Quando saíram da Escola, a Zezé, a
Mannu e a Camila foram direto para o salão da Lu. A Camila estava até com um
frio na barriga porque ia passar por uma mudança que ela mesma tinha escolhido
mas, agora, estava preocupada se tinha feito certo ou não. Afinal, cada um é de
um jeito e por que mudar para ficar parecida com outra pessoa. No caminho elas
começaram a conversar sobre isso.
― Hum... disse a Camila depois de
um pequeno período em silêncio, pensando sobre o assunto... Zezé, você acha que
eu estou errada só por querer cortar o cabelo do mesmo jeito que é o da Mannu?
― Como assim, “errada”...?
― Ah Zezé... assim... como se eu
estivesse só “imitando” a Mannu... Afinal, eu não sou ela... eu sou eu...
― Eu não acho que você está errada.
O que é bom e bonito pode e deve ser imitado. Se você gosta do corte do cabelo
da Mannu e se este corte ficar bom em você, não existe erro nisso. A não ser
que você queira ficar “igual” à Mannu, anulando aquilo que você mesma é... aí
eu acho que não funciona; porque cada um é exclusivo, com uma personalidade
diferente. Mas, vocês têm muita coisa em comum e se quiserem usar o mesmo corte
de cabelo não vejo nada de errado nisso. Na verdade, a Lu é quem vai dizer se
este corte vai ficar bom para você Camila, ok? De acordo com o formato do seu
rosto, etc...
― Tá bom Zezé... Mas, se eu
resolver não cortar igual o seu, você não vai ficar triste comigo né Mannu?
Mannuzinha, tão quietinha até agora, saiu do
silêncio e arrancou a tampa do seu poço de palavras que estava “em descanso”...
por pouco tempo, é claro.
― Olha Camila, eu não vou ficar
triste com você só por causa disso não. Eu só achei a ideia boa porque... Bom, lembra que foi você mesma que teve essa ideia? Não fui eu que pedi... Mas, eu
achei muito legal, porque você é minha “irmã” que o Papai lá do céu me mandou,
logo depois que eu pedi isso pra Ele. E eu pedi uma irmã com cabelo cor de
“campos de trigo” e você tem essa cor. Então, quando você disse que queria
cortar, eu pensei: Que massa! A Minha irmã vai ter cabelo parecido com o meu, quer
dizer: “cortado parecido”, igual a Ju e a Duda, só que de uma cor que eu acho
linda! Você sabe, eu não gosto da cor do meu cabelo, mas eu acho a cor do seu
muito linda.
― Que engraçado isso né? Porque eu
acho a “sua” cor de cabelo muito linda!! Não dá pra entender essas coisas...
― Dá sim! Disse a Zezé, toda
intrigada com aquela conversa.
― O que acontece é que todo ser humano
se acostuma com aquilo que vê todos os dias. Depois de um tempo acaba achando
que não tem graça, mas é só porque está acostumado a ver aquilo sempre. Mas...
imaginem só, se todo mundo fosse “igualzinho”... Não ia ter graça nenhuma, a
gente nem ia ter vontade de olhar no espelho...
― Credo! É mesmo né Zezé? Não ia
ser legal não... Disse a Camila, enquanto a Mannu pensava mais um pouco ainda sobre
o assunto. Por fim, ela concluiu.
― É... acho que não ia mesmo ter
graça nenhuma... Foi por isso que o Papai lá do céu fez tudo bem separadinho...
― “Separadinho??” Como assim meu
amor? Perguntou a Zezé.
― Assim... é... por exemplo Zezé:
Tem um montão de flor muito linda no mundo não tem?
― Claro, tem sim...
― Então... mas elas são feitas
separadas, não são feitas na mesma “parecidência”, nem na mesma cor, nem no
mesmo cheiro, elas não são feitas todas juntinho, do mesmo jeito, como nas
fábricas daqui do mundo né? Elas são todas feitas “separadinhas” e todas são
lindas. Não estou certa Zezé?
― KKKKKKKKKK! Claro meu amor...
elas são todas diferentes, embora existam muitas da mesma espécie, então, só
são iguais dentro da sua espécie. Agora... essa nova palavra sua aí, é que
ficou engraçada né? “Parecidência”... acho que você queria dizer “aparência”
não?
― Isso...
A Mannu continuou...
― Sabe Camila, pra mim, você podia
ser de qualquer jeito mesmo... Eu só pedi pra Deus uma amiga/irmã que tivesse
cabelo dourado porque eu gosto muito da história do “Pequeno Príncipe” sabe?
Por isso... Mas, você podia ter cabelo preto ou marrom ou até da cor do meu...
ou até ser “careca” não ia fazer diferença pra mim...
― Não!!! Careca eu não quero ser...
Imagine??
