o local onde teriam a sessão “nutrição espiritual”. Acomodaram-se todos e a Zezé começou:

Bem, hoje temos mais dois novos participantes do nosso grupo, a mãe da Lívia e o tio dela. Bem vindos D. Irene e Sr. Fábio, queremos que vocês se sintam bem à vontade com a gente. Qualquer coisa que ficar meio atrapalhada na cabeça de vocês podem fazer as perguntas que quiserem ok?

Eles agradeceram e disseram que estavam muito felizes por também tomarem conhecimento dessa história que ficava cada dia mais interessante.  Já sabiam tudo até ali, pois a Lívia havia passado o “relatório” completo de tudo.


O Dr. Álvaro sorriu e disse que estava feliz de vê-los ali, e também de ver a aparência da D. Irene; mais corada, com um lencinho bem arranjado na cabeça, bem diferente da última vez que eles se encontraram.

A Zezé recomeçou:

Bem, vamos lá; a gente estava falando sobre o quê mesmo, quem lembra?

Imediatamente várias mãos infantis se levantaram.


A Zezé sorriu para as interessadíssimas e foi logo falando, ela mesma:

Ótimo!! Todo mundo lembrando né? Nós estávamos falando sobre o quanto a nossa vida é apenas uma passagem rápida por este mundo não é mesmo? Vocês falaram dos avós que já foram embora e etc, não foi isso?

É isso sim Zezé! Falou a Lívia que estava muito ansiosa para comentar esse tipo de coisa.

Sabe Zezé, eu tinha muito medo de falar sobre morte, porque quando a minha mamãe ficou doente, eu pensei que ela ia morrer. Mas, a Mannu me ensinou que quando eu tiver medo é só eu me lembrar que Deus existe mesmo! E que eu posso falar com Ele... Daí, quando a gente lembra disso, o medo se assusta e vai embora!


 A Zezé abriu o livro e leu assim:

No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Isso está escrito lá em 1 João 4:18. E sabe quem é o “perfeito amor”? Que tem essa força toda de espantar o medo maior do mundo? É exatamente Deus... porque Deus é AMOR, e amor perfeito. Vou ler pra vocês verem como isto também está escrito na Bíblia: Está lá em I João 4:8 que diz assim:

Quem não ama não conhece a Deus, porque DEUS É AMOR.


Por isso, Lívia, quando você falou com Deus, você reconheceu que Ele existe e demonstrou que você confia n’Ele, então, o amor d’Ele entrou no teu coraçãozinho, e expulsou o medo de lá, entendeu? Porque medo e confiança não se dão bem quando estão juntos. E quer saber mais? Mesmo que Ele tivesse levado a sua mamãe embora, Ele nunca deixaria você sozinha. Ele sempre iria providenciar alguém pra cuidar de você e amar você muito também, porque você confia n’Ele e depende d’Ele.


É... eu sei Zezé, mas eu não queria ficar sem a minha mamãe não!!

Claro, querida! Ninguém quer perder ninguém. Mas, quando isso é preciso acontecer, e só Deus sabe por que, é o próprio Deus que toma conta da situação de quem fica aqui. Aliás, de quem fica e de quem vai... Ele cuida de tudo. Portanto, se a gente acredita e ama mesmo a Deus, a gente nunca fica abandonado, ou abandonada, na solidão... entenderam?

Os adultos estavam num silêncio total. Pareciam todos sem palavras; até gostariam de discordar, mas não parecia correto e nem oportuno. Afinal, se a coisa funcionasse assim mesmo, e as pessoas conseguissem enxergar isso, seria um grande consolo para quem tem que se separar de alguém que ama para sempre.

O Dr. Álvaro limpou a garganta e achou que “devia” dizer alguma coisa.

É, seria muito bom se todos acreditassem assim, pois seria mais fácil lidar com a morte... mas... o problema é que isso depende muito do ser humano, a gente vê que nem todos ajudam ou se preocupam o suficiente com quem perde os entes queridos. Caso contrário, não teria tanta criança abandonada, sofrendo sozinha por aí...

Exato, Doutor! E sabe por quê? Justamente por culpa de nós mesmos! Para entendermos isso precisamos voltar lá na história do jardim, no momento em que os seres humanos resolveram que seria “bom” conhecer o “bem’ e o “mal” Disse a Zezé aproveitando para retomar o assunto que havia sido desviado na última reunião.

Ah... e você acha que isso pode ser explicado com aquela “lenda” do jardim perfeito? Perguntou o médico quase com ironia.


Essa parte vai ficar para o outro capítulo, veja se não perde ok? Vai ser emocionante...


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

EXPLICANDO O INEXPLICÁVEL - CAPÍTULO 65



Todos olhavam para a Zezé esperando o que ela diria sobre a misteriosa fruta que fazia “mal”. Dr. Álvaro era um dos mais ansiosos para conhecer o pensamento da Zezé sobre aquilo tudo. E a Mannu também, pois não conseguia imaginar uma árvore de frutas ruins no meio daquele jardim maravilhoso que a Zezé tinha descrito. Para complicar um pouquinho mais a explicação a Mannu perguntou:

Que cor era essa fruta ruim Zezé? Verde , vermelha, roxa, amarela... Ela era uma fruta de cor feia?

Zezé começou a explicar a partir dessa pergunta da Mannu. Disse ela:

Mannu, a Bíblia nos traz muitas histórias que não conseguimos esclarecer completamente. Mas, ela sempre traz a informação necessária para que a gente possa entender uma verdade espiritual. Muitas coisas materiais, (físicas) são usadas na Bíblia para nos ensinar coisas espirituais sabe?

Mas, como será que ela era? Ela tinha algum veneno que fazia mal pras pessoas? E por que Deus não queria que eles comessem daquela fruta?

A curiosidade da turminha estava cada vez mais aguçada e a Zezé tinha que dar um jeito de explicar de maneira que as crianças entendessem, mas, também de forma que os adultos ali, todos bem informados, pudessem compreender e aceitar sua explicação sem polêmicas e dúvidas. Missão das mais difíceis mesmo!

Mannu, disse a Zezé Aqui não diz, se a fruta era vermelha, verde ou que formato tinha. Mas, no capítulo3, verso 6, do livro de Gênesis, que é o livro que conta esta história, está escrito que a mulher ‘viu” que a árvore era boa para se comer e agradável aos olhos. Então, podemos entender que não eram frutas feias, nem distorcidas ou coisa parecida. Pelo contrário, devia ser uma fruta bonita (agradável aos olhos) e apetitosa.

É mesmo... disse a menina já formulando no pensamento a próxima pergunta. Antes dela, a Lívia fez um comentário seguido de uma pergunta que era a mesma que estava rodando pela mente da Mannu também.

Zezé, se não era pra eles comerem daquela árvore, por que, então, que Deus colocou ela ali... Todo mundo ia querer comer dela você não acha? Se ela era uma árvore com frutas bonitas...

Nesse momento o Dr. Álvaro pensou, e a Mannu falou, curiosa como sempre!


Pois é... disse a Zezé tentando entrar no assunto com cuidado. Existem várias interpretações sobre essa “árvore” e eu vou dizer a que mais se fala por aí ok? Primeiro, como eu já disse, na Bíblia encontramos muitas coisas e acontecimentos que figuram uma realidade espiritual.

O que é “figuram”, Zezé? Perguntaram  a Ju e a Duda ao mesmo tempo.

Em seguida, a Mannu disparou: “Realidade espiritual” o que é isso Zezé?



Nesse instante a Zezé percebeu que tinha se descuidado um pouco na linguagem, tudo era muito novo para todos ali, principalmente as crianças.

Depois dessa frase, o Dr.Álvaro não pode deixar de pensar que a Zezé não estava preparada para explicar aquelas coisas para as crianças. Parecia que ela estava mexendo com coisas profundas demais e que as crianças jamais entenderiam tudo aquilo.