― Uai... o que é que tem? Eu já fui
num hospital com a mamãe e o papai onde eu vi muitas crianças “carecas”...
porque elas estavam fazendo um tratamento que “derrubou” todos os cabelos que
elas tinham, sabe?
― É mesmo? Bom... eu já vi também
algumas que não tinham cabelo e era por causa disso também... Que pena né?
― É, mas... não tem problema,
porque depois que terminar o tratamento, o cabelo volta tudinho outra vez, bem
bonito. E, enquanto você fica sem cabelo, você pode usar um monte de coisa bem
bonita na cabeça, se quiser, é claro... Senão, pode deixar a cabeça no “vento”
também... mas só se não estiver frio.
― É mesmo! Dá pra gente usar um
montão de bonés, iguais aqueles que você
tem e que ficam tão bonitos né, Mannu? Eu gosto!! Acho que perdi o medo de
ficar careca...
― Isso mesmo! Ou então, lenços de
cor diferente, eu acho tão lindo!
― É... eu acho que a mãe da Lívia
vai usar alguns assim, por um tempo, para colorir a cabeça dela né?
― Talvez... se ela gostar disso,
porque parece que a Lívia disse que ela não gosta de lenço né?
― Quem sabe você podia emprestar uns
caps pra ela, pode ser que de bonés ela goste...
― É verdade... vou falar isso pra
Lívia, se a mãe dela quiser eu empresto quantos ela precisar.
A Zezé só escutava aquela conversa
tão interessante das meninas. Chegaram ao salão e desceram correndo, porque já
estavam atrasadas. Mas, felizmente, a Lu ainda estava terminando o cabelo de
outra cliente.
― Oi Lu!!! Gritou a Mannu, correndo
para dar um beijo nela.
― Oi querida!!! Você trouxe a sua
amiguinha para cortar o cabelo é?
― É, eu trouxe... mas ela ainda vai
resolver se ela quer mesmo cortar tá bom Lu?
― Sem problemas!! Nós já
conversamos tá? Só um minutinho mais aqui...
As três se sentaram em um canto
bem confortável e logo apareceu uma moça para servir cafezinho e um chá de
maracujá que a Mannu gosta muito. Ela já trouxe também uns biscoitinhos
amanteigados que a Mannu e a Zezé não dispensam nunca. Enquanto beliscavam ali,
a Lu terminou o cabelo da moça e veio falar com elas.
― Então, essa é a Camila, que pensa
em cortar o cabelinho né?
― Isso Lu... ela é minha amiga/irmã
sabia?
― Amiga/irmã?? Que maravilha! Não é
todo mundo que consegue ter uma amiga assim... Hoje em dia... anda difícil né
Zezé?
― Verdade! Essas duas são
abençoadas, pois são muito parecidas nos gostos, na maneira de se comportar e
tudo mais, fazem tudo juntas e uma ajuda a outra. É claro que não são
idênticas, mas, uma respeita a maneira de ser da outra e isso é realmente uma
bênção na vida de qualquer pessoa.
― É... as amizades verdadeiras são
assim, e estão cada dia mais difíceis de se encontrar não é mesmo? Vamos lá
então Camila?
Vamos olhar seu cabelinho para decidirmos né?
― Ok... disse a Camila meio tímida
e meio temerosa ainda.
Na cadeira da cabeleireira, ela
foi ficando mais tranquila. A Lu soltou a trança de sempre dela e foi
explicando que ela tinha um rosto mais para oval, o que era um privilégio, pois
ela podia usar quase todo tipo de corte no cabelo. Enfim, decidiram cortar
mesmo... Ai! Lá vai a primeira tesourada!! E a Mannu eufórica ali ao lado, só
assistindo os fios dourados caindo aos poucos em volta da cadeira!
No final, UAU!!! Olha como ela
ficou!
Linda!!! Eu achei! Ficou mesmo
parecida com a Mannu, mas... se ela queria uma irmã, aí está! As duas ficaram
olhando para o espelho quase sem acreditar, como elas estavam parecidas agora!
Enfim, se a Camila se arrependesse
poderia cortar o cabelo mais ainda, bem curtinho por exemplo, como o da
Marianna... Por enquanto, as duas estavam curtindo muito essa brincadeira de
ficarem parecidas, estavam doidas pra mostrar a mudança para as outras amigas no
dia seguinte, quando seria sábado e elas tinham aquele encontro marcado lá na
casa da Mannu, para comerem o bolo da Zezé com muito sorvete e depois iam ouvir
histórias da Bíblia contadas pela Zezé.
Esse sábado promete!! Sexta feira que
vem, se Deus quiser, vocês ficam sabendo
como foi o sábado delas, e qual foi a reação das amigas ao novo corte de cabelo
da Camila. Será que elas vão gostar?







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