Mas, a Zezé nem se perturbou e tratou de “facilitar” as coisas.

Vamos mais devagar um pouco. Eu quis dizer que muitas coisas e histórias da Bíblia servem para nos ensinar sobre o mundo onde Deus vive, que é o mundo espiritual, por isso elas são uma “figura” desse mundo de Deus que Ele desenha aqui no nosso mundo para a gente entender o mundo d’Ele, ficou mais claro?

Dr. Álvaro se surpreendeu de novo:




Todos concordaram que estava um pouco mais fácil de entender agora, então a Zezé continuou:

Vamos voltar lá para a pergunta da Lívia: Por que Deus colocou aquela árvore ali se não era para eles comerem. Como eu já falei, Deus criou um lugar perfeito e santo onde Ele colocou esse casal que também era perfeito e santo, tanto que eles não tinham doenças nem nada que fosse ruim, como a gente tem hoje. Mas, eles não eram “iguais” a Deus, eles eram “semelhantes” a Deus, como eu vou ler aqui pra vocês em Gênesis 1, verso 26 e 27, prestem atenção:

“Então disse Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão.’
Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. "

O burburinho recomeçou, com todos falando ao mesmo tempo e fazendo as “boas” perguntas uma atrás da outra:

Gente!! Então nós somos parecidos com Deus?? Perguntou a Cássia espantadíssima.

Quer dizer que Deus tem corpo assim como o nosso? Ele fala e anda como a gente? Continuou a Lívia.



Calma, vamos devagar agora. Existem coisas na Bíblia que são muito complicadas para as crianças entenderem. É preciso cuidado nessas questões Disse a Zezé buscando a sabedoria que Deus manda nesses momentos de dificuldades na interpretação de textos bíblicos. Continuando, ela disse:

Deus é um Ser espiritual, então, não podemos imaginar que tipo de corpo Ele tem. Sabemos que Ele tem um corpo espiritual, mas nem conseguimos imaginar como é. Paulo, um dos homens inspirados que Deus usou para escrever a Bíblia, diz uma coisa assim lá na primeira carta que ele escreveu para os Coríntios. Essa carta dele, depois, virou um livro na Bíblia, vocês estão entendendo crianças? 

 Perguntou a Zezé, sabendo que ali ninguém conhecia a Bíblia, a não ser a Mannu, a Mel e a Camila.

Eu vou ler pra vocês, disse ela:

Antes de a Zezé poder ler alguma coisa, a Marianna fez  uma observação, toda eufórica, que fez o Dr. Álvaro cair na risada!

Nossa Zezé! Disse ela Então já tinha Corintiano naquele tempo de Jesus?? Eu tenho que falar isso pro papai, ele é Corintiano roxo! E aí ele vai querer ler a Bíblia!!!

Foi uma risada geral, e a Marianna ficou pensando o que foi que ela tinha dito de tão especial...


A Zezé não pode deixar de rir também, mas explicou com muito carinho e paciência para a Marianna e as outras, inclusive a Mannu, que estava achando que era isso mesmo.

Marianna, os “Coríntios” da Bíblia não têm muito a ver com os Corintianos de agora, embora eles gostassem “muito” de outros tipos de jogos também. Os Coríntios da Bíblia são pessoas que viviam em CORINTO, uma das cidades comerciais mais importantes da época.

Isso foi o suficiente para as crianças entenderem e para os adultos ficarem pensando em como é que a Zezé sabia de tudo aquilo...


Continuando, a Zezé falou:

Então, Lívia, você queria saber se Deus tem corpo assim como o nosso, eu posso te dizer que como o nosso não é. É muito superior, infinitamente. Vou ler aqui pra vocês em I Coríntios 15:40, e também no 44, olha o que está escrito:

 E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres.
Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual.

Então, sabemos que existe um corpo espiritual, só que ainda não sabemos como é. Por enquanto, não podemos saber direito. O mesmo Paulo que escreveu isso, disse também, para os mesmos Coríntios, o seguinte:

Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.

Mas isso é outra história já... para depois da nossa passagem por aqui... disse a Zezé, tentando voltar ao tema da história anterior. Só que com crianças, nem sempre é possível manter um roteiro certo, com começo, meio e fim. Muitas vezes a curiosidade delas aponta para outros atalhos que precisam ser percorridos também para depois voltar ao trajeto primeiro.

Depois do quê? Zezé? Nossa passagem por onde? Como assim? Eu queria entender já! Disse a Mannu com o poço de perguntas fervilhando!

A Zezé percebeu que não poderia fugir da pergunta pois, sem querer, ela havia levantado dúvidas nas cabecinhas ali, e não eram dúvidas só nas cabecinhas infantis não, nas cabeças muito pensantes dos adultos também. Dr. Álvaro e a Dra. Laura olhavam para ela sem disfarçar a expectativa.

Bem, disse ela com cuidado. É que eu não queria falar desse tipo de coisa hoje, é preciso vocês entenderem outras coisas antes de começarmos a pensar nessas coisas tão... tão sérias e difíceis de se falar.

Os adultos entenderam de que passagem a Zezé estava falando, mas estavam muito curiosos para saber sobre a história de “ semear corpos naturais” e surgir corpos espirituais. Que história era essa afinal? Então, a Dra Laura, preocupada sobre como a Zezé abordaria o assunto, falou para a turma o seguinte:

Olha, crianças, vocês sabem que nós, meu marido e eu, somos médicos e, então, estamos acostumados a falar sobre essas coisas... Para nós é uma coisa muito natural, mas existem crianças que não gostam de falar sobre isso, então... é... não sei... Zezé, o que você acha? Acabou perguntando sem saber ao certo o que fazer quando viu aqueles olhos infantis, todos, voltados para ela. 

Percebeu que a situação não era simples.


Zezé, como sempre, foi sábia, e não mentiu ou criou ilusões na cabeça das crianças. Todas ali já sabiam o que era morte e já tinham ouvido sobre pessoas que “passavam” daqui para outro espaço. Então ela foi clara, mas cuidadosa:

Meus amores, quantos aqui têm avô e avó?

Só a Marianna, a Cássia e a Camila levantaram a mão. A Lívia disse que não tinha mais vovô nem vovó, a Ju e a Duda também não, e a Mannu tinha só uma vovó que morava longe dali. Era mãe do seu papai. Então, ela mesma, falante como sempre, começou a explicação:

Eu tenho só uma vovó Zezé, e foram embora dois avôs e mais uma vovó.

Pois é, eles foram embora como?

A mamãe falou que eles morreram, que viraram estrelinha...

Pois então, geralmente, quando a gente envelhece bastante, a gente vai morar em outro lugar e, para isso, tem que morrer. Só entra nesse outro lugar, depois que morrer. E era disso que o Paulo que escreveu para os Coríntios estava falando. Por isso ele falou de um corpo espiritual, diferente desse aqui que precisa morrer, sabe?

Você está dizendo que a vida continua depois da morte Zezé? Perguntou o Dr. Álvaro, muito quieto até então.

Isso mesmo Doutor, é o que nós cremos. Nossa vida aqui é só uma passagem, e bem curta aliás...

  

A Zezé estava tratando o assunto com a maior naturalidade possível, justamente para que não ficasse pairando no ar nenhuma sensação de medo ou de angústia. É claro, que isso precisa ser muito bem explicado para que as crianças entendam e não fiquem assustadas só por falar nisso. Isso é uma coisa natural.


 Infelizmente, a Zezé não pode continuar a sua conversa com eles, pois o interfone tocou e isso significava que a hora tinha passado voando e não deu tempo de muita coisa. Os pais e responsáveis pelas meninas já estavam ali para buscar as crianças. Mas a Zezé vai explicar bem mais no próximo capítulo, não perca de jeito nenhum!